1. BÖLÜM
4.2. İç Denetimin Bankaların Verimliliğine Katkı Sürecinde Etkilediği Unsurlar
4.2.1. Aktifler
4.2.1.3. Diğer Varlıklar
Sem negar a conquista representada pela consagração da igualdade como uma diretriz da concepção moral moderna, e ainda, como um projeto perpétuo a ser gradativamente implementado, assim como a própria democracia o é, a igualdade não pode ser tomada apenas como um valor a ser ressaltado, demandando um instrumental lógico-operacional para que possa ser posta em prática.
Sob este viés, o estabelecimento de padrões de comparação entre os indivíduos pode ser potencialmente útil para alcançar determinadas finalidades perseguidas pela lei. Deve-se buscar extrair da igualdade o que ela pode proporcionar em termos práticos, tomando-a a partir de sua capacidade para alcançar determinados resultados previamente designados. E é na medida de sua utilidade prática que a igualdade passará a ser analisada.
A igualdade como método equivale à igualdade formal ou igualdade perante a lei, que consiste em tratar os indivíduos a partir de um critério uniforme legalmente previsto.95 A igualdade formal é um instrumento a serviço de um fim posto, e, portanto, não é, em si mesma, necessariamente conservativa nem transformadora, dependendo do objetivo que se propõe a alcançar, e principalmente, do critério que é utilizado para tanto. Trata-se de uma “ideia catalisadora”, de maneira a facilitar que determinado fim seja implementado, o que não implica que promova mudanças necessariamente positivas, ou que, embora positivas, não sejam as mais adequadas. A mudança, em si mesma considerada, não é boa nem ruim.96 Pode vir a ser um instrumento para alcançar a igualdade substancial, ou não, dependendo dos parâmetros utilizados.
95 Rawls ressalta a insuficiência desta modalidade de igualdade para a promoção da justiça na seguinte passagem: “ É óbvio, acrescenta Sidgwick, que as leis e as instituições podem ser cumpridas com igualdade e, ainda assim, ser injustas. Tratar casos semelhantes de maneira semelhante não é garantia suficiente de justiça substantiva. Isso depende dos princípios segundo os quais é moldada a estrutura básica.” (RAWLS, John. Uma Teoria da Justiça. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 71).
96 Em sua lúcida exposição, Raimundo Bezerra Falcão, ao discorrer sobre a mudança social, diferencia esta, que constituiria o gênero, do progresso, que seria espécie, e possui um caráter essencialmente prospectivo: “Progresso é movimento para diante. Não é necessário, portanto, grande esforço para demonstrar que progresso não se confunde com mudança social. A mudança às vezes se verifica em sentido regressivo, retrocessivo. O progresso, supõem alguns, exige um aperfeiçoamento e, nessa concepção, o conceito encerra forte elemento valorativo: depende em muito da idéia que se tenha de
A igualdade enquanto método pode também ser denominada de “igualdade entre iguais”, vez que se utilizada de um determinado requisito (a nacionalidade brasileira, por exemplo) para agregar todos aqueles que a ele se adéquam (no caso, os brasileiros), atribuindo-lhes um determinado efeito uniforme (o direito de voto, por exemplo)97. Dessa forma, idênticos efeitos devem ser atribuídos (igualdade) àqueles que observam um mesmo parâmetro predeterminado (entre iguais).
2.2.3.1 Caráter lógico-operacional da igualdade enquanto método
A igualdade enquanto método atua a partir de uma estrutura lógica ou silogismo, composto de uma premissa maior, contida na lei, uma premissa menor, que consiste na concretização do fato hipoteticamente previsto na norma, e uma conclusão, que é a irradiação dos efeitos da norma sobre todos os fatos que apresentem as características hipoteticamente previstas.
Recorrendo ao exemplo anterior, o artigo 14, § 2º, da Constituição Federal estabelece que os estrangeiros não podem se alistar como eleitores. Esta é a premissa maior. Na hipótese de um estrangeiro vir a adentrar o território nacional, restará realizada a premissa menor, sobre a qual incidirá a conclusão, qual seja, a impossibilidade de alistamento eleitoral, que se aplica a todos os estrangeiros que estiverem no território nacional. Nesse caso, os estrangeiros seriam “duplamente iguais”, pois além de serem iguais quanto ao critério previsto pela lei eleitoral, sujeitam- se aos mesmos efeitos legais decorrentes deste critério.
