UZMAN BAŞKAN
ÜNİVERSİTE ÖĞRENCİLERİNİN KİŞİLİK ÖZELLİKLERİNİN GELECEĞE YÖNELİK TUTUMLARINA ETKİSİ: SAKARYA ÜNİVERSİTESİ İŞLETME FAKÜLTESİ
A nomeação das práticas gerenciais caracterizadas pela humilhação intencional no trabalho em 2000, no Brasil, foi um divisor de águas. Até a nomeação do conceito as queixas individuais em relação a tais práticas eram percebidas como atos isolados inconseqüentes. A sua nomeação alterou a percepção da sociedade brasileira, levando-a a considerar tais práticas como violência, ou seja, como uma das formas de a injustiça organizacional se explicitar.
Diante do disposto, nesta seção aborda-se o referencial teórico concebido por Luc Boltanski, Yann Darré e Marie-Ange Schiltz (1984), modelado a partir de estudos realizados no Centro de Sociologia da Educação e Cultura da Escola de Altos Estudos Sociais, em Paris. Em linhas gerais, essa visão teórica que fundamentou a análise dos dados defende que a denúncia pública favorece a transformação da queixa individual (ato individual) em fenômeno organizacional (ato coletivo).
Neste estudo, a denúncia pública pode ser entendida como uma forma de protesto contra uma ação gerencial percebida como injustiça organizacional (BOLTANSKI, DARRÉ e SCHILTZ, 1984:3-40). As delações individuais anteriormente percebidas como ³FDVRVSDUWLFXODUHV´VHWUDQVIRUPDUDPHPPDQLIHVWDo}HVGHSURWHVWRILJXUDGHQRWDQGRTXH tais práticas gerenciais, após a nomeação do conceito, passaram a ser percebidas como LQMXVWLoDVRUJDQL]DFLRQDLVSRUWDQWRVHQGRGH³LQWHUHVVHJHUDO´
Diante desta constatação uma questão se impõe: Qual a hipótese que sustenta essa afirmação? O referencial teórico, em questão, permite afirmar que a alteração perceptual da sociedade brasileira em relação às práticas atualmente tipificadas como assédio moral se evidenciou a partir GDLQVHUomRGR³FDVRSDUWLFXODU´QR³FDVRGHLQWHUHVVHJHUDO´$V³TXHL[DV individuais LQFRQVHTHQWHV´ SDVVDUDP D VHU HQWHQGLGDV FRPR XPD IRUPD GH YLROrQFLD TXH exigem reparação do dano decorrente.
Porém, as indagações se desdobram: Por que denunciar publicamente uma injustiça? O que se busca ao se denunciar publicamente uma injustiça? Como saber quando uma denúncia é bem-sucedida? Quais as chances de êxito de uma denúncia pública? Em rápidas palavras, esse referencial teórico advoga que atos percebidos como violência acarretam danos à honra da vítima. Em função disso, denuncia-se publicamente uma injustiça objetivando o resgate da honra, cuja estratégia, em sua maioria, é a desqualificação do agressor. Quanto à reparação do dano, o quadro conceitual afirma que quanto maior a percepção de a denúncia ser um caso isolado, menor a chance de se obter o pleito reivindicado para a reparação. Contudo, uma denúncia pública é considerada bem-sucedida se conquistar um elevado número de adeptos que concordem que a causa se trata de uma injustiça. Isto implica dizer que a chance de êxito de uma denúncia pública se eleva na medida em que a denúncia for considerada de interesse coletivo. Contrapondo, a chance de êxito se reduz quanto maior for a percepção de que a denúncia é uma queixa individual.
Logo, os pressupostos deste quadro teórico permitem afirmar que a chance de êxito de uma denúncia pública associada a causas em construção é mais reduzida. Assim, considerando que o conceito assédio moral se encontra em construção no Brasil, faz sentido o indeferimento dos pleitos das ações judiciais que buscam o resgate da justiça no campo das organizações brasileiras em face do assédio moral.
É oportuno salientar que a injustiça organizacional se explicitou por meio de manifestações distintas, conforme atestam os anexos 4.1, 4.2 e 4.3. Além disso, convém notar que as percepções de normalidade das denúncias resultaram das características dos atores, do modo como eles interagiram e das suas posições específicas no continuum singular/ coletivo (BOLTANSKI, DARRÉ e SCHILTZ, 1984). Exatamente, o que significam tais afirmações?
