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Cam tavanı kırmak: Yerel yönetimlerde kadın temsili

A previsão inicial foi ouvir os setores da religião, dos movimentos sociais LGBT e/ou feminista, da academia universitária, do Judiciário, do Poder Público e de partidos políticos.

Quanto à religião, pensou-se em coletar impressões de alguma igreja cristã protestante inclusiva, isto é, uma instituição que prega os ensinamentos religiosos de Jesus Cristo e tem a

Bíblia como livro sagrado, mas faz uma interpretação diversa da Igreja Católica e mesmo de protestantes no sentido de acolher o público LGBT. Fez-se essa opção pelo fato de não ser uma instituição tão conhecida ao passo que a posição oficial da Igreja Católica e de muitas religiões protestantes é amplamente conhecida seja por discursos oficiais, documentos, seja por ações práticas nesse sentido.

Diante do exposto, foi entrevistado um membro da ICM (Igreja da Comunidade Metropolitana), igreja inclusiva de reconhecimento internacional. Foi criada em 1968 pelo reverendo Troy Perry na Califórnia (EUA). Possui 172 filiais no mundo, sendo uma delas no município de Fortaleza.

Em relação aos movimentos sociais, buscou-se reconhecer sua importância na reivindicação de direitos e proposição de políticas públicas para as causas defendidas. O movimento LGBT escolhido foi o GRAB (Grupo de Resistência Asa Branca), organização não governamental de atuação pioneira no estado do Ceará. É uma organização sem fins lucrativos que possui prestígio nacional. Fundado em 1989, é considerado de utilidade pública municipal pela Lei nº 7066, de 27/03/1992. Realiza debates e rodas de conversa, oferece assessoria a vítimas de discriminação, participa de atos públicos e campanhas educativas, oferta cursos de qualificação etc.

Já o movimento feminista escolhido foi a MMM (Marcha Mundial de Mulheres), movimento auto-organizado de mulheres do mundo todo que se articulam desde 8 de março de 2000, data em que comemora internacionalmente o “Dia da Mulher”, numa agenda definida como anticapitalista e antipatriarcal. Nos anos de 2000 e 2005, realizou ações locais e internacionais em várias partes do mundo, no campo e na cidade, entre 8 de março e 17 de outubro culminando em reivindicações de maior amplitude, a exemplo da elaboração da “Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade”. Tal movimento tem integrantes em Fortaleza.

No tocante à academia universitária, determinou-se aprioristicamente que deveria ser alguém da área do conhecimento comumente denominada “ciência sociais” por afinidade com o objetivo do trabalho. No entanto, excluiu-se o Direito dessa amostra uma vez que, possivelmente, as impressões coletadas poderiam ser as mesmas ou bastante parecidas. Outra exigência era a participação efetiva em grupo de pesquisa acadêmica sobre a temática da sexualidade. Com base nisso, foi escolhido para participar da amostra o NUSS (Núcleo de Pesquisas sobre Sexualidades, Gênero e Subjetividade), laboratório vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC (Universidade Federal do Ceará). O núcleo existe

desde 2007 e seus membros possuem farta produção acadêmica, incluindo publicações internacionais no currículo.

Em se tratando do Poder Público, cogitou-se inicialmente entrevistar uma pessoa que trabalhasse na Coordenadoria de Diversidade Sexual do município de Fortaleza. Criada em 2005 na gestão da então prefeita Luizianne Lins (PT), tal órgão estava vinculado à Secretaria de Direitos Humanos e tinha a missão institucional de coordenar, elaborar e implementar políticas públicas de enfrentamento ao preconceito e à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero em Fortaleza, de forma articulada com as demais secretarias. Ocorre que nesse interstício da elaboração da monografia, houve eleições municipais na cidade. Com a derrota do candidato da situação, a situação da coordenadoria ficou indefinida em 2013. O prefeito eleito Roberto Cláudio (PSB) propôs uma reforma administrativa na Prefeitura e a Câmara Municipal aprovou posteriormente. A Secretaria de Direitos Humanos foi mantida, mas não se sabe oficialmente o futuro da coordenadoria anteriormente mencionada.

Por sorte, ou melhor, graças aos esforços de movimentos LGBT da capital cearense, em 28 de dezembro de 2012, foi promulgada a Lei nº 9995/12 que institui o Plano Municipal de Políticas Públicas para LGBT, que orientará e implementará por 10 anos ações no combate à homofobia, lesbofobia e transfobia em Fortaleza. Na mesma sessão foi aprovado um conjunto de leis em favor dessa comunidade, entre elas a Lei Complementar nº 133/12 que institui o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra. Tal órgão está vinculado à Secretaria de Direitos Humanos e deve ser custeado por dotação orçamentária dessa pasta. Ambas estão na publicação do Diário Oficial do Município do dia 07 de janeiro de 2013. Com essa maior segurança jurídica, foi entrevistada uma profissional desse centro, cujo objetivo encontra-se descrito no art. 2º da sua lei de criação:

Art. 2º - O Centro de Referência LGBT Janaína Dutra deve prestar serviço de proteção e defesa da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), em situação de violência e/ou violação, omissão de direitos motivados pela questão da orientação sexual e/ou identidade de gênero na cidade de Fortaleza.

Também se cogitou a possibilidade de entrevistar algum profissional de delegacia especializada em julgar crimes raciais e de intolerância sexual, como há em São Paulo e mais recentemente no Rio de Janeiro. Infelizmente entre as delegacias especializadas no estado do Ceará, não há delegacia alguma voltada para tais delitos.

Em relação ao Judiciário, foram pensadas algumas instituições como a Comissão de Diversidade Sexual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Núcleo de Gênero Pró- Mulher do MP (Ministério Público). Ocorre que a entidade de classe passou por um processo

eleitoral durante a monografia e tal comissão teve de reordenar os trabalhos. Quanto ao mencionado núcleo do MP, observou-se que estava mais vocacionado ao combate da violência doméstica e aos direitos da mulher. Apenas muito incidentalmente se reportava ao Direito Homoafetivo.

Posteriormente, pensou-se na Defensoria Pública devido à sua missão institucional de acesso à justiça. A Defensoria Pública Estadual não tem um núcleo específico para os LGBT também, mas já tem uma comunicação maior com a comunidade. Prova disso foi a sua participação na realização em 2011 de um mutirão de uniões homoafetivas na cidade de Fortaleza através da associação de defensores públicos. Foram convidados dois defensores públicos para o estudo. Uma dificuldade observada na coleta foi o recesso do Judiciário, que retardou o processo.

Quanto aos partidos políticos, optou-se por escolher partidos da oposição do Governo Federal, atualmente presidido por Dilma Rousseff (PT), uma vez que já houve espaço para manifestação do Poder Público. As exigências eram que possuíssem núcleos ou setoriais LGBT em sua estrutura, que fizessem constar do programa partidário o combate à opressão fundada no gênero e na orientação sexual e que tivessem atuação na cidade de Fortaleza. Os partidos que reuniam essas características foram o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Quando procurados, militantes do PSTU informaram que existe a Secretaria Nacional LGBT dentro da agenda de combate às opressões, mas ela não tinha representante localmente até o momento. O PSOL, por sua vez, tem um setorial local voltado especificamente para as questões LGBT com articulação com o setorial nacional. Assim sendo, foi entrevistado um membro do PSOL tido como sujeito que faz essa comunicação com o setorial nacional.