Tükenmişlik
ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
A escolha dos projetos a serem analisados é fruto de pesquisas realizadas no IPHAN/RN, na Fundação José Augusto (FJA) e na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), onde foram consultados os arquivos com processos de projetos de intervenção.
Inicialmente, a pesquisa relacionou alguns projetos de intervenção realizados a partir da década de 1990, quando se intensificaram as ações voltadas para a preservação patrimonial de Natal, conforme observamos na trajetória preservacionista da cidade. Logo, foram selecionados
os seguintes projetos: o Terminal Marítimo de Passageiros, a Igreja do Galo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, o antigo Hotel Central, o antigo Hotel Majestic, a Fundação Rampa, o antigo Palácio do Governo, a antiga Rotunda de Natal, o Forte dos Reis Magos e o almoxarifado da antiga Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA).
Entretanto, após pesquisa mais detalhada, observou-se que a maior parte dos arquivos que continham tais projetos não dispunha de material suficiente para a análise aqui proposta. Os documentos arquivados resumiam-se, na maioria dos casos, às pranchas do projeto de reforma de tais edificações (plantas baixas, cortes e fachadas). E como a análise aqui proposta parte do pressuposto que um projeto não se resume a sistemas construtivos, esses documentos seriam insuficientes.
Na realidade, observou-se que os únicos projetos que possuíam um maior número de documentos nos processos, ou um maior nível de detalhamento do projeto, eram os submetidos à análise do IPHAN/RN, especificamente aqueles voltados para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Em virtude disto, selecionados os três projetos supracitados.
O nível de detalhamento com que os projetos são apresentados ao IPHAN/RN é fruto de legislação específica, baseada na Portaria Nº 420, de 22 de dezembro de 2010, que dispõe “sobre os procedimentos a serem observados para a concessão de autorização para realização de intervenções em bens edificados tombados e nas respectivas áreas de entorno”.
Entre outros documentos exigidos para a concessão, podemos destacar os contidos no artigo 6º, que são inerentes ao projeto de “restauro”, como são intituladas as intervenções analisadas. São eles:
a) anteprojeto da obra contendo, no mínimo, planta de situação, implantação, plantas de todos os pavimentos, planta de cobertura, corte transversal e longitudinal e fachadas, diferenciando partes a demolir, manter e a construir, conforme normas da ABNT;
b) levantamento de dados sobre o bem, contendo pesquisa histórica, levantamento planialtimétrico, levantamento fotográfico, análise tipológica, identificação de materiais e sistema construtivo;
c) diagnóstico do estado de conservação do bem, incluindo mapeamento de danos, e analisando-se especificamente os materiais, sistema estrutural e agentes degradadores; d) memorial descritivo e especificações;
e) planta com a especificação de materiais existentes e propostos. Destacamos também, o Artigo 8º:
Para aos bens que tenham ou terão destinação pública ou coletiva, cujas intervenções sejam classificadas como Reforma/Construção Nova ou Restauração, o projeto deverá contemplar a acessibilidade universal, obedecendo-se ao previsto na Instrução Normativa IPHAN nº 01/2003.
Vale salientar que a escolha do Terminal Marítimo de Passageiros de Natal, do antigo Palácio do Governo (EDTAM) e do antigo Hotel Central independe do fato se já foram executados, pois o intuito não é analisar o produto final, o artefato arquitetônico, e sim os procedimentos metodológicos utilizados para se chegar ao resultado desse projeto.
Destacamos também que, inicialmente, as análises dos Estudos de Caso estavam concentradas em uma avaliação dos procedimentos metodológicos utilizados nos projetos de intervenção, com o intuito de averiguar as especificidades aqui relacionadas, e se estas se rebatiam, de alguma maneira, no produto final (representação gráfica do projeto) apresentado ao órgão preservacionista.
Contudo, considerando que, para responder à questão de nossa pesquisa, analisaremos o produto final entregue ao IPHAN/RN (projeto arquitetônico e demais documentos), observou- se a necessidade de que as análises dos projetos contemplassem outros aspectos não previstos. Portanto, a segunda interface desta pesquisa está relacionada a dois questionamentos surgidos no decorrer desta dissertação: os procedimentos metodológicos utilizados pelos projetistas estão claros? Eles são coerentes com o produto final apresentado ao órgão federal?
Sendo assim, esboçamos um esquema explicativo sobre o procedimento metodológico utilizado para a análise dos Estudos de Caso (Figura 49).
Figura 49: Esquema Metodológico dos Estudos de Caso
Ressaltamos que o método da análise projetual aqui apresentado está, também, vinculado às discussões sobre as formas de intervir no patrimônio edificado, fomentadas no segundo capítulo desta dissertação. Logo, o caminho da análise proposta aborda conexões entre o capítulo anterior e as conceituações expostas no capítulo três sobre métodos de projetação arquitetônica.
Conforme esquema metodológico apresentado, procederemos inicialmente com o contexto urbano para cada estudo de caso, expondo a relação do imóvel, objeto de intervenção, com seu entorno. Depois é realizado uma descrição dos objetivos do projeto a ser analisado, seguida de uma apresentação do histórico da edificação, descrição tipológica, identificação dos materiais, sistemas construtivos e estado de conservação.
A análise projetual (dos procedimentos metodológicos) propriamente dita será subdividida conforme pesquisa bibliográfica referente as questões da preservação patrimonial e metodologias projetuais consideradas nos itens anteriores desta dissertação.
Para tanto, a partir da interpretação das informações contidas nos processos de aprovação destes projetos, subdividimos a análise projetual com o intuito de identificar a relação entre os complexificadores do projeto e os tipos de restrições gerados por eles no processo de concepção projetual (LAWSON, 2005).
E, por fim, delimitaremos a categoria de intervenção arquitetônica (GRACIA, 1996; TIESDELL, OC E HEATH, 1996), onde aferiremos a relação entre o discurso contido nos documentos analisados e o tipo de prática identificado no produto final.
Ainda com relação à análise dos documentos apresentados ao órgão de preservação, exporemos uma reflexão sobre quais deles são entregues e como são apresentados, analisando criticamente se os mesmos compreendem as complexificações das questões preservacionistas, as diferenças entre o projeto de intervenção e o projeto do novo e se neles estão explícitos os procedimentos metodológicos utilizados durante o processo de concepção.
Espera-se, portanto, que as análises projetuais e documentais apresentadas a diante colaborem para que qualquer projetista possa ter subsídios para a construção de uma prática projetual coerente coma responsabilidade social e cultural de se intervir em edifícios de interesse preservarcionista. Para tanto, ratificamos a importância da contribuição de toda a construção teórica abordada nos itens anteriores, seja para o campo da preservação, seja para o campo da metodologia de projeto.