2.4. Sosyal Bilgiler Öğretim Programında ve Ders Kitaplarında Araştırmaya Konu
2.4.1. Cumhuriyet
A cerâmica72 foi adotada por diferentes sociedades, está associada a um determinado ambiente, à tecnologia utilizada, às condutas e situações sociais. Apesar de quebradiça, preserva-se melhor que outros vestígios arqueológicos. Segundo Rice (1999), os exemplos mais antigos de tecnologia cerâmica podem ser encontrados na Eurásia, as figuras do sítio Dolní Vestoniçi (Czechoslovakia), que atestam sofisticado conhecimento da argila e do fogo. Foram produzidas no início do Paleolítico Superior, há pelo menos 26 mil anos (RICE, 1999, p. 4). Muitos pesquisadores concordam que o surgimento da cerâmica entre as sociedades pré- históricas esta relacionado à crescente sedentarização, domesticação de vegetais e animais, em regiões com recursos abundantes e teria ocorrido no Pleistoceno tardio e início do Holoceno. Na América do Sul, as cerâmicas mais antigas conhecidas até o momento foram encontradas no leste tropical da América, no interior da região Amazônica, escavadas nos sambaquis Taperinha e Caverna da Pedra Pintada, em estratos que variam de 7.580 a 6.300 AP (RICE, 1999, p. 18, NEVES, 2006).
Uma peça cerâmica, ao longo de sua vida, acumula informações que se referem à origem, produção, uso, idade e deposição. Por meio delas se pode ampliar o conhecimento sobre a tecnologia pré-histórica e de forma mais ampla sobre a vida cotidiana e o comportamento social das antigas populações (CREMONTE, 1983-1985, p. 180-181).
A análise da pasta, a queima, a forma e o acabamento das cerâmicas podem indicar opções tecnológicas das ceramistas. A tecnologia pode ser compreendida como um corpus de comportamentos e conhecimentos utilizados pelo homem na transformação e aproveitamento do mundo material e imaterial (INGOLD, 2001). Os sistemas tecnológicos se constituem da
72 A fabricação da cerâmica a partir da argila depende de “sua plasticidade e propensão resultando em produtos estáveis depois da queima” (SOLÁ, 2004, p. 2). Para Bona (2006), a argila, matéria-prima da cerâmica é um termo com várias definições. Para um cientista de solos é uma fração particular do solo de granulação bem fina (menores de 0,002 mm), com propriedades coloidais e que se torna plástica ou maleável quando umedecida. As outras frações do solo dependem da distribuição exata do tamanho das partículas. São chamadas de silte, quando o diâmetro varia de 0,002 a 0,050 mm e areia, acima de 2m. Para um geólogo, argilas são produtos do intemperismo. Quimicamente as argilas são produtos do intemperismo de rochas de silicato, compostas primariamente de sílica e alumínio, os dois elementos químicos mais resistentes ao intemperismo (BONA, 2006, p. 25). A argila se forma sobre a superfície terrestre entre os 4 e 250 ºC por interação do ‘ar e da água’ com as rochas. Originam-se por meteorização do solo e por processos hidrotermais. Logo estes novos minerais são transportados pelo vento e redepositados, posteriormente sofrem enterramento, que é quando começa a etapa de modificação. Há três mecanismos principais que envolvem a gênese das argilas: detrítico, neoformação, transformação (SOLÁ, 2004, p. 9).
165 inter-relação entre os seguintes elementos: matéria, energia, objetos, gestos e conhecimento, estes elementos fazem parte de um conjunto de cadeias operatórias, ou seja, de uma “série de operações envolvidas em qualquer transformação de matéria (incluindo o nosso próprio corpo) pelos seres humanos” (LEMONNIER, 1992, p. 26).
O capítulo quatro apresenta dados técnicos da análise dos conjuntos cerâmicos, a partir de dois aspectos principais: a pasta (minerais e composição química) e a queima. Para descrição da pasta foram produzidas análises físico-químicas, através de lâminas delgadas e Fluorescência de Raio X, com base no modelo de Rye (1981) foi descrita macroscopicamente a queima dos fragmentos cerâmicos. A Fluorescência de Raio X foi empregada também para determinar os pigmentos corantes utilizados na pintura da cerâmica Guarani.
4.1 Pasta
Analisar a cerâmica a partir da tecnologia de produção exige pensar inicialmente na argila que, transformada em pasta, dará origem ao utensílio cerâmico. A pasta influencia tanto na produção como no acabamento do artefato. Uma categoria importante de análise são as inclusões, podem ser agregadas intencionalmente ou existir naturalmente. Quando um elemento é adicionado intencionalmente pela artesã, é chamado de tempero. São elementos não plásticos da cerâmica agregados na pasta com o objetivo de modificar a propriedade da argila, podem ser minerais ou orgânicos (SHEPARD, 1956; RICE, 1987; ALVES, 1994). Shepard (1956) salienta a intencionalidade da adição de elementos não-plásticos para o uso da palavra tempero, pressupõe um estágio tecnológico, já que sua utilização implica prever seu comportamento na massa cerâmica. Rice (1987, p. 406-412) aborda a questão do emprego da palavra tempero de forma detalhada, discutindo o conceito, os problemas com a terminologia, elementos para distinguir se a adição é natural ou intencional.