Especificamente, como ocorre a conexão do ato individual ao coletivo? Boltanski, Darré e Schiltz referem-se à denúncia pública como um sistema actancial, na expressão original dos autores, cuja dinâmica resulta da interação entre quatro atores sociais, cuja interação ocorre desde a instauração da denúncia pública.
Originalmente os autores designam de actantes os envolvidos que interagem na denúncia, cujo termo foi tomado de empréstimo à semiologia que tem sido utilizado na sociologia no sentido atribuído por Bruno Latour. Mas, quem são os atores sociais envolvidos em uma denúncia pública nesta perspectiva teórica? O denunciante ou quem denunciou a violência, a vítima ou quem sofreu a injustiça, o perseguidor, que será denominado acusado neste estudo, ou quem é o acusado da injustiça e quem é responsável pela mediação do conflito ou o juiz.
Deve-se acrescentar que para Boltanski, Darré e Schiltz (1984) os atores podem ocupar posições intermediárias entre os dois extremos do continuum singular/ coletivo, sendo um dos pólos o indivíduo singular e o outro o indivíduo coletivo. Exemplificando, a denúncia anônima de uma prática tipificada como assédio moral junto a um órgão de Recursos Humanos de uma empresa é mais singular do que a denúncia formal junto a um Tribunal de Justiça do Trabalho.
Quem é o denunciante? Trata-se do sujeito que denuncia a violência que pode se apresentar por meio de seis modalidades.
Caso se omita ao efetuar a denúncia denomina-se indivíduo anônimo. Aliás, situação que não se evidenciou nos dados empíricos da amostra.
Ou um indivíduo singular que fala em seu único e exclusivo nome, como o fez a maioria dos denunciantes da amostra. O empregado que denunciou o gerente de uma empresa, descrita no Processo nº 1245-2005-012-03-0036 (quadro7) é um exemplo.
exige de seus empregados produção além das metas estabelecidas por meio de ameaças de perda de emprego, intimidações e xingamentos, castigos (trabalhar em pé, proibir de ir ao banheiro, tomar água e lanchar.
Se o denunciante falar em seu próprio nome, mas ressaltar que se trata de algo mais amplo do que sua própria individualidade, tal como fazem os advogados que denunciam o assédio moral em nome das vítimas, a denominação passa a ser indivíduo autorizado.
Outra possibilidade refere-se à pessoa coletiva duvidosa, assim nomeada quando o denunciante efetua a denúncia em seu nome por ser a vítima, mas, ao mesmo tempo, alega que a intervenção se dá em nome de uma pessoa coletiva, tal como um membro de um comitê que denuncia sem compartilhar seu posicionamento com os demais.
O denunciante se qualifica pessoa coletiva restrita quando a denúncia é realizada em nome de uma pessoa coletiva, cuja existência é reconhecida, mas cujo domínio de especialização é limitado, como o exemplo do denunciante que é o presidente da Associação das Vítimas de Assédio Moral das Organizações Públicas do Rio de Janeiro, um exemplo fictício utilizado a título de ilustração.
Finalmente, quando a denúncia é desencadeada em nome de uma pessoa coletiva, cuja existência é inegável e cujo campo de atividade é extenso, o denunciante passa a se chamar pessoa coletiva ampla. A denúncia efetuada por um organismo internacional, com a da ONU relativa aos constrangimentos propositais de trabalhadores europeus em um determinado período reflete essa modalidade de denunciante. Outro exemplo refere-se ao denunciante da ação judicial contra o Carrefour, junto ao Ministério Público do Trabalho, a 5ª Vara do Trabalho de Natal, publicada no Valor On-line, em 2/abr./2003, no anexo 4.2.
lista negra de ex-funcionários que ingressaram com ações reclamando de direitos trabalhistas.
À semelhança dos demais atores que interagem no sistema actancial concebido pelos autores, a vítima pode ocupar cinco posições específicas entre o singular e o coletivo.
Um indivíduo singular, alguém cuja denúncia de assédio moral é percebida como queixa individual não vinculada a uma causa reconhecida. A vítima do Processo indeferido nº 00436-2003-001-14-00-0, julgado em Porto Velho, Rondônia (anexo 4.3) é um exemplo típico de uma vítima cujo pleito foi percebido como um ato isolado.
perseguições, retaliações e imposição de esforços físicos na prestação de serviços, após acidente de trabalho, contrariando ordens médicas, além da imposição de punições descabidas.
