Foi buscando perceber o modo como a mídia impacta na imagem transmitida da cidade que essa questão foi aplicada. Contudo, a presença da mídia na formação da imagem já havia sido citada em outras perguntas, como relatado anteriormente.
Dos 10 respondentes, 9 afirmam que a mídia influencia sim no modo como eles percebem Rio de Janeiro. A presença da Rede Globo na cidade foi citada por 2 entrevistados como sendo um fator importante. Algumas considerações importantes:
“Finjamos que não houvesse a mídia? Nós aqui (em Salvador) não saberíamos o que se passa por lá (Rio de Janeiro). Seria tudo belo. Poderia até acontecer algo a algum baiano que fosse ao Rio, mas seria algo acidental, não uma regra. A mídia tem o poder de mostrar tudo” (Entrevistado B6).
“A presença da (Rede) Globo lá é tudo” ( Entrevistado B9).
Apenas um dos entrevistados considera que a mídia não faz nada além do que transmitir a realidade, tanto positiva quanto negativa:
“Não acho que a mídia influencia. Acho que a mídia relata o que de fato acontece. Da mesma forma que passa o lado negativo, a violência, a todo momento ela valoriza o Rio de Janeiro, seja com novelas, seja com reportagens que exaltem sua beleza (Entrevistado B6).
Amostra 2: Baianos sem Experiência
Questão 1: “Conhece o Rio? Foi por qual motivo? Caso conheça, resuma sua experiência no Rio. Caso não conheça, qual o motivo de nunca ter ido?”
Dentre os 10 entrevistados baianos que nunca tiveram experiência com o Rio de Janeiro, 70% afirma nunca ter visitado a cidade por falta de oportunidade, apesar de sentir vontade e/ou curiosidade. O restante, 30%, apontou o mesmo motivo para seu desinteresse: a violência transmitida da cidade. Neste caso, a imagem é projetada na mente sem que haja nenhuma espécie de contato real com a cidade.
“Eu não vou porque eu tenho medo. Quando ouço ‘Rio de Janeiro’, penso logo
em violência” (Entrevistado B16).
Questão 2: “Quando você pensa no Rio de Janeiro, o que vem à sua mente?”
No corpo de dados que não conhece o Rio de Janeiro há um fato bastante relevante: 100% dos entrevistados citaram “violência” como um fator que vem de imediato na sua mente quando pensa na cidade. 80% deles, no entanto, associaram também a atributos considerados positivos. Foram eles: turismo, Cristo Redentor, Baía de Guanabara, cidade agitada, gente bonita, mulheres, praia e Flamengo.
Questão 3: Quais sentimentos/impressões/sensações são despertados em relação ao Rio de Janeiro. Por quê?
Por ser um questionamento muito amplo, a diversidade nas respostas já era previsível. Assim, foram detectadas impressões, sensações e sentimentos de diversas naturezas. Absolutamente todos os entrevistados desse corpo de dados citaram algum atributo considerado negativo no conteúdo do seu discurso. Foram eles: pena, apreensão, violência, sensação de alerta, medo, impotência, decepção, tiro, receio e agonia.
A maioria deles, 80%, no entanto, expressaram também características positivas: amor, curiosidade, turismo, agitação, Cristo Redentor, Pão de Açúcar, tranqüilidade, calor, praia, sol e prazer. Nenhum dos entrevistados demonstrou apenas sensações positivas dentre aqueles que não têm experiências no Rio de Janeiro.
Alguns relatos importantes:
“(Eu tenho) Sentimento de pena da cidade, e da população que não merece a
situação agravante que se encontra. A impressão não é boa devido ao que é mostrado, mas eu sinto que o Rio não é só violência, tem coisas mais importantes que isso”.
(Entrevistado B11).
“Uma cidade agitada, de gente bonita e de bem com a vida, cercada de muito
urbana. Essa é a impressão que é passada pelas novelas e mídia em geral”.
(Entrevistado B13).
“Sensação de que quando eu for lá (no Rio de Janeiro) eu terei que usar um colete a prova de bala. As pessoas bonitas e saradas me passam a sensação de serem fúteis e que de certa forma se ‘prostituem’ pra aparecerem na mídia. Mas a principal sensação é de estar em alerta 24 horas, pois nunca se sabe o que vai acontecer. É diferente de Curitiba que 3 horas da manhã você anda tranqüila na rua. No Rio eu não consigo imaginar tranqüilidade em hora nenhuma, embora eu nunca tenha ido”.
(Entrevistada B14).
Questão 4: O que é a Bahia para você?
