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1.9. Yeni Hükümetin Kurulması ve 1961 Anayasası

2.1.3. Ordunun Durumu

Após a agenda do dia a professora, começava a aula propriamente dita. Trouxemos um exemplo de aula de Matemática para ilustrar o modo como a professora, geralmente, procedia nas aulas. Sua didática não variava muito de uma disciplina para outra, mas falaremos sobre isso no item 2.2.1.3, sobre o estilo da professora. Segue o exemplo:

4.2.2.1.2.1 Aula antes do recreio

Transcrição de videogravação: 14/04/2009

Nesta situação será apresentada uma aula de Matemática sobre subtração para exemplificar como se dava o desenvolvimento de uma aula:

A professora pediu a atenção dos alunos, solicitando que eles deixassem o lápis e o caderno de lado e prestassem atenção em sua explicação. Quando ela corrigia ou explicava algo, exigia que todos se concentrassem apenas na sua fala e não admitia que eles fizessem mais nada enquanto ela estivesse falando.

Professora: “Vamos, moçada! Deixando o caderno e o lápis repousando sobre a mesa. Essa primeira é a fase simples da subtração. Uma conta com dez algarismos sem levar um é muito mais fácil de fazer. Certo? Agora nós vamos para a segunda fase que é a continha de emprestar. Então agora eu queria que vocês prestassem muita atenção”. A professora interrompeu a explicação e chamou atenção de dois alunos que conversavam: “Ma! Bre! Por favor, agora não. Prestem atenção aqui!” Depois se virou para a lousa e continuou:

Professora: “Setecentos e vinte cinco menos cento e setenta e quatro. Eu vou fazer uma coisa aqui do lado e quem se sentir confortável em fazer assim, eu vou deixar fazer por um tempo.”

A professora pegou três gizes de cores diferentes e marcou a unidade, a dezena e a centena. “Agora nós vamos fazer aqui do lado a unidade, a dezena e a centena.” Professora: “O que nós vamos fazer aqui do lado: Quantas unidades eu tenho aqui?”

Alunos: “Cinco!”

Professora: “Eu faço cinco risquinhos aqui do lado: um, dois, três, quatro cinco! E quantas dezenas eu tenho?”

Alunos: “Duas!”

Professora: “E quantas centenas?” Alunos: “Sete!”

Unidade: I I I I I Dezena: I I Centena: I I I I I II

A professora chamou a atenção de um aluno que conversava e continuou:

Professora: “A subtração, como a gente viu no começo é uma continha de tirar, uma continha de menos. Eu tinha cinco unidades e vou tirar quatro unidades. Quantas unidades sobraram?”

Alunos: “Uma!”

A professora riscou quatro unidades. Unidade: I I I I I

Professora: “Eu tinha cinco unidades, tirei quatro unidades e sobrou uma unidade. Vamos colocar o número um na continha!”

A professora voltou na conta armada ao lado e escreveu o número um na resposta da casa das unidades:

C D U 7 2 5 - 1 7 4 ______ 1

Professora: “Até aqui tudo bem?” Alunos: “Tudo!”

Professora: “Agora é o X da questão. Eu tenho duas dezenas e preciso tirar sete dezenas. Dá pra tirar?”

Alunos: “Não!”

Professora: “Uma centena tem quantas dezenas?” Aluno: “Vinte!”

Professora: “Hã!” Aluno: “Cem!”

Professora: “Uma centena tem quantas dezenas? Dez! Uma centena tem dez dezenas. Eu vou tirar uma centena daqui e colocar aqui (na dezena). Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez! Deu pra entender o que eu fiz?”

Alunos: “Deu!”

O recurso dos ‘risquinhos’ era uma tentativa da professora em fornecer instrumentos que auxiliassem os alunos a representarem o conhecimento. No entanto, no decorrer da aula, quando os alunos fizeram as atividades sozinhos, percebemos que, a maioria não seguia as recomendações da professora, pois não eram significativas. Uma vez que desconheciam o que era unidade, dezena e centena, como representá-las?

A professora acrescentou dez bastões na casa das dezenas que já continha dois, transformando-os em doze:

Dezena: I I I I I I I I I I I I

E como retirou um bastão da casa da centena, transformou-se de sete em seis centenas:

Centena: I I I I I I

Professora: “Então, aqui eu fiquei com seis e aqui eu fiquei com doze. A professora voltou para a conta armada e falou para os alunos:

Professora: “Eu vou colocar o seis aqui (na centena) e aqui (na dezena) vai ficar...” Aluno: “Um!”

