2.6. Araç Kiralama İşletmelerinde İnsan Kaynakları
2.7.5. Orta Doğu’da Araç Kiralama Sektörü
O processo histórico de ocupação da região sul do atual estado de Minas Gerais iniciou-se, em suas origens, com as incursões dos bandeirantes nos territórios mineiros para além da “Amantiquira”, na segunda metade do século XVII. Até então, ali vivia apenas o grupo indígena dos Cataguás que, já em 1692, haviam sido praticamente exterminados. A principal rota de acesso à região era a
“Garganta do Embaú”, atualmente estrada que liga os municípios de Cruzeiro ao de Passa-Quatro.
No entanto, foi só no início do século XVIII que, com a notícia da ocorrência de ouro e pedras preciosas em território mineiro, efetivamente se iniciou o processo de ocupação da região (Figura 1.1). O primeiro centro de adensamento populacional se localizou numa faixa que se estende de sul a norte, da bacia do rio Grande às proximidades das nascentes do Jequitinhonha, correspondendo em grande parte à serra do Espinhaço, atualmente abrangendo as cidades de São João del Rei, Ouro Preto, Sabará e Diamantina. Posteriormente, em torno deste núcleo central, foram surgindo outros secundários, que na região sul corresponderam principalmente às minas do Rio Verde (1720) e Minas do Itajubá (1723).
Para o abastecimento da população que se adensou nestas regiões, era necessário que se viabilizasse um suprimento alimentar adequado, seja através de fornecimento externo, seja pela implantação de um sistema agrícola e pecuário próprio. Assim, o abastecimento dos centros mineradores ao norte e nordeste da capitania estava na dependência de gêneros alimentícios provenientes, especialmente, do sul da Bahia. Pouco ou nenhum alimento era produzido nas regiões adjacentes a estas minas, sendo a atividade mineradora praticamente a única ocupação da população residente. No entanto, na bacia do rio Grande e seus principais tributários (Mortes, Sapucaí e Verde) instala-se, de permeio com os estabelecimentos mineradores locais de pequeno vulto e logo decadentes, um centro pastoril favorecido pelas condições naturais propícias. Estas atividades agropastoris supriam em boa parte os centros mineradores próximos, e posteriormente ganharam importância regional. Já em 1765, descia gado do sul mineiro para São Paulo e Rio de Janeiro, bem como produtos agrícolas (PRADO Jr, 1986).
Figura 1.1: Alguns vestígios históricos da ocupação regional no sul de Minas Gerais (da esquerda para a direita e de cima para baixo) - Igreja construída por jesuítas no bairro do Guapiara (Aiuruoca); Casarão centenário construído em pau-a-pique (Alagoa); Muro de pedras construído por escravos, bairro dos Nogueiras (Aiuruoca); Depressão próxima ao leito do rio Aiuruoca (Mata Ciliar) provocada pela retirada de sedimentos na busca de ouro, bairro dos Nogueiras (Aiuruoca).
Tal foi o impulso desta atividade na região que Saint Hilaire, ao passar por estas localidades no início do século XIX, destaca a superioridade das condições técnicas da atividade pecuária quando comparada à dos sertões. As instalações eram mais complexas e melhor cuidadas, pois o leite é aproveitado comercialmente, a alimentação do gado era suplementada pelo sal e havia o emprego de obras divisórias, tanto externas, dividindo a fazenda de suas vizinhas, como internas, separando-a em partes distintas. Segundo o viajante, empregavam- se para tanto cercas de pau-a-pique, valos e, ocasionalmente, muros de pedras (Figura 1.1).
A estrutura agrária brasileira da época estava fundamentalmente baseada nas culturas de exportação. Relata PRADO Jr (1986) que, nos momentos de alta
de preços dos produtos da grande lavoura, a alimentação básica nos centros urbanos chegava a ficar bastante comprometida, tal era a falta de atenção sobre estes produtos. Sendo a região sul mineira propícia à agricultura e localizada de forma favorável ao abastecimento dos centros consumidores regionais, desenvolve-se aí uma agricultura ocupada quase unicamente pela produção de gêneros de consumo interno, acompanhada em boa parte pela agricultura de subsistência. Cria-se assim, um padrão agrícola diverso daquele encontrado nas demais regiões da colônia, e talvez por isso esta região apresente uma característica própria, única na época, com relação ao regime de trabalho e ao tipo de organização a que ela dá origem. O trabalhador das fazendas é o escravo, no entanto, o proprietário e sua família participam ativamente do manejo da propriedade. Descreve PRADO Jr (p. 200) “A presença de escravos não aristocratizou o criador sul mineiro; e a pecuária traz aí, ao contrário da grande lavoura e da mineração, uma colaboração mais íntima de proprietários e trabalhadores, aproximando as classes por um trabalho comum. Aqueles não se furtam às atividades que em outros lugares seriam reputadas indignas e deprimentes”.
