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O desenvolvimento teórico desta tese tem como principal foco de investigação da relação existente entre o uso de TI e de AIDC no varejo de autosserviço e as respectivas mudanças que são provocadas ou viabilizadas nos processos da área de loja, bem como a análise dos benefícios oferecidos por estas mudanças e tecnologias, em termos de custo, produtividade, qualidade, flexibilidade e inovação conforme ilustrado no Esquema 1:

Esquema 1 – Modelo Conceitual. Fonte: Elaborado pela autora.

Com base na revisão de literatura sobre a Tecnologia da Informação, Varejo, Processos e Tecnologia de Identificação e Captura Automática de Dados, chegou-se à estrutura apresentada.

Pozzebon (2008) lembra que com seleção cuidadosa, os pesquisadores podem estender ou revisar as proposições iniciais do estudo. Relata que pesquisadores interessados em tecnologias específicas, metodologias de sistemas ou estruturas organizacionais devem considerar essas características na seleção dos locais mais apropriados para a condução da pesquisa. A identificação das mudanças e dos possíveis ganhos nos processos operacionais

das lojas de varejo de autosserviço, impulsionados pelo uso de Tecnologia da Informação e de Identificação Automática e Captura de Dados, pode ser considerado dentro dos aspectos destes aspectos de seleção.

Para identificar e estudar mais facilmente os objetivos propostos, os mesmos podem ser traduzidos por meio das seguintes proposições:

1) Os tempos dos processos de retaguarda, mais especificamente, recepção

e conferência de mercadorias são reduzidos pelo uso das TI e AIDC; 2) O uso de TI e AIDC reduzem o número de operações no ponto de venda,

no que tange à finalização de venda;

3) A TI e as AIDC auxiliam na prevenção de perdas;

4) Os custos e os tempos para a realização dos inventários são reduzidos

por meio do uso da TI e da AIDC;

5) O número de funcionários, nas lojas, pode ser reduzido pelo uso de TI e

de AIDC, sem que haja prejuízo no atendimento ao cliente; 6) O tempo de fila no caixa é reduzido pelo uso da TI e de AIDC;

7) O uso da TI e de AIDC leva à redução de rupturas;

8) A TI e a AIDC aumentam a eficiência operacional da loja.

A partir deste modelo conceitual e das proposições foi desenvolvido o trabalho empírico de investigação no campo.

10- METODOLOGIA

Para o desenvolvimento do trabalho, foi utilizada a Pesquisa Qualitativa, uma vez que os métodos qualitativos são apropriados quando o fenômeno em estudo é complexo e não tende à quantificação. Envolve a aplicação de métodos lógicos, planejados e meticulosos para a coleta de dados e uma análise rigorosa, ponderada, cuidadosa e profunda em relação ao fenômeno que está sendo estudado (GIL, 1999; ANDRADE,2002).

A pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos, por meio do contato do pesquisador com a situação estudada, com vistas à compreensão dos fenômenos, com base na perspectiva dos sujeitos do estudo, possibilitando, assim, a captação das opiniões e perspectivas dos indivíduos, que se referem a informações mais difíceis de serem obtidas por uma pesquisa quantitativa (STRAUSS; CORBIN, 1990; GODOY, 1995).

Cabe destacar que os aspectos essenciais neste tipo de pesquisa e suas principais características são: (1) o mundo empírico (ambiente) é a fonte de dados e o pesquisador é o instrumento fundamental no contato estreito e prolongado com o ambiente estudado; (2) os dados são coletados por meio de entrevistas, anotações, observações, fotografias, entre outros documentos que são disponibilizados ao longo da pesquisa; (3) os pesquisadores procuram compreender os fenômenos que estão sendo estudados a partir da visão dos participantes, o que facilita a compreensão e (4) devido à proximidade do fenômeno que está sendo estudado, os pesquisadores têm uma melhor análise dos resultados encontrados (BRYMAN, 1989. BOGDAN; BIKLEN, 1992).

Para utilizar métodos qualitativos é preciso aprender a observar, registrar e analisar interações reais entre pessoas, e entre pessoas e sistemas (LIEBSCHER, 1998). Na pesquisa qualitativa, o pesquisador é um interpretador da realidade (BRADLEY, 1993).