Mais uma vez, os entrevistados foram estimulados a pensar um pouco no seu local de origem, que não era foco da pesquisa, antes de responder sobre o Rio de Janeiro. Dos 10 respondentes, 90% associaram seu estado – a Bahia – a atributos positivos, tais como lar, aconchego, cultura, beleza e carnaval. Apenas 1 dos entrevistados atribuiu uma definição negativa à Bahia, classificando-a como uma capitania hereditária.
Questão 5: O que é o Rio de Janeiro para você.
Considerando que esse questionamento acaba tratando somente da imagem projetada para o indivíduo, já que não há a presença da experiência, todas as respostas foram literalmente escritas, de modo que sua análise pudesse ser mais detalhada. Elas estão dispostas a seguir:
“Uma cidade importante do Brasil” (Entrevistado B11).
“Um estado com muitas belezas naturais, uma lugar que inspira grandes obras e pensadores, onde tem muita gente bonita e um lugar que tem muita violência e onde passa uma insegurança em se viver” (Entrevistado B12).
“Uma cidade que realmente faz jus ao título de ‘cidade maravilhosa’ (apesar de eu não conhecê-la), mas que vem tendo a sua imagem abalada em função da violência”
(Entrevistado B13).
“É o lugar das possibilidades. Você pode se tornar um artista famoso, você pode ser um grande atleta, você pode ser um grande traficante, você pode ser o próximo a morrer a qualquer momento, ‘de preferência’ por uma bala perdida”
(Entrevistado B14).
“Caos. Um lugar onde as pessoas precisam evoluir muito no sentido dos valores humanos. Tudo gira em torno das drogas, armas, poder... tirar a vida de uma pessoa é quase comum...” (Entrevistado B16).
“Uma cidade muito linda, acho que a mais bela do país, imagino que seja bem boêmia e muito violenta. Que saco, toda hora digo que é violenta – ‘sorry’”.
(Entrevistado B17).
“O Rio pra mim é a cidade mais bonita, mas que está fora de controle das autoridades. É como se fosse uma ‘piriguete’, bonita, atraente, porém perigosa”
(Entrevistado B18).
“O Rio? É um contraste. De paisagem, de cultura, de classe social... um enorme contraste... muito gritante” (Entrevistado B19).
“Um estado que nunca visitei. Um local onde não conheço praticamente ninguém e de uma propaganda negativa muito grande vinculada na mídia”
(Entrevistado B20).
Depois de ler as respostas transcritas, é possível perceber que apenas 1 delas – a primeira – não contém nenhuma impressão ruim do Rio de Janeiro na mente dos entrevistados. Contudo, nas 9 restantes, a presença de uma palavra ruim é totalmente percebida. Essa análise permite concluir que a imagem projetada na mente dos que não conhecem a cidade é, em sua maioria, negativa.
Questão 6: Você acha que o baiano gosta do carioca? Por quê?
Questionados sobre sua relação com os cariocas, 50 % dos baianos sem experiência responderam que seus conterrâneos gostam sim dos cariocas. Apenas 1 deles acha que os povos não se relacionam bem. Os outros 4 afirmam que o baiano não discrimina nenhum outro povo. Uma observação importante, contudo, do Entrevistado B14 “os baianos não gostam muito é dos paulistas”. Algumas opiniões consideradas importantes:
“Acho que existe uma disputa entre baianos e cariocas principalmente por causa da beleza das duas cidades. Elas têm o meso estilo de beleza e brigam pra saber qual é a melhor. Eu particularmente imagino que o Rio seja mais bonito”.
(Entrevistado B17).
“Porque são duas populações alegres, litorâneas e que gostam de música.
Parecem ter um perfil semelhante em muitos aspectos. Esse lance da música, da praia...”. (Entrevistado B20).
Questão 7: Defina o Rio de Janeiro em 1 palavra.
Depois de serem estimulados a dissertarem sobre o Rio de Janeiro em diversos aspectos – sentimentos, impressões, povo, imagem, etc. – foi pedido aos entrevistados que resumissem o Rio de Janeiro em uma só palavra, apesar de não o conhecerem pessoalmente.
Neste questionamento, 50% dos entrevistados que nunca tiveram contato direto com a cidade sintetizaram o Rio de Janeiro em uma palavra ruim: insegurança, desperdício, contraste e violência (citada duas vezes).
Por sua vez, 40% dos entrevistados usaram palavras com sentido positivo: surpreendente, exuberante, deslumbrante e Flamengo.
Apenas um entrevistado usou uma palavra considerada neutra: mistério.
Questão 8: Para você, qual o símbolo carioca? (pode ser uma pessoa, um personagem, um artista...)