Contudo, nem sempre é possível separar as inclusões naturalmente presentes na argila, daquelas adicionadas pela artesã, para diferenciar um do outro, deve-se observar a característica morfológica, composicional e textural, a distribuição da frequência, o tamanho, a seleção de grãos e partículas incluídas (STOLTMAN, 2001, p. 301). Nos conjuntos cerâmicos aqui analisados o único tempero que pode ser identificado claramente foi o chamote, são micro-fragmentos de cerâmica provenientes de outras vasilhas.
166 Como abordei na introdução deste trabalho, a petrografia para estudo da cerâmica arqueológica é conhecida e utilizada por diferentes pesquisadores, a exemplo de Shepard (1956), Rye (1981), Cremonte (1983-1985), Stoltman (2001). No Brasil, o uso das lâminas delgadas para análise de pastas ainda é pouco empregado, tem sido utilizado principalmente por Alves (1982, 1988, 1994, 1997, 2009) para estudo de cerâmicas arqueológicas provenientes de sítios do estado de São Paulo e Minas Gerais.
Para a tradição Itararé-Taquara, até o momento, não se conhece nenhum trabalho. Para os Guarani, Zuse (2008) realizou 20 seções delgadas de cerâmicas provenientes do sítio Ibm 4, Pedra Grande da Redução Jesuítico-Guarani, localizada no estado do Rio Grande do Sul. Vale mencionar o trabalho de Pérez (2009, p. 67), que realizou pesquisa com base na análise petrográfica, a partir de 52 cortes delgados de cerâmica de sítios localizados no baixo rio Paraná (24 lâminas de cerâmica Guarani, 25 lâminas de cerâmica de grupos caçadores- coletores, além de 3 amostras experimentais).
Nesta pesquisa, a pasta foi analisada por meio da confecção e descrição de vinte seis seções delgadas (tabela 20 e 21), quatorze delas são Guarani (5 corrugadas, 4 simples, 3 pintadas, 2 unguladas) e doze Itararé-Taquara (3 impressas, 3 simples, 2 beliscadas, 3 ponteadas, 1 ungulada). Nove lâminas foram confeccionadas pelo técnico Roberto Asta (Argentina) e outras dezessete na Seção de Laminação, do Instituto de Geociências (USP). A descrição de todas foi realizada pela GeoJúnior Consultorias, empresa de prestação de serviço vinculada ao Curso de Geologia do Instituto de Geociências (USP). A partir da análise petrográfica, determinou-se a composição da matéria-prima, argila e as inclusões utilizadas na fabricação da cerâmica, objetivando perceber as principais diferenças entre as culturas Itararé- Taquara e Guarani.
167 Tabela 20 – Composição mineralógica, granulometria e seleção das inclusões na cerâmica Guarani
Sítio Amostra/ Peça Trat. De Superfície Composição mineralógica Granulometria 73 Seleção74 Valdemar Stensseler (009) 01/004 Simples Quartzo Minerais opacos Chamote Feldspato
Fina a grossa, com predomínio da média Moderadamente selecionado Valdemar Stensseler (009) 02/204 Pintada Quartzo Minerais opacos Chamote Calcedônia
Muito fina a grossa, com predomínio da média Muito pobremente selecionado Valdemar Stensseler (009) 03/473 Corrugada Quartzo Minerais opacos Chamote
Fina a grossa, com predomínio da fina Pobremente selecionado Valdemar Stensseler (009) 04/515 Ungulada Chamote Quartzo
Fina a média, com predomínio da fina Pobremente selecionado Valdemar Stensseler (009) 05/561 Corrugada Chamote Quartzo Calcedônia
Fina a muito grossa, com predomínio da média Pobremente selecionado Silvino Prediger I (010) 06/075 Simples Chamote Minerais opacos Quartzo Calcedônia Feldspato
Fina a muito grossa, com predomínio da fina
Moderadamente selecionado Silvino Prediger I (010) 07/046 Ungulada Quartzo Minerais opacos Chamote
Fina a grossa, com predomínio da fina Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 08/255 Simples Minerais opacos Quartzo Calcedônia Feldspato Chamote
Fina a grossa, com predomínio da média Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 09/317 Corrugada Minerais opacos Quartzo Chamote Feldspato
Muito fina a muito grossa, com predomínio
da média Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 10/782 Pintada Chamote Quartzo Calcedônia Minerais opacos Feldspato alcalino Turmalina Zircão
Muito fina a muito grossa, com predomínio
da média e grossa
Muito pobremente selecionado
Otto Aigner 1(013) 11/46 Simples
Chamote Calcedônia Quartzo Feldspato Vidro Minerais opacos
Fina a muito grossa, com predomínio da fina
a média
Pobremente selecionado
Otto Aigner 1(013) 12/51 Corrugada/ Ungulada
Quartzo Minerais opacos
Chamote
Muito fina a fina com predomínio da fina
Bem selecionado
Otto Aigner 1(013) 13/54 Pintada
Quartzo Minerais opacos
Chamote Calcedônia
Muito fina a grossa, com predomínio da
média
Moderadamente selecionado
Otto Aigner 1(013) 14/383 Corrugada
Chamote Quartzo Calcedônia Minerais opacos
Feldspato
Muito fina a muito grossa, com predomínio
da fina a média
Pobremente selecionado
73 A Escala Wentworth (1922) fixa o limite (em 0,06 mm) entre os elementos da matriz e as inclusões, muita fina
(0,125 a 0,062 mm); fina (0,250 a 0,125 mm); média (0,50 a 0,250 mm); grossa (1,0 a 0,50 mm); muito grossa (2,0 a 1,0 mm).