A abordagem dessa pesquisa será exploratória, uma vez que seus propósitos consistem em maior conhecimento sobre o tema em questão. A pesquisa exploratória visa proporcionar uma visão geral acerca de um determinado fato e pode ser utilizada quando há pouco

conhecimento sobre a temática a ser abordada, além de buscar conhecer com maior profundidade um determinado assunto, de modo a torná-lo mais claro, contribuindo para o esclarecimento de questões superficialmente abordadas sobre o assunto. É realizada por meio de levantamentos bibliográficos, entrevistas com profissionais da área, visitas técnicas, consultas a dados secundários, entre outros (GIL, 1999; ANDRADE,2002).

A pesquisa exploratória tem como objetivo prover compreensão do problema enfrentado, sendo utilizada em casos nos quais é necessário definir o problema em estudo com maior precisão, identificar cursos relevantes de ação ou obter dados adicionais antes que se possa desenvolver uma abordagem e pode ser usada em áreas onde há pouco conhecimento acumulado e sistematizado (VERGARA, 2000).

Pode ser utilizada para aumentar o conhecimento sobre um determinado tema, esclarecer conceitos, obter critérios para desenvolver uma abordagem do problema, formular um problema ou defini-lo com maior precisão, desenvolver hipóteses e proposições, e isolar variáveis e relações-chave para exame posterior (MALHOTRA, 2002).

Segundo Mattar (1999):

A diferença básica entre a pesquisa exploratória e a conclusiva está no grau de estruturação da pesquisa e em seu objetivo imediato. Uma pesquisa exploratória é pouco ou nada estruturada em procedimentos e seus objetivos são pouco definidos. Seus propósitos imediatos são os de se ganhar maior conhecimento sobre um tema, desenvolver hipóteses para serem testadas e aprofundar questões a serem estudadas. (MATTAR, 1999, p. 77)

10.1- MÉTODO

O método utilizado foi o Estudo de Caso, que visou analisar o potencial do uso das tecnologias da informação e da captura e identificação automática de dados no varejo de autosserviço. Yin (2002) destaca que o Estudo de Caso é um método de pesquisa utilizado preferencialmente em tópicos contemporâneos dentro do contexto da vida real, quando o pesquisador detém reduzido ou nenhum controle sobre os eventos analisados.

Eisenhardt (1989) destaca que o método do estudo de caso pode ser utilizado com enfoques distintos, dependendo das fontes de dados disponíveis e do objetivo proposto pela pesquisa, aplicando-se a estudos descritivos ou para testar teorias já disponíveis. Benbasat (et al., 1987) diz que “esse método de pesquisa é o ideal para aprender mais sobre determinada situação e eventualmente induzir teoria sobre ela”.

A estratégia de Estudo de Caso é particularmente apropriada para o estudo de fenômenos onde tanto a pesquisa quanto a teoria estão em seu estágio inicial de desenvolvimento (ROETHLISBERGER, 1977 apud BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, 1987).

O Estudo de Caso é aplicável em situações nas quais os problemas estão ligados à prática, onde a experiência de seus atores é importante e o contexto da ação é crítico (BONOMA, 1995) (BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, 1987). Myers (2000) destaca que para se compreender fenômenos sociais é adequada a utilização de dados qualitativos obtidos através de entrevistas, por análise documental ou por observação participativa.

Com relação às vantagens do método, pode-se dizer que fornecem relevância à pesquisa, possibilitam maior entendimento de um fenômeno e permitem maior profundidade exploratória. Em contrapartida, dependem de acesso e tempo para a pesquisa, necessitam de triangulação na coleta de dados, precisam de familiaridade com os procedimentos e não permitem controle de eventos (MEREDITH, 1998).

BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, (1987) destacaram as principais características da estratégia de Estudo de Caso, conforme se demonstra o Quadro 13, a seguir:

1) O fenômeno é examinado em um ambiente natural.

2) As informações são coletadas por múltiplos meios.

3) Uma ou poucas entidades (pessoa, grupo ou organização) são examinadas.

4) A complexidade da unidade é estudada intensamente.

5) Estudo de Caso é mais adequado para os estágios de exploração, classificação e desenvolvimento de

hipóteses; o investigador deve ter uma atitude receptiva frente à exploração. 6) Nenhum controle sobre o experimento ou manipulação é envolvido.

