BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE
1.2. Göç Olgusu ve Almanya’ya Türk Göçü
1.2.3. Almanya ve Entegrasyon
Desde seu inicio, o capitalismo industrial provocou mudanças profundas na sociedade. Particularmente afetados foram os artesãos que com a introdução das máquinas e a organização do trabalho em fábricas, tiveram suas oportunidades de trabalho e de controle da produção extremamente reduzidas. Neste contexto é que surgiram as primeiras iniciativas cooperativistas, sustentadas pela autogestão e não por trabalho assalariado. Essas experiências estavam intimamente ligadas à formação de sindicatos e com objetivos de criar uma alternativa à organização industrial capitalista, em rápida expansão.
SINGER (2002) relata a importância de Robert Owen para o surgimento do cooperativismo, indicando que já em 1821, “a primeira cooperativa owenista foi criada por George Mudie, que reuniu um grupo de jornalistas e gráficos em Londres e propôs que formassem uma comunidade para juntos viverem dos ganhos de suas atividades profissionais” (SINGER, 2002:27). Apesar das contribuições de Owen e das experiências cooperativistas do inicio do século XIX, a experiência dos Pioneiros de Rochdale, em 1844, ficou conhecida como o marco inicial do cooperativismo e consolidou os princípios cooperativistas.
A partir de meados do século XIX inúmeras experiências cooperativistas aconteceram em diversos locais diferentes tanto na Europa como na América, especificamente Canadá e Estados Unidos. O cooperativismo de consumo foi responsável pela divulgação dos princípios cooperativistas, mas entre os seus principais objetivos estava a constituição de cooperativas de produção, uma vez que só assim os seus participantes assumiram o controle do ritmo e do fruto de seu trabalho.
O cooperativismo de crédito surge para potencializar os mais pobres a enfrentar as adversidades como doenças, crises econômicas, guerras. Para a população rural se somam os problemas relacionados a dependência dos fatores climáticos, a sazonalidade da produção e o ciclo relativamente longo da maioria da atividades agropecuárias. As primeiras experiências ocorreram na Alemanha, em 18** tanto para as cooperativas de crédito urbanas como para as rurais. Além dos princípios cooperativistas, elas tinham uma característica particular: a responsabilidade ilimitada. Quando era necessário recorrer ao mercado para suprir as necessidades de todos os membros, todos os participantes se responsabilizavam pelos empréstimos obtidos no mercado, por meio da
garantia solidária. Em relação à finalidade dos empréstimos, estes tinham como prioridade financiar investimentos relacionados à produção e a principal garantia era o caráter dos participantes. “Como todos penhoravam juntos os seus bens, era de interesse de cada um admitir como sócios pessoas sóbrias, de hábitos regulares e frugais” (SINGER, 2002:62). Essas cooperativas ficaram conhecidas como “Bancos do Povo”. Segundo Paul Singer,
“Em sua origem, a cooperativa de crédito não é um
intermediário financeiro, como o são os bancos e as companhias de seguro, por exemplo, mas uma associação de pequenos poupadores que se unem para potencializar seu acesso a crédito mediante o financiamento mútuo” (SINGER, 2002:67).
Nos países desenvolvidos as cooperativas de crédito tornaram-se grandes organizações financeiras, fundamentais no processo de democratização e acesso aos serviços oferecidos pelo sistema financeiro. Já nos países em desenvolvimento, o cooperativismo em geral e especificamente o de crédito não tem a mesma penetração que ocorre nos países desenvolvidos. No Terceiro Mundo, a maioria da população encontra-se excluída do sistema financeiro ou quando tem acesso a esses serviços os custos são elevadíssimos (altas taxas de juros, taxas de contrato, etc), pois as instituições que se propõem a transacionar com a população de baixa renda alegam alto risco, alto custo para obter informações e alto custos de transação devido os valores médios dos contratos serem baixo.
Uma experiência que teve repercussão no mundo todo foi a do Grameen Bank, em Bangladesh, cujo objetivo foi combater a pobreza do país dando uma alternativa para que população pobre pudesse sair da dependência dos comerciantes agiotas. O Grameen Bank iniciou como uma experiência acadêmica e teve algumas características peculiares e diferentes das cooperativas de crédito cujos membros compartilhavam responsabilidade ilimitada. Uma delas foi conceder empréstimos apenas a mulheres, pois acreditavam que elas seriam mais prudentes na utilização dos recursos, priorizando as necessidades da família. Um outro ponto diferencial dessa experiência está relacionado à pobreza da população atendida. Como os clientes não possuíam garantias reais para oferecer, foi adotado o aval solidário. Inicialmente, os empréstimos eram concedidos a grupos de cinco mulheres que se responsabilizavam coletivamente pelos empréstimos
individuais. Se uma das clientes não pagasse a dívida, as demais se responsabilizavam, caso contrário, todas seriam desligadas do Banco (GRAMEEN, 1992).
