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5. AVRUPA BİRLİĞİ BÖLGESEL POLİTİKASI

5.5 AB Bölgesel Politika Uygulama İlkeleri

5.5.5 AB bölgesel politikası üye ülke örnekleri

A valorização dos estudos botânicos como subsídios ao desenvolvimento da produção agrícola no Brasil remontam aos séculos XVIII e XIX, com a criação dos jardins botânicos do Pará, de Pernambuco e do Rio de Janeiro (Domingues, 2001). Os primeiros jardins botânicos brasileiros foram criados para a aclimatação de plantas vindas do exterior e para a realização de pesquisas voltadas à agricultura (ibidem). Outra instituição científica criada no século XIX para atender, também, às necessidades da agricultura foi a Comissão Geológica do Brasil (Figueirôa, 2001). Instituída em 1875, a Comissão, subordinada ao Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, encarregava-se de identificar terras cultiváveis para a agricultura e da infra-estrutura necessária para a construção de estradas de ferro, portos etc., cuidando, de maneira geral, da exploração regular e sistemática do território nacional (ibidem).

Inicia-se, assim, uma relação entre algumas áreas de pesquisa científica e a produção agrícola no Brasil, que se fortaleceria mais tarde com a criação de instituições voltadas especificamente às defesas agrícola e animal, como o Instituto Agronômico de Campinas (1887), o Instituto Biológico de Defesa Agrícola do Rio de Janeiro (1920) e o Instituto Biológico de São Paulo (1927).

O Ministério da Agricultura foi o último ministério a ser criado no Império. Antes disso, os assuntos agrícolas eram administrados por um órgão denominado “Ministério do Império” (Ribeiro, 2005). Em 1860 foi criado o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, regulamentado em 1861. Nesse período, o Ministério não desenvolvia atividades de pesquisa ou de reconhecimento do território, pois não havia dentro dele serviços orientados para esse fim (ibidem). Em 1891, o Ministério foi extinto e seus serviços passaram para o Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, porque se avaliou, naquele momento, que a agricultura caracterizava-se como uma atividade produtiva e, por isso, deveria estar alocada no órgão, na parte relativa à indústria, que, por conseguinte, era chamado, muitas vezes, de “Ministério das Indústrias” ou de “Ministério da Produção” (ibidem).

O vínculo entre investigação científica e o desenvolvimento das atividades agropecuárias, no âmbito de órgãos governamentais, é anterior à

criação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Essa ligação pode ser observada nas atividades empreendidas pela Comissão Rondon, como ficou conhecida a “Comissão Construtora das Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas” (Lima e Sá, 2006). A Comissão era vinculada à Secretaria dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, que mais tarde se transformou no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (MAIC) (ibidem).

Em 1907, Cândido Mariano da Silva Rondon assumiu o comando dessa Comissão, que tinha como objetivo ligar, por linhas telegráficas, os territórios do Amazonas, do Acre, do Alto Purus e do Alto Juruá através da capital do Mato Grosso ao Rio de Janeiro (ibidem). Além dos oficiais do Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, participaram das viagens da Comissão naturalistas e pesquisadores das áreas de botânica, geologia, cartografia, zoologia e antropologia, grande parte deles pertencentes ao Museu Nacional (ibidem). Em paralelo ao trabalho de construção das linhas telegráficas, era feita a exploração científica do território, com o mapeamento das condições climáticas e geográficas, o estudo do solo e da flora. Avaliavam-se, ainda, as possibilidades de instalação de novos povoados, novas lavouras e de locais para o desenvolvimento de atividades pecuárias (ibidem).

No âmbito do MAIC mantiveram-se as atividades de cunho científico desenvolvidas pelos participantes da Comissão Rondon. Além disso, em 1911, o Museu Nacional passou a se subordinar ao Ministério da Agricultura, o que fez com que cientistas desta instituição passassem a participar ainda mais da Comissão Rondon (ibidem).

Havia, portanto, por parte dos cientistas que participavam da Comissão a preocupação de coletar as informações que viriam a subsidiar várias áreas de investigação científica, entre elas, a botânica, cujos estudos serviram de apoio à produção agrícola. Entre os botânicos que participaram da Comissão Rondon, destaca-se Frederico Carlos Hoehne,8 que coletou plantas e informações botânicas nas regiões percorridas, descrevendo-as depois em

suas publicações9 (ibidem). Hoehne foi também articulista de Chácaras e

Quintais, tendo publicado na revista 16 artigos sobre botânica entre os anos de

1915 e 1947.

Em 1909, mesmo ano da publicação de Chácaras e Quintais, foi instituído o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (MAIC),10 por iniciativa da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), associação criada em 1897, por segmentos da classe proprietária rural, com ampla representatividade nacional, à exceção do Estado de São Paulo (Mendonça, 1997). O novo ministério nasce em meio a divergências entre as elites agrárias regionais. De um lado, estava a burguesia paulista, defendendo a política de valorização do café, e de outro, o grupo formado pelos representantes da Sociedade Nacional de Agricultura (composto pelas elites agrárias do Nordeste, do Rio de Janeiro e do Sul do País), interessado em recuperar e modernizar o setor agrícola brasileiro (Mendonça, 1998; Ribeiro, 2005). A constituição do ministério foi, portanto, fruto de intensa negociação entre os grupos de proprietários envolvidos.

