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c) Recep Tayyip Erdoğan Dönem

Belgede Ortadoğu Araştırmaları Merkezi (sayfa 187-190)

Como vimos, a Reforma Protestante gerou vários modelos de culto que variavam segundo a concepção teológica dos reformadores, e, assim, as regiões européias acabaram criando certa autonomia litúrgica. Se, por um lado, podemos encontrar a diferenciação regional ligando os locais à ação dos reformadores da região, por outro, as

características litúrgicas locais não se baseavam apenas em concepções teológicas, o que quer dizer, religiosas. As liturgias protestantes foram influenciadas pelas condições e posicionamentos políticos dos países europeus. Por muitas vezes, uma posição litúrgica era assumida para garantir o poder local, conferindo-lhe autoridade política. As infindáveis discussões de Calvino com os magistrados genebrinos, por exemplo, mostram como influências políticas acabaram por determinar um modelo cúltico que, mesmo depois de resolvidos os dilemas continuou a ser empregado, porque passou por um processo de assimilação cultural. Portanto, a história do culto europeu, principalmente nos primeiros séculos do protestantismo, não denota puro dilema de práxis teológica. Antes, as resistências e os atos absolutistas de imposições litúrgicas estavam perpassados por condições de poder.

Na realidade, o protestantismo passava por condições difíceis por romper com uma condição dominante do campo religioso, o catolicismo. Por isso mesmo, entende-se que o culto era o reflexo e a vivência de tais condições. Ele se tornara também uma forma de resistência, quer entre uma situação de oposição ao catolicismo, quer como uma postura de afirmação de concepções mais específicas das condições políticas locais.

A partir dos principais modelos cúlticos, versões e adaptações foram feitas em relação aos posicionamentos com os modelos praticados. Movimentos antilitúrgicos, resultantes de posicionamentos teológicos, surgiram pela Europa nos séculos 16 e 17. Entre eles, os que mais influenciaram os cultos locais foram o puritanismo inglês, o pietismo e o racionalismo alemão.

O puritanismo se impôs fortemente na Inglaterra contra o uso do Livro de Oração

Comum, mas a resistência não se iniciou com o modelo proposto pelo livro, mas sim

com a imposição de seu uso. Podemos identificar um foco de resistência pelo grupo puritano dos escoceses que iniciou uma revolta quando Carlos I, em 1636, determinou que a Escócia não mais usasse o modelo desenvolvido a partir de Jonh Knox, mas que adotasse, em unanimidade, o Livro anglicano. Os puritanos, que podiam ser encontrados em dois tipos de igrejas, nas presbiterianas e nas independentes (que, depois, receberam o nome de congregacionalistas), uniram-se contra a ordem de Carlos I. Para eles, a aceitação da imposição de Carlos I significaria a subordinação da Escócia à Inglaterra, e, assim, a revolta puritana aliou-se ao Parlamento para confrontar a autoridade de Carlos I. A luta se tornara política.

Nesse contexto, o Sínodo de Westminster foi formado: o Parlamento pediu que um grupo de teólogos e leigos instruídos se reunisse para pontuar as principais questões teológicas e decidir uma forma eclesiológica para as igrejas da Inglaterra e Escócia. O Sínodo acabou por decidir-se pelo modelo presbiteriano de governo, produziu uma Confissão de Fé e criou um modelo para orientação litúrgica, o Diretório de

Westminster. Este modelo era muito próximo ao modelo já usado pelos escoceses, o

modelo de Knox, e por tal motivo, não foi muito usado nos cultos escoceses. De fato, o

Diretório tinha uma clara intenção: criar uma unidade que não fosse a imposta pelo

livro de Carlos I.

Sobre o Diretório, Maxwell (1963, p. 102) escreveu que significou “uma amálgama” e um compromisso com certa unidade. O Diretório, relatou Hanh (1989, p. 108), foi produzido com “um padrão de uniformidade mínima de liturgia para as igrejas nacionais da Inglaterra, Gales, Irlanda, Escócia, assim como para a Episcopal e Independente”. Leith (1997, p. 306) relatou que uma das questões levantadas pelo Sínodo foi que o

Livro de Oração Comum não privilegiava a palavra nem o ensino. Por isso, o Diretório

tinha a intenção de trazer esse elemento para o centro do culto, constituindo-o em seu principal momento. É marcante, na liturgia do Diretório, o lugar concedido à leitura e à pregação. O estilo é bem simples e aproxima-se dos modelos puritanos. O Diretório foi usado pelo presbiterianismo de fala inglesa durante três séculos.

