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3.5. leti imde Poka-Yoke Uygulama Sistemleri
3.5.2. Dinleme
O homem moderno, representado por movimentos culturais, nos quais se incluem as manifestações arquitetônicas ocorridas na Europa no Século XIX e início do Século XX, foi forjado a partir de intensos debates e busca por códigos estéticos coerentes com modos de vida que se transformavam rapidamente. Nova representação, compatível com ideia de progresso industrial que experimentava o continente, era necessária.
O sentido científico, evidenciado pelo Iluminismo do Século XVIII, refletiu no
Ottocento quando a máquina passou a ser instrumento e símbolo das transformações do mundo. De um lado, evoca a solução de problemas de uma sociedade sob nova realidade, advinda do progresso e, de outro, reafirma a domínio e a importância do ser humano sobre o universo.
No Século XIX, a Revolução Industrial que se refletiu no território europeu foi observada de maneira mais intensa e acelerada em nações como Inglaterra e França. Propagando-se de modo não uniforme pelos demais países, somente a partir de 1870 houve desenvolvimento semelhante na Europa como um todo. A Itália, todavia, constituída por regiões ainda em processo de unificação política e cultural, experimentava visível desvantagem em relação aos níveis econômico e social de seus vizinhos do Velho Continente.
Nos primeiros tempos após a conquista da unidade política em 1861, apenas cerca de um quinto dos habitantes da Península possuía educação elementar e o índice de analfabetismo beirava a marca de 80%. A fragmentação étnica, expressa na comunicação por dialetos da grande maioria dos habitantes, permite avaliar o panorama de dificuldades encontrado na construção do Estado italiano no
Risorgimento151.
Em quase toda a Europa, transformações decorrentes do progresso – advento da energia a vapor, execução de estradas de ferro, intensificação do comércio, ampliação dos setores de metalurgia e construção e da indústria como um todo – resultam em gradual, mas contínuo, fluxo populacional do campo para a cidade. Nesta, ascende socialmente uma classe burguesa, que ocupa espaços na economia e no poder político152. Na Itália, entretanto, por volta dos anos 60 do Século XIX, ainda predominam as atividades agrícolas e cerca de 80% da população ainda vive em zonas rurais. A pequena extensão da malha ferroviária dificulta o escoamento dos produtos, resultando em uma economia na qual o consumo para sobrevivência e o escambo são usuais. Com este teor de análise, Sabbatucci e Vidotto acrescentam: “os camponeses italianos, em sua grande maioria, viviam no limite de sua subsistência física. Alimentavam-se quase que exclusivamente de pão [...] e de poucos legumes. Estavam, assim, expostos a doenças por desnutrição[...]”153.
Pode-se afirmar que a situação de pobreza na Itália era geral. A expectativa de mudanças com a unificação política fez com que tensões sociais permeassem boa parte das últimas décadas do Novecento. Governantes de distintas correntes se sucederam no poder, propondo políticas que, invariavelmente, buscavam controlar o excedente da oferta de força de trabalho no País. Neste contexto, inserem-se ações
151 SABBATUCCI, G.; VIDOTTO, V. Il mondo contemporaneo: dal 1848 a oggi. Roma: Laterza,
2008, p.138-139. Ver também: SMITH, Mack. Storia d´Italia. Roma: Laterza, 2000.
152 SEGRE, Roberto. Historia de la arquitectura y del urbanismo: paises desarrollados: Siglos XIX
y XX. Madrid: Inst. de Estudios de Administracion Local, 1985, p.27.
153 SABBATUCCI, G.; VIDOTTO, V. Il mondo contemporaneo: dal 1848 a oggi. Roma: Laterza,
governamentais como o incentivo à emigração e a política colonialista italiana na África, esta última ocorrida principalmente entre os anos de 1887 a 1896154.
Na Europa em geral – a partir de um processo capitalista mais desenvolvido que na Itália no período dos últimos decênios do século – o crescimento das cidades responde a uma nova acomodação social que se desenha com a “criação de grandes empresas industriais e comerciais, desenvolvimento do patronato, do assalariado burguês e da classe operária”155. As necessidades de produção de habitações e de outros tipos de edificações destinadas a atividades urbanas diversas transfiguram a estrutura da cidade, ao comparar-se com o traçado da medieval.
Ao longo do Século XIX, na arquitetura se evidenciam manifestações formais historicistas, de estreita relação com o passado da Antiguidade e da Idade Média. A burguesia e o Estado, não raro contando com mecanismos de força ideológica, constituem os principais clientes dessa linguagem arquitetônica de continuidade histórica. Buscam, através da noção de estilo, a identidade com valores coletivos. O ecletismo situa-se dentro de um contexto assim posto, em todo o continente europeu156.
Todavia, especialmente no final do Ottocento, as novas experiências estéticas, resultantes da evolução cada vez mais acelerada das novas técnicas construtivas e estruturais potencializam o desejo por novos temas e novos vocabulários, que se afastam do historicismo, como é o caso do art nouveau e da linguagem expressionista do catalão Antonio Gaudi157.
154 ROMANO, Ruggiero. Itália. São Paulo: Círculo do Livro, 1988, p. 99. Coleção Pequena História
das Grandes Nações.
155 ORTIZ, Renato. Cultura e modernidade: a França do Século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1991,
p.14.
156 PATETTA, Luciano. Considerações sobre o Ecletismo na Europa. In: FABRIS, Annateresa (Org.).
Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: Nobel: Ed.Usp, 1987, p.12.
157 BELLO, Helton Estivalet. O Ecletismo e a imagem da cidade. Dissertação (Mestrado) Porto
Alegre: Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional - UFRGS, 1997, p.25-26. (Orientada pela Profa. Dra. Sandra Jatahy Pesavento).
O fato é que, nas últimas décadas do Século XIX e nas primeiras do Século XX, a Europa, em geral, passou a ser cenário de movimentos culturais com desdobramentos nas artes plásticas, música, literatura e arquitetura que, conforme visão de Segre, “ocasionaram uma transformação radical do sistema figurativo clássico, surgido com seus componentes essenciais no Renascimento”158. Os avanços técnico e científico dessa época exigiram uma nova imagem para artefatos que faziam parte da vida do homem, refletindo o desenvolvimento industrial em aceleração e rejeitando o modo de produção artesanal.
A constatação de semelhante quadro de acontecimentos, atravessando as diversas novas nações européias na época, pode ser visto como modos de contraposição de países emergentes frente à hegemonia da França e da Inglaterra, naqueles tempos de grandes modificações socioeconômicas decorrentes da Revolução Industrial. O caráter abrangente dos movimentos possibilitou que, em cada um deles, tivesse havido o envolvimento de artistas de áreas diversas. A efervescência estabelecida no campo das artes acabou por reunir arquitetos, artistas plásticos e críticos, todos preocupados em formular conceitos novos e, na arquitetura, princípios que se afastassem da linguagem classicista predominante ao longo da maior parte do Século XIX159. A Itália, entretanto, experimentava condições culturais diferentes, especialmente até os últimos anos do Ottocento.
158 SEGRE, Roberto. Historia de la arquitectura y del urbanismo: paises desarrollados: Siglos XIX
y XX. Madrid: Inst. de Estudios de Administracion Local, 1985, p.125.
2.2 RESISTÊNCIA DA ITÁLIA À RENOVAÇÃO ESTILÍSTICA NA EUROPA NO