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I. BÖLÜM

2.4. Türkiye’de Çevre Eğitimi

2.4.2. Ġlköğretimde Çevre Eğitimi ve Ġlköğretim Programlarının Çevre Eğitim

2.4.2.2. Hayat Bilgisi Programı

Em 1983, Patrick Charaudeau publicou um livro iniciador de uma obra que constituía um modo linguístico atrelado a um outro, psicossocial, de analisar discursos: tratava-se do

livro Langage et Discours. O modo de ver os discursos apresentado nessa obra inseria a Análise do Discurso nas Ciências da Linguagem, mas também a colocava no seio das demais Ciências Humanas, pois apontava a visão de que todo aspecto linguístico de um discurso é dependente da situação extralinguística da qual faz parte. Nesses termos, Charaudeau preocupa-se com a “situação de comunicação” que faz emergir um determinado discurso. Essa situação abarca perguntas simples, como: “Quem fala com quem?”, “Sobre o que se está

falando?”, mas que são de resposta complexa quando se estuda a ancoragem dos discursos nas diversas situações de comunicação, pois outras questões surgirão: “Estamos aqui para fazer/dizer o quê?”, “Como posso/devo falar tendo em vista essa situação?” etc.. Procurando

responder a questões como essas, Charaudeau elaborou uma teoria (atualizada até os dias

atuais), como ele mesmo o diz, “antropofágica”, pois na Teoria Semiolinguística estão

mesclados saberes advindos de diversas áreas de conhecimento: Sociologia, Filosofia, Psicologia, Antropologia, Linguística. Ele procurou, assim, estudar a interligação das dimensões externa e interna à manifestação linguageira.

Cada situação perante a qual um indivíduo se encontra coloca-lhe duas opções: ou a de falar ou a de permanecer calado. Qualquer alternativa que ele escolha o colocará em uma situação comunicativa, pois ambas possuem suas restrições quanto à fala ou quanto à falta dela. O sujeito que fala o faz por determinados motivos, assim como o que escuta. Qualquer que seja a atitude escolhida pode tratar-se de escutar ou falar para obter informações, para agradar uma pessoa – como um patrão ou alguém com quem se queira iniciar um relacionamento –, para demonstrar simpatia. Enfim, as possibilidades não se esgotam.

Em cada situação devo saber a respeito do que posso falar, a depender do porquê de estar ali e de quem seja meu interlocutor. Isso ocorre porque as situações de comunicação

impõem aos sujeitos um “contrato de comunicação”, o qual eles podem aceitar ou rejeitar. O

contrato é a condição da troca linguageira. Em vista disso, não aceitá-lo pode gerar riscos aos sujeitos que se veem perante ele.

Sabemos, por exemplo, que em um tribunal de justiça devemos ficar calados quando somos aqueles que somente assistem ao julgamento, não nos posicionando verbalmente a favor ou contra o réu, o advogado, o promotor ou uma testemunha. Não se pensa que em um tribunal um dos presentes irá levantar-se e gritar para uma testemunha: “É mentira!”, mas algo assim poderá acontecer. No entanto, caso um indivíduo faça isso, ele quebrará uma regra

imposta à situação de comunicação do contrato “tribunal do júri” e sofrerá as consequências

por tê-lo feito, as quais serão determinadas pelo magistrado.

regras de acordo com fatores peculiares em cada uma delas. Em uma entrevista de emprego, caso eu destrate o entrevistador, certamente serei excluído da lista de possíveis escolhidos. Isso quer dizer que reconheço minha posição hierárquica, bem como a da pessoa que tenho em minha frente. Por esse motivo, seleciono as palavras de modo que causem boa impressão.

Em outra situação, como em uma conversa com meus pais ou avós não “devo” utilizar

pronomes de tratamento como: “Mano”, “Cara”, “Véi”, “Bicho”. Farei isso apenas em uma

situação como a da piada, na qual a intencionalidade do ato de linguagem seja a de fazer alguém rir. Do contrário, posso ser repreendido por não ter reconhecido meu interlocutor como uma pessoa com mais idade do que eu, à qual devo, na maior parte das famílias, evitar tal tipo de tratamento.

Os contratos não se resumem ao fator linguístico, eles regulam também o comportamento dos sujeitos e a relevância de cada elemento que faça parte do contrato. O sexo de uma pessoa, por exemplo, não é relevante em um contrato de informação midiático,

como o “telejornal”, mas o é em uma “consulta médica”. O trajar informal é requerido na ida

à praia, mas, ao contrário dessa situação, no “culto religioso” em uma igreja é necessário o trajar-se de modo formal. Muitos são os elementos regulados pelo contrato, sendo cada um deles relevante conforme a peculiaridade de cada contrato e de cada situação.

Sendo da ordem do situacional e do linguístico, o contrato de comunicação possui elementos externos à troca linguageira e aqueles que são propriamente linguísticos. Não há dissociação completa entre o que é de uma ordem e o que é de outra, uma vez que existe influência de um em relação ao outro. O situacional impõe restrições ao sujeito, mas o linguístico dá a ele uma relativa autonomia para burlá-lo, com ele brincar, aproveitar-se dele, ou simplesmente aceitá-lo. Por isso, os sujeitos semiolinguísticos, como pensa Machado (1998, p. 114), não são completamente livres, porque agem em um mundo de representações e códigos – presos às regras do contrato –, mas também não são completamente submissos, porque são únicos, singulares, podendo jogar com essas regras por meio da linguagem.

Os sujeitos semiolinguísticos são vistos por um duplo viés: eles são os “sujeitos parceiros” (seres sociais) e os “sujeitos protagonistas” (seres de linguagem). Os parceiros detêm a iniciativa de produzir o ato de linguagem, “sujeito comunicante” (Euc), e de

interpretá-lo, “sujeito interpretante” (Tui): são seres pertencentes à esfera situacional do contrato. Por outro lado, os sujeitos protagonistas sãos seres criados por meio da linguagem: há o papel linguageiro assumido pelo Euc dentro de um contrato, trata-se do “sujeito

enunciador” (Eue), mas existe também o destinatário ideal ao qual o Euc pensa dirigir-se, o qual pode ou não coincidir com o Tui, este sujeito imaginado pelo Euc é o “sujeito

destinatário” (Tud).

Os contratos de comunicação são elaborados em uma situação histórica peculiar que possibilite sua existência. No caso do contrato político-eleitoral, é preciso que exista uma vontade coletiva de viver junto e, a partir dela, seja escolhido um modo de governança no qual os sujeitos poderão encontrar-se no status de candidato: trata-se de uma democracia representativa. É preciso também que sejam, anterior ao contrato, formuladas as condições de voto para os candidatos e para o eleitor: os votos serão dados por colégios eleitorais, por cidadãos comuns, por pessoas legitimadas por cargos? Para votar será necessário comprovar um mínimo de renda? O voto será opcional ou obrigatório?

O contrato de comunicação, por isso, deve ser estruturado em níveis (“situacional”, “discursivo” e “semiolinguístico”) que possibilitem o estudo da passagem de um “mundo a ser significado” para um “mundo significado” por meio do discurso. A cada nível corresponde uma competência (“competência situacional”, “competência discursiva” e “competência semiolinguística”) que o sujeito deve possuir para participar de um dado contrato de

comunicação. Procurarei apresentar esses níveis tendo em vista a configuração do contrato político-eleitoral, situado no interior do discurso político.