I. BÖLÜM
3.4. İLÂHİ HÜKÜMLERİN RASYONELLİĞİ
3.4.1. Akliyyât-Sem’iyyât
Mesmo sendo uma sociedade de músicos que também promoveu festivais, os artistas não sabiam explicar sobre esta, à exceção de Dalva Stela e Jairo Castelo Branco. Sobre a aproximação da Sociedade Musical Henrique Jorge em festivais de música, Dalva Stela revelou:
Então, nessa ocasião dos festivais, eles tentaram uma ajuda da Universidade Federal do Ceará para se manterem. (....) A Orquestra Henrique Jorge tentou junto à Universidade Federal do Ceará uma verba para se manter. (...) Aí a Universidade disse que precisava ter um entrosamento com os movimentos musicais da cidade, por isso que a Orquestra Henrique Jorge entrou nessa dos Festivais. E também nessa ocasião a Izaíra Silvino era mocinha, era uma das violonistas. Ela também começou a aparecer como compositora e como cantora em festivais.59
A aproximação da Sociedade Musical Henrique Jorge nos festivais possibilitou o
conhecimento e entrosamento desses músicos com os jovens artistas universitários que irão se aventurar em festivais como Izaira Silvino.
Sociedade Musical Henrique Jorge. R Sólon Pinheiro n°60.
Foto cedida por Jairo Castelo Branco.
Entre instrumentos estragados, velhos papéis, jornais e fotos, Jairo relatou que guardava tudo, sacando de uma gaveta antigas reportagens de jornais e muitas fotos. Jairo Castelo Branco começou sua carreira cantando na Sociedade Musical Henrique Jorge, no Teatro José de Alencar e nos bares boêmios da Praia de Iracema.
A Orquestra da Sociedade Musical Henrique Jorge foi regida por Orlando Leite, Cleóbulo Maia e Mozart Brandão, este, para Jairo era o mais importante por ter levado a orquestra ao Teatro José de Alencar que ele costumava freqüentar com amigos versados em ouvir essas orquestras sinfônicas. Segundo Jairo: “(...) eles diziam pra mim: Jairo está perfeito. Aí, só faltam alguns instrumentos para ser igual à de Londres, à Orquestra Sinfônica, à Filarmônica de Londres”.60
Apesar de freqüentá-la, Luiz Assunção não lecionava piano na Sociedade Musical Henrique Jorge, fazia, às vezes, alguns arranjos e a regia quando faltava o maestro executor
59 Id. Ibidem., p. 14-15.
60 Entrevista feita com Jairo Castelo Branco na hoje Escola Luis Assunção, antes chamada Sociedade Musical
do momento. Foi perguntado, então, por que havia mudado o nome de Sociedade Musical Henrique Jorge para Escola Luiz Assunção. Nas palavras de Jairo Castelo Branco:
(...) Eu passei em 92 para Escola de Música Luiz Assunção. (...) É porque vinham algumas pessoas aqui, a querer que eu dissesse qual era as obras do Henrique Jorge, eu não conhecia nenhuma porque não é do meu tempo. Tocava violino, ele era violinista, tinha um retrato dele aqui. E chegava comitiva de colégio, vinha aqui pra perguntar sobre a vida dele, o que ele tinha composto, quais eram as principais composições e eu não sabia dizer nada! Eu digo: “Rapaz, aqui só botando Luiz Assunção porque é um trabalho que eu convivo com ele aqui”, conheci o Luiz Assunção aqui em 68. (...) Conhecia as músicas dele todinhas, convivia com ele, eu vivia cantando as músicas dele, ele dava para eu cantar, não é?. Ele dizia assim: “O Jairo é meu cantor preferido.”61
A Sociedade Musical Henrique Jorge foi fundada no dia 17 de setembro, daí por que sempre nesta data havia um show geralmente com a apresentação da própria orquestra. Jairo, por outro lado, lembrou com orgulho a apresentação da orquestra com os acordeons.
Jornal(artigo). cedido por Jairo Castelo Branco
Ficou notório o orgulho de Jairo, ao falar da orquestra que ele e alguns amigos afirmavam faltar pouco para se igualar à Filarmônica de Londres; porém, observando a foto, parece mais uma “orquestra de sanfonas”. Mas, essa não é a opinião de Dalva Stela sobre a Orquestra da Sociedade.
