BÖLÜM 2: ENDÜSTRİYEL MÜŞTERİ MEMNUNİYETİ
2.2. Endüstriyel Müşteri Memnuniyeti Kavramı
2.2.1. Endüstriyel Müşteri Memnuniyetinin Boyutları
2.2.1.2. Araştırma Kapsamında İncelenen Endüstriyel Müşteri Memnuniyeti
Fonte: Base cartográfica extraída de cartas topográficas em escala 1:250.000 e 1:100.000
publicadas pela Diretoria de Serviço Geográfico - DSG e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE.
Do ponto vista cultural, a comunidade de Mimoso tem origem predominante de indígenas bororos e chiquitanos, negros vindos da África, e a grande maioria de sua gente possui forte ascendência da família do Marechal Candido Mariano da Silva Rondon. Por conta disso, em Mimosos quase todos são parentes. Entre os diversos olhares, atualmente vêm sofrendo rupturas e transformações com a construção do “Memorial Rondon” com o seu Plano Diretor. Por outra via, há diversos planos regionais de desenvolvimento envolvendo o turismo ecológico, sustentado apenas no olhar economicista da lei de mercado, que pensa o bioma como um “recurso natural”, e tem contribuído sobremaneira com os fortes impactos ambientais que o pantanal de Mimoso e Joselândia vem sofrendo.
A comunidade de Mimoso é formada a partir da diversidade étnica e lingüística, cujas contribuições foram: índios bororos e chiquitanos, o branco português e o negro. Este último proveniente de diferentes nações da África, como: Congo, Angola, Cambinda, Benguela, Guiné e outros.
(LEITE e PASSOS, 2002, P;19)
Nesse contexto histórico e cultural, Sato (2002:24) assegura que “o povo de Mimoso constitui uma diversidade particular dentro de uma outra diversidade mais abrangente. Segundo ela, são recortes do recorte, singularidades de uma singularidade. Pelas diferenças entre esses povos e nós é que eles percebem a diversidade nas relações com a sociedade dominante que se constitui como alteridade em relação às suas vidas e significações”.
“Os habitantes de Mimoso não se compreendem através da estrutura clássica dicotômica: a natureza e a cultura”. Em outras palavras, não há uma distinção de limites definidos entre a natureza e a cultura. “Eles são partes da natureza, suas raízes estão interpenetradas nela, de sorte que a visão modernista do mundo-objeto, enquanto alteridade distinta do sujeito é absolutamente desprezada”.
Silva (1998:138) comenta que espaço e tempo estão pensados em Mimoso como representações sociais ou das categorias engendradas socialmente, permitindo que estes elementos passem a ter uma significação que ganha uma inteligibilidade compartilhada por uma sociedade. E essas categorias espaciais observadas pelos mimoseanos, o firme,
o pantanal, o brejo, o largo, o cercado, o morro, a fraldinha, aterro, baías, corixo, rio, riacho, são categorias que descrevem e informam a respeito do uso do espaço. Nesse
sentido, a autora assegura que o espaço percebido pelo mimoseano pressupõe um movimento provocado pela freqüência das chuvas e pelo alagamento do rio Cuiabá e pelas baías de Chacororé e de Siá Mariana.
A seguir, Silva (op. cit., 1998), com as informações dos estudos apurados, explicita melhor os significados desses espaços na temporalidade dos pantaneiros de Mimoso:
O chamado largo – área alagável em Mimoso – é o lugar focal que dá nome ao lugar
pela ocorrência do capim mimoso, considerado excelente pela produtividade local da pecuária. Esta unidade mostra o seu melhor desenvolvimento em área disponível para o pasto, na vazante e estiagem. Com a perda da umidade na vazante, a pastagem começa a apresentar sinais de ressecamento, forçando o gado a se distanciar da fralda – lugar onde os mimoseanos construíram suas casas, à procura de melhores pastagens. Nesse período os animais silvestres, como as aves e os jacarés, que na vazante são vistos com facilidade em grande quantidade, buscam outros espaços mais úmidos. Todavia, os animais domésticos, como os porcos, que no início da vazante encontram as condições ideais de solos alagados para mariscar – mergulhar em busca de alimentos nos alagados – limitam-se quase que apenas aos quintais.
As baías – É uma unidade de paisagem que está representada pelo sistema Chacororé -
Siá Mariana. A baía de Chacororé apresenta águas túrbidas, enquanto a de Siá Mariana, águas pretas. Ambas são consideradas lagoas parentais do rio Cuiabá, de onde recebem água no período de enchente e cheia e, durante a vazante e estiagem, escoam no sentido inverso. A conexão entre estas baías e o rio é feita através de diversos corixos. A baía de Siá Mariana é alargamento do rio Mutum, área que já sofre com a antropização devido à grande circulação de barcos de turistas e pescadores, tendo sido necessária a construção de algumas barragens para conter a saída de água, causando um sério dano ambiental.