C D U 6 12 5 - 1 7 4 ______ 1

Professora: “De doze eu preciso tirar?” Alunos: “Sete!”

A professora retornou aos bastões ao lado da conta e riscou sete dezenas, contando com os alunos:

Dezena: I I I I I I I I I I I I Professora: “Sobrou!” Alunos: “Cinco!”

A professora voltou para a conta e depositou o número cinco no resultado da dezena: C D U 6 12 5 - 1 7 4 _______ 5 1

Professora: “Eu vou tirar mais uma centena:”

Retornou aos bastões ao lado da conta e riscou uma centena: Centena: I I I I I I

Professora: “Sobrou: um, dois, três, quatro, cinco!” Alunos: “Cinco!” C D U 6 12 5 - 1 7 4 _______ 5 5 1

Professora: “Ficou mais fácil?” Alunos: “Ficou!”

Professora: “Vamos fazer mais uma conta!” Alunos: “Vamos!”

A professora repetiu os procedimentos anteriores resolvendo mais uma operação de subtração para os alunos na lousa. Notamos que quase todas as respostas eram dadas pelos alunos Pau, Ag e La, ou pela própria professora. Os demais alunos não respondiam e alguns pegavam carona nas respostas dos colegas citados.

Professora: “Estou esperando para ver estas daqui.”, disse a professora apontando para as outras operações que estavam na lousa. “Alguém não entendeu?” Voltou-se para um aluno que se sentava na primeira carteira e perguntou: “Você entendeu agora? Jura?”. O aluno balançou a cabeça afirmativamente.

A professora parecia não se importar, realmente, em saber se todos os alunos compreendiam o que ela ensinava. Ela perguntava: “Todo mundo entendeu?” “Está claro?”. Eles respondiam afirmativamente e ela continuava a explicação, mas não investigava o processo de cada aluno, chegando ao extremo de pedir para o aluno jurar. Este aluno pertencia ao grupo dos alunos com maiores dificuldades e a professora já sabia que aquela explicação seria insuficiente para ele.

Esses alunos estavam acostumados a passar até três horas seguidas sentados sem interação, movimento ou comunicação. Nas aulas observadas percebemos que, na maioria das atividades, apenas a professora fala, explicando e passando instruções. A maior parte do tempo os alunos copiam atividades, realizam tarefas e resolvem exercícios. Muitos deles não conseguem resolvê-los e apenas copiam.

A professora ensinou passo a passo como fazer as subtrações valendo-se de dois exemplos. Depois ela pediu que os alunos fizessem sozinhos algumas operações.

Em silêncio, os alunos faziam as atividades individualmente, e alguns as levavam para a professora corrigir. Notamos que eram sempre os mesmos alunos: Gra, La, Hug, Jhon, Pau, May T.

O trabalho individual dos alunos e a disposição da sala em carteiras enfileiradas dificultavam a interação com os alunos, de modo que não se conseguia observar o que eles faziam e como faziam? A professora permaneceu sentada a sua mesa e os alunos trabalhavam em silêncio pressupondo que eles estariam realizando as atividades. Mas na verdade, quais alunos estavam apenas copiando as contas da lousa? Quais alunos efetuaram as operações com êxito? Quais alunos tentaram e não conseguiram realizar as operações? Quais alunos copiavam as respostas dos colegas? Quais as estratégias utilizadas pelos alunos que se diferenciavam da metodologia da professora? Podemos dizer que ela além de não usar a criatividade para ensinar, não permitia que os alunos criassem, ou inventassem suas formas de aprender, pois todos deveriam obedecer rigidamente a seus comandos. Os cadernos deveriam ser organizados, os alunos deveriam usar lápis de cor, pois sua lousa era colorida e deveriam, também, utilizar o recurso dos ‘risquinhos’ porque isso facilitaria a aprendizagem, segundo ela.

A aluna AC levou o caderno para a professora corrigir e ela lhe chamou a atenção devido à letra:

Professora: “Olha essa letra! Isso não é letra de gente!”

A aluna Fran levantou o braço para pedir ajuda à professora que lhe pediu para levar o caderno até sua mesa

A professora olhou o caderno de Fran e apagou tudo o que a aluna fez, dizendo: Professora: “Vou apagar tudo, porque você não fez o que eu te pedi. Você vai fazer: unidade, dezena e centena. Vai copiar esta continha aqui e vai fazer com os risquinhos.”, disse isso e entregou o caderno à aluna, que voltou a sua carteira. São os enunciados da professora que regem todas as ações em sala de aula. Desse modo, ela pega a borracha e apaga o que o aluno fez, arbitrariamente, sem se preocupar em investigar como ele fez. O capricho, a letra bonita e colorida, o zelo e a organização são os principais fatores de preocupação da professora.

