• Sonuç bulunamadı

Avrupa İnsan Hakları Mahkemesi’nin,“Aile İçi Şiddet” Ka- Ka-rarı

ve 41. maddelerindeki kurallara aykırı olmasına dayanmaktadır. Bu iptal kararı da, gelişen toplum içerisindeki değişiklikleri göstermekte

B) Avrupa İnsan Hakları Mahkemesi’nin,“Aile İçi Şiddet” Ka- Ka-rarı

Os resultados da aplicação do instrumento de autoestima mostraram que os sujeitos/participantes da pesquisa apresentavam baixa autoestima ou tendência a esta. Composto por 20 perguntas e quatro alternativas de respostas, o citado instrumento de avaliação foi compreendido sem dificuldade pelos sujeitos do estudo, pois era claro, conciso e coeso.

No gráfico abaixo, vemos os resultados do pré-teste de autoestima aplicado para cada participante do estudo:

Gráfico 1: Resultados pré-teste de autoestima.

Fonte: Consolidados dos instrumentos de autoestima pré-teste, 2015.

Através do gráfico, é possível visualizar uma variação nos resultados, os quais apontaram 4 sujeitos/participantes com baixa de autoestima (20 -30) e 7 com tendência à

49 25 41 32 21 20 39 34 37 46 25 0 10 20 30 40 50 60 Severino Josefa Creuza José João Maria Joana Benedita Amélia Margarida Conceição Pré-teste Escores 20-30: Baixa autoestima 31-50:Tendência a baixa autoestima

baixa autoestima (31-50). Como o instrumento de autoestima avalia 6 componentes — quais sejam: autoaceitação, autorresponsabilidade, autoafirmação, intencionalidade, integridade pessoal e viver conscientemente —, encontramos fragilidades em todos eles.

Os 4 sujeitos/participantes com baixa autoestima apontados pelo pré-teste não se consideravam pessoas legais, tampouco se viam como respeitadas pelos outros, além de não assumirem responsabilidade por seus atos, não se considerarem autênticos, não conseguirem pedir ajuda quando estavam com problemas e não se sentirem preparados para iniciar um trabalho ou uma atividade nova em suas vidas. Esses resultados nos mostravam, portanto, que o caminho pela frente seria desafiador, de maneira que, enquanto terapeuta e pesquisadora, senti que teria de me envolver plenamente com todo o meu potencial a fim de mudar esse quadro. Era necessário elevar a autoestima dos participantes, para que, no final, pudessem obter um melhor escore, sinalizando uma saída dessa situação de desencantamento que tomava conta de suas vidas, deixando-os a mercê do destino. Afinal, naquele momento, eles se mostravam pessoas sem vontade e com pouca autonomia.

Estudo como o de López, García e Dresch (2006), mostra a correlação existente entre a baixa autoestima e o sofrimento psíquico. Esses autores apontam o estresse, as doenças físicas e os péssimos hábitos de saúde como fatores diretamente correlacionados com a baixa autoestima. No caso específico de pessoas em situação de sofrimento psíquico, Oliveira e colaboradores (2012) ressaltam o fato de que as consequências estigmatizadoras para os que adoecem psiquicamente são muito sérias e causam inúmeros danos à autoestima e à qualidade de vida.

Nos resultados do instrumento de autoestima, também encontramos respostas que apontavam para sentimentos de menos valia e nulidade. Com efeito, ao serem questionados se eram capazes de expressar e assumir seus desejos, pensamentos e opiniões, os 11 sujeitos/participantes responderam que não. Townsend (2014), a esse respeito, enfatiza que uma característica básica para um indivíduo ter boa autoestima é a significância, pois ela se eleva quando a pessoa se sente amada, respeitada e cuidada por outras pessoas significativas. A autora afirma, ainda, que a quantidade de manifestações de menos valia que o indivíduo exibe — como se sentir incompentente, indigno de ser amado, inseguro e sem valor — é influenciada pelo grau de baixa autoestima que ele experimenta.

Oliveira e Azevedo (2014), por sua vez, destacam que o sofrimento psíquico pode fazer emergir sentimentos de raiva, tristeza, desencorajamento e nulidade, de modo a acarretar uma baixa autoestima, o que tem como consequência a diminuição do investimento por parte da própria pessoa no seu processo de recuperação.

Tendo isso em mente, no pré-teste aplicado foi necessário avaliar os vínculos, pois Barreto (2008) considera ser de extrema importância identificar, já de início, se a pessoa que está em uma TCI vivencia uma situação de sofrimento psíquico e como se encontram seus vínculos familiares, afetivos e sócio culturais. Para o autor, sem dúvida é importante fazer uma avaliação quantitativa dos vínculos; no entanto, mais importante ainda é a avaliação qualitativa; sobretudo, quando a TCI é desenvolvida com pessoas em situação de exclusão social. Isto porque o terapeuta terá a possibilidade de visualizar a necessidade de que ações complementares à TCI sejam desenvolvidas para promover a inclusão social dessas pessoas. Além do mais, permite que o terapeuta tenha um olhar mais atento em relação àqueles participantes que necessitam restabelecer a identidade e o sentimento de pertença.

É importante relembrar aqui que o vínculo é o elo que liga o sujeito biológico à cultura e, portanto, ao social. A necessidade que tem o homem de relacionar-se com outros seres da mesma cultura, ou de uma cultura diversa, leva-o à busca de vínculos. Os vínculos afetivos e culturais criam o sentido de pertencimento, e é este que aumenta o grau de significância da pessoa perante o seu grupo social. Portanto, inferimos que manter vínculos saudáveis nas relações sociais pode aumentar a autoestima e diminuir o sofrimento psíquico.

