• Sonuç bulunamadı

Ayağı Uyuşan Kimsenin Hz Peygamber İle İstigâsede Bulunması

4. KONU İLE İLGİLİ ÇALIŞMALAR

2.4. HADİSLERDE İSTİGÂSE

2.4.1. Ayağı Uyuşan Kimsenin Hz Peygamber İle İstigâsede Bulunması

Derradeiras palavras nada dizem se não reportarem o leitor ao processo inscrito na escritura da pesquisa, pois é o processo quem tem a palavra e somente lá, no processo, é possível tomar as ideias (as resoluções tramadas) e perceber o potencial de mobilização que suportam, frente aos atravessamentos que emergem na sensibilidade do leitor.

Esforçar-se numa síntese, nestas alturas do processo, é se arriscar à demasiada redundância do pensamento, ou insistir na pretensão de uma resposta cabal e concreta que acomode objetiva e regularmente os propósitos da investigação constituída.

5 Os discursos propositivos funcionam dentro de um sistema de pensamento que só aproveita aquilo que pode ser

apreendido pela verificação dos sentidos. Para Foucault quando se toma um discurso com a intenção de compreendê-lo, a ideia que move esta análise é a busca pela “intenção do sujeito falante, sua atividade consciente, o que ele quis dizer, ou ainda o jogo inconsciente que emergiu involuntariamente do que disse ou da quase imperceptível fratura de suas palavras manifestas” (2009, p. 30). Sob esta perspectiva analítica buscam-se

Se há algum propósito a figurar, este não cabe no enquadre sintético da proposição, pois é da ordem do movimento e, enquanto tal é extraproposicional, isto é, escapa à síntese, ao fundamento, à redução objetiva e regular do objeto.

Ocupamo-nos, durante todo o processo, na investigação do corpo em movimento da capoeira. Tal investigação nos colocou frente à necessidade do cultivo; verificamos que não se alcança a capoeira como prática da existência se o capoeirista não dedica seus esforços e suas potencialidades na experiência de movimento com a capoeira.

Num primeiro momento, a experiência de movimento cresce com o auscultar de uma vontade de aprender, que chama a atenção do sujeito à necessidade de ocupar-se consigo junto à prática que o instiga. Deste referencial irredutível – o corpo que se ocupa consigo – o sujeito se lança à relação com o outro, movimentando uma tradição transcendente que alimenta a constituição coletiva do território existencial no qual mestre e aprendiz se implicam. Desta forma, o capoeirista não só assimila uma cultura que lhe é imposta, mas ajuda na sua reinvenção, ao movimentar a tradição nas relações que traça junto ao seu mestre e ao grupo de capoeira.

Em meio a estas relações traçadas, a capoeira vai se inscrevendo nos músculos daquele que a toma para si. Assim, a capoeira só se implica no corpo quando em movimento: como prática de invenção de si.

Tal movimento se estende num percurso temporal, através do qual, o capoeirista vai lapidando a capoeira em seu corpo e em seu viver. Neste percurso temporal, o movimento coloca o capoeirista face às multiplicidades, isto é, face aos desafios que atravessam os relacionamentos, alertando-o sobre a necessidade de “se virar”. Esta necessidade de “se

virar”, não é algo fácil de encarar, pois coloca a aprendizagem face à dureza e ao labor

imprescindíveis na constituição de si.

Nas fases iniciais de aprendizagem, o aprendiz já está às voltas com a necessidade de

“se virar”, mas seu corpo ainda não consegue entendê-la. A preparação física e técnica tenta

controlar o aparecimento desta necessidade, ao investir na constituição e consolidação de automatismos que resumem a aprendizagem à aquisição de habilidades específicas. A preparação física e técnica, portanto, tentam cercar a experiência de movimento, controlando suas possibilidades de aparecimento.

Todavia, os relacionamentos alertam sobre a falácia do controle, introduzindo o imponderável na aprendizagem, ao qual só se tem acesso através de uma disposição ao

imprevisível. A preparação extrapola o âmbitro restrito do físico quando se abre à disposição do que há de vir. A necessidade de “se virar”, enquanto imperativo, sustenta a tênue abertura

desta disposição, mantendo o direcionamento prospectivo da aprendizagem. Para tanto, a experiência de movimento com a capoeira busca a construção de um corpo receptivo que não sucumba às intempestividades do imprevisível, mas também não se renda à indolente tendência do controle.

