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Dini medya okuryazarlığını gerektiren koşullar

Bayramali NAZIROĞLU *

THE POSSIBILITY OF IMPROVING RELIGIOUS AND MORAL FORMATION OF YOUTH THROUGH MEDIA LITERACY

2. Dini medya okuryazarlığını gerektiren koşullar

[...] sair debaixo das pontes, / dar que falar / às bocas de Goiás. (CORALINA, 2001, p.102).

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889/1984), nascida em Goiás Velho, foi caçula de três irmãs e viveu com sua mãe, avó e bisavó, devido ao falecimento de seu pai um mês após seu nascimento. Narra sua infância com melancolia e atribui sua aspiração para a escrita e para um olhar crítico ao seu meio social à sua mãe, segundo ela, uma mulher politizada.

A poetisa e contista por natureza e doceira por vocação rompe com os conceitos e preconceitos de sua época, rompe a si mesma e decide ser Cora Coralina, aos 14 anos de idade. A escolha de um pseudônimo reflete seu desejo em buscar sua subjetividade e imprimir sua autenticidade em prosas e versos. Segundo ela, havia em sua época uma infância silenciosa, sem direito e reconhecimento, o que a motivou a escrever para as minorias marginalizadas, como crianças, velhos, lavadeiras, prostitutas (BRITTO, 2009). Mesmo com seu pouco estudo, pois Cora só frequentou os primeiros quatro anos do primário, ainda no início de sua adolescência, publica suas obras em jornais locais, mas só possui reconhecimento nacional com o lançamento de seu primeiro livro

Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, em 1965, com 75 anos de idade

(DELGADO, 2005).

As paisagens naturais e arquitetônicas, como as ruas e os becos de Goiás que a rodeavam, serviam-lhe de matriz simbólica para a discussão de sua realidade, assim como o Rio Vermelho, que tem seu leito como vizinho da casa em que residiu, na infância. Tanto que se define como o rio, e a vida como um movimento contínuo. Sua obra é construída como uma narrativa biográfica (CAMARGO, 2002; BRITTO, 2009; MELO, 2011), assim como seu livro infantil, que apresentamos no próximo tópico.

Cora sobrepôs seus desafetos familiares, fugindo de casa aos 22 anos com Cantídio, seu futuro marido e pai de seus 6 (seis) filhos, dois deles mortos logo após o parto. Em um painel estampado em sua antiga casa, hoje transformada em museu na cidade de Goiás, um verso de Cora retrata um pouco de sua audaciosa história de vida, de seus desafios e enfrentamentos, especialmente ao partir da cidade para viver uma história de amor com um homem que era casado:

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Um dia, houve.

Eu era jovem, cheia de sonhos Rica de imensa pobreza que me limitava

Entre oito mulheres que me governavam. E eu parti em busca do meu destino.

(CORALINA apud DELGADO, 2005, p. 107).

Como diz a sabedoria popular, a vida é feita de escolhas e, com base em alguns relatos biográficos (CAMARGO, 2002; DELGADO, 2005; BRITTO, 2009), pode-se concluir que Cora Coralina fez as suas e, com elas, construiu sua existência, tendo as palavras e a poesia como uma das vias de produção de sentido para o vivido. Teve uma vida de lutas, definida por uma vida de pedras. Residiu no interior do estado de São Paulo, na cidade de Jaboticabal, por muitos anos; com morte de seu marido, recorre à venda de livros e linguiças para sobreviver. Retorna a Goiás depois de longos e saudosos anos (mais precisamente, após 45 anos), com dificuldades financeiras e descobre seu talento como doceira, para sustentar seus filhos. Aliás, ela se considerava melhor doceira que escritora. Se suas poesias já são saborosas ao olhar do leitor, imaginamos o quão especiais deveriam ser seus doces. Escrevendo ou cozinhando, as mãos de Cora Coralina parecem sempre estar se doando ao mundo:

Minhas mãos doceiras Jamais ociosas,

Fecundas. Imensas e ocupadas. Mãos laboriosas.

Abertas sempre para dar, ajudar, unir e abençoar.

[...] (CORALINA apud DELGADO, 2005, p. 111).

E foi com a venda de seus doces que passou a vender seus livros e divulgar sua literatura (DELGADO, 2005). Seu reconhecimento foi consagrado em meados de 1980, com as palavras do também poeta Carlos Drummond de Andrade, escritas em uma carta a ela destinada:

Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia [...]. Texto extraído do livro Vintém de cobre (Meias confissões de Aninha) São Paulo: Global, 2001, p. 174).

93 Ouro de mina, sua escrita nos permite degustar suas palavras cozidas em suas obras com uma simplicidade adocicada. Cora polvilhou palavras para sorrir, refletir e transmitir. Segundo sua biografia contada por seu neto4, Cora, já perto da morte, preocupava-se em deixar um ato de coragem a seus filhos e também com a memória que a eles seria deixada e transmitida, tanto que nos lega uma obra destinada à literatura infantil, da avó Cora Coralina a sua neta. Impossível para nós não apresentarmos uma de suas poesias, extraída de um de seus livros mais conhecidos e que mostra muito bem o convite à reinvenção da vida, transformada em poema:

Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso

aos que têm sede.

(Vinténs de Cobre: meias confissões de Aninha. São Paulo: Global, 2001).

4 Programa Produzido pela TVE Brasil e exibido pelo canal You Tube, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=oQj6wB_HGK4.Acesso em: 24 fev. 2014.

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