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3. ESERLERİ

1.1. Tek Zincirli Olay Örgüsü

1.1.1. Uçan Daireler

Essa Coleção é assinada pelo autor Gilberto Cotrim e foi, segundo os dados fornecidos pelo Portal do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), a segunda coleção de LD de História mais vendida para o nível do Ensino Médio. Ao todo, foram 997.744 exemplares comprados. Através do mesmo documento citado anteriormente - PNLD 2015 -

Coleções mais distribuídas por componente curricular – sabe-se que a Editora Saraiva, editora

desta Coleção, vendeu seus livros didáticos pelo valor de R$8,43 cada exemplar. Sendo assim, acredita-se que a Coleção do autor Cotrim teve renda de R$8410981,92.

Sobre o autor, na contracapa dos três volumes também se pode saber um pouco de sua trajetória acadêmica. Consta:

Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP)

Licenciado em História pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)

Mestre em Educação, Arte e História Cultural pela Universidade Mackenzie Professor de História na rede particular de ensino

Advogado (COTRIM, 2013).

Infelizmente, o autor não possui cadastro na Plataforma Lattes para que o estudo pudesse se aprofundar mais na sua trajetória acadêmica. Somente através do website da Editora

Saraiva52, foi possível tomar conhecimento de que o autor também escreve livros didáticos para

a disciplina de Filosofia e na área de Direito. A análise desta coleção começa no Volume 2, Unidade 4, sobre Brasil Império. A Unidade 4 é composta de 5 capítulos, todos analisados. Do Capítulo 18 ao 22, com os títulos: Independência do Brasil, Primeiro Reinado (1822-1831),

Período Regencial (1831-1840), Segundo Reinado (1840-1889) e O fim do Império.

A análise começa no Capítulo 18. Neste, apenas D. Maria I é citada como personagem histórico feminino durante todo o capítulo. São, ao todo, três citações. Duas citações indiretas, onde é trazida para falar de D. João, e uma direta. Nesta última, sobre a Conjuração Mineira, se lê: “Os participantes da Conjuração Mineira foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte, mas a rainha de Portugal, D. Maria I, modificou a pena para degredo perpétuo em colônias portuguesas na África” (COTRIM, 2013, V.2, p. 17). Há apenas uma imagem com mulheres, mas se trata de uma foto atual do interior do Museu Nacional de Belas-Artes, do Rio de Janeiro. O mesmo Capítulo traz três imagens somente de homens – D. Pedro I aparece em duas - e duas imagens mistas.

No Capítulo 19, Primeiro Reinado (1822-1831), outra mulher da Família Real, D. Maria da Glória, é citada e a presença feminina nas figuras aumenta, com mais figuras mistas. D. Maria da Glória é citada quatro vezes. As citações são mais indiretas do que diretas, com poucas informações sobre D. Maria da Glória. Estão sempre presentes para se falar de seu pai, D. Pedro I. Duas citações estão em descrições de imagens, onde ela aparece ao lado de seu pai.

Figura 13 - Imagem de D. Maria I e D. Pedro I

Pode-se ler, em letras miúdas na descrição da imagem, a citação que mais contém informações sobre sua vida: “Ao lado de D. Pedro I está sua filha primogênita, D. Maria da Glória, tornada rainha de Portugal em 1826, quando seu pai abdicou do trono” (COTRIM, 2013, p. 229).

Após, D. Maria da Glória é trazida para falar da Sucessão dinástica em Portugal e sobre a Abdicação de Pedro I: “[...] ele renunciou ao trono português, em favor de sua filha Maria da Glória. Como ela era menor de idade, o trono ficou sob a regência do irmão de D. Pedro I, D. Miguel” (IDEM, p. 235). Estas são as únicas citações diretas sobre esta personagem. Há, também, uma informação sobre as mulheres da época, ao se falar do Sistema eleitoral da Constituição de 1824. Pode-se ler que esse sistema “excluiu da vida política do país a grande maioria dos homens e a totalidade das mulheres, dos escravos e dos indígenas” (IDEM, p. 230). Além disso, não há qualquer imagem somente de mulheres, mas elas aparecem em cinco imagens mistas. Existe uma imagem somente de homens.

