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F.4. Hassas Yöreler :

F.4.1. Ülkemiz Mevzuatı Uyarınca Korunması Gerekli Alanlar :

F.4.1.2.1. Eşmekaya Sazlığı :

1- U Ihlara Bölgesi:

A partir das hipóteses levantadas por Baudry sobre o audiovisual, por meio da alegoria da caverna de Platão, de sua formatação como dispositivo e sua similaridade com o aparelho psíquico humano, analisaremos o dispositivo artístico Voracidade Máxima, de Mauricio Dias e Walter Riedweg.

75 BAUDRY J. M. Lê dispositif: approches métapsychologiques de I´mpression de réalité. 1a ed

79 De fundamental importância neste trabalho é a compreensão dos processos que envolvem a organização e o funcionamento do dispositivo audiovisual como elemento processador de subjetividades humanas. Referimo-nos mais especificamente ao dispositivo configurado como dispositivo artístico. Tal distinção entre o dispositivo audiovisual e o artístico refere-se ao conjunto de medidas, articulações, que são táticas desenvolvidas para o dispositivo audiovisual capturar a aparição do sujeito.

Assim, importa-nos agora mencionar que o produto final do conteúdo processado pelo dispositivo artístico Voracidade Máxima resulta em produto audiovisual a ser exibido como dispositivo artístico em exposições de arte, na formatação de instalação ou então como obra configurada para ser acessada a partir de uma hipermídia.

O exame dessa produção artística requer um recorte mais incisivo dentro do panorama da produção audiovisual contemporânea, a qual abarca uma multiplicidade de suportes midiáticos: a televisão, os celulares, o computador, o vídeo, etc. Todos nós somos afetados de formas diferentes pela produção do audiovisual, produtos especialmente elaborados com as características do meio utilizado para processar o sujeito. Todas as novas tecnologias como meio de expressão do homem invariavelmente reportam-se a seu aparelho perceptivo/sensorial.

Aqui retornamos a Marshall McLuhan, que percebeu que os artistas são peritos na subversão de operação dos meios:76

Os efeitos da tecnologia não ocorrem aos níveis das opiniões e dos conceitos: eles se manifestam nas relações entre os sentidos e nas estruturas da percepção, num passo firme e sem qualquer resistência. O artista sério é a única pessoa capaz de enfrentar, impune, a tecnologia, justamente porque ele é um perito nas mudanças da percepção.( MCLUHAN, M.2005,p.34).

Podemos então dizer que fundamentalmente atingir a percepção humana pelo processamento da imagem/conteúdo consiste em procedimento comum tanto ao dispositivo audiovisual quanto ao cinematográfico.

É nesse sentido que se orienta o referencial teórico utilizado nesta pesquisa, embora Baudry refira-se às questões do dispositivo cinematográfico, um meio de características diferentes das encontradas na obra audiovisual Voracidade Máxima.

Em uma análise mais técnica desses produtos, no audiovisual temos diferenças de qualidade e proporção de imagem: o cinema trabalha com taxa de projeção de

80 imagem de 24 frames por segundo, já o vídeo trabalha com 30 frames por segundo, número que pode variar conforme o sistema utilizado (PAL-M, NTSC, etc.).

Outras diferenças mais evidentes consistem na forma como o espectador percebe essas produções em audiovisual: no cinema o sujeito já sai de casa com a intenção de encontrar o ambiente “familiar” da sala escura, o conforto da poltrona que lhe proporciona a condição de imobilidade apontada por Baudry como fator de revivência de um estágio psíquico primitivo; já no caso do audiovisual, como produto artístico, muitas vezes o espectador não dispõe de acento, ele circula por um espaço onde a sua percepção das imagens dependerá da configuração de exposição das imagens estabelecida pelo artista, a qual pode ocorrer em diferentes ritmos, posições e superfícies. Sobre as diferenças entre audiovisual e cinema, Frederico Morais, no texto Audiovisuais, diz:77

O audiovisual como sístole e diástole da vida, como forma de conhecer- viver a realidade. As artes plásticas, em suas formas mais tradicionais, mostraram-se impotentes para captar a dinâmica dessa realidade icônica e o cinema, à medida que estabelece a “continuidade da imagem”, deforma justamente essa mesma realidade.

Se o cinema é, aparentemente, mais livre na captação da realidade em movimento, na sala de projeção, ele se torna uma estrutura fechada. Pode-se dizer que a realidade do cinema está na câmara e a do audiovisual no projetor. Ou seja, as muitas possibilidades de combinação dos seus elementos materiais (slides, sons focos de luz, retornos, zoom), entre si ou no momento da projeção (que por sua vez pode envolver

vários projetores), fazem do audiovisual uma estrutura

aberta.(MORAIS, F,2006,p.393).

Na primeira frase, Frederico Morais já contextualiza o audiovisual como processador/capturador de aspectos reais da vida pelos diferentes ritmos que o meio oferece, contextualizado na metáfora do coração (sístole e diástole, movimentos do coração).

Estamos falando de dispositivos que se articulam em diferentes estruturas de captação da percepção humana. Enquanto o dispositivo do cinema configura-se em ambiente escuro, no qual encontramos a poltrona confortável que nos convida ao silencio e à introspecção; o dispositivo audiovisual oferece aos sentidos do espectador outras possibilidades de montagem dos conteúdos, de forma a compor o que Morais entende como estrutura aberta.

77 FERREIRA, G. organizadora.Crítica de arte no Brasil: Temáticas Contemporâneas. ed.Funarte.1ªed.

81 Dispositivo Voracidade Máxima exposto na Bienal de Veneza

Do ponto de vista do espectador, a percepção do dispositivo audiovisual Voracidade Máxima em sua apresentação ao público, na forma de instalação, proporciona ao espectador a possibilidade de movimento entre as projeções, as quais estão dispostas frente a frente, de modo a espelhar a imagem, recompor no ambiente da exposição o ambiente/quarto no qual o sujeito foi processado.

Para além das diferenças estruturais entre o dispositivo cinematográfico e o dispositivo audiovisual, entende-se a importância do texto de Baudry por nos revelar aspectos do sujeito processado por uma aparência de realidade, processado pelo dispositivo como produtor de imagens. É nesse aspecto que podemos pensar processos similares entre o dispositivo cinematográfico e o dispositivo artístico aqui analisado.

Nessa perspectiva, a partir do referencial teórico analisado, será então possível pensarmos que conhecemos melhor certos aspectos de uma obra artística de audiovisual contemporâneo?

Nesse percurso, iniciaremos nossa análise a partir das elaborações feitas por Baudry sobre Platão e a Alegoria da Caverna, sobre a ideia de sujeito processado pela aparência de realidade, sobre a apreensão de realidade feita pelo aparelho psíquico do homem.

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