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Şehirlerin deneyimleri: Göç yönetiminde roller ve zorluklar

A história do movimento LGBT no mundo data de, no máximo, pouco mais de quatro décadas. No Brasil, o primeiro movimento desse gênero foi o “Somos”, criado em 1978 em São Paulo. João Silvero Trevisan, um de seus criadores, declarou que as inspirações do grupo eram anárquicas no princípio. A primeira aparição pública do grupo ocorreu na USP em plena ditadura militar.

De lá pra cá, o número de organizações cresceu vertiginosamente. Em 1995 contabilizavam 95. Atualmente são mais de 300 organizações. Só a ABLGT conta com mais de 200 afiliadas, representando a maior organização de diversidade sexual e de gênero da América Latina. A primeira Parada Gay ocorreu em 1997. Quinze anos depois, são centenas do gênero espalhadas pelo Brasil, nas capitais e nos interiores. A Parada Gay de São Paulo tem sido considerada a maior do mundo por ter reunido a cifra de mais de quatro milhões de pessoas33 em uma edição passada.

Longe de ser homogêneo, o movimento LGBT apresenta dissensos. Um deles, talvez o central, remete à natureza da homossexualidade. Para alguns, é uma condição de existência, algo imutável, espólio do parto, enquanto outros encaram como uma circunstância sem determinação biológica e com inequívoca participação do elemento cultural na sua formação.

Notório é que o movimento LGBT brasileiro como um todo é ordeiro: em linhas gerais pede cumprimento das leis e o reconhecimento de sua cidadania. Não é revolucionário como aquele que foi gestado no fim dos anos 1960, na Califórnia, com ações de luta armada e enfrentamento físico, tais quais os Panteras Negras. Mesmo assim, sequer as reivindicações mais simplórias têm sido conquistadas. Alie-se a essa crise, a viralização de partidos políticos “nanicos”, a emergência de sujeitos políticos com plataformas conservadoras, como religiosos fanáticos em casas legislativas (até no Congresso Nacional) em meio à falta de um projeto político novo. O consensual entre os movimentos LGBT parece ser o questionamento se ele é encarado pelas outras forças políticas como um sujeito de direitos de verdade.

Diante da inércia do Governo Federal em combater o problema da homofobia como política de Estado, o Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antigo grupo LGBT em atividade no Brasil, realiza desde 1995 um levantamento anual de assassinatos homofóbicos no país com base em notícias, internet e informação de militantes34. O próprio grupo reconhece que há subnotificações, pois menos da metade das vítimas denunciam na polícia registrando boletim de ocorrência. Elas se limitam a contar para amigos ou familiares próximos.

De 1980 a 2002, o país alcançou a incrível taxa de 2218 assassinatos de gays. Em 2012, o Brasil registrou a cifra recordista de 338 mortes homofóbicas (44% dos casos no mundo), tornando – se o país onde mais se mata LGBT no mundo. Na década de 1980, a média era de um crime por semana. Na década de 1990, um crime a cada três dias. Nos anos

33 Os números sempre geram polêmica na imprensa, pois a metodologia do cálculo do número de participantes pela organização é diferente da adotada no cálculo feito pela polícia. Sempre são objeto de contestação por parte de setores contrários às demandas LGBT.

34 As etapas da elaboração do relatório são: coleta da informação, organização do arquivo, sistematização dos dados, elaboração do dossiê, divulgação e mobilização política. (MOTT, 2000)

2000, um crime a cada dois dias. Em 2012, morreu um a cada 26 horas. Seguindo essa tendência, tudo indica que em 2013 a média será de um assassinato por dia.

O relatório faz uma apresentação geral sobre o balanço anual para depois ingressar nas minúcias dos dados. Separam as agressões de acordo com o público específico a que se dirigiu (homofobia, lesbofobia, transfobia...), o meio ou ambiente em que ocorreu (mídia, órgão estatal, família, escola...). Depois faz um levantamento das ocorrências de acordo com características como local do crime, dia e mês de incidência, estado da federação, idade da vítima, orientação sexual do agredido, profissão entre outras informações. Tais dados podem ajudar a traçar um perfil do agressor, da vítima e do modo operando desses crimes de ódio. Num ato de respeito, finaliza com uma relação nominal de todos os LGBT assassinados no período. Geralmente disponibiliza textos para leitura complementar nos anexos.

Segundo observações do organizador da pesquisa, em linhas gerais, a travesti morre na rua a tiros e o gay, esfaqueado em casa. Tanto que o próprio GGB elaborou uma cartilha “Manual de Sobrevivência Homossexual: Gay vivo não dorme com o inimigo” em que fornece sugestões para que um homossexual não seja alvo fácil de crime homofóbico. Mais da metade das vítimas são gays, sendo seguidos por travestis, lésbicas e por fim bissexuais. As mortes são mais comuns nos fins de semana. 70% das vítimas são negras. Também há denúncias de atuação clandestina de esquadrões da morte em grandes cidades.

Alguns setores da imprensa teceram críticas à pesquisa, já que ONGs promotoras dos direitos de gays, por serem as responsáveis pela pesquisa, poderiam ter inflado os dados a seu favor. Para dirimir tal controvérsia, em 2012, foi divulgado o primeiro relatório oficial do governo brasileiro, experiência inédita na América Latina, que apontou o índice de 278 mortes homofóbicas no país no ano de 2011. O número era bem aproximado dos valores que vinham sendo registrados pela ONG em anos anteriores.

3.7.2 Dados oficiais do estado Brasileiro segundo o “Relatório sobre Violência