Um indivíduo podendo ser causa, embora não represente uma causa instituída, é vítima de uma prática de assédio moral por ser vinculada a uma causa coletiva. Por exemplo, o trabalhador que é alvo de assédio moral por discordar de ações empresariais que poluem o ambiente, uma prática contrária aos seus valores.
Um indivíduo que faz a causa é alguém cujo caráter coletivo representa uma causa para os demais, como a perseguição devido ao pertencimento a grupos minoritários.
Por sua vez uma pessoa coletiva constituída pode vir a ser alvo de assédio moral por ser vinculada a uma pessoa coletiva indesejável, como um partido político.
Finalizando, um grupo fluido é assim designado em face de sua generalidade. Há situações nas quais as vítimas das práticas de assédio moral se caracterizam pela ausência de singularidade e de referências a critérios com fronteiras nítidas, tais como os pobres, as pessoas com deficiências, as pessoas com perfis de competência que não agregam valor.
À semelhança, o perseguidor pode se manifestar de quatro modos distintos. Pode ser um indivíduo desconhecido cuja vítima é alguém totalmente desconhecida, o que não ocorreu nos casos da amostra.
Um indivíduo identificado se caracteriza por alguém com nome e identidade, tal como a maioria das situações denunciadas que compõem a amostra.
Um representante autorizado, apesar de ser um indivíduo singular, age em nome de uma instituição ou grupo. O Processo nº 01023-2001-011-4-00-2 retrata a denúncia contra um gestor ante as conseqüências decorrentes da ausência do atendimento às suas exigências crescentes dirigidas ao aumento da produtividade:
LPSRVLomR GH ³FDVWLJRV´ WDLV FRPR SDJDPHQWR GH ³SUHQGDV´ H[HUFtFLRV ItVLFRV GH ³DSRLR´ DSOLFDGRV IUHQWH DRV GHPDLV FDVR DV PHWDV QmR IRVVHP atingidas.
Finalizando, o perseguidor denominado grupo se caracteriza pela sua generalidade. Trata-se de uma denúncia a uma organização sem especificar o perseguidor. Um exemplo adequado encontra-se a seguir. O jornal A Folha de S. Paulo, em 22 de dezembro de 1984, publicou uma matéria divulgando uma ação coletiva, em nome de 40 (quarenta) empregados, contra o Banco Central, diante da criação de dois quadros funcionais percebida como uma injustiça organizacional. Segundo o juiz, essa organização demonstrou uma posição discriminatória proibida por lei e indiferença ao princípio da isonomia.
O sistema proposto por Boltanski, Darré e Schiltz, além de descrever os papéis de cada ator, acentua que cada forma de interação condiciona de modo distinto a chance da reparação do dano. O grau de proximidade do denunciante com a vítima e da vítima com o perseguidor confere percepções de normalidade distintas à denúncia.
Na relação entre o denunciante e a vítima pode haver possibilidades, ou seja, quatro posições no continuum singular/coletivo. A primeira posição diz respeito à total ausência de vínculo entre ambos. A segunda posição, denominada relação militante, ocorre quando, por exemplo, um dirigente sindical denuncia o assédio moral a um trabalhador sindicalizado, como abordado no exemplo da pessoa coletiva ampla. A terceira posição,
designada vínculo impessoal, refere-se às situações nas quais a vítima, apesar de se situar no mesmo universo do denunciante, não mantém relações pessoais com o mesmo. Nesse caso, se a denúncia dos atos abusivos for, por exemplo, de um gerente for efetuada por um colega de trabalho denominar-se-á vínculo profissional. Porém, se o denunciante for um vizinho os autores o denominam vínculo de vizinhança. Ainda, se for um parente este será nomeado vínculo familiar. A quarta posição, relação de si a si, ocorre quando denunciante e a vítima são a mesma pessoa, ou seja, quando ambos são indivíduos singulares. Por exemplo, o denunciante escreve uma carta para denunciar a perseguição da qual foi objeto. Outro exemplo, o denunciante por ser reconhecido como representante de uma causa faz a denúncia em nome de um interesse coletivo.
Resumindo, o grau de proximidade entre o denunciante e a vítima, ou seja, o elo entre ambos varia desde as situações nas quais há total ausência de vínculo entre ambos, até um estreito relacionamento. Quanto maior a proximidade entre os atores, menor a percepção da veracidade da denúncia. Em outras palavras, o grau de proximidade que une os DWRUHV TXH LQWHUDJHP QD GHQ~QFLD GHSHQGH GRV ³FXVWRV´ TXH FDGD XP FRQVHQWLX SDUD HVWDEHOHFHU FRP R RXWUR ³XPD UHODomR HVWiYHO SRU FHUWR SHUtRGR´ Assim, quanto maior o afastamento, maior a percepção da veracidade da denúncia e maior a chance da reparação.
Quanto ao tipo da denúncia, é conveniente salientar que este decorre da relação entre a posição dos atores no continuum singular/ coletivo e do seu grau de mobilização de recursos coletivos que varia desde indivíduos incapazes de mobilizar recursos coletivos até pessoas coletivas que dispõem de recursos coletivos abundantes. A possibilidade de recursos coletivos diz respeito ao fato de algumas vítimas poderem dispor de advogados e sindicatos, por exemplo, a seu favor. Seguem alguns exemplos:
Denúncia cuja vítima tem alto nível de singularidade e o perseguidor é próximo geralmente não é tratada em instância coletiva, como explicitou a amostra.
Denúncia cuja vítima e o perseguidor, apesar de pertencerem ao mesmo meio profissional, não se conhecem pessoalmente, ou seja, a proximidade entre ambos é reduzida, pode resultar em demissões abusivas, típicas de assédio moral.
Denúncia cuja vítima em face da ausência de recursos coletivos, busca conferir uma dimensão coletiva à denúncia. A maioria das denúncias efetuadas junto à Justiça, publicadas na mídia impressa de grande circulação, foram ações coletivas, o que leva a supor que a escolha da utilização simultânea de dois canais de denúncias tem o intuito de mobilização da sociedade, à semelhança da utilização de cartilhas.
Denúncia caracterizada pela oposição entre pessoas singulares e coletivas onde o denunciante se expressa em seu próprio nome, objetivando destacar sua autoridade pessoal explícita que atua em nome de outros, como, por exemplo, do partido político, demonstrado a seguir. Trata-se da ação judicial deferida pela 6ª Vara do Trabalho e publicada no periódico Valor On-line (São Paulo), em 17 de janeiro de 2006, por parte de um empregado em posição gerencial (quadro 6)
compra de camisas e botton por determinação do Partido
Denúncia de uma injustiça caracterizada, simultaneamente, pela formalização das relações entre os atores e pela decisão coletiva da denúncia. O denunciante se vincula à vítima por uma relação militante. Nesse caso, o mesmo utiliza como argumento principal para mobilizar a opinião pública, recursos coletivos e políticos, por exemplo, de sindicatos, comitês de defesa, além de fornecer provas materiais, sob a forma de petições, fotocópias de acordos ou de recortes de imprensa. A ação judicial impetrada pelo Sindicato dos Empregados da GE-Dako de Campinas exemplifica esse tipo de denúncia.
Denúncia caracterizada pela ausência de relações singulares entre as pessoas envolvidas se viabiliza por meio de assuntos pontuais, onde a vítima e seu agressor ou, ainda, o denunciante e a vítima não se conheciam antes do fato ocorrido que os reuniu.
Em suma, a percepção de normalidade de uma denúncia depende do grau de proximidade dos seus envolvidos. Quanto maior a proximidade entre o denunciante e a vítima maior a suspeição. Quanto menor a proximidade, menor a suspeição. A suspeita de anormalidade se acentua na medida em que o denunciante age sozinho e intervém para DVVXPLUVXDSUySULDGHIHVDHPIXQomRGRTXHSDUHFHVHUXPLQWHUHVVHSXUDPHQWH³SHVVRDO´
É oportuno ressaltar que o poder de mobilização do denunciante se torna mais eficaz à medida que aumenta o distanciamento entre a vítima e o juiz. Exemplificando, é provável que uma denúncia de assédio moral enviada ao Tribunal de Justiça do Trabalho em nome de todos os trabalhadores brasileiros seja percebida como anormal, sendo mínima a chance de ser exitosa. Há poucos registros deste tipo de denúncia na amostra. O processo indeferido, cuja empresa acusada é a Volkswagen do Brasil, em Recife, é um deles.
aumento da pressão, por meio de estilo gerencial autoritário, aliado à ameaça de dispensa, dirigida ao reclamante, após o mesmo ter assumido função gerencial, objetivando o cumprimento de metas.