O cercado – Em época de cheias são os espaços onde os moradores podem deixar suas
reses (gado) confinadas. Ou seja, é uma área não alagável, ao redor das moradias dos mimoseanos, onde estes plantam gramíneas que servem de alimento para o gado e de local para os porcos, galinhas e cães.
O firme – Área não alagável, cercado, ou pastagens na área não alagável. No firme
também são cultivadas as roças de subsistência. Geralmente é uma estreita área de terra, de cerca de 200 metros de comprimento na seca, mas durante as cheias, às vezes, restringe-se a 50 metros. Localiza-se entre a área alagável e os morros que circundam quase todo o perímetro de Mimoso.
Morraria – Unidade de paisagem que serve de pano de fundo para a maioria das casas
dos mimoseanos. Além de refúgio do gado durante as cheias, são fonte de madeira para fazer combustível, móveis, casas, porteiras e cercas, entre outros. O lugar ainda é fonte de ervas medicinais utilizadas pela população local.
Fraldinha – É a área mais plana do morro, o pé do morro, freqüentemente utilizada
para a agricultura; há grande quantidade de morros. Espaço importante para a sobrevivência do grupo, porque muitas casas são construídas ali, bem como muitas roças são plantadas. Área firme de terras férteis e protegidas das enchentes.
O pantanal – Espaço considerado área temporariamente alagável, onde há uma
sucessão de eventos ecológicos diferenciados. Áreas consideradas como pantanal são fontes importantes de recursos, principalmente no que se refere à alimentação do gado. Para o mimoseano, quando tem água é pantanal e quando não tem, é campo. Nesse sentido, o campo é a contraface do mesmo fenômeno ecológico em um mesmo espaço, que é usado conforme a estação do ano.
O Brejo – É percebido como área estagnada, como um ambiente morto, onde a
passagem do tempo afasta cada vez mais a possibilidade de utilização humana. É relacionada aos animais não domésticos, com águas paradas e semi-apodrecidas, onde cresce uma vegetação chamada de batume que se sucede a um acúmulo de folhas caídas e de macrófitas aquáticas.
Rios e corixos – Os rios, dentro dos limites da Sesmaria do Morro Redondo, estão em
parte dentro da área e não parecem ter muita importância. Os corixos, canais temporários, desaparecem durante o período de seca, mas são importantes na medida em que servem como berçários para os peixes recém-nascidos.
Aterro – É uma área mais recente da paisagem mimoseana que surgiu depois da
abertura da estrada de Mimoso a Porto de Fora. É uma combinação com ciclo plurianual de chuvas que provocou o alargamento definitivo da área da sesmaria, diminuindo a disponibilidade de terras para pastagem do gado e agricultura.
Portanto, para compreendermos os espaços pantaneiros, é preciso mergulhar na temporalidade que os mimoseanos têm na relação direta com a natureza. No itinerário da cosmologia pantaneira, refletir sobre os problemas ecológicos que a comunidade vive implica em conhecermos como os homens e as mulheres manejam este importante bioma da área úmida que a humanidade busca contemplar como patrimônio, mas desconhece as relações humanas destas populações com a natureza.
1.7-O Pantanal de São Pedro Joselândia
O pantanal de Joselândia tornou-se distrito de paz do município de Santo Antônio do Rio Baixo (denominação antiga de Santo Antônio de Leverger), através da Lei 1064, de 30 de julho de 1930. Foi constituído como área desmembrada do distrito da sede municipal, com a denominação de Santo Antônio da Barra, originada de uma sesmaria do mesmo nome.
Com o decreto-lei nº 145, de 29 de março de 1938, foi elevado à categoria de Vila. Nesse mesmo ano, o decreto-lei nº 2089, de 26 de outubro, transferiu a sede do distrito para Joselândia. Portanto, a denominação a partir de então passou a ser Distrito de Joselândia, denominação que permanece até a atualidade.
De acordo com a Lei nº 690, de 12 de dezembro de 1953, que criou o município de Barão de Melgaço (ratificada pela Lei nº 370, de 31 de julho de 1954), o distrito de Joselândia passou a se incorporar ao município. Barão de Melgaço é considerado o mais
pantaneiro dos municípios de Mato Grosso. Apenas 2,5% de seu território estão em terra firme, o restante é puro pantanal.