No Capítulo 20, Período Regencial (1831-1840), não existem personagens femininas citadas, nem de forma indireta. Porém, há uma informação, inclusão, que o autor traz sobre as mulheres deste período. Pode-se ler, ao se falar da Cabanagem:

Ficou conhecida por esse nome porque dela participou uma multidão de cabanos - homens e mulheres pobres, negros, indígenas e mestiços que trabalhavam principalmente na extração de produtos da floresta e viviam em casas semelhantes a cabanas, à beira dos rios. (COTRIM, 2013, V.2, p. 245)

Considera-se positivo mostrar que as mulheres estavam presentes nesta revolta, principalmente pelos eventos históricos deste período da História do Brasil excluírem esta participação. A presença de mulheres em conflitos armados é sempre negada. Porém, nas outras revoltas provinciais essa menção, mesmo que de forma genérica, não ocorre. As imagens são em sua maioria somente de homens, com quatro imagens, nenhuma somente de mulheres e apenas uma mista.

No Capítulo 21, Segundo Reinado (1840-1889), também não há personagens femininos citados. Felizmente, as imagens mistas estão em maior número, são cinco de sete, e há também uma imagem somente de mulheres. Trata-se de uma litografia que mostra mulheres negras, em contexto de escravidão, pilando café:

Figura 14 - Mulheres negras pilando café

Porém, não há qualquer menção à sua realidade de mulheres escravizadas no texto ou na descrição da imagem. Nas outras imagens mistas, pode-se ver um grande número de mulheres negras e imigrantes deste período. Novamente, sem informações sobre a realidade delas. No último capítulo deste Volume 2, Capítulo 22, intitulado O fim do Império, constam citações diretas e alguns dados sobre a realidade das mulheres neste período, mas não há um aprofundamento na forma de abordá-los. Logo no começo do capítulo, há uma foto com uma mulher negra e um menino:

Figura 15 - Babá com o menino Eugen Keller

Pode-se ler na descrição da imagem: “Babá com menino Eugen Keller. Fotografia de Alberto Henchel, Pernambuco, 1874. Era muito comum escravas negras cuidarem de crianças de famílias aristocratas” (COTRIM, 2013, V.2, p. 266). Apesar disso, não há inclusão nos textos sobre as mulheres negras, muito menos se fala do seu trabalho dentro das famílias aristocratas.

Entende-se que como a foto retratava uma ocupação destinada a estas mulheres negras escravizadas, se poderia falar mais do que estas mulheres viviam. De suas “ocupações sociais típicas entre as mulheres negras: escravas do eito e domésticas, amas de leite, quituteiras, escravas prostitutas, escravas de ganho, para mencionar as atividades mais usualmente exercidas pelas africanas” (SCHUMACHER, 2001, p.12). Para autora Sandra Graham:

[...] o âmbito do trabalho doméstico inclui, em um extremo, as mucamas, as amas-de- leite e, no outro, as carregadoras de água ocasionais, as lavadeiras e costureiras. Até mesmo as mulheres que vendiam frutas, verduras ou doces na rua eram geralmente escravas que, com frequência, desdobravam-se também em criadas da casa durante parte do dia. A meio caminho estavam as cozinheiras, copeiras e arrumadeiras. O que as distinguia não era apenas o valor aparente de seu trabalho para o bem-estar da família, refletindo no contato diário que cada um tinha com os membros desta, mas também o grau de supervisão. [...] (GRAHAM, 1992, p.18)

O autor não explora as possibilidades trazidas com a imagem no texto, o contexto social de exploração dessas mulheres negras. A imagem e a descrição da imagem acabaram por ficar soltos na página, sem uma devida contextualização com o resto. Ainda neste capítulo, mais adiante, há citações diretas de duas mulheres; Chiquinha Gonzaga e Princesa Isabel. A primeira, aparece no texto principal e num box, ambos sobre as campanhas abolicionistas. No texto principal temos apenas seu nome, mas este é o único nome feminino ao se falar da Campanha

Abolicionista (1870-1888):

Essa campanha conquistou o apoio de vários setores da sociedade brasileira: parlamentares, imprensa, militares, artistas e intelectuais, como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Raul Pompeia, Luís Gama, Chiquinha Gonzaga, André Rebouças e Castro Alves. (COTRIM, 2013, V.2, p. 272)

Mais abaixo, no box Saiba mais sobre Abolicionistas, Chiquinha é trazida com citação direta que fala mais de sua trajetória neste contexto. Ela divide o box com Luís Gama, ambos com fotos reproduzidas:

Figura 16 - Box Abolicionistas

Sobre Chiquinha: “Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi pianista, regente e compositora. Organizou e participou de festivais artísticos destinados a arrecadar fundos para a Confederação Libertadora, que comprava liberdade para os escravos” (COTRIM, 2013, V.2, p.272). Apesar de ser positiva a inclusão de Chiquinha, faltou contar que a própria era de descendência negra (SCHUMACHER, 2001). Esse fato poderia ajudar a incluir mulheres negras, e suas descendentes, de uma forma mais diversificada.

A Princesa Isabel é citada diretamente no texto principal e num box. Ambos abordando a temática da abolição, mas sem muitas informações sobre a personagem. Pode-se ler: “Foi somente em 13 de maio de 1888 que a escravidão foi extinta no Brasil, com a promulgação da Lei Áurea pela princesa Isabel. Ela era a regente do Império na época, substituindo seu pai, D. Pedro II, que estava na Europa em tratamento de saúde” (COTRIM, 2013, V.2, p. 273). Após, no box Em questão, sobre Os sentidos do 13 de maio, ao se falar do sentido primordial da data: “É comemorada como doação de liberdade da monarquia, representada pela princesa Isabel, a ‘Redentora’” (IDEM, p. 274).

Além dessas mulheres, na última sessão do capítulo, após as atividades, em Para saber

mais, há a indicação do filme Carlota Joaquina: princesa do Brasil de Carla Camurati. Porém,

em nenhum momento Carlota Joaquina foi trazida no texto principal ou em boxes. Sobre as imagens, há uma imagem somente de mulheres - trata-se da foto de Chiquinha Gonzaga, anteriormente citada -, quatro somente de homens e três mistas. Este volume se encerra, de forma geral, com poucas mulheres incluídas e poucas informações sobre como as mulheres no Brasil Império viviam.

No Volume 3 desta coleção, são analisadas as Unidades 2 e 4. As outras unidades não se encaixam na temática de História do Brasil, apesar de estarem no recorte temporal do século XIX aos dias atuais. A Unidade 2 possui quatro capítulos analisados, do Capítulo 5 ao 8, e a Unidade 4 possui três, do Capítulo 13 ao 15. Os capítulos da Unidade 2 são: A instituição da

República, Sociedade e economia na Primeira República, Revoltas na Primeira República e Era Vargas (1930-1945). Já os capítulos da Unidade 4 são: Período democrático (1946-1964), Governo militares e Período democrático atual.

A abertura da Unidade 2 tem um quadro da Tarsila do Amaral que ocupa duas páginas, 70 e 71. Trata-se da obra Estação de ferro central do Brasil. Apesar disso, o Capítulo 5 não rompe com o padrão da coleção de pouca inclusão de personagens femininos em seus capítulos. Não há nomes citados, apesar de haver uma situação que merece atenção. Na descrição do

quadro A Pátria, de Pedro Bruno, se pode ler: “A esposa de Benjamim Constant, positivista republicano, foi representada costurando a nova bandeira do Brasil” (COTRIM, 2013, V.3, p. 73). Fala-se de Maria Joaquina Bittencourt Costa, mas no espaço que poderia ser utilizado para citar seu nome há apenas a referência a seu marido. Sua identidade é resumida em “esposa de Benjamim Constant”.

No restante do Capítulo 5, sobre as mulheres há apenas a informação de que estas não podiam votar. Quando se fala do direito ao voto na Constituição da primeira república: “As mulheres também não podiam votar” (IDEM, p. 75). Mais ao fim desta página: “As conquistas foram graduais, ao longo do século XX: o voto tornou-se secreto e, aos poucos, as mulheres, os religiosos e os analfabetos, assim como os jovens maiores de 16 anos, adquiriram o direito de votar” (IDEM). São poucas as imagens deste capítulo. Não há imagens somente com mulheres, há apenas uma mista e uma somente com homens.