A partir deste esquema lógico, é possível construir e estruturar relações de igualdade entre os indivíduos, caso estes possuam ou não a característica prevista na premissa maior do silogismo, contida no dispositivo legal. Sob este viés, é perfeitamente possível destacar o mecanismo operacional da igualdade, de modo a concebê-la como pura estrutura.98 É o que se passa a fazer a seguir.
perfeição.” (FALCÃO, Raimundo Bezerra. Tributação e Mudança Social. Rio de Janeiro: Forense, 1981, p. 60).
97 Nos termos da Constituição Federal de 1988, aos estrangeiros é vedado o alistamento como eleitores: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. Cf. BRASIL. Constituição (1988). Legislação Federal do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>, acesso em 31 mar. 2013. 98 Intuito semelhante foi perseguido por Bobbio em seu obra Teoria da Norma Jurídica, na qual optou por estudar a norma jurídica a partir de um viés estrutural, como um enunciado prescritivo reforçado por uma
2.2.3.1.1 O aspecto relacional da igualdade enquanto método
Do ponto de vista lógico, a igualdade é uma relação de semelhança que se estabelece entre dois objetos quaisquer com base em um critério determinado. Deste conceito se depreende que a igualdade possui um caráter necessariamente relacional, sendo um liame ou vínculo de correspondência que se estabelece entre dois ou mais objetos quaisquer que possuam determinada característica em comum. Da mesma forma que não se pode aduzir que alguém tem direito sobre si mesmo, nem poder sobre si mesmo, vez que ambos os fenômenos se exteriorizam por meio de relações entre sujeitos, também a relação de igualdade depende da existência de dois pólos para se estabelecer. Conforme atesta Konder Comparato, “a igualdade é uma medida de comparação. Não há como conceber, logicamente, a igualdade de um só”.99
Conotativamente, se poderia dizer que a relação de igualdade é uma espécie de corda, que une sujeitos ou objetos a partir de determinadas características ou propriedades em comum entre os componentes da relação, atrelando-os.
2.2.3.2 O caráter artificial da igualdade enquanto método
A ênfase na noção de igualdade relacionada aos valores humanitários e à noção de dignidade humana levou muitos pensadores, principalmente os jusfilósofos do direito natural, a defender a existência de uma igualdade natural entre os homens, que radicaria na própria natureza ou essência do homem. Daí se afirmar que os homens, por comungaram a mesma natureza, seriam necessariamente iguais em direitos. A partir desta noção de igualdade natural que se buscou construir a ideia de igualdade jurídica.
Embora a ideia de igualdade natural tenha dado grandes contribuições para a evolução do direito, ao abolir os privilégios estamentais, por exemplo, tal concepção não se justifica sob o prisma lógico. Não se pode racionalmente conceber a existência de uma igualdade natural, vez que toda igualdade é necessariamente artificial, posto que é uma construção ou produto da mente humana ao correlacionar dois objetos segundo um determinado critério. Toda relação de igualdade representa uma realidade ideal, vez
sanção, abstraídos o seu conteúdo e a sua finalidade: (BOBBIO, Norberto. Teoria da Norma Jurídica. 3. ed. Bauru, SP: EDIPRO, 2001).
99 COMPARATO, Konder apud ÁVILA, Humberto. Teoria da Igualdade Tributária. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 42.
que não existe no mundo da natureza, mas somente no mundo da cultura. Assim como as relações de poder e as relações jurídicas, também a relação de igualdade consiste em uma realidade puramente ideal, pertencente ao mundo da cultura.
Importante ressaltar que o ser humano, ao estabelecer relações de igualdade entre as coisas a partir de determinados critérios, pretende perseguir uma dada finalidade. É somente desta maneira que o homem é capaz de apreender a natureza e agir sobre ela: elaborando conceitos, pesando, medindo, enfim, estabelecendo comparações e classificações entre os objetos cognoscíveis. A natureza, ao contrário, é completamente indiferente às classificações, e não “precisa” estabelecer distinções entre os entes para “agir” sobre eles. A lei da gravidade não “distingue” entre objetos com massa e sem massa, mas simplesmente produz efeitos de intensidades diversas de acordo com as propriedades físicas dos objetos.
O homem, por ser dotado de consciência, precisa classificar e dividir a realidade com base em determinados critérios para que possa agir sobre ela. Para tanto, recorre a distinções artificiais entre as coisas de acordo com a utilidade ou praticabilidade da distinção. Dessa forma, as classificações não devem ser avaliadas conforme a sua veracidade, mas segundo sua utilidade.100