• Sonuç bulunamadı

3. ÜÇÜNCÜ BÖLÜM: BAĞIMSIZ DENETÇĠLER ĠLE HALKA AÇIK

3.2. Araştırmanın Konusu ve Önemi

Com este estudo procurou-se estudar o curso clínico de uma amostra de utentes que terminaram fisioterapia devido à sua condição de DLC relativamente à intensidade da dor, nível de incapacidade funcional, perceção de mudança ao estado de saúde e recurso aos serviços de saúde e analisar possíveis associações entre as medidas de resultado, aos quatro e seis meses após a realização de fisioterapia, a condição inicial de dor e incapacidade, e a trajetória de dor.

Os resultados deste estudo mostraram que existiu um aumento progressivo e significativo da intensidade da dor a partir dos dois meses de follow-up, a par dum aumento do nível de incapacidade funcional reportado pelos participantes nesse período de tempo e duma diminuição considerável da perceção de melhoria clínica em todos os momentos de avaliação. Nos seis meses subsequentes à realização de fisioterapia, verificou-se igualmente um aumento da procura dos serviços de saúde e, em especial, um aumento da percentagem de indivíduos que recorreu à medicação.

No que diz respeito ao curso clínico da intensidade da dor, foram identificadas três trajetórias de dor distintas: uma referente aos indivíduos que mantiveram os seus níveis de intensidade de dor ao longo do tempo (trajetória estável); outra referente aos indivíduos que ao longo do tempo apresentaram flutuações ao nível da sua dor, mas que terminaram o estudo referindo níveis de dor semelhantes aos iniciais (trajetória flutuante); e uma outra referente aos indivíduos que apresentaram no decorrer do estudo uma evolução (positiva ou negativa) quanto à intensidade da dor (trajetória evolutiva).

Relativamente às associações exploratórias que foram estudadas, verificou-se, para a globalidade da amostra, a existência de uma associação significativa, forte e positiva, entre a intensidade de dor e a incapacidade funcional na avaliação inicial e entre estas variáveis e o nível de intensidade de dor e incapacidade funcional reportados pelos participantes aos seis meses de follow-up. Resultados semelhantes foram obtidos quando estas associações foram estudadas para cada uma trajetórias. Os resultados obtidos permitiram concluir que, independentemente da trajetória identificada, quanto maior a intensidade da dor na baseline, maiores os níveis de intensidade da dor e incapacidade funcional reportados aos seis meses. Da mesma forma, quanto maior o

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nível de incapacidade funcional reportado na baseline, maior o nível incapacidade funcional reportado aos seis meses, independentemente da trajetória de dor.

Além destes fatores, os resultados obtidos sugerem a existência de uma associação significativa entre as variáveis nível de escolaridade e duração da DLC e as trajetórias de dor identificadas, do mesmo modo que permitiram observar a existência de uma associação significativa entre o recurso aos serviços de saúde (T2-T3), o recurso à medicação nos diferentes momentos de avaliação e as trajetórias de dor identificadas.

Por último, os resultados obtidos confirmaram ainda a existência de diferenças estatisticamente significativas, para as variáveis intensidade da dor e incapacidade funcional aos quatro (T2) e seis meses (T3) de follow-up, entre os subgrupos definidos com base na intensidade da dor reportada pelos participantes à data de alta da fisioterapia.

De acordo com os resultados e as conclusões obtidas neste estudo, mas também cientes das limitações do mesmo, consideramos que a presente investigação constituiu um contributo importante para esta área de conhecimento e origina questões a ser aprofundadas em estudos futuros.

Implicações do estudo e recomendações para estudos futuros

Como já foi referido, não são conhecidos no nosso País dados sistematizados sobre o curso clínico da DLC e os fatores que lhe estão associados. Deste modo, este estudo parece ter contribuído para evidenciar a existência de um agravamento progressivo e significativo da intensidade da dor nos indivíduos com DLC no período subsequente à realização de fisioterapia. Além disso, os resultados obtidos parecem sugerir que o curso clínico da dor se encontra associado a um aumento da procura dos serviços de saúde e do recurso à medicação nesta população.

Talvez o maior contributo advindo deste estudo seja o facto de se ter observado a existência de diferentes trajetórias de dor nos indivíduos com DLC e destas apresentarem particularidades distintas entre si. Com efeito, foram encontradas algumas dissemelhanças entre a influência de determinados fatores e as trajetórias de dor identificadas, o que sugere a existência de diferentes manifestações clínicas e, eventualmente, a necessidade de atuações diferenciadas para cada uma destas

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trajetórias. Embora estes resultados sejam preliminares, e tenham por base uma amostra de reduzida dimensão, vêm corroborar a necessidade de estudar de forma mais aprofundada o curso clínico individual dos participantes e eventualmente identificar diferentes subgrupos de utentes com necessidades diferenciadas.

Tendo em consideração as conclusões deste estudo e as limitações encontradas, podemos enumerar algumas recomendações para estudos futuros. Tal como foi referido anteriormente, este estudo consistiu apenas num contributo para esta área de investigação, pelo que outros estudos serão necessários para validar os resultados obtidos.

A primeira recomendação prende-se com a necessidade destes estudos, relativos ao curso clínico e aos fatores de prognóstico duma condição, apresentarem uma amostra largamente superior à incluída neste estudo, que permita fornecer-lhes uma maior validade externa (Buchbinder & Underwood, 2012). Outra das recomendações refere-se à necessidade dos estudos prospetivos recorrerem a uma amostra de casos de DLC incidentes (Costa et al., 2009), como forma de minimizar o enviesamento dos resultados decorrente da análise de casos prevalentes (Botelho, Silva & Cruz, 2010).

Para além destas, releva-se a necessidade destes estudos manterem a utilização de momentos de avaliação frequentes e apresentarem uma duração superior à reportada neste estudo (de pelo menos 12 meses). Segundo Buchbinder & Underwood (2012) e Dunn, Jordan & Croft (2006) apenas através desta metodologia será possível distinguir com clareza os diferentes subgrupos identificados nesta população e compreender se o comportamento deles se mantém por um período alargado no tempo.

Por último, consideramos igualmente importante que estudos futuros se debrucem, quer na validação dos fatores de prognóstico já identificados pela literatura para a globalidade de utentes com DLC (Hayden et al., 2008, 2010), quer na posterior identificação e validação dos fatores de prognóstico relacionados especificamente com cada subgrupo de utentes (Dunn, Jordan & Croft, 2006), para que no futuro possam ser desenvolvidos métodos de classificação para esta população mais objetivos.

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