BAKAN YARDIMCISI
MÜSTEŞAR YARDIMCILARI
1.3.5. Beşeri Kaynaklar
Nem se poderia imaginar que o fim da era Vargas, mesmo marcado por tanta turbulência, fosse desfechado pela sua trágica morte. Nem tampouco que, no meio dessa turbulência toda, uma idéia movimentada por alguém que não se contentava com um “não” fizesse nascer a Universidade Federal do Ceará, assunto que abreviaremos nestas próximas linhas.
A idéia da criação de uma universidade, com sede em Fortaleza, foi ventilada pela primeira vez no ano de 1944, quando o médico cearense Dr. Antonio Xavier de Oliveira encaminhou ao Ministério da Educação e Saúde um relatório sobre a refederalização da Faculdade de Direito do Ceará. A partir daí ela passou a vigorar no pensamento dos cearenses, notadamente de alunos e professores das escolas superiores existentes.
Por ocasião da visita do então Ministro da Educação, professor Clemente Mariani, à terra de Iracema, os alunos da Faculdade de Direito entregaram-lhe um documento com quase dez mil assinaturas, pleiteando uma Universidade para o Ceará.
O discurso do então Ministro naquela faculdade foi pautado na objetivação da criação da referida instituição onde, ao finalizá-lo, o fez com o seguinte desfecho: “Teremos, então, a vossa universidade, para cujo advento contareis comigo, como um leal companheiro nesta
campanha, que juntos encetaremos”.
Inquieto e impressionado com as últimas palavras do titular da Pasta da Educação, o professor Antonio Martins Filho solicitou audiência com o governador da época, o desembargador Faustino de Albuquerque, que o acolheu prontamente, bem como sua proposta, designando um de seus membros para, junto às autoridades competentes do Ministério da Educação e Saúde, estudar as medidas cabíveis à criação da referida instituição. Dois movimentos surgiram nesse período: primeiro, a Universidade Estadual, e segundo, a Universidade Federal para o Ceará.
Cessada a luta pela Universidade Estadual, quando ainda participava da congregação da Faculdade de Direito, o professor Martins Filho, como popularmente ficara conhecido, não tendo visto o seu nome pleiteado para o primeiro reitorado da referida instituição, já que havia candidatos em potencial, passou a levantar outra bandeira: a da Universidade Federal do Ceará.
Preparando-se para realizar o novo intento, e depois de marcada a audiência no Ministério, foi logo recebido pelo então Ministro da Educação e Saúde, Sr. Antonio Balbino de Carvalho, onde expôs de forma clara e objetiva o seu desiderato. Com a aquiescência ao pleito pelo senhor Ministro, retornou ao Ceará muito confiante e com a tarefa de elaborar Memorial a ser remetido ao Ministro para início das negociações junto ao Ministério da Educação.
No Ceará, recorreu a professores, amigos e autoridades civis e eclesiásticas para elaboração e aprovação do referido documento. Aprovado e assinado o Memorial em 6 de agosto de 1953, foi logo encaminhado ao Senhor Ministro Antonio Balbino.
Submetido o assunto ao exame do Conselho Nacional de Educação, o Parecer nº 263/53 foi favorável à criação da Universidade do Ceará. Após homologação do aludido Parecer, a chefia de Gabinete do Ministro remeteu o processo à Diretoria do Ensino Superior para elaboração do anteprojeto de lei sobre a criação da universidade, a ser dirigido, em seguida, pelo Ministro da Educação ao Presidente da República.
Em 30 de setembro de 1953, o Presidente Getúlio Vargas envia ao Poder Legislativo a Mensagem nº 391, de 1953, com o projeto de lei e demais documentos sobre a criação da Universidade do Ceará, com sede em Fortaleza, capital do Ceará. Logo em seguida, e dentro da tramitação legal, o Presidente enviou o referido projeto de lei, através do processo nº 3713/53, ao Congresso Nacional. Da Câmara dos Deputados, a matéria foi encaminhada à Comissão de Educação e Cultura, cujo relator foi o deputado cearense João
Otávio Lobo. O Parecer foi favorável à criação da referida instituição, tudo indicando que a matéria seria de pronto, aprovada, passando a Universidade a funcionar logo no primeiro semestre de 1954, mas com o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda e a morte do Major Rubens Vaz, a situação do Catete se tornou bastante difícil. O Presidente perdeu as forças e o apoio do Congresso e das Forças Armadas, e com isso ficaram estacionados muitos pleitos que já tramitavam no Congresso, entre muitos o da criação da referida instituição em Fortaleza.