Outra tentativa puritana que criar um modelo que, ao mesmo tempo, agradasse aos puritanos e afastasse o modelo anglicano veio diretamente da Inglaterra, com Richard Baxter. Conhecida como a Liturgia de Savoy, por ter sido apresentada na Conferência de Savoy, este modelo seguia as linhas do Diretório, mas, aparentemente, nunca foi usado. Produzido em 1661, o modelo de Baxter foi sufocado pela imposição do uso do

Livro de Oração Comum por Carlos II. Novamente, houve muita reação por parte do

partido dos não-conformistas, e nenhum modelo cúltico foi adotado, apenas a negação do ato absolutista tomou conta deste grupo.

O Diretório foi usado na Escócia apenas no início de 1700, como forma de resistência à união dos parlamentos. Por tal motivo, Hahn (1989, p. 106) declarou que o Diretório tornou-se a Escócia na época em uma espécie de “salvaguarda e brado de guerra contra o perigo de ser engolida pela Inglaterra”. Como pode ser notado a Escócia teve uma postura litúrgica que foi construída em meio às lutas internas, e todas as imposições de

modelos cúlticos que sofreu tiverem uma conotação de posições dominantes. Por isso, os escoceses desenvolveram aversão às formas fixas de liturgia, e tal pensamento passou a ser fortemente difundido pelos imigrantes que foram para os Estados Unidos. Hahn (1989, p. 108) afirmou que, no final do século 18, o culto escocês era “desnudo” e o “sermão tornara-se tudo”. Paulo Anglada (1997, pp. 14, 15) relatou:

No século XVII dezenas de teólogos e pastores puritanos escoceses e ingleses dos mais expressivos (...) escreveram tratados e outros tipos de escritos defendendo e aplicando o princípio regulador do culto, condenando a imposição de cerimônias, festividades religiosas, gestos e símbolos não fundamentados nas Escrituras.

Essa atitude antilitúrgica dos puritanos influenciou principalmente o presbiterianismo, motivo pelo qual, na maioria das vezes, tal posicionamento é chamado de puritano- calvinista. Desse modo, o culto calvinista, já desprovido de valores estéticos, afastou-se ainda mais dos rituais simbólicos, criando aversão por tudo o que não estivesse explicitado nas Escrituras. Enquanto, para Lutero, os ritos eram analisados para a verificação se não confrontavam as Escrituras, no puritanismo-calvinista, o que não estivesse na Bíblia não poderia ser produzido de forma ritualística. Era o Princípio Regulador do Culto, que estabelecia um pré-julgamento de elementos não encontrados na Bíblia como impróprios para o uso cúltico. A atitude dos puritanos foi acentuada pelo Sínodo de Westminster, mas não foi criada por este.

Mesmo não encontrando tantas tensões como na Inglaterra, por ter adotado um política litúrgica mais flexível, a Alemanha também sofreu drásticas alterações no culto protestante. No início do século 19, o culto alemão já se encontrava desprovido dos sacramentos, tornando-se extremamente racional e didático. Essa situação foi desenvolvida historicamente após a Guerra dos Trinta Anos, que trouxe conseqüências terríveis à nação como pobreza, doenças e ignorância às novas gerações. Os pastores protestantes foram mortos ou se encontravam em condição semelhante à da maioria, de extrema pobreza e dificuldades para o desenvolvimento de seus ministérios.

Um dos grandes problemas enfrentados pelo clero protestante da época foi sanar a grande superstição da geração pós-guerra. Para trabalhar com essa situação, o culto legalista tornou-se um paliativo. A liberdade luterana foi quase esquecida por parte dos ministros. Estes não encontravam outra solução para reeducar religiosamente o povo a

não ser por sanções proibitivas e mecanismos de controle, alterando significativamente o sentido próprio da existência do culto. As palavras de Hahn (1989, p. 96) exemplificam a situação: “O escolasticismo clerical e a burocracia governamental reduziram a vida da Igreja e o culto a níveis mecânicos. A Igreja tornou-se mais e mais um departamento do governo civil, com multas pela falta de freqüência aos cultos”. Diante da situação de rígido controle sobre o culto, grupos oposicionistas levantaram-se para pedir liberdade litúrgica. O pietismo alemão foi um dos movimentos que reivindicou uma nova proposta de modelo cúltico e buscou uma religiosidade mais subjetiva e menos controlada pela Igreja. Seu principal líder foi Phillip Jacob Spener, que, em 1675, publicou o Pia Desideria (Desejos Pios) contendo propostas de reformas. Embora esse movimento não tenha causado cismas, originou uma prática além do culto da igreja: a de reuniões nos lares durantes as tardes de domingo. Nestas reuniões, lia-se a Bíblia, discutia-se o cotidiano das pessoas e orava-se. Enfim, buscava-se um momento mais íntimo e pessoal que não poderia ser obtido nos cultos de extrema rigidez. Os líderes de tais reuniões eram leigos e recebiam instruções teológicas para desenvolvê- las. Rapidamente, o modelo se espalhou por toda a Europa, e o “pregador leigo” foi a figura de maior destaque do movimento.