Mais de quinze minutos se passaram desde que a professora deixou os alunos fazerem as operações por conta própria. A maioria dos alunos não levou o caderno para ela corrigir. Ela levantou-se e passou pelas carteiras, observando o trabalho dos alunos.

A professora verificou que Fran não conseguiu fazer e pediu que a aluna pegasse o caderno, uma caixa de lápis de cor e a acompanhasse até o fundo da sala. Colocou uma cadeira ao lado da carteira da aluna e passou a auxiliá-la. Pegou o lápis e o caderno da aluna e realizou as operações do mesmo modo como fez na lousa. A professora efetuava as operações para a aluna, fazendo perguntas para que ela a acompanhasse. Depois a deixou sozinha e voltou para sua mesa.

Observamos que, mesmo com a ajuda da professora, Fran não conseguia fazer o que lhe era solicitado. Ao seu lado, a professora fez por ela, explicando-lhe com os mesmos recursos que fizera na lousa. O interessante é que, na semana anterior, a professora realizou uma atividade de reforço, trabalhando com grupos divididos de acordo com as necessidades dos alunos. É importante ressaltar que nessa ocasião a professora apresentou-nos um grupo de alunos com atraso no desenvolvimento de suas habilidades linguísticas e matemáticas e, por isso, eram submetidos por ela a atividades, tais como: recortar, colar, desenhar, seriar e classificar. A maior incoerência era trabalhar com esses alunos, desse modo, apenas no reforço, uma vez por semana e, nas demais aulas, cobrá-los por desempenharem as mesmas atividades destinadas aos alunos de quarta-série. Eles não conseguiam fazer que lhes era proposto. Compunham esse grupo: Fran, Cai, Fe, May T, Ma e Ju. Mais tarde, uniram-se a eles Be e Eli, que vieram transferidos de outra classe por serem considerados casos de inclusão.

Assim, a professora repetiu com esses alunos os mesmos procedimentos que teve com Fran. Ela passava pelas carteiras, via que eles não faziam nada e explicava-lhes como fazer as contas utilizando os risquinhos. Depois, deixava-os fazendo sozinhos. Novamente, ela circulava pela classe e via que esses alunos ainda não faziam as atividades e pedia que algum colega os ajudasse.

A professora se aproximou de Fran que estava sendo ajudada por Jhon. Olhou para seu caderno e lhe disse que não deveria ter feito tudo amontoado. Disse para a pesquisadora:

Professora: “O problema da Fran, Dona Patrícia, é que ela teima em fazer do jeito que ela acha que tem que ser. Ela amontoou todas as contas e não sabe qual é a primeira e qual é a última, pois fez tudo junto. Voltou-se para a aluna: Apaga, faz os ‘risquinhos’. Cadê os ‘risquinhos’? Sem dizer nada, Fran olhava para a professora enquanto ela falava com a pesquisadora. Depois a professora pegou a borracha e apagou o seu caderno e pediu que copiasse de novo, de forma organizada, separando a unidade, dezena e centena. Bateu o lápis na cabeça de Jhon e pediu que ele a ajudasse a fazer direito.

A professora passava novas operações para os alunos que já haviam terminado. Mas dessa vez, ela não passou as contas armadas na lousa, pois desejava que os alunos, além de resolver, armassem as operações. Depois pediu aos alunos:

Professora: “Quem tem caderno para corrigir, ergue a mão que eu passo corrigindo. Mas eu quero ver o caderno de quem já fez todas, exceto esta última atividade que acabei de passar.”

Os alunos May T, Le, Gra, Lu, La e L.F permaneceram com os braços erguidos esperando a professora. Ela parou ao lado da carteira de Ma e perguntou:

Professora: “Você tentou fazer? Responde pra mim, Ma! Você pelo menos tentou fazer?” O aluno batia o lápis na carteira e nem olhava para a professora. Ela permaneceu parada, com os braços cruzados ao lado de sua carteira e perguntou mais uma vez: “Você tentou fazer? Pediu ajuda para alguém? Se você não pedir ajuda, a professora não vai adivinhar. A professora não fez curso de adivinhação. A professora já fez um montão de curso, mas de adivinhação ela ainda não fez! Você quer ajuda? Primeiro senta direito.” Virou-se para o aluno que se sentava atrás de Ma e perguntou se ele poderia ajudá-lo. Ma permaneceu imóvel na mesma posição e continuava batendo o lápis na carteira. O colega Fa colocou sua cadeira ao lado de Ma para ajudá-lo.