No Ceará, o professor Martins Filho, intrigado com a demora na tramitação do processo de criação da instituição que pleiteara com tanto esforço, resolve viajar para o Rio de Janeiro a fim de repetir os argumentos que todos conheciam, concluindo que, dada a situação já conhecida do Palácio do Catete, poderia haver um golpe, tendo como conseqüência o fechamento do Congresso e, portanto, o arquivamento do processo que tanto esperara e que poderia já ter sido aprovado sem restrições. Porém, horas depois desiste da viagem, por entender que, à distância, não lhe seria possível avaliar a exata situação em que se encontrava o Presidente.
Na manhã do dia 24 de agosto, em sala de aula, ao se preparar para proceder à chamada dos alunos na Faculdade de Direito, foi interrompido por um aluno que anunciava o suicídio do Presidente Getúlio Vargas. Dirigiu-se de pronto à praça do Ferreira para se inteirar dos acontecimentos daquela manhã.
Acompanhando atentamente a marcha dos acontecimentos, nunca imaginei que o ato de desespero do Presidente Vargas iria muito em breve interferir no meu destino, tornando-me candidato à reitoria e, em conseqüência, o primeiro dirigente da Universidade do Ceará, no exercício de quatro mandatos consecutivos (MARTINS FILHO, 1996, p. 25).
Serenados os ânimos após a morte do Presidente da República, passou o Congresso a funcionar normalmente, restando ao professor a esperança de que o projeto de lei de criação da Universidade fosse aprovado na Câmara e no Senado.
Tempos depois, sendo eleito o Deputado Paulo Sarasate para Governador do Estado do Ceará, e sendo este amigo pessoal do Presidente da República Café Filho, tudo caminhou rapidamente para alegria do professor Martins Filho. Antes de terminada a legislatura de 1954, o projeto de lei tão esperado, já finalmente aprovado nas duas Casas do Congresso, foi encaminhado à Comissão de Redação Final na forma do Regimento da Câmara. E, na presença do Governador eleito Paulo Sarasate, e de vários membros cearenses de representação federal no Congresso, o Presidente Café Filho sancionou a Lei nº 2.373,
criando a Universidade do Ceará, fato ocorrido em 16 de dezembro de 1954. 2.3.1 Caracterização da UFC
Situada no município de Fortaleza, Estado do Ceará, a UFC ocupa hoje uma área urbana de 269 hectares, distribuídas em cinco campi, sendo três na capital de Fortaleza e dois no interior do Estado, localizados, um na zona sul e outro na zona norte do Ceará. São denominados de Campus do Benfica, Campus do Pici e Campus do Porangabuçu, em Fortaleza, e os campi de Sobral e Barbalha.
Fora os cinco campi, existem ainda o Instituto de Ciências do Mar, a Casa de José de Alencar (museu, pinacoteca e centro de treinamento) e as fazendas experimentais nos municípios de Quixadá, Pentecoste e Maracanú. Ademais, o curso de Medicina possui duas extensões em municípios do interior do Estado (Sobral e Barbalha).
Para apoiar as atividades de ensino, cultura e artes a UFC conta ainda com um sistema de bibliotecas, com quatorze unidades (sendo doze em Fortaleza, uma em Barbalha e uma em Sobral); Museu de Artes (com obras dos mais representativos artistas plásticos cearenses); Casa Amarela (centro de ensino e criação nas áreas de cinema e vídeo); Teatro Universitário (sede do curso de Arte Dramática); Seara da Ciência; Rádio Universitária FM; Concha Acústica; Imprensa Universitária; Editora da UFC. Possui ainda duas Superintendências: a de Recursos Humanos (SRH) e a de Planejamento Físico e Operações (PLANOP), ambas dando suporte nas áreas de pessoal e apoio físico operacional.