Os entrevistados da amostra A2 foram questionados sobre o que seria para eles o símbolo do Rio de Janeiro. Novamente, o Cristo Redentor foi bastante citado (40% dos casos) apesar de não ter sido considerado. Dentre os baianos que não conhecem o Rio de Janeiro, o resultado foi: Vinícius de Moraes (2 citações), Chico Buarque (2 citações), Zico, Xuxa, Tom Jobim, Fernanda Abreu, Marcelo Yuka “por ter sido sobrevivente da
Questão 9: Você acha que a mídia influencia na imagem do Rio de Janeiro?
Todos os entrevistados desse corpo de dados – baianos sem experiência no Rio de Janeiro – concordam quem a mídia tem total influência sobre a imagem que ele têm formada em relação à cidade.
“A mídia tem o poder de formar opinião (Entrevistado B 12).
“Até porque tudo o que eu sei é por causa da mídia” (Entrevistado B16)
“Ao ler ou assistir aos jornais somos bombardeados com notícias sobre a violência urbana no Rio” (Entrevistado B13).
Um dado curioso é que em 100% dos casos, a imagem é negativa. Uma das respostas acaba associando a imagem diretamente com o governo em questão, como sendo uma questão política mostrá-la ou não.
“Cartão Postal divulgado no mundo inteiro, mas que está sendo engolido pelo tráfico. A mídia tenta limpar a imagem da violência, mas as coisas estão num nível tão descontrolado que não dá mais pra esconder nada. Se eu que estou aqui no Brasil já tenho essa imagem negativa que é mostrada todo dia na televisão e comprovada, principalmente depois do governo Lula, imagine então pra o turista estrangeiro. É complicado a mídia não influenciar. Como a (Rede) Globo anda querendo ‘queimar’ o
governo de Lula, então eles estão ‘estarrando’ mais as mortes - como se elas não acontecessem há muito tempo né?!” (Entrevistada B14).
• Amostra 3: Paulistas Com Experiência
Questão 1: “Conhece o Rio? Foi por qual motivo? Caso conheça, resuma sua experiência no Rio. Caso não conheça, qual o motivo de nunca ter ido?”
Dentre os 10 entrevistados da Amostra A3 (paulistas com experiência no Rio), foi possível perceber que 50% deles estiveram no Rio de Janeiro a passeio/turismo, 1 visita com freqüência, pois tem família carioca, 1 a trabalho e 2 a trabalho e a turismo. Percebe-se que nesse caso o turismo foi o fator predominante na experiência do paulista com o Rio de Janeiro, estando presente em 70% dos casos.
Do total do corpo de dados dessa amostra, 50% consideraram positiva sua experiência na cidade. Uma pessoa, 10%, desaprovou o local e o restante, 40%, explanou no seu discurso categorias opostas, expressões positivas e negativas. A saber: medo X necessidade de voltar (Entrevistado P1); férias X insegurança (Entrevistado P2); atraente X desigualdade (Entrevistado P3); beleza X desigualdade (Entrevistado P7).
Alguns relatos importantes:
“Éramos crianças e fui participar de um programa na escola. Eu tinha 12 anos. Logo que entramos na cidade, presenciamos um assassinato. Fiquei ressabiada. Por causa disso, morro de medo e não tenho vontade de voltar. No entanto, como arquiteta,
sei que tenho obrigação de conhecer o Rio de Janeiro. Todo mundo me fala isso”
(Entrevistado P1).
“Gostei de ter ido... No meu ponto de vista, apesar da enorme desigualdade social e índice elevado de violência, é uma cidade muito atraente no aspecto turístico”
(Entrevistado P3).
Questão 2: “Quando você pensa no Rio de Janeiro, o que vem à sua mente?”
Foi visando detectar quais as percepções do paulista em relação ao Rio de Janeiro que essa questão foi aplicada. Do total de entrevistados, 6 deles expressaram somente palavras/expressões positivas. Apenas 1 só identificou coisas negativas na sua associação e 3 deles usaram as duas categorias (positivas e negativas).
Dentre os aspectos considerados positivos, os citados foram: Cristo Redentor, calçadão, Lagoa Rodrigo de Freitas, cultura, beleza natural, qualidade de vida em relação ao paulista, praia, sol, mulheres, paisagem, Corcovado, novela, carnaval e Mangueira.
Já em relação aos considerados negativos, estiveram presentes nas respostas: morros, ilegalidade, perigo, medo, violência e assalto.
Questão 3: Quais sentimentos/impressões/sensações são despertados em relação ao Rio de Janeiro. Por quê?
Do total dos 10 entrevistados dentro da amostra A3, apenas 4 deles manifestaram sentimentos/impressões/sensações positivas em relação ao Rio de Janeiro. Uma proporção idêntica citou elementos positivos e negativos em sua fala. Nenhum respondente citou apensas expressões negativas em sua fala. Por fim, 2 entrevistados foram indiferentes à capital fluminense.