Dito isso, cumpre salientar que, na avaliação dos resultados, observamos que, em muitos aspectos, os participantes nem sequer estavam vinculados, como mostra a breve análise quantitava a seguir:

Tabela 02: Avaliação quantitativa geral de vínculos no pré-teste.

Vínculos Pré-teste Alternativa A (Ausência Vincular/desvinculação) 29,9% Alternativa B (Vínculos existentes/vinculação) 70,1%

Fonte: Consolidados dos instrumentos de vínculos no pré-teste, 2015.

Convém ressaltar que, na tabela 02, transformamos a quantidade de vínculos em porcentagem para uma melhor visualização e entendimento. A tabela confere dados importantes no que diz respeito à vinculação e à desvinculação dessas pessoas, e, quanto a isso, cumpre destacar que, mesmo com vinculações frágeis e de risco — tal como veremos em outro gráfico mais adiante, no qual se mede a qualidade desses vínculos existentes —,

pudemos perceber que essas pessoas se encontram vinculadas em muitos aspectos. Por outro lado, é preciso também salientar que vínculos como o profissional, econômico, de saúde física, de apoio social 1, de amizade e tecnológico foram os que mais apontaram no sentido de uma desvinculação. Ademais, três participantes também confirmaram ausência vincular para leitura e escrita, o que expõe, sobretudo, uma fragilidade de base, como a pobreza intelectual, bem como dificuldades oriundas da própria situação de sofrimento psíquico, como o problema de empregabilidade e o de apoio social. Fatores como estes acabam resultando em uma nada desprezível exclusão social dessas pessoas.

Nesse sentido, cumpre ressaltar o exposto por Santos e Hammerschmidt (2012), ao lembraram que o ser humano, com seu sentimento de incompletude, tende a buscar o conhecimento como uma possibilidade para superar os próprios limites, reconhecendo sua interdependência e se fortalecendo pelas relações, interações e associações com seus pares e com os recursos da natureza. Todavia, com a presença do sofrimento psíquico, essa procura geralmente esbarra em fatores como o preconceito social, o estigma e a medicamentalização, causando prejuízos nessas interações sociais.

Quanto a isso, para um melhor entendimento e visualização do caso específico aqui abordado, demonstramos no gráfico abaixo os vínculos saudáveis, frágeis e de risco, referentes a cada participante do estudo:

Gráfico 2: Avaliação qualitativa de vínculos do pré-teste.

O gráfico traz uma demonstração geral da qualidade dos vínculos no pré-teste. O que estes evidenciaram, no que se refere a essas pessoas, foi uma carência de vinculação saudável em muitos aspectos. É importante destacar, aliás, que foram nada menos que 28 variáveis de vínculos analisadas, tomando por base o modelo de Barreto (2008), cujo instrumento, em uma organização e percepção ímpar, tem início com a avaliação dos vínculos familiar, conjugal, filial, de moradia e comunitário. Ou seja, em uma percepção sistêmica, a família é colocada nesse bloco inicial de perguntas como a primeira grande força motriz da investigação. Nesse sentido, especificamente quanto ao nosso caso em tela, o que nos entusiasmou nesse primeiro momento foi o fato de que justamente esses cinco aspectos iniciais tenham sido apontados pela maioria dos participantes como uma vinculação saudável.

Vale dizer que encontramos respostas para essa organização do instrumento de avaliação elaborado por Barreto na perspectiva de Townsend (2002). A autora sustenta que a família pode ser entendida como um sistema constituído por diversos subsistemas, tais como, por exemplo, o subsistema conjugal, o subsistema pai-filho e os subsistemas irmãos. Cada um desses, por sua vez, divide-se ainda em subsistemas de indivíduos. O subsistema familiar, nesse modelo, convém ressaltar, revela-se também parte de um suprassistema maior, como a vizinhança ou a comunidade. Essa perspectiva justifica a organização e a priorização que Barreto propõe em seu instrumento de vínculo, no qual este tece a vinculação de micro para macro, de subsistema para suprassistema.

No contexto dos participantes do estudo, no qual se pode observar que a situação de sofrimento psíquico fragiliza consideravelmente os vínculos em ambos os sistemas, Amarante e colaboradores (2012) destacam que a dimensão sociocultural da Reforma Psiquiátrica propõe que se desenvolvam estratégias e dispositivos de cuidado capazes de promoverem a transformação do lugar social da ―loucura‖. Ressaltemos que isso é algo que muda também as próprias relações entre o tecido social e as pessoas em situação de sofrimento psíquico.

Salles e Barros (2013), por sua vez, voltando-se para a necessidade de inclusão social dessas pessoas, complementam que as redes sociais exercem um importante papel nesse sentido. Em seu estudo, as autoras demonstram que a possibilidade de ter amigos e conviver com os outros ajuda essas pessoas a resgatarem sua autonomia. Isso porque um dos aspectos que define inclusão social para usuários em saúde mental é, de fato, o sentimento de pertença a uma rede social, ou seja, poder contar com a ajuda de outros e, ao mesmo tempo, ser ne- cessário aos outros.

Isto posto, consideramos que a avaliação dos vínculos dentro da classificação proposta — como saudáveis, frágeis e de risco — nos permitiu uma maior compreensão das situações que os sujeitos/participantes enfrentavam no contexto das relações com a família, o trabalho e a comunidade. Tal avaliação nos ajudou a pensar a próxima etapa da pesquisa, isto é, o planejamento das rodas de TCI. Ao passo que o desafio inicial que encontramos com os resultados deste pré-teste foi simplesmente o de procurar (re)ligar essas pontes e tecer vinculação através da TCI.

Esclarecidos todos os pontos acima, passaremos agora à descrição das rodas, conforme estabelecido no plano de análise.

4.3 Descrições das rodas: o crescimento pessoal dos participantes e as mudanças