II. BÖLÜM
3.1. Ben Anlayışı
3.1.1. Çağrışımcı Anlayış Doğrultusundaki Ben Anlayışını
136 Sura 2:87 ; 2:113
137 LAWRENCE, Bruno. O corão (uma biografia). cit, p. 27 138 Sura 11:61
72 Em uma de suas meditações, no mês do Ramadã (que naquela época era o mês em que guerras e diferenças eram deixadas de lado pelos moradores daquela região e os mercadores podiam procurar descanso aos arredores de Meca), Maomé teve uma experiência que viria a ser a primeira de muitas que determinaram a construção do alcorão. Nas palavras de Bruce Lawrence:
“Gostava da noite desse mês em especial; ela o impelia para o fundo de si mesmo e lhe permitia resistir àqueles impulsos que o puxavam de volta para o mundo, às preocupações com família, negócios ou viagens. Estava alerta para repelir esses impulsos: eles lhe anuviavam a visão, negavam-lhe paz de espírito, mas, acima de tudo, obstruíam sua busca pela verdade.
Mas essa era uma comoção diferente. Era profunda, impressionante. Ela o dominou e depois produziu palavras, palavras que não eram suas. “Recita!”. E foi-lhe mostrado um pedaço de seda em que havia palavras bordadas. “Que devo recitar?”, “Recita!”, foi-lhe ordenado, e de novo o brocado lhe foi impingido. Maomé sabia falar, mas não sabia ler. Todos que o acompanhavam em caravanas, quer ao Egito, à Síria, ao Iêmen ou a Abissínia, sabiam que era capaz de ler símbolos,
mas não palavras.”139
As primeiras palavras que lhe vieram a mente foram: ‘Recita em nome de teu Senhor, que criou, que criou o homem de sangue que coagulou! Recita, pois teu Senhor é o mais generoso, que com o cálamo
ensinou a escrever, ensinou ao homem um novo saber!”140
A história partilhada pela maior parte dos historiadores é a de que a partir desse momento Maomé passara a crer que estava recebendo
139 LAWRENCE, Bruno. O corão (uma biografia). cit, p. 28 140 Sura 96:1-5
73 mensagens de Deus através do anjo Gabriel, e que sua esposa Khadija era a maior incentivadora de Maomé, e a primeira muçulmana a existir. “Nós o (o Alcorão) enviamos na noite da decisão. Ele (Maomé) viu-o (anjo Gabriel)
com certeza claramente no horizonte.141
A partir do momento em que Maomé assume uma identidade para si mesmo de profeta de Deus, o mesmo começa a pregar e tentar converter seus compatriotas na busca de abandonar a adoração a ídolos. Além disso, as experiências vivenciadas com os cristãos e judeus fizeram Maomé crer ainda em sua vocação para Profeta. Mário Curtis apresenta razões para tanto:
“O contacto com judeus e cristãos teve duas consequências principais na evolução religiosa de Maomé e na conscientização de sua vocação: Convenceu-o de que sua inspiração religiosa era da mesma natureza da inspiração dos profetas de Israel e de Jesus; Levou-o à convicção de que judeus e cristãos haviam alterado as palavras de verdade que Alá imcumbira os profetas de ensinar ao povo escolhido, os israelitas. Ele não o podia
tolerar. Era necessário que o verdadeiro
ensinamento divino fosse restabelecido pela pregação de um último Enviado que o levasse aos
árabes em língua árabe.”142
No início conseguiu converter não somente a esposa, mas também alguns amigos, que eram seu grupo de ouvintes das citações que o mesmo continuou a fazer. Com todas essas perspectivas em jogo, Maomé começou a ser perseguido pela grande maioria dos habitantes de Meca, que não aceitavam sua mensagem por razões que aqui não se podem esgotar, mas em grande parte influenciada pela visão da possível perda de
141 Sura 97:1; 81:19-23; 53:1-18; 74:1-5).
74 lucro em relação aos ídolos, e o lucro das constantes peregrinações ao
santuário de Meca.143
Há também uma conseqüência direta na aceitação de um mensageiro divino, pois desta aceitação decorre a submissão as mensagens que o mesmo transmite, e tal submissão implica dentre várias conseqüências a perda de autoridade, inclusive governamental. Submissão é alias o significado que mais traduz em essência o conceito da palavra islã.
Essa perseguição acabou por desaguar na fuga de Maomé para a cidade de Medina, no ano de 622. O tempo de estada de Maomé nestas cidades determina os dois períodos de formação da base do alcorão e do islã. Essa fuga é conhecida como a hégira e marca o início do calendário
muçulmano.144
A perseguição a que foi submetido Maomé, foi primeiramente respondida com a fuga do mesmo para outras regiões. Contudo, em momento posterior Maomé viu-se incumbido de confrontar seus opositores, e para tanto Maomé acreditava que o próprio Deus havia eivado de licitude suas ações de guerra.
“Em nome de Deus, Cheio de Compaixão, Sempre compassivo.
É permitido o combate aos que são combatidos, porque são oprimidos. E Deus por certo é capaz de propiciar-lhes vitória (sobre seus opressores).
Aqueles que são expulsos de seus lares sem causa
justa, exceto por dizerem: Nosso Senhor é Deus.”145
143 “Compreende-se que essa posição representasse uma séria ameaça contra as peregrinações tradicionais ao santuário de Meca e consequentemente contra as polpudas rendas que os visitantes proporcionavam aos mequenses.”
GIORDANI, Mário Curtis. História do Mundo Árabe Medieval. cit, p. 46 144 LAWRENCE, Bruno. O corão (uma biografia). cit, p. 42
75 Há controvérsias sobre a aceitabilidade da mensagem de Maomé em Medina, mas majoritariamente os historiadores têm relatado que os habitantes daquela cidade eram em parte simpatizantes de sua mensagem. Vivendo em Medina, Maomé consegue um número maior de adeptos a sua mensagem, dá continuidade a prática das 5 orações diárias que começou em Meca, continua a fazer as recitações que lá começou, e ainda realizou a supervisão da construção da primeira mesquita.