• Sonuç bulunamadı

Anahtar Kelimeler: DYSY,Dış rekabet, Türkiye

Belgede TEBLİĞLER KİTABI (sayfa 197-200)

O intuito deste tópico enquanto estágio de encerramento da revisão bibliográfica pertinente à metodologia escolhida para condução desta pesquisa é buscar um questionamento, frente à percepção de diversos autores, sobre qual seria a melhor forma de contribuir para o processo de mudança de paradigma percebido (e perseguido) pelo autor.

A ideia de mudança de paradigma não é nova na ciência, mas tem sido tratada como uma discussão que não faz parte da realidade do mainstream de produção científica no mundo. Apesar da maior divulgação de ideias como a da teoria dos sistemas vivos, teoria de gaia, e outras tantas embebidas na corrente do pensamento sistêmico, pouco se avançou em termos metodológicos no que tange à produção científica acadêmica.

Aquilo que tem sido chamado de novo paradigma da ciência (ESTEVES DE VASCONCELLOS, 2005) nada mais é do que, na verdade, o desdobramento de observações que têm sido feitas ao longo do último século por pesquisadores de todas as áreas do conhecimento: o ferramental que possuímos em ciência não é suficiente para explicar a complexidade de nossa realidade. Significa dizer, em uma análise mais sucinta, que alguns

assuntos abordados pela ciência encontram uma complexidade tão acentuada que a contensão de seus conceitos escapa ao ferramental científico disponível atualmente. Por exemplo, poder- se-á citar a complexidade dos relacionamentos multidimensionais dos sistemas ecológicos (LIKENS, 1998), impossíveis de serem descritos em sua totalidade pelo ferramental disponível.

O paradigma cartesiano, que tanto contribuiu para o avanço da técnica e, até certo ponto, para o desenvolvimento do informacionalismo enquanto novo estágio do capitalismo (GANZERT, 2006; ALMEIDA; GANZERT, 2008), encontra-se sob severa discussão entre os teóricos da epistemologia. No âmbito das ciências sociais aplicadas, como discutem Medeiros, Passador e Becheleni (2011), “vê-se recentemente adotadas, de maneira progressiva e com mais propriedade, as contribuições do método fenomenológico” (MEDEIROS; PASSADOR; BECHELENI, 2011, p. 20). E outras abordagens estão sendo consideradas pertinentes à luz das limitações do método científico tipicamente cartesiano, quase todas elas compatíveis com o pensamento sistêmico. No caso da fenomenologia, há a aderência da ideia de exposição do referencial do observador frente àquilo que a doutrina sistêmica adota por Weltanschauung (MEIER, 1967). Essa mesma perspectiva também é pauta dos trabalhos de pesquisadores da área de linguística, como evidenciado nos trabalhos de Pecheux (1982) e Romão (2005), na avaliação da posição do interlocutor na análise do discurso. Essas referências servem para ilustrar a crítica crescente da ideia de isenção de qualquer unidade envolvida em qualquer tipo de sistema passível de observação. Dessa forma, a crítica se estende sobre a assepsia do método científico, mas não somente sobre isso. O grande foco das novas abordagens está na limitação de escopo do método cartesiano, não trabalhando seus objetos de estudo como parte de um todo, mas como integrantes de sistemas desconexos.

Como evidenciado por Boulding (1956), é possível dizer que “não há um grau optimizado de generalização teórica sendo alcançado pelas ciências específicas” (BOULDING, 1956, p. 198), o que às repele para a miopia de relações entre si. Isso faz com que seja perdido todo o contexto de interdependência dos conceitos, fazendo com que as origens do próprio empenho científico se percam em relatos tão específicos que denotam maior importância para a parte do que ao todo. Traçando um paralelo à poesia de Matos (1992), “o todo sem a parte não é todo; [mas] a parte sem o todo não é parte” (MATOS, 1992, p. 74). Ainda sobre o tópico, Edgar Morin (2003) afirma que:

enquanto a cultura geral admite a possibilidade de se buscar a contextualização de toda a informação ou de toda ideia, a cultura técnica e científica, em nome de seu caráter especializado, separa e compartimenta os conhecimentos, o que torna cada vez mais difícil a contextualização destes. (MORIN, 2003, p. 69)

O altíssimo nível de especialização da ciência contemporânea contribui para a perda de laços com os problemas originalmente propostos, derivando em aplicações diferentes daquelas inicialmente idealizadas aos resultados. Paralelamente à escalada do arranjo social frente à variável tempo, o padrão de ciência cartesiana se encontra no limiar de sua contribuição à modernidade, sob uma situação característica da notação de Habermas (2002), “repousa sobre o presente a maldição do distanciamento das origens” (HABERMAS, 2002, p. 94). Sob o avanço técnico pragmático da ciência cartesiana, fazer ciência tornou-se descobrir exatamente como as coisas são, ao passo que na verdade a única possibilidade existente é tatear como as coisas parecem ser.