É oportuno ressaltar que o poder de mobilização do denunciante se torna mais eficaz à medida que aumenta o distanciamento entre a vítima e o juiz, tal como demonstra o elevado número de denúncias nos anexos 4.2 e 4.3.
Em se tratando da reparação do dano, segundo Boltanski, Darré e Schiltz, há duas estratégias eficazes para tornar a denúncia bem-sucedida: ou se busca reduzir o efeito da denúncia, a partir do empenho para o enfraquecimento da aliança entre ambos; ou se busca desqualificar o perseguidor, por exemplo, utilizando a desqualificação psiquiátrica marcada pela arbitrariedade e insensatez. Por que as referidas estratégias aumentam a chance de o pleito da reparação ser atendido? Elas impedem a conexão do ato individual em coletivo, condição sine qua non à alteração perceptual em relação ao fato gerador da denúncia. Por esse motivo, indivíduos que dispõem de recursos institucionais e podem fazer referência a interesses coletivos são beneficiados em seus pedidos de reparação.
4XDQGRDUHODomRHQWUHRVDWRUHVp³GH-VLQJXODUL]DGD´RXPHOKRUTXDQGRFDGD um é tratado como membro da mesma categoria, cada qual pode ser substituído por qualquer outra pessoa sem que a estrutura da relação seja modificada, à diferença do que ocorre quando há vínculo entre os atores envolvidos na denúncia, quando há proximidade.
Observando-se a amostra, pode-se afirmar que a criação da figura jurídica assédio moral permitiu aos ofendidos ter à sua disposição recursos legais. A figura 56 comprova que o número de processos deferidos praticamente se equivale ao número de processos indeferidos. Além disso, se for considerado que os processos indeferidos, em sua maioria, dizem respeito à negação dos pleitos das empresas acusadas, demandando absolvição da condenação ao pagamento da indenização imposta na 1ª instância pela Justiça, o volume de sentenças reconhecendo a figura do assédio moral se eleva.
Os dados empíricos revelaram que a de-singularização da denúncia permitiu às vítimas explicitar suas queixas a respeito das injustiças sofridas, trazendo-as um discurso que as tornou públicas e aceitáveis. Cabe notar que os recursos que exercem maior poder de de- singularização se originam de partidos políticos, associações, sindicatos ou do Estado, como demonstram alguns casos da amostra.
funcionários coagidos a desistir da ação judicial sob ameaça de demissão Processo deferido, cujo recorrente foi o Ministério Público do Trabalho Fluminense (3ª Vara do Trabalho de Duque de Caxias), contra a Nitriflex, publicado no periódico Valor On-line, em 2 de abril de 2003.
lista negra de ex-funcionários que ingressaram com ações reclamando direitos trabalhistas
Processo, sem informações relativas à decisão judicial, cujo recorrente foi o Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Norte (5ª Vara do Trabalho de Natal), contra o grupo empresarial Carrefour, publicado no periódico Valor On-line, em 2 de abril de 2003 gerente humilhava as funcionárias negras oferecendo-as como prêmio aos vendedores que atingissem a cota de vendas
Processo, sem informações relativas à decisão judicial, cujo recorrente foi a Procuradoria Regional do Trabalho da Bahia, contra a Frevo Brasil Indústria de Bebidas, em favor de 20 empregados terceirizados, publicado no Valor On-line em 16 de dezembro de /2003 e na Folha de S.Paulo (Salvador), em
17de dezembro de /2003. Ratificando, uma denúncia bem-sucedida significa que atraiu um elevado número de adeptos à sua causa. Em conseqüência, é maior a chance de aprovação do seu pedido de reparação. Porém ratificando, é necessário assegurar a percepção da sua de- singularização junto à opinião pública, uma condição sine qua non para se efetuar a conexão entre o caso singular e o coletivo, a qual se fortalece à medida que se acentua o vínculo com recursos coletivos ou, ainda, a distância entre o singular e o coletivo.
Quanto ao aumento do vínculo entre o denunciante e os recursos coletivos, convém destacar uma estratégia recorrente nas denúncias descritas no anexo 4.3. Alguns JHVWRUHV HP QRPH GH XPD SHVVRD MXUtGLFD ³FRP QRPH QR PHUFDGR´ VH GLVWLQJXLUDP SHOR constrangimento dirigido a quem não contribui para o aumento da produtividade.
Nestes casos não houve necessidade de campanhas dispendiosas para a busca de adeptos contra o pagamento de indenização financeira à vítima. O título do cargo, a