A missão da UFC é formar profissionais de alta qualificação, gerar e difundir conhecimentos, preservar e divulgar os valores artísticos e culturais, constituindo-se em instituição estratégica para o desenvolvimento do Ceará e do Nordeste. Possui como lema “o universal pelo regional”.
A Universidade Federal do Ceará hoje cinqüenta e dois anos depois de sua fundação, é uma instituição federal de ensino superior, constituída como autarquia educacional de regime especial e vinculada ao Ministério da Educação. É regida administrativa e juridicamente de acordo com seu Estatuto, Regimento Geral e Regimento Interno de suas diversas unidades.
As atividades universitárias são administradas e coordenadas por duas áreas distintas: Administração Superior e Administração Acadêmica. A UFC possui, atualmente, mais de 5.000 funcionários, entre docentes e técnico-administrativos e 25.664 alunos por tipo de matrícula. Uma instituição que cresceu e se popularizou junto à sociedade cearense, iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso, é hoje, apesar da crise das universidades
públicas no Brasil, uma das maiores universidades do Ceará, com 54 cursos de graduação, 129 cursos de pós-graduação, sendo 64 lato sensu e 65 stricto sensu (47 de mestrado e 18 de doutorado)
Diferentemente da forma como muitas universidades se originaram no Brasil, a UFC deve o início de sua existência não ao que costumamos entender como amplo movimento democrático, participativo, ou uma organização por aglutinação de faculdades já existentes ou institutos, mas, sim, à crença de um sonhador na possibilidade de sua existência. Os meios de que se utilizou para concretizar este sonho coletivo devem ter justificado a inexistência de um processo mais participativo, até porque, naquele tempo nisso pouco se falava. O que tinha validade nos processos decisórios era o brocardo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
A história nos tem mostrado que a complexidade de papéis, atribuições e competências de uma instituição de ensino superior aliada ao que espera dela a sociedade de hoje, apesar das cuidadosas ponderações de quem a comanda, exige cada vez mais de sua comunidade de gestores docentes, técnicos e alunos uma maior organização e permanente processo de auto-avaliação participativa.
Preocupada com os desafios a enfrentar no mundo globalizado e consciente da necessidade e da urgência em promover amplo movimento interno na instituição, envolvendo alunos, professores e técnico-administrativos para avaliar a qualidade do trabalho que oferece à sociedade, a UFC, entre tantas outras tentativas do passado, e cumprindo hoje o que preceitua a Lei 10.861 de 14 de abril de 2004, que institui o Sistema Nacional da Avaliação Superior (SINAES), deu início em 2005 ao processo de Auto-Avaliação Institucional, tema que abordaremos no final do quarto capítulo deste trabalho.
Lembramos que as experiências da avaliação institucional no Brasil, e especificamente na UFC, aliadas às contribuições do estudo de caso sobre auto-avaliação e planejamento participativo em ambientes da UFC, objetivo deste trabalho, enfatizam a convicção da aliança necessária à auto-avaliação institucional participativa e permanente, com o planejamento também participativo.
3. EDUCAÇÃO E AVALIAÇÃO: PROCESSO EDUCATIVO E DE MUDANÇA.
A inquietação pela mudança nasce na vontade, viaja pelo coração e enche-se do sentimento de “pertença”, desce para a ação concreta, consciente, consistente, honesta, coletiva, permanente e transformadora, enquanto se pensa e se age continuamente, pois é na inquietação da mudança que nascem os novos saberes (SOCORRO SOUSA).
Neste capítulo procuramos traçar um breve caminho da educação na perspectiva da formação de nova consciência de mudança. Idéias que remontam à antiguidade e que nos dias atuais são discutidas de forma mais efetiva. Apresentaremos ainda reflexão sobre a educação como proposta de mudança, por entender que é preciso aprender a aceitar as mudanças que são necessárias ao avanço da própria sociedade. Discutiremos também a avaliação como instrumento auxiliar na construção dessa mudança, que deve inspirar uma nova educação e um novo homem.