A professora continuou percorrendo as carteiras dos alunos e corrigindo as operações. Ela se sentou novamente ao lado de And e perguntou:

Professora: “Você não tem lápis de cor? Olha lá, o meu tem cor. Por que o seu não tem? Eu quero esse caderno organizado!”.

O aluno ajudante ditava para o colega como ele deveria fazer e a professora dava-se por satisfeita. Em alguns casos, quando o colega não conseguia ajudar, a professora o dispensava. O aluno com dificuldade continuava trabalhando sozinho, sem conseguir fazer e a professora responsabilizava-o acusando de não tentar, de ser preguiçoso e desinteressado, como ilustra o trecho a seguir:

Voltando-se para Fran e Jhon, a professora diz ao aluno que Fran deveria usar os ‘risquinhos’ como ela ensinou. Depois pediu para Jhon voltar para seu lugar e fazer as novas operações que ela passou na lousa e deixar Fran trabalhar sozinha. Jhon voltou para seu lugar.

A professora retornou à carteira de Fe para ajudá-lo.

Fran estava com o braço erguido há alguns minutos, esperando pela professora que lhe disse:

Professora: “Fran, espera dois minutos porque eu sou uma e vocês são trinta. Aguenta a mão aí!”

Ao ouvir a professora, Fran abaixou a cabeça, repousando-a nos braços cruzados sobre a carteira. Mas logo em seguida levantou-se e ficou observando os colegas. Depois se deitou novamente.

Professora: “Fran, eu não posso fazer por você! Você tem que tentar fazer, mas você não tá tentando fazer.” Ao dizer isso ela se afastou de Fran e disse à pesquisadora que a aluna era teimosa e preguiçosa, só queria esperar a resposta pronta e não tentava fazer sozinha.

Chamou-nos a atenção, também, o caso de uma aluna que efetuou contas de adição, enquanto a proposta era subtração:

Finalmente a professora chegou à carteira de Lu, a última aluna da fila que não havia mostrado o caderno. A professora olhou e deu um tapa na carteira. Colocou as mãos na cintura e disse para Lu:

Professora: “Te mato! Sabe por quê? Porque você fez contas de mais.”. Imediatamente, a professora apagou o caderno de Lu e pediu que ela fizesse tudo de novo.

Não sabemos como a aluna realizou as operações de adição e se ela conseguiu acertá- las, pois a professora não avaliou o trabalhou, apenas apagou-o porque não era o que ela pediu para fazer. Mas, o que levou a aluna a somar, ao invés de subtrair? Dizer apenas que ela não estava prestando atenção à aula seria insuficiente, porque a professora efetuou as contas na lousa, como exemplificação, e deixou-as lá, para os alunos utilizarem-nas como modelos. Além disso, a aluna esteve concentrada o tempo todo na sua atividade, não manifestando atitudes de desatenção e desinteresse pela tarefa, como conversas paralelas, ou ficar sem trabalhar. Assim, podemos problematizar que, ela fez o que ela sabia, ou seja, contas de adição, no lugar do que ela ainda não sabia, ou seja, contas de subtração. Se essa afirmação for verdadeira, isso seria uma repetição do mesmo, quando o aluno que usa o que ele já sabe, no lugar de tentar o que ele, ainda, não sabe. Produziu-se, então, a repetição do mesmo, ou recognição, em lugar, da produção da diferença, ou invenção. Neste caso, uma professora que adotasse uma linha de segmentaridade mais maleável ou flexível poderia ter aproveitado a oportunidade para verificar o quão corretamente ela estava adicionando, e depois, então, mostrar a diferença entre somar e subtrair.

Nesse momento soou o terceiro sinal, que chamava os alunos para o recreio. A professora pediu que organizassem o material e formassem a fila e depois do recreio ela faria as correções na lousa.

Os alunos guardaram os materiais e saíram da sala para organizarem a fila. A professora pediu que eles organizassem a fila sem bagunça. Os alunos se endireitaram na fila, ela pegou na mão do primeiro aluno eles foram seguidos pelos outros.