O Capítulo 6, Sociedade e Economia na Primeira República, também traz um quadro de Tarsila do Amaral. Operários, na abertura do capítulo. Além disso, o nome de Tarsila consta na primeira pergunta que segue o quadro. Lê-se: “Observe a imagem. Em sua opinião, o que caracteriza essa obra de Tarsila do Amaral como representação da sociedade brasileira?” (IDEM, p. 81). Porém, a artista plástica não tem nenhuma informação além desta, de ser a autora do quadro em questão. Entretanto, este capítulo incluiu mais mulheres que os anteriormente analisados. Há a inclusão tanto de nomes de personagens históricas quanto de informações sobre a realidade social de mulheres no período.

Sobre a Vida Política, tema que abre o Capítulo 6, se pode ler:

A Constituição Republicana (1891) acabou com a exigência de renda para os eleitores (que vigorava no Império) e instituiu o voto aberto masculino para maiores de 21 anos. Entretanto, ficavam sem direito a voto os analfabetos, as mulheres, os mendigos, os padres e os soldados.

Se fizermos um balanço geral, podemos dizer que tanto no Império quanto na Primeira República as mulheres e os pobres ficaram excluídos das eleições. (COTRIM, 2013, V.3, p. 81)

Além deste dado, há a menção à realidade das operárias nas fábricas do início do século XX. No tópico Movimento Operário, em Trabalho nas fábricas, fala-se da violência sexual sofrida por meninas e mulheres operárias.

Figura 17 - Mulheres e meninas operárias

Apesar do texto não ser do autor - é uma citação do texto Fábrica e Cidade, de Maria Alice Rosa Ribeiro (1989) -, é positivo a inclusão do mesmo no corpo do texto principal:

Meninos e meninas também sofriam, com frequência, castigos físicos, e as mulheres eram afetadas pela violência sexual. [...] Os mestres e contramestres também seduziam as mulheres operárias em troca de máquinas mais produtivas ou de melhores salários. Caso não cedessem a essas propostas, elas eram perseguidas com multa, descontos ou máquinas enguiçadas (RIBEIRO Apud COTRIM, 2013, V.3, p. 92)

Mais adiante, na página seguinte, há uma foto com operárias da fábrica de Tecelagem Mariangela, das Indústrias Reunidas, de 1920. A foto ocupa boa parte da página. Assim, além do autor incluir mulheres operárias e abordar uma questão pertinente vivida por estas, da violência sexual, há também uma imagem que ajuda a compreender essas mulheres na história do período:

Figura 18 - Mulheres em fábrica têxtil

No mesmo capítulo, nas páginas que antecedem as atividades, há um box reservado à História das Mulheres que ocupa uma página inteira. O box Em Questão, tem como título

Rompendo a submissão: A luta pela autonomia feminina. Apesar de ser muito positiva a sua

Figura 19 - Box Rompendo a submissão: A luta pela autonomia feminina

A abordagem que o autor escolhe fazer merece atenção em vários pontos. Seu ponto de partida é um apanhado geral da condição feminina nos períodos anteriores ao do recorte deste capítulo (o Republicano). Fala de forma muito generalizada das mulheres no período colonial e do Império. Não há recorte de classe social ou de raça, passando-se a impressão de que todas as mulheres estavam “trancadas em casa” (COTRIM, 2013, V.3, p. 94) ou de que só começaram a trabalhar quando “a força de trabalho da mulher passou a ser intensamente requisitada em nossas primeiras fábricas” (IDEM). Apagam-se, assim, histórias de mulheres negras – que foram tão escravizadas quanto os homens negros nestes períodos – e de mulheres pobres - que mesmo brancas sempre trabalharam de alguma forma para ajudar no sustento de casa.

Entende-se que somente uma página é pouco para abordar períodos tão vastos com recortes de classe e raça, mas esta é a única página que o autor destinou à História das Mulheres. Assim, é necessária uma crítica atenta. Após este apanhado geral – sobre mulheres brancas e de classes mais abastadas, deve-se apontar – o autor utiliza um texto da historiadora Margareth Rago, Trabalhos femininos e sexualidade (1997), para falar das operárias e sua situação nas fábricas. Este texto ajuda no entendimento das relações entre homens e mulheres dentro das fábricas, pois fornece uma explicação mais focada nas relações de gêneros que essas mulheres enfrentaram. Ou seja, de como foram tratadas pelos homens por sua condição de mulher.

