• Sonuç bulunamadı

De acordo com a LEP (1984), a assistência material consiste no fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas para todos os detentos, sem nenhum tipo de distinção.

Observação de dados da realidade do PPAB, de acordo com o INFOPEN e também expressos na fala dos egressos revelam que esta garantia não se efetiva. No PPAB, as celas que comportam até 10 pessoas, acabam recebendo mais de 30 presos. A maioria das celas do PPAB não tem água, nem banheiro. Não se disponibiliza nenhum material de higiene ou limpeza para os presos, ficando esta responsabilidade destinada às famílias. Infelizmente, isto nem sempre é possível de ser viabilizado pelas famílias, sobretudo dos mais pobres.

12 Alguns estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Sergipe, São Paulo

e o Distrito Federal os presos são atendidos pela defensoria pública.

13 Na maioria dos estados brasileiros os presos são atendidos por profissionais da Secretaria

No tocante aos seis egressos entrevistados, vale considerar que são oriundos se famílias pobres, que tinham apenas o ensino fundamental quando adentraram no PPAB, tendo concluído o ensino médio lá.

Em geral, no PPAB, os presos dormem em péssimas condições: pelos corredores, nos locais destinados aos lixeiros, e muitas vezes até de pé, sustentados por lençóis, conforme relatam os próprios detentos.

(...) a LEP deveria se chamar a Lenda das Execuções Penais. No sistema Penitenciário de PE, dentro das unidades PPAB e PPBC eu nunca tive assistência material (Roupa, higiene pessoal, acomodações, etc.). (A.R.L.).

Para reforçar tal informação, segue uma imagem de uma das celas do PPAB.

Imagem 6: Cela do Presídio Aníbal Bruno.

Fonte: http://www.estadao.com.br

A realidade prisional de Pernambuco não se diferencia de outros locais do Brasil. De acordo com entrevista realizada por diferentes programas jornalísticos, a falta de higiene é tanta em alguns presídios que os funcionários dizem criar uma jibóia, para que ela coma os ratos do local. Em outros presídios, como o do Maranhão, não tem teto e quando começa a chover, a única opção dos presos é ficar na chuva. As mesmas queixas são comuns, na Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, dentre outros.

Em entrevista concedida por um detento, em 2010, a situação do presídio era a seguinte:

Agorinha, eu rezei para não chover mais. Se cair outra chuva aqui, Ave Maria, nós estamos mortos, desejava mais morrer do que ficar aqui dentro. Nesse sofrimento aqui, quero mais morrer. (Disponível em: http://fantastico.globo.com).

As observações realizadas no PPAB e a entrevista com detentos revelaram que apenas a alimentação é fornecida aos detentos, e ainda assim, não são de boa qualidade.

No presídio quem não tem família para levar semanalmente comida ou não tem dinheiro para comer nas cantinas instaladas dentro da unidade acaba passando fome, a comida servida é horrível e muitas vezes estragada (Depoimento de M.J.S).

As questões ligadas ao vestuário são de responsabilidade do próprio detento e de sua família, o que fica diretamente condicionado a questão sócio- econômica. Portanto, para os presos que possuem condições sócio- econômicas precárias, a garantia de assistência material é totalmente prejudicada, tendo em vista que muito da permanência do preso no sistema prisional depende do seu auto-sustento. O fato é que quanto mais pobres são os presos, mais difíceis suas condições de permanência no interior do PPAB.

Dentro do presídio aprendi como o dinheiro é importante na vida, lá ele compra tudo, mas é tudo mesmo do cigarro ao local para dormir. Quantas vezes tive que traficar lá dentro para conseguir dinheiro para me manter, comprar comida, roupa e itens de higiene pessoal (Depoimento de O.S)

Diferente do que pensa a maioria da sociedade, as condições no interior destes estabelecimentos são precárias, faltando praticamente tudo: roupas, remédios e demais artigos de uso pessoal. Neste contexto, fica claro que se a família do detento não possuir condições financeiras para oferecer uma vida digna ao preso, durante o período em que ele estiver encarcerado, resta-lhe

prestar serviços mais ou menos escusos a outros detentos com melhor poder aquisitivo, em troca de alimento, roupa, e outros artigos de seu interesse (o álcool, o cigarro e as drogas são os mais procurados).

De acordo com Herkenhoff (apud NUNES, 2005) durante a execução da pena, embora estejam garantidas por lei, diferentes assistências, há problemas graves que martirizam os presos brasileiros. No PPAB não é diferente. A superlotação de celas; a existência de colchões ou esteiras espalhadas pelo chão; um vaso sanitário dividido para até 50 detentos; a sujeira e o mau cheiro, num absoluto desrespeito à dignidade humana são comuns no nosso local de pesquisa, revelando que a assistência material não consegue efetivar-se no cotidiano do Presídio Professor Aníbal Bruno, bem como também não acontece na maioria - senão em todos - os presídios brasileiros.

O resultado disto é a insatisfação, constantes rebeliões e uma distância cada vez maior da ressocialização esperada pela LEP. Para ilustrar tal questão, segue imagem divulgada na imprensa sobre momento de rebelião no PPAB, durante o ano de 2008, cujo saldo foi inúmeras mortes e poucas soluções para os problemas existentes.

Imagem 7: Os detentos e a tropa de choque no Presídio Professor Aníbal Bruno, no Recife.

Diante disto, é evidente que o PPAB apresenta poucas condições de acolher seres humanos que necessitam ser recuperados. O que se vê são homens jogados a própria sorte e a mercê das condições financeiras familiares, estabelecendo uma distinção de classe desde a entrada dos apenados no sistema prisional brasileiro.

O que ocorre é que, se para qualquer ser humano já é difícil ter sua liberdade cerceada, para os mais pobres esta situação é imensamente pior, pois é preciso pagar por tudo no interior do presídio, desde o espaço para dormir, alimentar-se14, satisfazer suas necessidades básicas de higiene, etc. Então, neste contexto, a prisão, em vez de devolver à liberdade, indivíduos corrigidos, espalha na população, delinqüentes perigosos (FOUCAULT, 2006).