Nessa aula, a professora parece interagir com os alunos, ela circula pela sala, olha os cadernos, senta-se ao lado dos alunos com maiores dificuldades, solicita o auxílio de outros alunos para seus colegas, enfim, mostra-se dinâmica e interessada. Contudo, ao examinarmos essa postura mais cuidadosamente, vemos que essa atitude de abertura, interesse e descontração da professora parece encobrir uma inabilidade para favorecer e facilitar uma aproximação do aprendiz, nesse caso aluno que não sabe subtrair, com o signo subtração. No decorrer do ano letivo, isso ficou ainda mais evidente, pois a professora deixou de interagir com os alunos, limitando-se a passar exercícios na lousa e permanecendo sentada em sua mesa, cuidando de outros afazeres. Os alunos, ao terminarem as atividades, levavam-nas para sua correção. Aqueles que conseguiam fazer sozinhos passavam as respostas para os demais e, assim, ela se limitava a corrigir os cadernos dizendo que estavam certos ou errados. Os alunos com maior dificuldade, até mesmo para copiar, ela deixava sem fazer a atividade, exigindo apenas que copiassem corretamente a lousa, e muitas vezes, eles nem isso conseguiam. Isso demonstra um descompromisso da professora com a aprendizagem dos alunos. A professora abre mão do seu Agenciamento do Desejo de Aprender e favorecer que o fluxo de conhecimento passe dela para os alunos. Ela se apega às sobrecodificações disciplinares e se esconde atrás delas, para garantir que está sendo professora no sentido tradicional do termo.

4.2.2.1.2.2 Aula após o recreio

Segundo a professora, os alunos voltavam agitados para a classe, após o recreio, e com isso a aula rendia menos. Geralmente, ela concluía as atividades iniciadas no primeiro tempo, fazia correções das atividades, passava tarefa para casa, ou trabalhava com jogos. A professora procurava desenvolver ações pedagógicas que controlassem o comportamento dos alunos no segundo tempo da aula, e os jogos serviam como um reforço, se a sala se

comportasse, eles jogavam. Na maioria das vezes, os jogos não aconteciam, pois eram substituídos pela cópia de tarefas e exercícios.

Observação de uma aula após o recreio

Transcrição de videogravação: 28/04/2009

A pesquisadora chegou à escola após o recreio. Os alunos já estavam em sala, e a professora explicava a atividade. A sala estava organizada em fileiras. No fundo da sala, isolado, sentava-se o aluno Pau:

Professora: “Para a tarefa eu vou passar continhas para armar e efetuar. E depois das continhas eu vou pedir para vocês escreverem os numerais em sequência, e vou dar, também, tabuada do 0 ao 10 para copiarem. Depois de eu ter anotado tudo da tarefa, o que mesmo que a professora vai colocar?”

Aluno: “Um bilhete sobre as provas e tem que assinar.”, respondeu a aluna La. Professora: “Eu vou colocar um bi-lhe-te.”, disse pausadamente. O que vai constar nesse bilhete?”

Aluno: “A prova de quinta-feira!”, respondeu novamente Gra.

Professora: “A prova de quinta-feira, que vai ter mesmo qual matéria?”

Professora: “Subtração. É a última prova deste bimestre. Eu vou fazer a prova e esta prova vai valer nota para este bimestre. Certo? Estamos entendidos, então? Professora: “Pessoal, para cada expressão, pula oito linhas, para você fazer a continha bonitinha com espaço. Tá bom?”

Professora: “Psiu! Agora não é hora de conversar. Agora é hora de expressão matemática.”

A professora passava a tarefa na lousa e os alunos copiavam. No início eles faziam silêncio, mas depois começaram a se agitar, conversando e levantando-se das carteiras. A professora passava o tempo todo chamando a atenção dos alunos.

Observamos, também, que a professora passava atividades para os alunos sem utilizar quaisquer livros ou cadernos. Ela não copiava nada na lousa, parecia inventar os exercícios na hora e, não sabemos quais eram os critérios que ela utilizava para criá-los. Nesse caso, ela passou contas de adição, depois sequência numérica e cópia de tabuada. No decorrer do ano letivo constatamos que ela não preparava as aulas previamente, como afirmou na entrevista, mas repetia as mesmas atividades que preparava para os alunos do período da manhã, ou improvisava tudo na hora. Ela também aproveitava o tempo da sala de aula, enquanto os

alunos copiavam os exercícios, para preencher os diários de classe, ler, preparar aulas e corrigir cadernos dos alunos da manhã.

A professora Janaína, da sala ao lado, entrou na sala e chamou a professora. Elas conversaram por um instante, e a professora voltou para a classe dizendo: