Para se fazer a comparação entre as avaliações técnica e dos usuários, os dados das médias da área da região com nível de iluminância suficiente foram confrontados com as respostas dos usuários. Considerando a avaliação dos níveis de iluminância quanto aos turnos de medição, verifica-se que no horário das 8:00 a média da área que estava na zona de conforto visual foi de apenas 43%, mesmo assim os usuários classificaram a iluminação natural como “bom”. No final da manhã, a média da área foi de 50% e os usuários também avaliaram a iluminação da mesma forma que no início da manhã. No início da tarde, quando a média da área na zona de conforto visual passou para 52%, houve uma maior tendência dos usuários à classificarem como “ótimo”. Já no final da tarde, quando 94% da área da sala estava compreendida na região com nível de iluminância insuficiente, os usuários avaliaram a iluminação natural como “ruim”.
A comparação entre as avaliações com relação aos Setores de aulas foi descrita na própria avaliação dos usuários, onde foi calculada a média dos níveis de iluminância medidos (durante a aplicação dos questionários) e posteriormente esses valores foram comparados com os níveis de iluminância adotados nessa pesquisa e com o grau de satisfação dos usuários.
5 CONCLUSÕES
Este trabalho conclui evidenciando a importância da avaliação da iluminação natural em salas de aula, visando uma melhoria no conforto visual e, conseqüente aprendizado dos alunos. Destaca ainda a análise de ferramentas de avaliação da iluminação natural tendo como base a percepção dos usuários e o cruzamento desses dados com uma avaliação técnica.
A partir dos resultados encontrados, verifica-se que a média dos níveis de iluminância não é representativa para a avaliação de ambientes que utilizam o sistema de iluminação lateral, pois há uma grande diferença entre os níveis de iluminância máximo e mínimo, com um rápido decréscimo desses valores em função da distância das janelas. Nesse caso, o valor considerado mais representativo foi o da Mediana. Mesmo assim, para uma análise adequada da iluminação natural nas salas de aula da UFRN, que utilizam aberturas laterais, o uso de mapeamento dos níveis de iluminância (curvas isolux) e determinação das áreas que estão dentro da zona de conforto visual se faz mais adequada.
Inicialmente, um dos objetivos dessa pesquisa era a previsão do comportamento da iluminação natural ao longo de todo o dia e do ano. Para determinação do instrumento adequado de avaliação, foram estudados os modelos físicos em escala reduzida, as ferramentas matemáticas simplificadas e diversos códigos computacionais. A partir da escolha dos códigos computacionais, uma pesquisa mais detalhada sobre os softwares disponíveis foi realizada com o objetivo de determinar qual deles oferece maior precisão no fornecimento dos dados. Com isso, constatou-se que se inseridas informações que representem o ambiente a ser estudado (dimensões e refletâncias) e se utilizado o software adequado, os resultados das simulações podem reproduzir com precisão a realidade e devem ser usados como ferramentas confiáveis para previsão do resultado de sistemas de iluminação natural.
