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Birinci Nihat Erim Hükümeti Dönemi (26 Mart 1971 - 11 Aralık

1.9. Yeni Hükümetin Kurulması ve 1961 Anayasası

2.3.1. Birinci Nihat Erim Hükümeti Dönemi (26 Mart 1971 - 11 Aralık

A fim de transmitir conhecimentos sobre essas disciplinas, a professora costumava explicar a matéria na lousa com alguns exemplos, depois passava exercícios e sentava-se a sua mesa, fazendo alguma atividade, enquanto os alunos trabalhavam individualmente. Num segundo momento, ela fazia a correção dos exercícios na lousa para os alunos corrigirem em seus cadernos. Nesse caso, ela não percebia se os alunos de fato executaram a atividade, ou se apenas copiaram as respostas da lousa. Outras vezes, ela fazia a correção individual, caderno por caderno, passando pelas carteiras dos alunos, ou solicitando que eles o levassem a sua mesa, ao finalizarem as atividades. Nesse caso, ela apagava o que o aluno fizesse de errado e o auxiliava, fazendo para ele. Era comum observar os alunos passando as respostas uns aos outros. Geralmente, alguns alunos tentavam resolver os exercícios e levavam o caderno para a professora corrigir. Se estivesse certo, eles repassavam as respostas corretas para os outros colegas. Ao promover a

correção na lousa, a maioria dos alunos participava oralmente, deixando a impressão de que todos conseguiram realizar a atividade.

Além disso, a professora passava o tempo todo chamando a atenção dos alunos para evitar conversas paralelas durante as atividades. Mesmo as aulas em que a professora propunha uma relativa interação, costumavam ser centradas na sua figura.

4.2.2.3.2 Ciências

Ns aulas de Ciências, a professora utilizava o livro didático oferecido pela escola. As aulas aconteciam às quartas-feiras. No primeiro tempo da aula, ela entregava os livros aos alunos e pedia que copiassem a matéria nos cadernos, uma vez que não podiam escrever nos livros, que seriam reutilizados no ano seguinte por outra classe. Enquanto isso, ela passava um questionário na lousa para os alunos responderem segundo a teoria do livro. Geralmente, eles passavam o primeiro tempo da aula somente trabalhando com a cópia e, no segundo tempo, tentavam responder às questões, que nem sempre eram corrigidas pela professora por falta de tempo.

Essas aulas eram realmente tristes de serem observadas porque parecia que nada acontecia ali, além das reproduções do livro. Nem as correções eram feitas e não vislumbramos qualquer movimento para a aprendizagem e invenção nesses casos. Parecia uma falta de respeito e perda de tempo e, a professora, muitas vezes, utilizava esses momentos para executar outras tarefas.

4.2.2.3.3 Artes

As aulas de artes traziam uma proposta de acordo com o calendário escolar ou algum projeto desenvolvido pela professora. Assim, no mês de abril, comemorou-se o aniversário de Monteiro Lobato, e os alunos produziram uma Emília e um Visconde. Para trabalhar com tema “reciclagem de lixo”, a professora levou os alunos à sala de vídeo para assistirem à animação “Wall-e”, dos estúdios “Walt Disney” e depois cada um fez um desenho sobre o filme em seu caderno.

Geralmente, as aulas de Artes seguiam os mesmos padrões de estratificação que as demais disciplinas. Grande ênfase era dada pela professora ao capricho e à dedicação dos alunos à atividade. As atividades de Artes eram condicionadas pela professora e pareciam mecanicistas, repetitivas e cansativas. Havia um molde original que todos os alunos deveriam copiar. Quanto mais perfeita a cópia, melhor avaliado era o trabalho pela a professora.

4.2.2.3.4 Jogos

A professora reservava alguns momentos do segundo tempo das aulas e, algumas sextas-feiras para jogos com os alunos. Geralmente, ela combinava de deixar o tempo livre para jogos, com a condição de que os alunos cumprissem o combinado: fazer os exercícios, permanecerem bem comportados durante as aulas. Mas, frequentemente o jogo não acontecia, porque a professora privilegiava os exercícios da lousa e não sobrava tempo para a atividade lúdica. Assim, ela dizia para os alunos que o jogo ficaria para a próxima aula e era sempre adiado.