168 Tabela 21 – Composição mineralógica, granulometria e seleção das inclusões na cerâmica Itararé- Taquara
Sítio Amostra/
Peça
Trat. De
Superfície Composição
mineralógica Granulometria Seleção
Silvino Prediger I (010) 15/115- 120 Ungulada Quartzo Minerais opacos Calcedônia Plagioclásio
Fina a grossa, com predomínio da fina a média Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 16/558 Impressa Calcedônia Quartzo Chamote
Fina a muito grossa, com predomínio da média Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 17/672 Ponteada Quartzo Minerais opacos Chamote
Média a muito grossa, com predomínio da média Muito pobremente selecionado Armandio Vortmann (011) 18/949 Beliscada Quartzo Minerais opacos
Média a muito grossa, com predomínio da média Moderadamente selecionado Armandio Vortmann (011) 19/1851 Impressa Feldspato Minerais opacos Quartzo
Muito fina a grossa, com predomínio da fina a média Pobremente selecionado Armandio Vortmann (011) 20/1603 Beliscada Quartzo Minerais opacos Feldspato Calcedônia
Fina a grossa, com predomínio da fina a média Bem selecionado Armandio Vortmann (011) 21/1830 Simples Quartzo Minerais opacos Calcedônia Vidro Zircão
Média a muito grossa, com predomínio da
grossa
Muito pobremente selecionado
Otto Aigner 1(013) 22/465 Ponteada
Vidro Chamote Quartzo Biotita Feldspato Plagioclásio
Muito fina a grossa, com predomínio da fina
Pobremente selecionado
Otto Aigner 1(013) 23/455 Simples
Quartzo Minerais opacos Feldspato Plagioclásio Biotita Turmalina
Fina a média, com predomínio da fina
Bem selecionado
Otto Aigner 1(013) 24/555 Ponteada
Minerais opacos Quartzo Plagioclásio
Calcedônia
Fina a grossa, com predomínio da média
Moderadamente selecionado
Otto Aigner 1(013) 25/1499 Impressa
Quartzo Minerais opacos
Calcedônia Feldspato
Muito fina a média, com predomínio da média
Pobremente selecionado
Otto Aigner 1(013) 26/1503 Simples Minerais opacos Quartzo
Fina a muito grossa, com predomínio da fina e grossa Muito pobremente selecionado 4.1.1 Cortes Guarani
169 A amostra analisada corresponde a um fragmento de cerâmica simples, mas devido ao tamanho reduzido do bojo não se pode identificar a que tipologia de recipiente pertenceu, a queima é oxidada completa (figuras 81 e 82).
Na descrição da lâmina, observou-se 15% de porosidade, as cavidades têm formatos alongados; a matriz corresponde a 60% e apresenta massa amorfa de grãos muito finos de cor marrom; as inclusões somam 25%.
Representam as inclusões: 40% de quartzo, com tamanho médio de 0,5 mm75 e formatos arredondados; 25% de óxido de ferro, com tamanho de 0,1 a 0,5 mm, formatos arredondados a subarredondados e coloração laranja avermelhada, com inclusões microcristalinas; 20% de chamote, com tamanho de 0,2 a 1,0 mm e forma angulosa, de coloração mais escura que a matriz; 15% de feldspato, medindo 0,5 mm e formatos arredondados (figuras 83 e 84).
Figura 81. Sítio Valdemar Stensseler (009), face externa simples. Imagem: Ceom/Unochapecó.
Figura 82. Sítio Valdemar Stensseler (009), detalhe do corte e da oxidação completa. Imagem: Ceom/Unochapecó.
Figura 83 e 84. Sítio Valdemar Stensseler (009), a lâmina apresenta cor homogênea, tom bege. Na micrografia notam-se fraturamentos (cor clara em forma de raiz), grãos de quartzo e feldspato (em branco), e matriz composta por uma massa amorfa de grãos muito 75 O tamanho dos minerais foi determinado a partir da média do maior eixo dos grãos.
170 finos (cor marrom). Fonte: Corte Setor de Laminação IAG/USP. Imagem: GeoJúnior
Consultorias.