Cada um dos três softwares estudados mais detalhadamente se mostrou mais adequado para um determinado tipo de pesquisa. O software Desktop Radiance® tem como pontos positivos considerar o tipo de céu parcialmente encoberto, possuir biblioteca de materiais, fornecer imagens realísticas, tabelas com os níveis de
iluminância em uma grade de pontos pré-determinada e imagens com gráficos dos níveis de iluminância. A principal vantagem é considerar o tipo de céu parcialmente encoberto e, por isso, fornecer dados dos níveis de iluminância com precisão em regiões próximas as janelas por considerar à incidência de radiação solar próximo a estas aberturas. A maior desvantagem é a ocorrência de problemas durante as simulações e realizar as simulações para apenas uma data e hora por vez. O software Relux Professional é mais indicado para utilização por profissionais ligados a projetos por ter a interface mais amigável, ser mais simples de utilizar, ser em português, possuir biblioteca de materiais e luminárias existentes no mercado, fornecer imagens realísticas e tabelas com os níveis de iluminância em uma grade de pontos pré-determinada. Além disso, permite unir os resultados de sistemas de iluminação natural e artificial e fornece gráfico de eficiência energética anual. Como ponto negativo, também realiza simulações para apenas uma data e hora por vez. A grande desvantagem é não considerar o tipo de céu parcialmente encoberto. Para a realidade da cidade de Natal/RN, quando a simulação considera o tipo de céu claro, os dados dos níveis de iluminância são bem superiores aos obtidos nas medições. Ao se considerar o tipo de céu encoberto, os dados fornecidos para as regiões próximas as aberturas nos horários em que a posição do sol está perto destas são bastante inferiores aos medidos, devido a desconsideração da incidência solar. Já o software Troplux é o mais indicado para a realização de pesquisas por fornecer níveis de iluminância mais próximos dos dados medidos, por permitir a configuração de céu pelo usuário através da inserção de dados de luminância locais e por simular simultaneamente todas as datas, horas, azimutes e tipos de céu preconizados pela CIE. As desvantagens são a interface pouco amigável, o não fornecimento de imagens realísticas e a impossibilidade de simulação da iluminação artificial.
As próximas etapas dessa pesquisa seriam a execução das simulações no software escolhido (TropLux) e análise do comportamento da iluminação natural com dados referentes a todas as horas do dia e todos os dias do ano. Porém, não foi possível concluir essa etapa da pesquisa a tempo, podendo ser desenvolvida em um trabalho futuro. Vale ainda destacar que apesar do tipo de céu característico para a cidade de Natal/RN ser o parcialmente encoberto, os resultados demonstraram que a utilização de céus encobertos nas simulações forneceu dados mais próximos dos aferidos in
Professional. Apenas no software Desktop Radiance ®, a simulação que considera o céu parcialmente encoberto se mostrou mais adequada.
Um outro objetivo era a identificação da orientação e das tipologias das aberturas para iluminação nas salas dos setores de aulas teóricas da UFRN, bem como das características de refletâncias internas desses ambientes. Apesar de ter sido constatado que o setor I tem sua orientação e tipologia de aberturas (várias portas e cobogós de piso a teto ao longo de toda a parede voltada para o Norte) diferentes das situações encontradas nos demais setores, não foi constatada nenhuma diferença significativa no resultado da iluminação natural neste setor.
Através da avaliação técnica, principalmente da elaboração dos gráficos, constatou- se que na maior parte das salas de aula o sistema de iluminação natural não é suficiente para prover toda a sala de forma satisfatória. Vale destacar ainda a existência de muitas salas com películas de proteção solar, que diminuem ainda mais os níveis de iluminância no interior das salas. Verificou-se ainda que a partir das 16:30, se utilizada apenas a iluminação natural, o conforto luminoso não é atingido em praticamente nenhuma parte da sala.
Apesar de ter sido constatado nas salas de aula uma grande porcentagem de regiões com níveis de iluminância insuficientes ou excessivos, a opinião dos usuários acerca do desempenho da iluminação natural foi positiva. Constatou-se que uma boa parte dos alunos que responderam à pesquisa está satisfeita com a situação das salas de aula, principalmente no que se refere ao ofuscamento. A maioria dos usuários relatou não sentir nenhum desconforto ao olhar portas e janelas. Porém, uma questão que foi citada por um grande número de alunos foi com relação à existência de reflexos no quadro, dificultando a visualização do mesmo.
Uma questão que merece destaque é o fato de vários usuários classificarem a sala de aula com luz em excesso, usando como justificativa a dificuldade de utilização de projetores. Esse fato demonstra que a forma de dar aulas mudou e, com isso, a necessidade de iluminação talvez também tenha que ser adequada a essa nova realidade. Hoje em dia cada vez mais os professores utilizam esses recursos áudio- visuais em suas aulas e se não houver a possibilidade da diminuição da iluminação, a visualização das informações exibidas fica prejudicada. Essa nova forma de dar
aulas justifica a expansão da utilização de películas de proteção solar nas salas da UFRN.