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II. Savaş Sonrası Dönemde Bağlantısızlar Bloğunda (Mısır, Hindistan, Endonezya ve

II.IV. Yugoslavya

1. BANDUNG KONFERANSI VE BAĞLANTISIZLAR BLOĞU’NUN ORTAYA

1.7. Bağlantısızlar Bloğunda Uluslararası ilişkiler

Os gestos continuam a influenciar o desenvolvimento psíquico da criança quando se tornam a ligação entre a escrita e os jogos infantis.

Como sabemos durante o jogo alguns objetos passam a significar facilmente outros, os substituem, se convertem em seus próprios sinais. Sabe-se igualmente que o importante não é a semelhança entre o brinquedo e o objeto que designa. O que tem maior importância é sua utilização funcional, a possibilidade de realizar com sua ajuda o gesto representativo. Cremos que somente nisso reside a chave da explicação de toda a função simbólica dos jogos infantis (VYGOTSKI, 1995, p. 187).

Vigotski analisou a função dos jogos infantis no desenvolvimento da criança em uma palestra, proferida em 1933, no Instituto Gertsen de Pedagogia de Leningrado intitulada “A brincadeira e o seu papel no desenvolvimento psíquico da criança” (VIGOTSKI, 2007) que foi traduzida do original russo por Zoia Prestes. Como é próprio de suas pesquisas, Vigotski iniciou pela gênese da brincadeira indicando que ela se originava das necessidades e dos desejos que a criança não consegue realizar imediatamente. “É disso que surge a brincadeira, que deve ser sempre entendida como uma realização imaginária e ilusória de desejos irrealizáveis, diante da pergunta ‘por que a criança brinca’?” (VIGOTSKI, 2007, p. 25). Na ação de brincar a criança desenvolve a imaginação, definida por Vigotski como sendo uma atividade exclusiva da consciência humana, no entanto, toda brincadeira que envolve uma situação imaginária, envolve regras. Ao ampliar essa discussão Vigotski (2007, p. 28) conclui que “qualquer brincadeira com situação imaginária, é ao mesmo tempo, brincadeira com regras e qualquer brincadeira com regras é brincadeira com situação imaginária. Parece-me que essa tese está clara”. Ele também esclarece que as regras da brincadeira se diferenciam das regras sociais que são impostas como, por exemplo, as regras de comportamento. As regras da brincadeira são de si para si, que a própria criança cria para impor sua autolimitação.

A partir dessa constatação, Vigotski esclareceu o papel da brincadeira e sua influência no desenvolvimento da criança. Na primeira infância, que vai até os três anos, Vigotski (2007) diz que a brincadeira imaginária cumpre a função de libertar a criança das amarras situacionais e nessa etapa a criança, assim como no desenho, age em função do que tem na memória e não do que vê: “[...] a criança aprende a agir em função do que tem em mente, ou seja, do que está pensando, mas não está visível, apoiando-se nas tendências e nos motivos internos, e não nos motivos e impulsos provenientes das coisas” (VIGOTSKI, 2007, p. 29). Esse comportamento que leva a criança a agir no campo da sua imaginação também lhe permite agir com base no significado da situação criada e isso se deve à relação muita próxima que a criança estabelece entre a palavra e o objeto e o significado do objeto que ela está vendo. Vigotski esclarece essa situação ao exemplificar que quando um adulto diz a palavra relógio à criança, ela procura pelo objeto até encontrá-lo; isto significa que a primeira função da palavra é orientar o espaço e o lugar dos objetos.

Na etapa seguinte, quando a criança chega à idade pré-escolar, de três aos sete anos, na brincadeira a ideia separa-se do objeto e a ação passa a ser determinada pela ideia e não mais pelo objeto, como no típico exemplo apresentado por Vigotski do cabo de vassoura que vira cavalo. Esse é um momento critico, de transição, em que “[...] modifica-se radicalmente uma das estruturas psicológicas que determinam a relação da criança com a realidade”. (VIGOTSKI, 2007, p. 30). A criança precisa de um ponto de apoio, sua ideia está ligada a um determinando objeto, mas essa relação se estabelece pelo significado que o objeto oferece, ou seja, somente um cabo de vassoura pode virar um cavalo, mas uma bola não pode virar um cavalo porque, como explica Vigotski, a brincadeira não é simbólica, ela não é um signo “Na brincadeira, as características dos objetos conservam-se, mas o significado deles muda, ou seja, o sentido torna-se o ponto central. Pode-se dizer que, nessa estrutura, os objetos passam de ponto predominante para subordinado” (VIGOTSKI, 2007, p. 31). Isso significa que nessa fase da idade pré-escolar a criança brinca com os objetos pelo sentido que ela atribui a eles.