Apesar do elevado número de trabalhadoras presentes nos primeiros estabelecimentos fabris brasileiros, não se deve supor que elas foram progressivamente substituindo os homens e conquistando o mercado de trabalho fabril. Ao contrário, as mulheres vão sendo progressivamente expulsas das fábricas, na medida em que avançam a industrialização e a incorporação da força de trabalho masculina. As barreiras enfrentadas pelas mulheres para participar do mundo dos negócios eram sempre muito grandes, independentemente da classe social a que pertencessem. Da variação salarial à intimidação física, da desqualificação intelectual ao assédio sexual, elas tiveram sempre que lutar contra inúmeros obstáculos para ingressar em um campo definido – pelos homens- como “naturalmente masculino”. (RAGO Apud COTRIM, 2013, V.3, p. 94)

Abaixo do texto de Rago, há uma foto de Laura Brandão, mas nenhuma informação sobre ela. A citação direta sobre Laura consta apenas na descrição da foto: “Na fotografia, a militante política Laura Brandão discursa em comício de 1º de maio de 1919, em São Paulo (SP)” (COTRIM, 2013, V.3, p. 94). A figura de Laura Brandão poderia ter sido mais bem explorada, principalmente após se falar das operárias no texto acima e, também, pela temática do box. Laura foi ativista política e poetisa. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e,

mais tarde, uma das fundadoras do Comitê de Mulheres Trabalhadoras, junto com outras mulheres comunistas e anarquistas.

O Comitê das Mulheres Trabalhadoras tinha como principal objetivo fazer a divulgação das ideias do partido, sobretudo à porta de fábricas e oficinas, geralmente localizadas nos bairros operários e subúrbios pobres. Suas integrantes proferiam discursos voltados aos trabalhadores, especialmente as mulheres, convidando-as a participarem da organização e da luta política. Destacavam-se como grandes oradoras a própria Maria Lopes, Isaura Nepomuceno e Laura Brandão. (SHUMAHER, 2001, p.196)

Pensa-se que uma exploração melhor desta personagem poderia ter sido feita também no texto principal. Porém, nem mesmo neste box é possível conhecer um pouco mais de seu ativismo político. O autor segue o texto com um tópico bem diferente:

Um dos fatores que contribuíram para abalar o mito da inferioridade feminina foi o surgimento do cinema no Brasil, em 1907. Por meio de diversos filmes, as mulheres foram estimuladas a tomar contato com um mundo fora dos limites do lar. Descobriram um modelo dinâmico de mulher, reflexo de uma sociedade moderna e industrializada. Belas e encantadoras, muitas personagens femininas de Hollywood eram psicologicamente fortes, determinadas e participativas. (COTRIM, 2013, V.3, p. 94)

Atribui aos filmes estrangeiros que começaram a surgir no Brasil, pós 1907, um “meio de ter contato com um mundo fora do lar” (COTRIM, 2013, V.3, p. 94). Fala, então, que por meio destes: “Descobriram um modelo dinâmico de mulher, reflexo de uma sociedade moderna e industrializada” (IDEM). Entende-se, que além de apagar as histórias de mulheres “psicologicamente fortes, determinadas e participativas” (IDEM) brasileiras de períodos anteriores, como Nísia Floresta53, a princesa Isabel e Anita Garibaldi, e do próprio período,

como Laura Brandão, o autor imprimiu em sua fala vários pontos que merecem críticas negativas. O primeiro é o caráter colonialista, que aponta como modelos a serem seguidos as mulheres norte-americanas de Hollywood. Outro ponto são os adjetivos utilizados. “Belas e encantadoras” (IDEM) aparecem como algo engrandecedor e superior, qualidades que devem vir com este novo ideal feminino, que acompanha os “psicologicamente fortes, determinadas e participativas” (IDEM).

Esses mesmos filmes foram alvo de estudos por mulheres, que mostraram que ao contrário de serem emancipadores, eram na verdade ferramentas de manutenção da submissão feminina. Filmes que, como o autor parece reproduzir, utilizavam-se de ideais femininos de beleza e personalidades para manter mulheres sob opressão de gênero. É o caso do estudo de Andra S. Walsh, intitulado Women’s films (1984). Sobre esses estereótipos femininos

vinculados nos filmes, também escreve Michelle Perrot:

Estes filmes fazem da intimidade o seu principal teatro, e dos protagonistas familiares, seus atores favoritos. Mães levadas ao drama pela despreocupação de seus maridos