A ginga é o movimento através do qual o capoeirista alcança um corpo receptivo nele próprio emerso. A experiência da ginga abre infinitas possibilidades de atuação frente ao porvir dos relacionamentos, mantendo em aberto a imprevisibilidade do diálogo corporal. A vadiação e a aprendizagem da malícia e da dissimulação se alimentam desta abertura; a roda de capoeira introduz esta abertura dentro de uma experiência ritual.

O ritmo e a música na capoeira atravessam este processo de construção do corpo receptivo, intensificando-o. A música eleva a experiência de movimento a outros níveis perceptivos que atenuam a monitoria consciente, em função, de uma percepção mais aguçada e flutuante, das relações em ato. Assim, o ritmo e a música na aprendizagem da capoeira concorrem à favor da instalação de outra temporalidade, alheia ao enquadre regular do tempo, que insiste em aprisionar a experiência de movimento sob as redeas do controle consciente.

O capoeirista ocupa-se com o corpo receptivo ao se colocar em movimento na prática da capoeira. Assim, a constituição da capoeira, enquanto arte do viver do capoeirista está sempre em deslocamento na experiência de movimento,

No percurso desta constituição, o capoeirista lapida seus modos de ser, inventando a graça e os movimentos de seu viver junto à prática que escolheu tomar para si. Desta forma, em movimento, o capoeirista subverte sua identidade para afirmar uma subjetividade em deslocamento, ao sabor das intensidades que atravessam os relacionamentos, desafiando-o a encará-las com toda potência de transgressão que suporta.

Ao investigar o corpo em movimento na capoeira ousamos mapear as potências que correm sob as habilidades treinadas e automatizadas, deslocando-as. O corpo receptivo é o agente insólito que dispara este deslocamento. Tal deslocamento não edifica a identidade do capoeirista, mas mobiliza-a, tornando a aprendizagem da capoeira um exercício existencial de permanente reinvenção de si.

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Roteiro para a entrevista

Título da pesquisa: “O corpo em movimento na roda de capoeira: uma cartografia da ginga”. Unidade/Instituição: Escola de Educação Física e Esportes – USP

Programa de pós-graduação – Doutorado

Área de concentração: Pedagogia do Movimento Humano Pesquisador responsável: Prof. Ms. Flávio Soares Alves Orientadora: Profa. Dra. Yara Maria de Carvalho

1. Fale sobre a capoeira, qual o significado da capoeira para você. 2. Como e em que condições você se “encontrou” com a capoeira? 3. Fale sobre a forma como você aprendeu a jogar capoeira. 4. Fale sobre as sequências de movimento no treino da capoeira. 5. Fale sobre a roda de capoeira.

6. O que acontece com os movimentos treinados durante o jogo na roda de capoeira? 7. Todos treinam o mesmo movimento (as mesmas sequências), mas durante a roda, no

diálogo entre os capoeiristas, os movimentos são sempre os mesmos, ou seja, são sempre as mesmas sequências?

8. O que faz a sua execução da sequência ser igual ou diferente da execução do seu adversário?

9. Que sensações/sentimentos a roda desperta em você? 10. O que te atrai para a roda?

11. Fale sobre a relação entre seus movimentos e os movimentos do oponente durante a roda.

12. No que pensa enquanto joga a capoeira?

13. Em que medida seus movimentos no jogo expressam você?

14. Sua expressão na roda muda a depender do adversário, ou você sempre tem o mesmo comportamento?

15. Fale sobre seu estilo de jogo.

16. Você tem alguma “mania”, algum gesto ou movimento característico seu, que deixa sua “marca” enquanto está no jogo e que te identifica perante seus parceiros de capoeira?

17. Você aprende com a roda? O que ela tem pra te ensinar? 18. Por que a capoeira? O que ela representa na sua vida? 19. A capoeira te ensina algo? O que ela tem pra te falar? 20. A sua forma de jogar te ensina alguma coisa?

21. Você já trocou um compromisso pela roda de capoeira? Conte um fato curioso que você passou com a capoeira.

As questões definidas são referenciais a partir dos quais encaminharemos a entrevista. Todavia, as relações em processo durante a entrevista é que nortearão os rumos da mesma. Isso significa que estamos atentos à importância da liberdade de expressão do entrevistado. Este roteiro orienta o processo, nesse sentido, as perguntas estão “abertas” a depender do relato de cada entrevistado.