Ao contrário das regiões norte e nordeste da capitania, onde imperava o cultivo da mandioca, aqui, o cultivo de milho era a cultura predominante. PRADO Jr (1986) relaciona o fato não só às preferências étnicas locais, como também, ao maior emprego de bestas de carga e criação de suínos, cuja alimentação essencial é o milho. Outra importante atividade agrícola era a cultura comercial de fumo, esta sim destinada à exportação e praticada especialmente nas grandes propriedades, sendo os municípios de Aiuruoca, Baependi e Pouso Alto seus maiores produtores. Um aspecto interessante é o caso das tropas de burros, ainda hoje existentes na região, apesar da importância grandemente reduzida. O deslocamento das tropas criou diversos caminhos e trilhas batidas ao longo das cristas das serras, marcas ainda presentes e ponto de referência para aqueles que hoje se aventuram por estes trechos. Ao dono da tropa, denomina-se tropeiro, que podia conter de 10 a 50 animais. Para o conjunto de cerca de 10 animais, havia o arreiador, responsável pelo encilhamento e carregamento dos burros e mulas. Descreve-nos um morador:
“Essa casa, mesmo a telha veio de Itanhandú em lombo de burro, na tropa. Dum tropeiro que morava lá pra trás da serra (município de Baependi). Aqui
eles num gosta que fala Lajes, fala lá pra trás da serra. Mas é o nome do lugar, né? A tropa certa de burro é 10. Mas ele tinha uns 12 ou 14 burro. Aquilo vinha amarrado num jacá que despontava em cima, botava um couro em cima do jacá e amarrava a sobre-carga. Sabe o que é a sobre carga? Tem a cia, que fica por baixo do animal e depois a sobre-carga, que é apertada com arroxo. A sobre-carga tem um gancho de ferro e quem não sabe arroxá... O arroxo é um pauzinho mais ou menos assim (cerca de 40 cm), despontado que nem lápis, e enfia ele de baixo pra cima (no amarrio da carga) e dá uma volta, e ele tem que fica com o pé voltado pra trás, que se ele fica pra frente o tropeiro num tá entendendo nada. Todo tropeiro, pode vê, que o pé do arroxo fica inclinada pra trás. Acocha a sobre-carga, dá uma volta, volta e meia, com o pé do arroxo ficando voltada... Agora quando ele fica a prumo, sempre que escapa. Ou se fica pra frente, num presta. E os tropeiros, antigamente, usava campainha. Tinha um peitoral que usava oito, dez campainha, aquilo ia talam-talam-talam... e quem levava era o burro de guia, só o burro de guia. Tinha o burro de guia, os burro de meio e o burro de coice. Agora, todos os tropeiros tem um cachorro policial, né? Um cachorro ensinado. O tropeiro é o dono da tropa. Quando ele num ta junto tem o tocador, o arreiador... pra arrumá cangalha... o que seja que for preciso na cangalha. Que na hora de toca a tropa, ficava um no meio da tropa, que as vez, conforme o lugar algum aperta, assim o burro não atropelava...”(Seu Zico, bairro da Paciência - Pouso Alto).
Na primeira metade do século XX, uma importante atividade realizada na região foi a derrubada da vegetação nativa para a confecção de carvão. Também a exploração do pinheiro da região (Araucaria angustifolia) foi acentuada nesta época. Nenhum documento histórico foi encontrado que tratasse desta atividade, principalmente em relação à sua abrangência, mas os depoimentos de moradores mais antigos são, em grande parte, esclarecedores.
"Ah, isso mudô muito. Aqui era uma coisa que eu vou contá pro cê. Eu tô com 72 anos. Eu me lembro com os meus 18..., 17 anos, isso aqui era uma maravilha. Aqui era um pinheral onde é o campo de bola hoje, era o rei dos pinheiro. Mas vovô pegou e vendeu, o meu pai pegou e vendeu o dele também..., vendeu, mais ou menos, uns 3 mil e poucos pinheiros, o que tinha dentro do brejo, aqui. Foi assim que a companhia acabou com tudo, companhia Pradas, lá do estado de São Paulo... Tirava no lombo de burro; desdobrava, serrava, e os burro levava. Estrada só tinha na Berta. Agora a
carvoagem era outra coisa. Era o povo daqui mesmo..., do Serra Negra tinha
um empresário de carvão e o povo mexia com isso. O que saia de carvão dava medo de vê. Tinha umas caieira de carvão que eles fazia que numa só caieira dava vinte sacos. Botava fogo... como hoje, gastava 5 dias já tava pronto. Com 10 dias era uns 300 sacos de carvão. E quando entrava no mato assim não dava escolha. Era ingaieiro, era guatambu... ia tudo que tivesse. Por isso que eu falo que uma coisa muito boa foi acabá com esse negócio." (Campo Redondo – Itamonte).