4.2.2.4 Avaliação

A cada bimestre, os alunos da professora Maria eram submetidos a avaliações escolares individuais e sem consulta. Segundo a professora, essa avaliação era apenas burocrática e formal, pois as notas eram atribuídas de acordo com uma avaliação global realizada por ela, que contemplava os seguintes itens: participação em sala de aula, interesse e motivação, organização do material, realização das tarefas escolares, comportamentos e atitudes dos alunos. Ao final de cada bimestre, a professora entregava à secretaria escolar uma papeleta com notas e faltas dos alunos em cada disciplina: Matemática, Língua Portuguesa, Ciências, História, Geografia, Artes e Educação Física. A professora também preenchia seu diário de classe com as presenças dos alunos, as notas das avaliações e o conteúdo programático das aulas.

As avaliações também constituem aspectos de disciplina e controle, segundo Gallo (2005). A quantificação, em termos de notas e conceitos, não se limita a um feedback do

processo pedagógico, mas serve como instrumento de poder ao professor e à instituição de ensino.

Na entrevista inicial a professora disse que não avaliava os alunos por meio de provas tradicionais. Questionada pela pesquisadora sobre a mudança de concepção, ela afirmou que não gostava desse tipo de avaliação, mas que precisava apresentá-las como documento, sendo apenas um procedimento burocrático e uma exigência da diretora. Aplicaria uma prova individual e sem consulta consciente de que nem todos os alunos estavam aptos para o teste, mas para facilitar ela dividiu os conteúdos. Na quinta-feira eles fariam prova de matemática e na segunda-feira, prova de português. Para ajudá-los ela faria uma revisão com exercícios similares aos que cobraria na prova, treinando os alunos para o teste:

Observação de uma aplicação de avaliação

Data: 27/04/2009

A classe estava disposta em fileiras e os alunos sentavam-se individualmente para fazerem a avaliação. No teste havia problemas de matemática, sequência numérica e contas de adição e subtração. Os problemas eram simples e similares aos que a professora trabalhara em classe com os alunos

Professora: “Pessoal, procurem fazer cada um sua prova.”

No fundo da sala, o aluno Ma não fazia nada. As folhas estavam sobre a sua mesa e ele sequer recortava os exercícios da avaliação.

Os alunos andavam pela sala, pegavam cola e tesoura emprestadas, apontavam os lápis na lixeira e conversavam. A professora chamou a atenção da classe.

O aluno Ag conversava com o aluno L.F, e a professora o advertiu:

Alunos: “Ag, você entendeu como é para fazer? Então agora não quero conversa. Prova não é para conversar, querido! Eu gostaria de ver o que você sabe para poder te ajudar. Se ele não entendeu, ele vem e pergunta. A professora tá aqui e não nega explicação.”

A professora falou com a pesquisadora sobre Ag, contando sua preocupação sobre as atitudes do aluno. Segundo ela, Ag era um aluno esperto e inteligente, contudo não produzia nada em sala de aula. Seu caderno estava vazio, porque ele não copiava matéria da lousa, não fazia as atividades e não entregava as tarefas. Disse que ele era filho temporão e que os pais e os irmãos o mimavam muito, fazendo tudo por ele. Contou que ele era o único aluno que iniciara o ano com mochila, estojo e materiais novos. Ele também estava sempre bem vestido, tênis e roupas novas e que o aluno não correspondia ao investimento dos pais.

Durante as observações constatamos que o aluno Ag de fato não realizava as atividades propostas pela professora em sala de aula. No entanto, ele era um dos alunos mais participativos. Sempre respondia às questões orais da professora. Ou seja, ele não fazia as

contas, ou a interpretação de textos no caderno, mas quando a professora realizava as correções, ele participava com domínio de conteúdo. Nas transcrições anteriores, podemos observar várias passagens em que o aluno participa ativamente da resolução dos exercícios. Havia momentos, inclusive, em que a professora pedia para ele aguardar em silêncio e deixar outros alunos participarem. Ao contrário de Ag, foram observados vários alunos que resolviam as atividades propostas pela professora no caderno, contudo estes apenas copiavam a resolução dos colegas ou aguardavam que a professora as resolvesse na lousa, não demonstrando uma apropriação do conhecimento.

Os alunos Fe, Cai e Hu levaram suas provas para a professora e ela os auxiliou com suas dúvidas. Depois disse para a classe:

Professora: “Façam com os ‘risquinhos’ que a professora ensinou.”, ressaltando a informação para o aluno Cai: “Viu Cai! Lembra dos ‘risquinhos’ que a professora ensinou? Faça pra você não ter dúvida.”

Aluno: “Tá.”, respondeu Cai.

O aluno Jhon tirou uma dúvida sobre a prova com a professora e voltou para seu lugar.