Uma outra importante característica do Grameen foi a estratégia utilizada para ampliar sua clientela. Consistia em ter funcionários específicos para divulgar as oportunidades oferecidas pelo Banco. Esses funcionários, além de identificar os potenciais tomadores de recursos e seleciona-los, também tinham a função de acompanhar os grupos formados e identificar potenciais lideranças que auxiliariam a garantir o sucesso do grupo. Essa característica é uma inovação em termos de organizar o atendimento ao publico excluído do sistema bancário convencional, pois as agências bancárias não existiam fisicamente, mas sim nas figuras dos seus agentes de crédito que se deslocavam até as comunidades interessadas em adquirir recursos do Grameen. A experiência do Grameen fornece um modelo para contornar um dos problemas relacionados aos programas de crédito especiais destinados a públicos alvos empobrecidos, como é o caso dos programas de crédito rural destinados a agricultura familiar.
A maioria das cooperativas de crédito rural surgiu atrelada às cooperativas de produção e comercialização para viabilizar as operações financeiras entre os agricultores e o mercado de insumos agrícolas. Como essas cooperativas seguiram o modelo de desenvolvimento difundido durante a chamada “revolução verde”, somente os agricultores familiares mais capitalizados ou próximos a complexos agroindustriais participaram dessas organizações cooperativas. Conseqüentemente, a maioria dos agricultores familiares também não participou dessas organizações.
No final da década de 1980, no Estado do Paraná, iniciou-se um processo de aprendizado institucional a partir de uma experiência com fundos rotativos de crédito destinados a pequenos produtores familiares excluídos do sistema oficial de crédito rural. Em 1995, esse processo resultou no surgimento de uma nova modalidade de cooperativa de crédito rural denominado: Sistema Cresol de Cooperativas de Crédito com Interação Solidária17. Estas cooperativas diferenciam-se das tradicionais por terem como cooperados agricultores familiares locais e estarem interligadas por uma central de serviços, a BASER/Cresol, responsável pela contabilidade e padronização das operações executadas pelas cooperativas que integram o sistema. Atualmente o Sistema Cresol cobre grande
17Mais detalhes sobre a história do Sistema Cresol estão disponíveis no endereço eletrônico www.cresol.com.br
parte da região sul do país, atendendo a mais de 25 mil associados em 192 municípios, operando com 69 unidades cooperativas18.
O sistema Cresol tem como objetivo canalizar recursos de diversas fontes (municipal, estadual, federal e internacional) facilitando e simplificando o acesso ao crédito rural para incentivar o desenvolvimento das regiões onde atuam. Para isso, procuram canalizar as energias provenientes de várias organizações presentes nas comunidades locais, como os sindicatos rurais, a pastoral rural, organizações não- governamentais, e daquelas instituições que defendem os interesses dos agricultores familiares nas esferas estadual e federal, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG e o Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais - DESER.
As cooperativas prestam vários serviços aos agricultores familiares, idênticos a aqueles que são oferecidos pelo sistema bancário convencional, como a poupança, empréstimos pessoais, fornecimento de talões de cheques, entre outros. Porém ao captar recursos da população local, estes recursos são reinvestidos em atividades da própria comunidade a uma taxa de juro definida pela cooperativa com ampla autonomia, visando cobrir os custos operacionais das transações e não com a intenção de ampliar as margens de lucros, como é típico do sistema bancário. O volume de recursos provenientes dos programas especiais e operacionalizados diretamente pelas cooperativas de crédito poderia ser superior, pois esse volume é proporcional ao patrimônio líquido apresentado por elas. Como as cooperativas não possuem um patrimônio do porte apresentado pelos agentes oficiais (Banco do Brasil e Bancos Estaduais) elas muitas vezes funcionam como intermediadoras entre os agricultores e os agentes oficiais, cuidando das atividades de obtenção de informações e garantias, formando grupos de agricultores que praticam o aval cruzado, ou, em algumas situações especiais, elas avalizam as transações, principalmente em operações de investimento.
A atuação das cooperativas de crédito acaba por explicitar a falta de sintonia entre os agentes financeiros oficiais, responsáveis pela operacionalização dos programas de crédito destinados à agricultura familiar, e os objetivos destes programas. Mesmo as cooperativas se responsabilizando pelos riscos e pelas atividades operacionais envolvidas nestes tipos de contratos, elas recebem muito pouco do que é cobrado pelos agentes oficiais
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junto ao tesouro (BITENCOURTT, 2003). Sem correr risco e tendo muito pouco trabalho, os agentes oficiais se apropriam oportunamente de recursos do tesouro, alegando altos riscos para transacionar com esse público.