"Na época de carvoagem, esses alto foi quase tudo tirado. Só sobrou o mato mais grosso e esses de grota. Tá fazendo uns 40 anos." (bairro da Serraria – Itamonte).
"Sauá (Callicebus personatus) tinha muito. No tempo dos carvoeiros até tinha, mas eles acabaram. Chegou a ter uns 200 carvoeiros pra essas bandas. Na época não tinha estrada. Saia no lombo de burro até o Brejo do Lapa. O pinheiro tirava pra cavaco, pra fazê papel." (bairro Vargem Grande – Itamonte).
"É um rebocado (a caieira). Enche de ramo e faz uma camada grossa de barro por cima, que nem casa de pau a pique mesmo. Aí enche de lenha e vai queimando de cima pra baixo, e nisso vai tapando os respiros que tem. Demora dias pra queimá tudo... e vai mais um tanto pra podê esfriá, senão explode. Vovô que contava pra nós... Por aqui eu sei de várias que eram caieira. Saia 2 balaio de carvão em cada burro, tropa de 6..., 8. Tinha o Joel, o Paulo Rita, o João Braga. Os amigos do vovô na época." (José, Pedra Preta – Pouso Alto).
“A caieira é o seguinte; pra uns seis sacos de carvão, eles faziam, desse tamanho assim, aquilo plaininho e põe o pau em pé, só que meio deitado pra dentro, que é pra podê fechá. Eles põe ramo debaixo da lenha de baixo e em cima, e põe terra de cima em baixo, de modo que ele dá o fogo pra baixo... o fogo em roda. Pra num queimá..., é cozido. Por que se queimá, sobro só aquele pó. De forma que se bate num tição daquele, tinha que engoli aço, e num quebra um... E botava a lenha (carvão) naqueles sacos, cheio até em cima e meio bordado, de modo que num quebra. E carvoeiro tem disso... eu não sei se eles num usa banho... pode sê branco, preto... é uma cor só. Por que, depois daquilo pronto, ele tem um montão assim de cinza, ele joga uma pá dele pra apagá aquele fogo... Por que o carvoeiro derruba o mato, e quando o mato seca ele põe fogo. E às vezes, conforme o mato, ele põe fogo no mato em pé só pra derrubá aquelas folhas, muchá um pouco, aí eles derrubam o mato, pra num dá aquela tranquerada...” (município de Alagoa).
Outro aspecto histórico importante na região, vem a ser o grande êxodo rural ocorrido entre as décadas de 60 e 70. Neste período, o processo de urbanização e industrialização que ocorreu no país, conduziu boa parte das populações rurais e urbanas da região sul de Minas Gerais às maiores cidades, especialmente aquelas localizadas no vale do Paraíba, como Taubaté, Caçapava, São José dos Campos e Guaratinguetá, entre outras cidades. Este fenômeno, relativamente recente, é lembrado por toda uma geração que permaneceu no campo.
"Até os anos 60 tinha bastante família por aqui. O povo vivia do leite e da agricultura, engordava porco. Hoje é mais do leite. A agricultura não dá para competir com os grandes".
"Antigamente se produzia muito, de tudo. Existia mais mão-de-obra. Em qualquer época, precisando, se conseguia dez camaradas para roçar pasto, capinar, o que fosse... Tinha fartura, só não tinha dinheiro".
“Se eu fala pra você que Pouso Alto tinha mais gente naquela época, você não vai acreditá. A maioria foi pro vale... outros tão por aqui mesmo...”
Paradoxalmente, a região tem apresentado, nas últimas décadas, um processo de crescente incorporação de moradores provenientes de grandes centros urbanos, especialmente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A baixa qualidade ambiental presente nas grandes cidades tem impulsionado o processo de êxodo urbano, ainda que em escala muito reduzida. Sendo o sul de Minas Gerais área de grande interesse por parte desta nova geração de migrantes, observa-se o estabelecimento, ainda que tímido, destes na região, impulsionados pela disponibilidade de terras ofertadas por um número, de certa forma expressivo, de moradores tradicionais.
"É bom (morar no campo) pra quem sabe viver e quer trabalhar. O sujeito quer comer legume, tem; outra coisa tem... Na roça é muito melhor. As coisa parece que é difícil... Mas quando o sujeito tá naquilo, tudo é fácil pra quem não tem preguiça. Eu tô satisfeito com a vida, graças a Deus. Eu preciso é de dinheiro, pra fazê mais movimento. Por isso tô vendendo um pedacinho de chão. O dinheiro pra nós aqui é muito difícil".
Ainda que haja, em algum grau, o estabelecimento definitivo destes migrantes urbanos, o turismo de segunda residência é a situação mais comum.