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2.1.5. Yabancı Dil Öğretiminde Temel Beceriler

2.1.5.1. Anlamaya Dayalı Beceriler

Embora a frequência de processos comportamentais seja baixa na representação do escândalo, contabilizamos apenas 20 ocorrências, seu papel funcional nos textos é determinante para a construção de estados de comportamento dos atores sociais representados. Dessas vinte ocorrências observadas, identificamos o presidente Lula como Comportante em dez delas, ao passo que o PT e Roberto Jefferson são Agentes de processos comportamentais em apenas três orações cada um. Vejamos algumas dessas ocorrências nos recortes abaixo.

(60) O partido que [Comportante] encarnou [Processo Comportamental] as aspirações nacionais de ética na política [Fenômeno] e construiu uma liderança moral agora enfrenta o desafio de reinventar-se, sob pena de virar cinzas.

(61) Teráo PT [Comportante] se degenerado[Processo Comportamental] numa máquina glutona que corrompe até seus militantes mais antigos [Circunstância de lugar]?

Nesses dois recortes o PT realiza comportamentos que se aproximam das características de processos mentais. Na realidade, eles são processos de consciência representados como formas de comportamento (ver HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004, p.251, quadro 5.24). Parece-nos relevante observar que os dois recortes representam comportamentos do PT por meio de processos que caracterizam dois momentos distintos do partido: primeiro, o PT assume o caráter de partido ético em sua forma de fazer política, (60), e em seguida, (61), é acusado de ter perdido essa qualidade. Chama atenção a escolha do

processo “degenerar”, que no contexto discursivo das reportagens implica corromper-se,

depravar-se, estragar-se (HOUAISS, 2001). Em (61), a circunstância de lugar tem um papel importante para a realização discursiva do comportamento, visto que indica o lugar onde o partido teria se degenerado (embora não haja nenhuma referência explícita a esse lugar, podemos inferir que seja o poder político).

Quando Roberto Jefferson é representado nesse domínio comportamental, os processos realizados implicam tanto um comportamento tipicamente fisiológico (62) como um processo de consciência representado como forma de comportamento (63). Esses aspectos indicam reações do deputado em dois momentos do escândalo: primeiro, quando soube que José Dirceu tinha sido demitido e depois ao depor no processo de sua cassação.

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(62) Informado da demissão por telefone, Jefferson [Comportante] deu gargalhadas [Processo

Comportamental].

(63) Ao depor no processo de cassação de seu mandato, Jefferson [Comportante] procurou comportar-se [Processo Comportamental] como se fosse um, digamos assim, gigante da baixa política [Circunstância de guisa].

Em (62), a experiência representada é o reflexo da demissão de Dirceu na realidade de mundo de Roberto Jefferson. Dar gargalhadas seria, então, o primeiro comportamento tido pelo deputado ao saber que o principal operador do mensalão havia sido demitido - demissão essa já pedida por Jefferson em seu processo de cassação. No recorte (63), a circunstância de guisa implica a desaprovação do comportamento adotado por Roberto Jefferson. A escolha

lexical “baixa política” representa o modo de fazer política do deputado, qual seja: acerto de

cargos políticos, cobrança de propina, corrupção passiva, dentre outros; enquanto que

“gigante” é uma qualidade atribuída ao deputado nesse seu modo de fazer política.

Já as escolhas lexicogramaticais de transitividade e de léxico para representar os comportamentos de Lula trazem uma construção discursiva condizente com aquelas construídas nos demais domínios experienciais (exceto o existencial). Essas escolhas constroem estados de comportamento do presidente que caracterizam seu estado emocional após a revelação do escândalo. Analisemos os recortes abaixo.

(64) Lula [Comportante] chorou [Processo Comportamental].

(65) O presidente Lula [Comportante] parece ter sucumbido à perplexidade [Processo

Comportamental] desde que VEJA trouxe a primeira reportagem mostrando a corrupção nos Correios e, depois, no IRB [Circunstância de tempo].

(66) Embora ciente de que não tinha alternativa senão se livrar de José Dirceu [Circunstância de

concessão], Lula [Comportante] manifestou [Processo Comportamental] certa perplexidade [Behaviour] na semana passada [Circunstância de lugar].

(67) Mesmo tendo adotado um rumo correto para fazer frente à crise [Circunstância de

concessão], o presidente Lula [Comportante] esteve desanimado [Processo Comportamental]

na semana passada [Circunstância de tempo]. Chegou a comentar, em conversas reservadas com interlocutores mais íntimos, que perdera [Processo Comportamental] o ânimo [Behaviour] para disputar a reeleição [Circunstância de razão].