7) O investigador pode não especificar o conjunto de variáveis dependentes ou independentes

antecipadamente. Os resultados derivados dependem fortemente do poder de integração do investigador. 8) Mudanças no método de seleção do objeto e no de coleta de informações devem ocorrer enquanto o

investigador desenvolve novas hipóteses.

9) Estudo de Caso é útil no estudo de questões do tipo “por que” e “como”, pois lidam mais com links

operacionais que serão acompanhados ao longo do tempo do que com frequência ou incidência. 10) Foco em eventos contemporâneos.

Quadro 13 - Características chave do Estudo de Caso.

Fonte: Adaptado de BENBASAT; GOLDSTEIN E MEAD, 1987, p. 371, tradução nossa.

Dentre as razões que justificam a opção pelo Estudo de Caso (BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, 1987) podem-se citar: a possibilidade de estudar sistemas de informação no ambiente natural; de aprender sobre o estado da arte e de gerar teorias a partir da prática;

da possibilidade de responder a perguntas do tipo “como?” e “por quê?”, ou seja, de

compreender a natureza e a complexidade do processo em jogo e a possibilidade de pesquisar a área na qual poucos estudos prévios tenham sido realizados.

É a melhor estratégia para responder perguntas de pesquisa que buscam entender o quê, como ou o porquê de um fenômeno (YIN, 1984). Busca a descrição de acontecimentos ou a exploração de situações não claras (YIN, 1984), a ilustração de tópicos em análise (YIN, 1984); procura explicar relações causais complexas (YIN, 1984) e seu foco é entender a dinâmica presente em condições simples (EISENHARDT, 1989), além de focar acontecimentos contemporâneos.

Para verificar se o Estudo de Caso é efetivamente a metodologia mais adequada e útil, deve-se responder as seguintes questões:

Pergunta Resposta

O fenômeno de interesse pode ser estudado fora de seu ambiente natural?

Não. Um ambiente natural rico é considerado fértil para a geração de teorias. Não há como estudar o uso da TI e da AIDC aplicados ao varejo, fora do ambiente da loja.

O estudo focaliza eventos contemporâneos?

Sim. A metodologia case é claramente útil quando o ambiente natural é necessário e quando foca evento contemporâneo, como é o caso da utilização de TIC e AIDC na área de vendas de lojas de autosserviço.

O controle ou a manipulação dos sujeitos ou eventos é necessária?

Não. Quando pessoas ou eventos devem ser controlados ou manipulados no curso de um projeto de pesquisa, o estudo de caso não é recomendável.

O fenômeno de interesse tem base teórica estabelecida?

Sim. O fenômeno estudado, não suportado por forte base teórica, deve ser verdadeiramente perseguido através de pesquisa.

Quadro 14 - Questões sobre a adequação do Estudo de Caso. Fonte: BENBASAT; GOLDSTEIN; MEAD, 1987.

Com relação à escolha do caso, ele pode ser “Caso Único” ou “Casos múltiplos”. Segundo

Tonelli (2008), seleciona-se um “Caso Único”, quando se trata de caso crítico para testar

uma teoria bem formulada ou desenvolvida, ou quando se trata de casos “revelatórios”,

que são casos não acessíveis anteriormente e que necessitam de investigação cuidadosa. Trabalha-se com “Casos Múltiplos” quando se deseja a comparação de dados, fornecendo resultados mais robustos. Esses casos permitem replicar os achados dentro de categorias ou verificar resultados conflitantes, mas previsíveis. Neste trabalho, optou-se pelo Estudo de Caso Único por não haver no Brasil, até o presente momento, outros casos no varejo, que utilizem diversas tecnologias de AIDC e TI, em um único espaço.

A unidade de análise, nos Estudos de Caso, pode ser composta por indivíduos, grupos ou organizações, ou ainda por projetos, sistemas ou processos decisórios específicos (POZZEBON, 2008). A determinação da unidade de análise deve ser resultante de exame cuidadoso das questões de pesquisa. Quando uma pesquisa é altamente exploratória, um único caso pode ser útil como estudo piloto, como será o caso deste trabalho, uma vez que trata-se de uma situação revelatória (situação previsivelmente inacessível para investigação

científica) e representa um caso crítico para testar a teoria, sendo extremo em sua essência (YIN, 1984).