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YENİ ÖZNE: AĞDAŞ Hasan AYDIN *

2. Ağdaş Öznenin Ortaya Çıkışı:

A pesquisa em escrita colaborativa em LE, sustentada sob a perspectiva sociocultural, tem mostrado o grande potencial e valor dessa abordagem pedagógica como meio de desenvolvimento das habilidades envolvidas na produção escrita (ELOLA; OSKOZ, 2010). Acredita-se que a escrita colaborativa promova o desenvolvimento da criatividade e de habilidades para a negociação, sendo no dia a dia, na vida acadêmica ou profissional (SHAFIE et al., 2010).

Há aspectos centrais a serem abordados ao se discutir o processo de escrita colaborativa. O primeiro deles é que essa abordagem entende a aprendizagem como um processo socialmente ativo, criativo e interativo em que os aprendizes constroem conhecimentos através de negociações dialógicas, viabilizando a aprendizagem pela exposição à língua em contextos autênticos (SHAFIE et al., 2010). Entende-se, então, que a

interação social é fundamental em dinâmicas colaborativas e que o engajamento mútuo é um componente “sine qua non” para que esta abordagem pedagógica aconteça, pois é através da interação entre as pessoas que primeiramente se constrói o conhecimento que posteriormente se torna conhecimento intrapessoal. Assim, ao propor atividades de escrita colaborativa, o professor deve conscientizar os seus alunos da importância das interações para que a experiência da escrita em colaboração seja aceita sem resistências e, assim, seja bem sucedida (FUNG, 2010).

O segundo aspecto, a negociação, também é central na abordagem de escrita colaborativa, já que a interação demanda uma modificação, reelaboração e reestruturação de ideias / informações quando os envolvidos no processo se deparam com divergências ou dificuldades de entendimento. Dessa forma, os alunos podem solicitar esclarecimentos, confirmar informações e verificar entendimento (FUNG, 2010). Ainda nessa linha, Elola e Oskoz (2010), ao discorrerem sobre a negociação, sugerem que, em situações de escrita colaborativa, os escritores são levados a escolher e a negociar a linguagem para expressar as suas ideias na produção do texto. O diálogo incita o uso da língua e assim, a construção do conhecimento acontece durante o curso da negociação de sentido através do discurso; enquanto os aprendizes consolidam o próprio entendimento, explicando aos seus pares e externando o que se quer comunicar.

Para Fung (2010), ao promover a colaboração, os professores devem orientar os alunos quanto à importância da negociação em processos colaborativos. Citando Dale 1997, a autora salienta que a negociação pode promover uma responsabilização mútua (mutual accountability), aumentar a oportunidade para a autorreflexão crítica e a tomada de decisão compartilhada em contextos de aprendizagem que valorizam a diversidade.

Outro aspecto fundamental, apresentado por Fung (2010), é a existência de conflitos cognitivos na escrita colaborativa. A autora, apoiando-se nas concepções de Dale (1994),

afirma que os conflitos são parte inevitável no processo e ratifica a visão de outros pesquisadores35 quanto ao seu papel positivo na aprendizagem. Observa-se, então, que, os conflitos sinalizam a existência de perspectivas diferentes. Desse modo, a busca do consenso, através da negociação das divergências, pode trazer benefícios, pois leva à discussão de opiniões, à verbalização de ideias, ao desenvolvimento de habilidades argumentativas e à capacidade de ponderar entre diferentes pontos de vista.

É de se salientar, ainda, que cada aprendiz é único e diferente em suas vivências, conhecimentos e proficiência da língua. Sob o mesmo ponto de vista de Dale (1997) e Ohta (1995), Fung (2010) argumenta que, quando os aprendizes trabalham em colaboração, cada indivíduo contribui com suas capacidades e seus pontos positivos fazendo com que a produção escrita do grupo seja melhor que a individual. Por exemplo, enquanto um aprendiz apresenta mais facilidade com a parte criativa na elaboração de ideias e exemplos, outros são melhores na construção de frases, na ortografia, na organização do texto, ou ainda, centram-se mais no propósito comunicativo, na adequação ao público-alvo, na avaliação e até mesmo no gerenciamento de tempo. São diversas as habilidades que podem estar envolvidas na escrita colaborativa. Ratificando as ideias de Nyikos e Hashimoto (1997), Ohta (1995, 2001) e Dale (1994), Fung argumenta que a combinação das contribuições de cada indivíduo – o que denominou expertise compartilhada – traz a possibilidade de desenvolvimento na zona de desenvolvimento proximal e possibilita uma escrita de melhor qualidade.

Fundamentados em Swain (2000), Elola e Oskoz (2010) acrescentam que é através do diálogo colaborativo que o conhecimento linguístico é construído. O diálogo cria oportunidades para o uso do idioma alvo e para a reflexão sobre o próprio uso da língua. Desse modo, através do ato da escrita colaborativa, os aprendizes se envolvem em um diálogo que incita a percepção de lacunas em sua produção em LE e os estimula a testar novas

hipóteses relativas à língua e ao letramento. Em outras palavras, o diálogo colaborativo ajuda os alunos a focarem em acuidade gramatical, lexical e na organização do texto e também promove a consolidação de conhecimento da linguagem.

Entende-se, então, que a abordagem de escrita colaborativa pode ser benéfica para o processo de aprendizagem e ser uma importante contribuição para se aperfeiçoar o texto durante os estágios de produção textual. No entanto, como nos alerta Figueiredo (2005, p.209),

a contribuição da revisão dialógica não se restringe unicamente à possibilidade de melhoria dos textos escritos, mas também ao fato de se configurar como uma oportunidade que os alunos têm de negociar seus pontos de vista, de refletir sobre os erros que cometem, de observar a estrutura da língua, de poder aprender com os erros, de mudar sua concepção sobre o erro e correção; ou seja, de ter uma atitude mais favorável em relação ao que, certo tempo atrás, era considerado um pecado – o erro.

Acredita-se, portanto, que é significativa a extensão e a abrangência da ação que o desenvolvimento desse processo exerce sobre os aprendizes.

Cabe salientar, ainda, que o ensino de práticas colaborativas pode se beneficiar de tecnologias orientadas colaborativamente (ABEGG, 2009; VEADO, 2008). A plataforma Wiki é uma ferramenta digital poderosa para o desenvolvimento da escrita colaborativa que pode ter um papel fundamental na produção de conhecimento coletivo. Nesse sentido, Wikis podem auxiliar o ensino de escrita e trazer resultados positivos através da mediação e orientação do professor e de sua aplicação adequada (WARSCHAUER, 2010). Essa ferramenta propicia oportunidades para práticas interativas e significativas e enfatizam a dimensão social do processo de escrita (ELOLA; OSKOZ, 2010).