Na idade escolar a brincadeira toma outro significado e as funções passam a ser internas, isto é, passam para a fala interna, para a memória lógica e para o pensamento abstrato. E como isso se processa? Ao brincar de cavalo com um cabo de vassoura a criança separa o significado do objeto, porém, diz Vigotski, é uma

fase transitória, porque logo ela toma consciência da situação real, ou seja, de que o cabo de vassoura é um objeto, mas numa situação imaginária ele torna-se “cavalo”.

Vigotski compara essa fase com a fase que antecede a escrita, ou seja, a criança já possui conhecimentos, mas ela ainda “[...] não tem consciência de que os possui e não os domina voluntariamente, na brincadeira, ela usa inconsciente e involuntariamente o significado que pode ser separado do objeto, ou seja, ela não sabe o que o objeto faz, não sabe que fala em prosa, fala sem perceber a palavra” (VIGOTSKI, 2007, p. 32). Nessa ação a relação da criança com a realidade permite que ela defina a função dos objetos e tome consciência de que a palavra é parte desse objeto.

Essa análise de Vigotski resultou em três princípios fundamentais: que a brincadeira é a atividade principal para o desenvolvimento da criança na idade pré- escolar; que o cumprimento das regras a faz agir contra o impulso imediato e contra o que deseja naquele momento; que a imaginação com regras provoca reestruturações internas como aprender a ter consciência de suas próprias ações e saber que cada objeto possui um significado lúdico. Além disso, as contribuições da brincadeira para o desenvolvimento da criança se encontram no desenvolvimento dos processos psíquicos, como a memória voluntária e o pensamento abstrato e cria a zona de desenvolvimento imediato ou zona de desenvolvimento iminente33. Esse desenvolvimento na idade pré-escolar se deve às brincadeiras de faz-de-conta, em que a criança cria situações imaginárias e para vivê-las faz uso da imitação de situações reais, da memória, da imaginação, do pensamento lógico, tendo que tomar decisões ao se colocar na posição do adulto. Por exemplo, quando um grupo de crianças brinca de “casinha”, os papéis são divididos entre uma que representa a mãe, outra que representa o pai, outras que representam os filhos. Mas durante a brincadeira, a mãe tem de organizar a casa, cuidar dos filhos, talvez trabalhar fora e o pai tem que ter uma profissão para ganhar o sustento da família. No faz-de-conta, um filho fica doente e os pais têm que tomar a decisão de levá-lo ao médico, cuidar de sua saúde medicando corretamente conforme as orientações médicas. Todas essas ações exigem atitudes responsáveis e cumprimento de regras da vida real.

33

Prestes (2010), ao explicar as traduções das obras de Vigotski, diz que o conceito de zona de desenvolvimento proximal, próxima ou imediato traduzido para o português, trouxe interpretação equivocada, por isso a pesquisadora defende que a tradução correta é “zona de desenvolvimento iminente”. Esse assunto é amplamente explicado em sua tese entre as páginas 168-175.

A relação entre a brincadeira e o desenvolvimento deve ser comparada com a relação entre a instrução e o desenvolvimento. Por trás da brincadeira estão as alterações das necessidades e as alterações de caráter mais geral da consciência. A brincadeira é fonte do desenvolvimento e cria a zona de desenvolvimento iminente. A ação num campo imaginário, numa situação imaginária, a criação de uma intenção voluntária, a formação de um plano de vida, de motivos volitivos - tudo isso surge na brincadeira, colocando-a num nível superior de desenvolvimento, elevando-a para a crista da onda e fazendo dela a onda decúmana do desenvolvimento na idade pré- escolar, que se eleva das águas mais profundas, porém relativamente calmas (VIGOTSKI, 2007, p. 35).

Vemos, portanto, que a brincadeira tem importância não somente para o desenvolvimento dos processos psíquicos, mas também representa uma das formas de atividade que antecede o desenvolvimento da escrita. A brincadeira é uma atividade que se desenvolve espontaneamente entre as crianças e que pode e deve ser trabalhada intencionalmente pela escola desde a educação infantil. Sua grande importância reside no fato que ela é uma fonte de desenvolvimento de outras funções psicológicas e de tomada de consciência, por parte da criança, de suas próprias ações.