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O Sistema Nacional de Inovação nos países latino-americanos, segundo Cassiolato e Lastres (2000, p. 7), formou-se durante o período de substituição de importações. Este período foi marcado pela intensa importação de tecnologia, baixos investimentos em C&T e P&D, maior participação relativa de P&D por instituições públicas, formação de profissionais qualificados através das instituições públicas. Sendo, portanto, o Estado a 'mola mestra' da criação dos Sistemas Nacionais de Inovações nesses países.

As definições de Sistemas Nacionais de Inovação são dadas por vários autores9, mas é possível verificar da interseção entre as definições que a relação entre as instituições privadas e públicas possui papel determinante no desenvolvimento de novas tecnologias no território nacional, através do processo de aprendizado. Esta abordagem coloca o conhecimento com o papel fundamental para o desenvolvimento tecnológico e econômico. Assim como o conhecimento da empresa não é apenas o somatório do conhecimento das pessoas dentro da empresa, o sistema de inovação não é apenas um resultado de aglomerações produtivas, mas da forma sistêmica como as instituições estão conectadas.

Para Cavalcanti Filho e Moutinho (2007), os aspectos sistêmicos e evolutivos são a essência da concepção dos Sistemas Nacionais de Inovação [Freeman (1987), Lundvall (1992), Nelson (1993), Edquist (1997)] e se fundamentam na possibilidade de cooperação e governança nos territórios nacionais que favoreçam a competitividade via inovação. A proximidade geográfica, cultural e institucional entre indivíduos, firmas e organizações possibilita a formação de uma rede de proteção contra incertezas envolvidas nos processos de aprendizado inovativo. Assim, os sistemas nacionais de inovação são reflexos do grau de endogeneização do processo de desenvolvimento tecnológico.

O conceito de sistema de inovação, pode ser implementado não apenas para territórios nacionais, mas regionais e locais, desde que nessas regiões exista a configuração de um sistema. Para Lastres et al (1999, p.59 apud SAMPAIO 2011) o conceito de Sistema Local de Inovação permite uma melhor compreensão do processo de inovação, uma vez que leva em consideração as diferenças entre regiões, de acordo com seu processo de construção histórico e seu desenho político institucional específicos.

Do conceito de Sistema Local, deriva o conceito de arranjo produtivo local. O qual a Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos Locais (REDESIST) define como o conjunto de atores localizados em dado território que desenvolvem atividades correlatas e são ligadas através da produção, interação, cooperação e aprendizado. Cada APL possui sua configuração específica, assim, segundo Sampaio (2011, p. 12) seria inviável criar políticas públicas para APLs sem levar em consideração as especificidades locais de cada região.

Assim, o APL é citado por vários trabalhos como o ambiente local marcado pelo aprendizado e cooperação entre agentes para realização de uma ou mais funções econômicas correlatas. Desta maneira, há uma vasta literatura que aponta alguns instrumentos institucionais de apoio empresas inovadoras no âmbito dos APLs.

9 Freeman (1987), Lundvall (1992), Nelson (1993), Patel e Pavitt (1994) e Metcalfe (1995). A este respeito, ver

Os arranjos institucionais de apoio às novas empresas, segundo Torkmian e Piekarski (2008, p.218) são: incubadoras de empresas, pólos tecnológicos, parques tecnológicos e as redes de cooperação e inovação. Eles contribuem para o desenvolvimento tecnológico do país, auxiliando as empresas de base tecnológica em questões estruturais de mercados e gestão.

As incubadoras de empresas são instituições que abrigam empresas nascentes, fornecendo-as infra-estrutura e espaço físico adequado para abrigar essas empresas até a fase de maturação das mesmas. Elas também mantém certa quantidade de pessoal preparado para prestar serviços compartilhados como secretaria, assessoria jurídica e assessoria de comunicação. Este modelo de instituição visa também proporcionar a utilização de práticas gerenciais eficientes e acompanhar o desenvolvimento da empresa nascente.

Segundo Sobral (2005, p. 2) as incubadoras buscam facilitar o acesso das tecnologias disponíveis nas instituições de pesquisa aos empresários. Nelas as empresas se beneficiam com o acesso a laboratórios e cientistas qualificados, custos esses que seriam inviáveis para pequenas empresas arcarem individualmente.

As incubadoras também executam atividades de aproximação dos empreendimentos incubados com as grandes empresas e potenciais mercados. A interação promovida pelas incubadoras entre institutos de pesquisa, mercado, clientes, incubados gera ganhos econômicos entre todos estes agentes, resultado das novas combinações dos fatores produtivos.

O pólo tecnológico é caracterizado como sendo uma área de concentração industrial de empresas de pequeno e médio porte que atuam em segmentos semelhantes ou complementares. São áreas com grande potencial tecnológico devido à existência de diversas unidades de pesquisa básica e aplicada e a sua função é viabilizar ações de marketing das novas tecnologias, sistematizadas em conjunto (TORKOMIAN E PIEKARSKI, 2008).

O parque tecnológico consiste em um empreendimento imobiliário com intuito de gerar ganhos de escala e escopo na captação de mão de obra qualificada, infraestrutura e ambiente de forma compartilhada. Um parque tecnológico busca gerar a cooperação entre as empresas abrigadas e a interação entre universidade-empresa (TORKOMIAN E PIEKARSKI, 2008).

O último dos arranjos institucionais citados por Torkomian e Piekarski (2008) são as redes de cooperação e inovação, neste caso as empresas criam ligações umas com as outras com o intuito de gerar ganhos de escala e escopo. O objetivo da rede de cooperação que facilitem o desenvolvimento de alguma tecnologia, cada empresa fornece sua vantagem competitiva complementar às demais, para juntas conquistarem vantagens tecnológicas

preciosas. A rede não é composta apenas por empresas, mas também por outras instituições ligadas com a promoção da inovação.

Uma vez que o foco de atuação são as empresas, o SNI deve por meio de políticas de seleção e variação incentivarem as estratégias inovativas por parte das empresas através dos vários mecanismos e instituições supracitados. As empresas que estarão mais sensíveis a este tipo de política são as Empresas de Base Tecnológica (EBT), o governo deve ter a capacidade de edificá-las bem como encontrar soluções para as principais dificuldades que elas enfrentam.