Um dos principais problemas evidenciados por Esteves de Vasconcellos (2005) é o fato de que ainda em ciência, o ser humano se vê preso à linguagem enquanto mecanismo de reprodução de sua percepção de mundo. A busca por um salto conceitual que leve a um novo paradigma está apoiada na remodelagem da ciência enquanto conjunto de conceitos. Segundo Esteves de Vasconcelos (2005), “costuma-se afirmar que o paradigma dominante da ciência encontra-se em crise” (ESTEVES DE VASCONCELOS, 2005, p. 22). Essa crise incide sobre o fato de que os cientistas passaram a se autocriticar a respeito do que seria, enfim, o método científico frente à condição humana. Quando se questiona sobre o paradigma dominante, questiona-se na verdade o padrão estabelecido como default pela ciência. Nesse contexto, inclui-se a visão reducionista cartesiana de conhecimento do todo pela análise das partes isoladas. Nesse ponto, é necessária a recuperação de um conceito já bem conhecido, até mesmo no círculo cartesiano da ciência. Trata-se do fenômeno do caos sistêmico. Como visto em Ganzert, Terra e Martinelli (2010):

A proliferação da complexidade é esperada quando se inicia a expansão das relações internas e externas (JACKSON, 2000). Em um sistema complexo, as saídas não podem ser descritas com precisão. Quando a complexidade cresce, o conhecimento sobre todos os estágios do sistema e seus processos internos e a capacidade de predizer suas saídas são mais limitados. Um sistema com grande complexidade poderá ter um comportamento caótico de respostas para as entradas, pois os resultados de suas interações são mais difíceis de serem controlados. (GANZERT, TERRA, MARTINELLI, 2010, p. 4)

Assim como o aumento da diversidade impulsiona a proliferação da complexidade, o dispêndio de energia no sistema para evitar a entropia aumenta, conforme a possibilidade de

generalização do termo exposta por Borges (1999), o qual argumenta que a entropia é, para a termodinâmica, “uma medida de irreversibilidade dos processos físicos” (BORGES, 1999, p. 455). Para o arranjo social, de acordo com Herscovici (2004), é possível generalizar tal conceito, entre outros, para as ciências sociais aplicadas, percebendo que “ressaltam os limites do determinismo e fornecem elementos para construir um paradigma alternativo” (HERSCOVICI, 2004, p. 808). Sua tese é corroborada pela percepção de que nem todos os estados de um sistema social ou econômico são equivalentes, ou mesmo pertinentes a um princípio de reversibilidade dos fenômenos mecânicos e dos modelos deterministas (ISRAËL, 1992). No meio dessa discussão, a entropia só pode ser entendida como constante nos sistemas determinísticos, enquanto frente a processos irreversíveis a entropia tende ao aumento (PROGOGINE, 1996).

Segundo Herscovici (2004), é possível definir alguns limites da abordagem determinística que indicam a necessidade de uma reconstrução paradigmática que corrobore em parte as conclusões de Esteves de Vasconcelos (2005), sendo esses:

não é possível achar n estados do mundo idênticos, ou seja, repetir n vezes a mesma experiência com, exatamente, as mesmas condições iniciais [...;]A partir do princípio do caos determinístico, as trajetórias podem divergir com o decorrer do tempo: não é possível prever o futuro, ou seja, o “longo prazo”. (ECKMAN, 1992, p. 119 e 120) [...;]De um ponto de vista econômico, a tese do determinismo e a concepção estatística das probabilidades a ela ligada é dificilmente sustentável (HERSCOVICI, 2004, p. 822-823)

Dessa forma, se enxergada sob a inflexível lente do determinismo engendrado na perspectiva científica atual, seria impossível considerar a maior parte das ferramentas da economia como objetos factíveis em um mundo de estados e objetos que se arranjam de maneira particular e irreprodutível ao longo do tempo. Torna-se necessária, cada vez mais, uma nova abordagem, que leve em conta a complexidade do mundo real dada por suas múltiplas interações em diversas dimensões.

O intento caracterizado no capítulo 5, adiante, vale-se da tentativa de engendrar uma nova componente teórica, baseada na complexidade sistêmica, às ferramentas determinísticas desenvolvidas pela SNA. Dessa forma, busca-se um novo passo no sentido de se aproximar do ideal do pensamento sistêmico, integrando diferentes perspectivas a uma análise conceitual do contexto que leve em consideração o observador e suas especificidades – mas ainda distante de se libertar das amarras de um certo nível de determinismo exigido pela aplicação prática da teoria.

Belgede TEBLİĞLER KİTABI (sayfa 197-200)