2.3. Yabancı Dil Olarak Türkçenin Öğretimi
2.3.1. Geçmişten Günümüze Dek Yabancılara Türkçe Öğretmek İçin
2.3.1.2. Çağdaş Kaynaklar
A opção em representar determinados aspectos do escândalo na estrutura de orações relacionais identificativas e atributivas, permite que o acontecimento seja caracterizado de acordo com uma determinada representação de mundo calcada na atribuição de valores e de
atributos. No recorte (107) abaixo, o escândalo, definido como “o episódio”, recebe uma
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(107) O episódio [Portador] é [Processo Relacional Atributivo] fruto de desgoverno [Atributo], da colonização do aparelho de estado por militantes petistas contaminados pela notória ausência de ética e moral da esquerda quando esquadrinha a chance de chegar ao poder – e, depois, de mantê-lo a qualquer custo [Atributo].
O jornalista confere dois atributos ao acontecimento, atribuindo um valor negativo à política adotada pelo governo Lula, qual seja: a má administração e a transformação do estado em um território petista. A seleção dessas duas informações é uma marca explícita do posicionamento político delineado pelo discurso de VEJA com relação ao governo Lula. Essa postura abertamente crítica ressalta aspectos propícios a uma prática de corrupção: por ter uma má administração loteada por militantes petistas contaminados pela notória ausência de ética e moral, o que se pode esperar são escândalos de corrupção. Nota-se, assim, que os atributos conferidos ao episódio são, de fato, razões que fundamentam o fato ocorrido (x aconteceu por causa de y).
De acordo com Thompson (2002), a cobertura de escândalos políticos trabalha com a
promoção de um “clima de desaprovação”, com a capacidade de causar impactos na política
de confiança dos atores envolvidos. Na representação discursiva acima, essa desaprovação recai de forma explícita sobre a política do governo Lula. Já nos recortes abaixo é o presidente quem é reprovado, em razão de sua cumplicidade com os fatos ocorridos.
(108) Desde o primeiro rombo no casco ético de seu governo, quando se soube que o braço- direito do então ministro José Dirceu fora flagrado achacando um empresário de jogos [Circunstância de tempo], o presidente Lula [Portador] teve [Processo Relacional
Atributivo] todos os meios para limpar seu governo, higienizar seu palácio e promover uma
faxina no PT [Atributo]. É [Processo Relacional Atributivo] lamentável [Atributo] que nunca tenha feito nem uma coisa nem outra [Portador].
(109) É [Processo Relacional Atributivo] altamente [Circunstância de grau] provável
[Atributo] que Lula soubesse que, no seu comitê reeleitoral, havia um bunker clandestino –
repetindo, aliás, a estrutura montada na campanha presidencial de 2002 [Portador].
(110) Com isso [Circunstância de razão], fica [Processo Relacional Atributivo] cada vez mais [Circunstância de grau] difícil [Atributo] alegar que são nichos isolados, independentes, autônomos, que se instalam na máquina do Estado sem o conhecimento do presidente [Portador].
No recorte (108), o jornalista deixa claro que estava ao alcance do presidente evitar que em seu governo fosse criado um ambiente propício à ação de corruptos e corruptores. A
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a escolha lexical “todos os meios” evidencia que as possibilidades de ação por parte do
presidente eram muitas. Essa representação abre espaço para a reprovação construída pelo
atributo “lamentável”. Essa cumplicidade com atos irregulares se estende ao recorte (109), onde a escolha do atributo “provável” coloca em xeque o desconhecimento do presidente
sobre atividades ilegais instaladas em seu governo. Além disso, a seleção da circunstância de
grau, “altamente”, denuncia o posicionamento do jornalista sobre sua representação: ele não
acredita que Lula desconhecia o que se passava em seu comitê eleitoral.
Diante dessas representações, o recorte (110) parece funcionar como uma retomada conclusiva das representações discursivas construídas para o escândalo e, sobretudo, para o presidente Lula. A escolha da circunstância de razão, “com isso”, já adianta ao leitor que o posicionamento do jornalista está fundamentado em uma série de dizeres que asseguram uma cumplicidade do presidente com as atividades ilegais instaladas em seu governo. Ademais, a
circunstância de grau, “cada vez mais”, reforça o valor do atributo “difícil”, conferido ao fato de se poder alegar que essas atividades ilegais são “nichos isolados” que se instalam no
governo sem o consentimento do presidente.
Essas avaliações, enquanto um recurso discursivo particular de posicionamento diante dos fatos, estão ligadas a processos particulares de identificação tanto do escândalo como do presidente Lula.
A revelação de que os acusados, além de serem filiados ao PT, eram pessoas próximas do presidente Lula também é um aspecto sistematicamente explorado nas reportagens.
(111) O problema do discurso oficial [Característica] é [Processo Relacional Identificativo] a afronta aos fatos [Valor]. O castelo – de Lula, do PT, da reeleição – começou a tremer num episódio cujos autores [Característica] são [Processo Relacional Identificativo] todos petistas [Valor].
(112) O escândalo do falso dossiê [Característica] revela [Processo Relacional Identificativo] que os petistas envolvidos fazem parte do círculo íntimo de Lula [Valor] – e abre uma crise cujo desfecho [Portador] é [Processo Relacional Atributivo] imprevisível [Atributo].
