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II. BÖLÜM

3.2. Ruh Beden Anlayışı

3.2.2. Bellek ve Algı Anlayışı

3.2.2.1. Algı Anlayışı

mesma se deu inicialmente com a morte de Maomé. Devido a tal acontecimento ocorreu um fator determinante para o surgimento do primeiro conflito que causou o primeiro cisma entre os muçulmanos. Esse

153 Sura 48:18

80 fator foi à ausência de um líder que agora pudesse governar as pessoas que tinham uma identidade com toda a ideologia pregada por Maomé. Quase todos reconhecem que a liderança ou governo são necessários para o convívio de qualquer sociedade, seja no âmbito de uma nação, de um estado, de uma cidade e ainda é possível citar as relações familiares. Sem um líder que detenha autoridade para ditar as normas a serem seguidas pelo grupo, surgiria como conseqüência direta o caos normativo, que foi, é e vai ser sempre repelido pelo ser humano.

Um dos grandes problemas na sucessão da liderança de Maomé foi que o mesmo não indicou ninguém para assumir seu posto quando de sua morte. Tal ordem, porém não ausentaria o islamismo de diferentes interpretações, que mais cedo ou mais tarde acabariam por surgir.

A dúvida quanto a quem deveria ser o sucessor estava relacionada se o mesmo deveria ser da família de Maomé ou se poderia ser qualquer muçulmano desde que aceito em consenso pela comunidade muçulmana.

Os seguidores que acreditavam que o genro e primo de Maomé Ali Ibn Abi Talib deveria ser o sucessor e líder eram minoritários, em relação, ao maior número de seguidores que criam que Abu Bakr (que teve uma amizade de longos anos com Maomé) deveria ser o sucessor e líder. Abu Bakr acabou por se tornar o primeiro califa (khalifa - significado da palavra sucessor em árabe) após Maomé, a governar os muçulmanos, porém não conseguindo acabar com a divisão de idéias quanto a sucessão de Maomé.

Abu Bakr governou entre os anos de 632 a 634, e foi substituído por Umar Ibn Al-Khattab, que foi designado pelo próprio Abu para ser seu sucessor. Umar é considerado um dos maiores nomes no que diz respeito a expansão muçulmana. Nas palavras de Mário Curtis Giordani:

81 “Considerado o fundador do Império Árabe, sua biografia está envolta em lendas, o que, entretanto, não impede o historiador de apreender os traços marcantes de seu caráter: Omar era uma natureza de senhor, um homem que se impunha; com a sua presença dominava toda a gente tanto

espiritual como fisicamente.”155

Ainda quanto a Umar, Voltaire Schilling, em sua obra confere a ele o seguinte dizer: “Cumpre-nos devorar os cristãos, e aos nossos descendentes,

os descendentes deles, enquanto houver cristianismo.”156 Umar governou

até o ano de 644, onde no leito de morte deste mesmo ano teria delegado a um conselho de seis membros a tarefa de escolherem seu sucessor. Uthman Ibn Affan foi o nome indicado e acabou por se tornar o terceiro califa.

Uthman é considerado o homem responsável pelo estabelecimento do texto oficial do Corão. Um dos propósitos de tal ato foi a tentativa de pôr fim as divergências que existiam e cada vez mais se acentuavam em relação às diferentes versões do Alcorão. Com a morte de Uthman no ano de 656 o islamismo vivenciou o início de um embate que levou a primeira

guerra entre os próprios muçulmanos. 157

Ali Ibn Abi Talib genro de Maomé e nome já citado acima nesta obra, foi eleito o quarto califa no ano de 656 na cidade de Medina. Porém Moawiya, que era o governador muçulmano da Síria (que já tinha sido dominada pelos muçulmanos) se opôs ao califado de Ali, alegando que o mesmo teria sido o assassino de Uthman. Existem ainda autores que

155 GIORDANI, Mário Curtis. História do Mundo Árabe Medieval. cit, p. 61

156 SCHILLING, Voltaire. Ocidente x Islã: uma história do conflito milenar entre dois mundos. Porto Alegre: LePm Edirora, 2003. P. 44

82 defendem a tese de que a oposição de Moawiya foi devida ao fato de

que Uthman foi assassinado por egípcios e que Ali não se opôs a eles.158

Ali estabeleceu como capital de seu governo Bagdá no Iraque, e no ano de 657, no dia 26 de julho, depois de muitas discussões e combates isolados entre os seguidores de Moawiya e Ali, estourou a primeira grande guerra entre esses dois grupos. Ali conseguirá no início estabelecer-se favoravelmente na guerra, porém os seguidores de Moawiya sob o comando de Amr colocaram folhas do alcorão nas pontas das lanças

exigindo um julgamento de Alá sobre a batalha.159

Com tal ato, os seguidores de Ali tentaram persuadi-lo a desistir da batalha, e acabaram por conseguir. Porém, alguns de seus seguidores se arrependeram de terem desistido da batalha e tentaram convencer Ali de retornar a guerra, contudo fracassaram em convencê-lo. Tal grupo, que ficou conhecido como os Kharidjitas (Hawarig, que significa – os que saem) acabaram por se revoltar contra o califado de Ali, e mais uma cisma muçulmano se sucedeu.

Ali teve que combater contra esses insurgentes kharidjitas, vencendo- os nas batalhas que se seguiram, não conseguindo, porém acabar com essa ideologia. Tal feito resultou na morte de Ali no ano de 661, sendo que na véspera de se preparar para atacar a Síria e guerrear contra Moawiya, foi atacado por um jovem kharidjita na mesquita de Kufa.

Com sua morte, seus seguidores formaram denominaram-se Shiat Ali, que significa, “Partidários de Ali”, expressão que originou o termo “xiita”. A ala opositora ao xiitas foi formada pelos seguidores da sunna, que são os ditos e ações de Maomé, e que foi formada pelos califados acima expostos inclusive o de Ali, sendo Moawiya o califa sucessor a Ali. Posteriormente a

158ARANTES, José Tadeu. O maior perigo do Islã: não conhecê-lo. São Paulo: Editora Mostarda, 2005 P. 62

83 Moawiya o califado deixou de ser escolhido por consenso passando por hereditariedade. Os seguidores da sunna são denominados sunitas nos dias atuais.

Já os xiitas não aceitaram e não ainda não aceitam que Moawiya foi o califa sucessor de Ali, e nem que os seus antecessores foram califas. Os xiitas defendem que o primeiro califa posterior a Maomé foi Ali, já que eles acreditam que apenas um descendente de Maomé poderia ser denominado califa. “O misticismo do islã iria transformar-se em um instrumento de imperialismo dirigido ao mesmo tempo contra a Pérsia e

contra o Império Bizantino”.160Assim refere-se Mário Curtis Giordani, sobre o

momento histórico em que o islã sob a liderança do califa Umar (634-644) concretiza a ideologia de avançar frente a todo o mundo na tentativa de islamizá-lo.