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Ceza Yargılaması Bakımından Deliller

1.9. Deliller

1.9.2. Ceza Yargılaması Bakımından Deliller

O quinto e último pressuposto é o pensamento libertário. Neste, Maffesoli propõe que se trabalhe pela liberdade do olhar, pois: “é ela, a um só tempo insolente, ingênua, mesmo trivial e pelo menos, incômoda, mas abre brechas e permite intensas trocas” (1988, p. 43).

Como abordado anteriormente, o autor entende que existe, sempre, interação entre o observador e seu objeto de estudo, que essa pode se manifestar como conivência, cumplicidade ou mesmo como empatia, e que a compreensão envolve a generosidade de espírito, a proximidade e a correspondência. Para ele, é justamente por fazermos parte que podemos sentir e entender, de maneira mais completa, esta ou aquela situação social. Ele ressalta (1988, p. 44):

Há sempre certa dose de audácia dedutiva em toda obra autêntica, a fecundidade, a originalidade e o aspecto prospectivo de uma obra são sempre apanágio de espíritos livres, que provocam um curto-circuito nas escolas, nos dogmatismos e nas modas, pois mesclam intimamente pensamento e paixão, não hesitando em transformar esta conjunção numa verdadeira aventura.

Em inúmeros pontos de sua obra, Maffesoli faz considerações epistemológicas a respeito da observação dos dados sociais. A partir dos cinco pressupostos aqui apresentados, ele propõe uma sociologia em que se dê mais valor para os laços baseados na comunhão e no compartilhamento das emoções, do que para os determinados pelas instituições e, além disso, defende uma maneira diferenciada de observar e estudar esses laços. Uma maneira que busca mais compreender do que analisar.

Defende, também, o aspecto popular, diferenciado, plural e efervescente do dado social, desconfiando da razão que pretende explicar o radicalmente outro

característico da divindade. E propõe, ainda, o espírito do politeísmo, que se recusa a tudo determinar com rigidez, e o relativismo, esse último, no sentido de se admitir o realismo das verdades localizadas. Para ele, somente o como da descrição fenomenológica é que pode ser de alguma utilidade, na medida em que a razão não é a chave universal, e o que se deve associar à vida cotidiana é o papel da paixão, a importância dos sentimentos partilhados.

Em inúmeros pontos de sua obra, Maffesoli faz considerações epistemológicas a respeito da observação dos dados sociais. Ele propõe uma sociologia em que se dê mais valor para os laços baseados na comunhão e no compartilhamento das emoções, do que para os determinados pelas instituições.

A hipótese do homo oeconomicus, por mais pertinente que tenha sido no passado, pode estar conduzindo, nos dias de hoje, a uma visão inteiramente redutora da vida social. Além de assegurar que a razão não é a única chave para o seu entendimento, ele acrescenta que a socialidade dos nossos dias não pode mais ser explicada por um conjunto de leis econômicas, somente pela via de um conjunto muito mais amplo. Este conjunto mais amplo é o da Comunicação.

Lembrando o que Maffesoli considera a atitude reducionista que caracteriza a epistemologia moderna e contemporânea, na qual (1988, p.92):

É, efetivamente, difícil admitir-se que a descrição metafórica dos fenômenos sociais moventes possa conter informações preciosas, posto que não é possível reduzi-las, generalizá-las ou codificá-las. Estas informações amenas, tomando aqui por empréstimo a linguagem dos especialistas em informática, são, quando muito, consideradas acréscimos anímicos ou variações poéticas, que podem ser considerados à condição, porém de permanecerem limitados ao nebuloso domínio da cultura.

Visando observar, em anúncios das campanhas publicitárias para a sandália Havaianas, as marcas da busca de união ou aproximação com o consumidor, da criação de significados que propiciem sentimentos como o de pertença, como nas antigas tribos, da construção de identidades ou, mais propriamente, de identificações, é importante salientar a relevância dos aspectos apresentados até aqui. Parte-se do pressuposto que a Publicidade, especialmente a que é feita para

produtos industrializados, não tem outros objetivos que não sejam a venda desses produtos, assim como a consolidação e o fortalecimento das marcas de seus fabricantes, na percepção dos consumidores a que se destinam.

A Sociologia Compreensiva centra a sua investigação no estudo dos fatos do cotidiano, desde os mais insignificantes e banais, sem deixar de lado os sentimentos e sensações que eles possam suscitar, na busca da compreensão do objeto social.

A idéia, aqui, partindo da reflexão sobre os principais fundamentos da sociologia compreensiva proposta por Maffesoli, é observar as mensagens publicitárias de uma forma que procura ser metanóica, procurando descortinar seus significados e um pouco da riqueza de seu imaginário.

É muito comum ouvir-se, entre publicitários, que a Publicidade é um reflexo da sociedade em que vivemos. A proposta deste trabalho é observar esse espelho, com a ajuda das lentes compreensivas do pensamento e dos fundamentos de Maffesoli, no sentido de uma reflexão não utilitária, ou seja, não para servir a algum tipo de ideologia, fosse ela pró ou contra as campanhas publicitárias da Havaianas, se esse fosse o caso. É observar as mensagens com olhos de quem busca a via de identificação, as possibilidades de reconhecimento de identidade ou sentimentos comuns, capazes de criar esses ambientes relacionais que este trabalho vem apontando e enquadrando sob diferentes ângulos. Como defende Maffesoli:

Há uma certa interação, que se estabelece entre o observador e seu objeto de estudo. Há conivência; às vezes cumplicidade; diríamos mesmo que se trata de empatia (al. Einfülhung). É isto mesmo que talvez constitua a especificidade de nossa disciplina. A compreensão envolve a generosidade de espírito, a proximidade, a correspondência (1988, p. 47).

Ao adotar a sociologia compreensiva, Maffesoli se propõe a descrever o vivido naquilo que é, discernindo as visadas dos diferentes atores envolvidos, mas sempre pensando em termos de globalidade.

O autor levanta inúmeras questões a respeito da metodologia para o trabalho de pesquisa no campo das ciências humanas e sociais, optando por essa sociologia que se propõe mais a observar e compreender do que analisar e classificar. Acima de tudo, essas “conjunções do material com o imaterial” ou mesmo essas “identificações sucessivas”, por mais breves ou fugidias que sejam, têm como cenário a sensibilidade, a emoção, a alma humana. Dessa forma, existem tanto para quem produz quanto para quem recebe e interpreta as mensagens publicitárias.

Para Maffesoli, somente o como da descrição fenomenológica é que pode ser de alguma utilidade, na medida em que a razão não é a chave universal, e o que se deve associar à vida cotidiana é o papel da paixão, a importância dos sentimentos partilhados. Aí reside um ponto crucial para este trabalho e para a escolha das três campanhas Havaianas analisadas, diretamente ligado a essas considerações. A Havaianas é uma marca dotada de carisma, pois senão não teria crescido tanto, através de tantos anos e em direção a públicos tão distintos.

O objetivo deste trabalho é tentar encontrar, nas mensagens de suas campanhas, as marcas dessa busca de identificação com o público, criadas para Havaianas, e ai está um importante elo de ligação entre o pensamento de Maffesoli e o de Charaudeau, do qual este trabalho toma emprestada a técnica de análise do discurso.

5.2. PENSANDO A PUBLICIDADE A PARTIR DE CHARAUDEU