(113) Do círculo íntimo do presidente, entre confessos e suspeitos [Valor], está [Processo
Relacional Identificativo] Freud Godoy, seu segurança pessoal até a posse e depois nomeado
assessor especial [Característica], que dormia no Palácio da Alvorada nos primeiros meses do governo e tem [Processo Relacional Atributivo] sala [Atributo] no mesmo andar do gabinete presidencial no Planalto [Circunstância de lugar]. Também está [Processo Relacional
Identificativo] Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro oficial dos domingos na Granja do Torto e
tutor informal de Lurian, a filha mais velha de Lula [Característica]. Do círculo político, mas nem por isso menos íntimo [Valor], está [Processo Relacional Identificativo] o deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT e, até a semana passada, coordenador da campanha reeleitoral de Lula, defenestrado pelo escândalo [Característica]. Está [Processo Relacional
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Identificativo] Osvaldo Bargas, amigo dos tempos de militância sindical nos anos 70,
responsável pelo capítulo sobre trabalho no programa de governo – e casado com Mônica Zerbinato, secretária particular de Lula [Característica].
(114) O outro dado que complica a situação de Lula [Valor] é [Processo Relacional
Identificativo] a constatação de que nunca um presidente se cercou de tanta gente suspeita –
seja como presidente, seja como candidato [Característica].
Todos os quatro recortes acima exploram essa relação de proximidade e até de intimidade existente entre os acusados e o presidente Lula. O recorte (111), por exemplo, mostra que o fato de os envolvidos serem todos petistas vai de encontro ao que diz o governo sobre o episódio ("Temos de levar em conta a quem interessa, a essa altura do campeonato,
melar o processo eleitoral no Brasil”, disse Lula, durante viagem a Nova York. Reportagem -
O voo cego do petismo). No recorte (112), a representação busca confirmar a identidade de
“patrono da compra do dossiê” conferida ao presidente. A informação contida no valor revela
que os envolvidos na compra do dossiê estão diretamente ligados à figura do presidente - a
seleção lexical “círculo íntimo” evidencia esse significado. O que se tem com isso é uma
relação de identificação, onde a proximidade de Lula com os envolvidos no episódio também serve para definir a identidade do escândalo.
Na representação do recorte (113), o jornalista apresenta quem são os evolvidos responsáveis pela compra do falso dossiê e seus vínculos com o presidente Lula. De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001), o vocábulo círculo, no sentido figurado, refere-se a um grupo de pessoas reunidas pelo prazer do convívio ou para fins de interesse cultural e outros. Nesse sentido, a escolha dos valores “do círculo íntimo do
presidente” e “do círculo político” revela a existência de uma relação social próxima entre os
envolvidos e Lula. Somadas a essas escolhas estão as definições dadas a esses envolvidos, fator este que confirma a motivação semântica do emprego dos valores “do círculo íntimo do
presidente” e “do círculo político”. A definição de cada envolvido nessa representação da
experiência, então, não é ocasional. Mais do que revelar as funções desses envolvidos para com o presidente, as definições produzem modos específicos de identificá-los. A representação elaborada em (114) revela que essa relação de proximidade existente entre o presidente e os acusados é um aspecto que complica sua situação. Em outras palavras, isso pode significar prejuízos à sua reputação. As escolhas lexicais “nunca”, “se cercou” e “gente
suspeita” funcionam exatamente no sentido de mostrar quão diferente e complexa é a situação
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Acusado de envolvimento na compra do dossiê, o assessor especial e segurança de Lula, Freud Godoy, também é representado de forma particular na estrutura de orações relacionais. Vejamos os dois recortes abaixo.
(115) Freud Godoy [Característica] encontra-se [Processo Relacional Identificativo] no meio de um turbilhão [Valor].
(116) A se confirmar sua visita ao preso Gedimar e caso se prove que ela foi instrumental na mudança de 180 graus nas declarações do preso [Circunstância de condição], ele [Característica] deve [Processo Relacional Identificativo] muitas explicações à Justiça [Valor].
No recorte (115), Freud é enquadrado em uma determinada situação a ele relacionado
pelo processo identificativo “encontra-se”. A opção por essa representação experiencial não se dá ao acaso. As escolhas do verbo “encontrar” e do advérbio “no meio de um turbilhão”
parecem ter uma motivação representacional significativa para a construção de sua realidade
no escândalo: o verbo “encontrar” significa estar numa determinada situação ou estado. Isso
confere a Freud uma referência situacional em que ele não age, apenas encontra-se nela. Já a
escolha do advérbio “no meio de um turbilhão” coloca Freud no centro de uma série de
acontecimentos comprometedores, onde suas ações contribuem para moldar a imagem de um homem suspeito. As representações discursivas abaixo buscam atestar esse turbilhão no qual Freud se encontra, expondo diferentes formas experienciais de representar essa realidade vivida pelo segurança.
Existem [Processo Existencial] suspeitas de que ele e sua mulher receberam dinheiro sujo do "valerioduto" (...).
Freud incumbiu-se também de escoltar [Processo Material] o tesoureiro caído em desgraça Delúbio Soares em suas andanças por São Paulo com malas de dinheiro.
Freud foi fisgado [Processo Material] pelo Coaf, órgão do governo que monitora operações financeiras suspeitas, em pelo menos uma oportunidade. Em 2006, ele depositou [Processo
Material] 150.000 reais, em dinheiro vivo, na conta da empresa de sua mulher.
No recorte (116), a relação entre Freud e muitas explicações à Justiça, realizada pelo
verbo “dever”, expõe uma possível realidade para o segurança pessoal de Lula, caso seja certificada sua visita ao preso Gedimar. A escolha do verbo “dever” confere a Freud o fato de
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estar obrigado a dar explicações à Justiça. Mesmo com a escolha do elemento circunstancial de condição, o jornalista reforça a representação construída para Freud, sinalizando o
“turbilhão” no qual ele se encontra. A motivação para essa escolha experiencial parece
funcionar mais uma vez como estratégia para expandir os recursos de nomeação (Freud: devedor da Justiça).
4.2.6 A revelação de aspectos do escândalo nas escolhas de processos mentais e