As escolhas de transitividade e de léxico acima sinalizam, acima de tudo, que a reputação do presidente foi diretamente atingida pelas denúncias de Roberto Jefferson.

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Conforme nos mostra Thompson (2002), a importância do escândalo está no fato de ele afetar as fontes concretas de poder. E o que os recortes comportamentais acima expressam é exatamente isso. O escândalo alcançou grandes proporções, primeiro, porque envolveu o PT, partido do atual presidente da república 54, e, segundo, porque logo se descobriu que o presidente havido sido alertado sobre o pagamento das mesadas e nada fez, ou seja, ele foi conivente com crime cometido.

Exceto no recorte (64), no qual o processo é fisiológico manifestando um estado de consciência, nos outros três o presidente é Comportante de processos de consciência representados na forma de comportamento. Isso mostra que seu papel de Agente está associado a de um ser racional que avalia e sente a situação do escândalo. Em outras palavras, o presidente está ciente do momento de crise política, e por isso tem exatamente esses comportamentos. Outro aspecto que se faz notar são as escolhas dos processos

comportamentais. “Chorar”, “parece ter sucumbido à perplexidade”, “manifestou certa perplexidade”, “esteve desanimado” e “perdera o ânimo”, carregam o mesmo significado: eles

expressam um comportamento de abatimento. Isso implica dizer que Lula só se comportou dessa forma porque o escândalo alcançou proporções significativas capazes de prejudicar sua política de confiança.

Outros comportamentos expressos pelo presidente são os de irritação (68) e indignação (69 e 70). Esses comportamentos fazem parte da sequência de ocorrências posteriores à revelação do escândalo. Em (68), a causa desse comportamento advém de uma decisão do PT de manter o tesoureiro Delúbio Soares no cargo após as denúncias de Roberto Jefferson. No recorte (69), o comportamento é consequência de manifestações públicas de desaprovação à sua política, ao passo que em (70) o próprio presidente manifesta publicamente essa desaprovação.

(68) O presidente Lula queria uma resposta mais firme eirritou-se [Processo Comportamental] com a decisão do PT de manter Delúbio Soares no cargo de tesoureiro [Circunstância de razão].

(69) Na semana passada [Circunstância de tempo], ele [Comportante] deixou evidente [Processo

Comportamental] seu desgosto [Behaviour] com a forma como vem sendo retratado em charges de jornais e em programas de humor – com desrespeito, em sua opinião [Fenômeno].

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No Estatuto do Partido dos Trabalhadores, o capítulo I, artigo 242, que trata das marcas e símbolos de identificação do partido, faz uma clara menção ao que o presidente Lula representa para o partido: Art. 242. A estrela vermelha de 5 (cinco) pontas com as iniciais do PT no seu interior, os verbetes “OPTEI” e “Lula-lá”, são símbolos de identificação do Partido conforme marcas já registradas sob a responsabilidade absoluta e exclusiva da instância de direção nacional. Disponível em www.pt.org.br

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(70) Em seu programa quinzenal de rádio, disse que [Oração projetante] estava "indignado"

[Processo Comportamental] com as denúncias de corrupção [Fenômeno] (...)

Essa organização da experiência nessas escolhas lexicogramaticais de transitividade e de léxico oferece ao leitor um meio de se interpretar a realidade de mundo comportamental do presidente Lula. Em vista disso, os jornalistas constroem um participante Lula consciente de seus comportamentos, que sabe da situação de crise política vigente, e que por isso reage de forma negativa a ela. Além disso, esses recortes revelam, no nível macro, que a política de confiança do presidente foi consideravelmente abalada pelo escândalo, visto que reputação e confiança são os principais valores em jogo nos escândalos midiáticos.

Por fim, o que se observa nesse domínio comportamental é que mesmo representado em domínios experienciais diferentes, o participante Lula é construído em uma estrutura semântica constante ao longo das duas reportagens. Sejam nos papeis de ator, dizente, portador, característica ou experienciador, os significados atrelados às suas atividades constroem uma representação uniforme: o escândalo afetou a política de confiança do presidente. De fato, acreditamos que é nessa circulação de sentidos em domínios experienciais diferentes que o discurso de VEJA busca naturalizar sua representação como real. Isso porque

para relatar “fielmente” o evento é preciso dar margem aos vários planos do acontecimento,

como o material, o verbal, o relacional, o mental e o comportamental.