Além do pietismo, o culto alemão sofreu a influência do racionalismo alemão. Embora o racionalismo fosse uma idéia espalhada por toda a Europa, foi na Alemanha, no final do século 18 e início do 19, que esse movimento afetou a prática cúltica. Segundo Hahn (1989, p. 97), o racionalismo fez dura oposição ao conceito de naturalismo e à idéia de “revelação real de Deus”. Ainda que não caiba aqui a discussão dos desdobramentos teológicos desta idéia, o fato é que o culto adquiriu um caráter maior de racionalidade. Como vimos, a noção de racionalidade está ligada às concepções humanistas, e, desde Zwínglio, essa influência pode ser notada no culto. Contudo, na Alemanha, o culto luterano havia se guardado devido à forte presença dos ritos sacramentais e outros elementos permitidos por Lutero.

Depois da Guerra dos Trinta Anos, a busca de uma racionalidade no culto já pode ser notada na Alemanha, porque esse momento deveria ser, acima de tudo, um momento de reeducação. Razão e didática são inseparáveis, uma vez que a primeira encontra seu exercício na atividade cognitiva dos agentes. É fácil perceber, então, que a conseqüência

imediata do culto racional foi o foco no sermão altamente elaborado e no abandono de elementos que pudessem ser relacionados com o mistério e a adoração.

Esses movimentos litúrgicos da Europa que tiveram, basicamente, suas ações nos séculos 17 e 18, criaram certa homogeneidade no culto que foi intensificada ainda mais com os movimentos avivalistas, que trouxeram um “novo”elemento ao culto: a emoção. Tais movimentos tiveram dois focos: a Inglaterra e os Estados Unidos.

Na Inglaterra, o movimento avivalista teve como líder John Wesley (1703-1791), ministro anglicano que buscava uma reforma interna na igreja inglesa. Sem pretensões de cisma, o movimento wesleyano acabou por fundar uma nova igreja, a Metodista. A Inglaterra do século 18 vivia as conseqüências da Revolução Industrial, que gerou desempregos e miséria a toda a nação. Segundo Duncan Alexander Reily (1991, p. 14), a religião na Inglaterra havia se tornado formal, moralista e inerte, gerando uma “erosão doutrinária” que teve como conseqüência “a decadência moral do povo: leis cruéis e discriminatórias aos pobres; esportes bárbaros e desumanos; negligência aos pobres e marginalizados; alcoolismo, imoralidade aberta, etc”.

Nesse quadro, Wesley preconizou um avivamento no sentido de que a Igreja exercesse um papel que não fosse meramente formal na vida social da Inglaterra. Seu movimento sofreu influências do puritanismo e do pietismo e enfatizava a experiência pessoal da conversão e da santificação. Wesley era compositor e pregador e realizava seu ministério em reuniões informais que aconteciam em salões ou praças públicas. Após um sermão de intenso apelo pessoal, os hinos de Wesley e de seu irmão, Charles Wesley, reforçavam o apelo à vida de santificação e tocavam profundamente os presentes. Estas reuniões metodistas tornaram-se um modelo próprio no qual a emoção era o principal elemento. Embora não existisse a intenção litúrgica de renovação, elas acabaram por criar um tipo específico de culto muito usado na América e, posteriormente, no Brasil.

Atingida por movimentos que acabaram por romper com a tradição litúrgica anglicana, a Inglaterra sofreu, no século 19, o que Maraschin (1996, p. 30) chamou de reavivamento litúrgico e musical. O chamado Movimento de Oxford pretendeu restaurar as antigas formas tradicionais mais vinculadas ao culto católico, resgatando os ofícios

latinos e o uso do canto-chão. De fato, se a Europa viu uma espécie de declínio litúrgico nos séculos 18 e 19, houve um retorno aos modelos mais tradicionais posteriormente.

Belgede Ortadoğu Araştırmaları Merkezi (sayfa 187-190)