Após o MAIC ser criado, ocorreu nova disputa para se decidir qual grupo assumiria a pasta. O grupo paulista ganhou a disputa, no primeiro momento, e um paulista – Antônio Cândido Rodrigues – assumiu a direção do ministério, ficando apenas alguns meses no cargo. Os paulistas se mantiveram à frente do MAIC de 1909 a 1913, durante a gestão de seus três primeiros ministros. Depois disso, ministros de outros Estados ocupariam a pasta; a maioria deles, membros da SNA, que passa a assumir a orientação do órgão, excluindo da agenda do ministério as questões relacionadas ao café (Mendonça, 1998). Os assuntos relativos ao café passam a ser administrados pelos governos estaduais e pelo Ministério da Fazenda, órgão dominado pelos interesses paulistas (Ribeiro, 2005).

O MAIC sob o comando da SNA poderia ser encarado como um ministério

9 A Biblioteca da Casa de Oswaldo Cruz tem em seu acervo algumas publicações de autoria de Frederico

C. Hoehne editadas pela “Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas”, nas quais o naturalista descreve espécimes botânicos encontrados nas viagens. Ver base de dados da biblioteca: http://www.bvshistoria.coc.fiocruz.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/.

10 O MAIC foi proposto pela primeira vez em 1902, tendo sido criado em 1906, e regulamentado e

de “segunda linha” no âmbito do executivo federal, levando-se em conta o pequeno orçamento com que contou (Mendonça, 1998). Para alguns autores, porém, o MAIC nessa fase caracterizou-se como um ministério que guardava uma especificidade: ser o espaço de poder de uma elite, até então, à margem do aparelho de Estado (Mendonça 1998; Ribeiro, 2005).

Sob a orientação da SNA, desenhou-se um novo modelo para o Ministério, o qual incluía repartições vinculadas ao ensino, pesquisa e publicidade, na tentativa de modernizar a agricultura nacional (Ribeiro, 2005). Havia, portanto, a preocupação, por parte de alguns setores que ajudaram a criar o MAIC, de conceder à pasta um caráter mais técnico, voltado à aplicação dos conhecimentos científicos à agricultura (Ribeiro, 2005). Com essa orientação, o Jardim Botânico e o Museu Nacional, que já existiam, passaram a ser subordinados ao Ministério (ibidem). Essa valorização do caráter técnico do Ministério na administração brasileira, em oposição ao caráter político, até então mais valorizado, apresentava-se como uma novidade (ibidem). A dicotomia entre caráter político e técnico na administração pública tem relação com a definição de acesso aos postos-chave da estrutura estatal e com quais valores são importantes para desempenhar funções de governo (Gomes, 1994). Segundo Ribeiro: “... o auge do discurso técnico [na administração pública] coincidiria com a centralização política do Estado Novo” (Ribeiro, 2005, p.78-79). Para o autor, a criação do MAIC pode ser o melhor exemplo dessa transição de modelo na administração pública (ibidem).

As relações entre Estado, ciência e agricultura durante o governo Vargas se aprofundariam. Entre as ações desenvolvidas nesse período, na área da agropecuária, podem-se destacar: a criação de comissões nos ministérios, responsáveis pela política agrícola; o investimento nas atividades agrícolas de exportação, como as culturas de café e algodão; e a concessão do crédito agrícola, por meio da criação da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil (Leopoldi, 1999; Santos, 2006; Schwartzman, 1983).

Além dessas ações, o governo Vargas estimulou as pesquisas científicas voltadas à agronomia, à zootecnia e às condições socioeconômicas dos trabalhadores rurais (Schwartzman, 1983). Investiu, ainda, na formação de

técnicos, com o desmembramento da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, no ano de 1934, em três novas escolas: a Escola Nacional de Agronomia, a Escola Nacional de Veterinária e a Escola Nacional de Química (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, [2007]). Além do ensino, o governo incentivou as pesquisas experimentais na área da produção vegetal, de forma centralizada, criando o Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas, que possibilitou a extensão de estações experimentais por todo o País (Schwartzman, 1983). Tal apoio à investigação experimental ajudou no desenvolvimento de áreas de conhecimento, como a entomologia e a fitopatologia, e, ao mesmo tempo, permitiu o desenvolvimento da indústria agrícola e o melhoramento de diversas culturas (ibidem). Foram também incentivados os estudos experimentais aplicados à produção animal, englobando as áreas de zootecnia, genética, agrostologia, patologia animal e tecnologia de produtos derivados (ibidem).

O governo Vargas preocupou-se ainda em estimular o cultivo de novos produtos agrícolas, a fim de libertar o País dos problemas da monocultura, ampliando a oferta de produtos brasileiros para o mercado exterior (ibidem).