(...) Tinha um grupo de instrumentistas musicais que ela chamava de Orquestra Sinfônica, mas não era Sinfônica porque faltavam certos instrumentos, certas coisas. E eles faziam o seguinte: eles tocavam um movimento de uma sinfonia de Hyden e substituíam o fagote ou o contra- fagote por um saxofone. (...) Eles sempre botavam a ajuda de um piano, uma Sinfônica não precisa disto, na Sinfônica o piano só aparece quando é solista. (...) Aí cada um vinha com seu instrumento e era isso a dificuldade
dessa orquestra porque eram instrumentos de várias procedências e de várias idades, não a afinavam bem. Então, eles perdiam em afinação. O Orlando Leite ainda foi regente dessa orquestra procurando dar uma possibilidade sonora a essa orquestra. Depois teve o Nabor Pires, depois, o tcheco Gustavo Tychi que era casado com uma pianista cearense e depois o Mozart Brandão.62
Nesta oportunidade, foi perguntado a Jairo por que Luiz Assunção gostava de falar em suas canções da Praia de Iracema. Assim comentou:
O Luiz era conhecido na boêmia da Praia de Iracema. (...) O Luiz bebia desde os onze anos de idade, cachaça mesmo, ele morreu com oitenta e quatro anos. (...) Ali era uma verdadeira avenida à noite, muito movimentada a Praia de Iracema. E ali o que existia de casas, de shows, de restaurantes, casa, assim, de boêmia, de jogo, a gente passava a noite todinha tocando e cantando pelas casas, tudo ali era uma boêmia só. Então, ele vivia ali e virava a noite, noites e noites ele virava ali.63
Luiz Assunção (piano) e Jairo Castelo Branco( esq). Foto cedida por Jairo Castelo Branco. O ambiente boêmio da Praia de Iracema descrito por Jairo Castelo Branco revela essa condição social do músico, de ludicidade, de encantamento, mas também é trabalho, e se confunde com divertimento, com bebida, com transgressão de valores, horários impostos pela sociedade, mas que também é local de sobrevivência.
Analisando os distanciamentos e aproximações da memória, Jairo, ainda menino, viu Luiz Assunção acompanhar ao piano, na Ceará Rádio Clube, no Edifício Pajeú, Cássio Ramirez. Segundo Jairo Castelo Branco, Luiz Assunção foi uma figura muito importante na Ceará Rádio Clube, no tempo em que essa Rádio possuía uma Orquestra comandada pelo maestro
62 Id. Ibidem., p. 13-14. 63 Id. Ibidem., p. 10-12.
Mozart Brandão e, segundo Jairo afirmava, era Luiz Assunção seu braço direito. De acordo com o depoimento de Jairo, Luiz Assunção acompanhou ao piano, na Ceará Rádio Clube, muitos cantores e artistas famosos nacionais e internacionais que atuavam, também, no cinema norte-americano, como: Agustin Lara, frei José de Guadalupe Mojica, Alfonso Ortiz Tirado, Tucho Martinez e outros. De fato, tem uma canção intitulada, “Papai Noel da Ceará Rádio Clube”64 com letra e música de sua autoria, datada 1945. Desse modo, Jairo foi envolvido pela música quando criança e estimulado pela amizade com Epaminondas, que cantava na Ceará Rádio Clube e que posteriormente integrou o famoso grupo musical, Trio Nagô com Evaldo Gouveia e Mário Alves. Ao falar da canção “Adeus Praia de Iracema”, de Luiz Assunção, Jairo cantou:
Trio Nagô. (Evaldo Golveia – violão)
Adeus, adeus Só o nome ficou Adeus Praia de Iracema
Praia dos amores que o mar carregou
Quando a lua te procura também senti saudades De tudo que passou
Dos casais apaixonados Entre beijos abraçados Que tanta coisa jurou Mas a causa do fracasso Foi o mar enciumado Que da praia de vingou Ô, Ô ... Adeus, adeus...
64 FREIRE, Dalva Stela; LIMA, Antônio Gondim de; FREIRE, João Nogueira Mota. (Orgs). Luiz Assunção – O
Para Jairo “Adeus Praia de Iracema” é uma das obras primas de Luiz Assunção, e sua canção “Samariquinha” havia sido gravada por Evaldo Gouveia, Os 4 Ases e 1 Curinga e Jamelão. Em verdade, como musicista e compositor, Luiz Assunção fez batuques, marchas, frevos, valsas, canções, hinos, choros, baiões, toada sertaneja, boleros, tango, rumba, mambos, maracatu e outros diversos gêneros. Além disso, foi arranjador de orquestra, copista de música, desenhista, boêmio e romântico a ponto de colocar o piano debaixo de uma árvore no quintal para ver a lua, as estrelas e fazer composições, amanhecendo debruçado sobre o piano molhado, e o copo, em vez de bebida, com água da chuva.
Apesar de ter tocado com muitos artistas nacionais e internacionais famosos e do seu talento como compositor, segundo Jairo, Luiz Assunção vivia mal, muitas vezes sem dinheiro para alimentar a família. Mesmo tendo sido gravado por artistas consagrados da época, nunca recebeu direito autoral. Diante da sua condição social de músico, não tinha dinheiro para comprar um piano novo. Em virtude disso, Jairo e Guilherme Neto articularam uma
apresentação intitulada “Show Luiz Assunção” no Teatro José de Alencar, e, com o dinheiro arrecadado, Luiz Assunção ganhou um piano.
1.7 IV FESTIVAL DA MÚSICA POPULAR DO CEARÁ
Várias particularidades chamaram atenção para IV Festival: o número de participantes; o acompanhamento dado pelo Jornal “O Povo” fazendo entrevistas semanais com alguns integrantes e a participação de artistas que tiveram maior expressão ou destaque na música cearense: Luiz Assunção, Raimundo Fagner, Belchior, Jorge Melo, Pretestato Melo, Lauro Benevides, Gustavo Silva, Aleardo Freitas como violonista, dentre outros. O Jornal “O Povo” trouxe a relação de todas as canções inscritas e expôs as vinte canções classificadas para este festival com o número das respectivas inscrições.