Cai solicitou novamente o auxílio da professora, que lhe deu algumas dicas. Os alunos Hu e Bru procuraram a professora para tirar dúvidas.

Fa voltou com um rolo de papel higiênico e o entregou à professora.

Professora: “Pessoal, unidade, dezena e centena a gente começa a contar a partir do primeiro número depois da vírgula.”

O aluno Ma abriu sua mochila e olhou o caderno. O colega Bru viu. Ma fechou a mochila e riu para Bru, que falou em voz alta para a professora:

Aluno: “Professora, o Ma tá copiando do caderno!”

Professora: “Não tem como copiar do caderno. Não tem esse problema no caderno. Tá! Então não tem como copiar do caderno. E tem que fazer continha. Continha eu já ensinei como fazer. Tá?”

O aluno Cai levou novamente sua prova para a professora ajudar e ela o orientou onde deveria recortar e onde faria as continhas.

No fundo da sala, os alunos Bru, Fa, Va, Lu e La conversavam e trocavam informações sobre a prova. De vez em quando eles olhavam para a pesquisadora e viam que ela os estava observando. Eles riam, disfarçavam e continuavam a trocar informações.

A professora, sentada a sua mesa, fazia “Psiu!”, quando ouvia conversa na sala de aula.

Cai foi de novo à mesa da professora e lhe perguntou alguma coisa e ela pediu para ele tentar sozinho.

Cai é um dos alunos que a professora classificava como especial, pois apresentava sérios problemas de aprendizagem. A professora informara que o aluno era copista, não sabia ler ou escrever espontaneamente e não possuía conhecimentos elementares de matemática. Contudo, nas observações anteriores verificou-se algo que se repetia no momento da avaliação, Cai era um aluno persistente e não desistia diante das dificuldades encontradas. A professora também elogiou seus progressos nas últimas aulas.

A pesquisadora caminhou pela sala para verificar como os alunos faziam as provas. Ma ainda estava recortando as atividades. Jhon, Bre, And, Lua e May T já resolviam os problemas. Cai chamou-a e pediu ajuda, pois não sabia resolver os problemas. Fran ainda recortava as atividades e May já as tinha recortado e as estava colando. Jhon levou sua avaliação para a professora conferir suas respostas.

And, Bre e Wal trocavam informações sobre os problemas. A pesquisadora caminhou pela sala novamente.

Os alunos que conversavam no fundo a olharam e sorriram com ar de cumplicidade. A professora perguntou:

Professora: “Quem tá conversando?”

A aluna Fran foi até a mesa da professora e mostrou sua prova. Ela disse que a aluna havia copiado os números errados e pediu para ela prestar atenção e fazer direito. Em observações anteriores notamos que a aluna Fran não conseguia fazer nada sem ajuda. Ela apenas copiava e com muita dificuldade. Nesse dia, ela mal conseguiu montar sua prova. Como esperar que ela resolvesse esse tipo de operações matemáticas, se a própria professora informou que a aluna não realizava sequência numérica de 1 a 10!

Cai procurou novamente a professora, e ela lhe disse:

Professora: “Eu ensinei isso na primeira semana. Na primeira semana.”

Cai voltava para seu lugar, mas parou no meio do caminho e retornou à mesa da professora que logo disse:

Professora: “Agora não, Cai. Você precisa fazer sozinho.”

Jhon levou sua prova para a professora e ela disse que a questão estava errada. And virou-se para trás e mostrou sua prova a Bre. Os dois conversaram e And virou- se novamente para trás e pediu a questão número cinco.

Ma entregou um papel para Bre. Bre leu e conversou alguma coisa com Ma. Depois And virou-se para trás e também se comunicou com Bre.

Bru tirou dúvidas com a professora.

No fundo, os alunos Fa, Bru, Va, Lu e La faziam as atividades e conversavam. Eles também trocaram bilhetes.

Os alunos continuavam conversando, e a professora gritou:

Professora: “Bru, se eu te pegar conversando de novo com a Va ou a Va conversando, ela vai ficar com zero! Não quero ninguém conversando com ela. E cara feia pra mim é falta de educação.”

Soou o sinal do recreio. A professora pediu que os alunos organizassem as carteiras, pois terminariam a prova ao voltar do intervalo. Os alunos guardaram os materiais e saíram para o corredor. A professora chamou o aluno Bre e conversou particularmente com ele. Bre voltou para sua carteira e guardou seu material. Bre fizera xixi na calça.