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Özgürlük, Kardeşlik, Birlik, Beraberlik

2. BÖLÜM: ESERLERİNİN İNCELENMESİ

2.1. SAFAHAT VE HOPHOPNAME’NİN GENEL TANITIMI 1.Safahat Hakkında 1.Safahat Hakkında

2.2.1. Özgürlük, Kardeşlik, Birlik, Beraberlik

Em outubro de 1976, na época da luta contra a capinação química, o Governo do Estado lança o projeto de construção de interceptor oceânico, com a instalação dos canos sob a faixa de areia, o que devastava os coqueiros de um dos trechos mais significativos da Avenida Beira Mar.

O interceptor oceânico foi proposto a interligação dos esgotos e de interceptação dos cursos d´água, entre o riacho Papicu, que desemboca no monumento da Estátua de Iracema, e o riacho da Jacarecanga, na Avenida Leste-Oeste. De acordo com o traçado previsto no projeto arquitetônico, no trecho entre o Comercial Clube e a estátua de Iracema, a tubulação seria instalada sob a areia, evitando, assim, a danificação da avenida e o incômodo aos proprietários e freqüentadores dos restaurantes da Avenida Beira Mar.

O embate foi importante para os ambientalistas, pois conseguiram impedir a devastação dos coqueiros com mudança do traçado original do projeto dos técnicos da CAGECE e garantiram a preservação de local onde a beleza dos elementos da natureza tem forte significado paisagístico. O fato relembrado pelos ambientalistas contou com o apoio de arquitetos, sócios da SOCEMA e membros da diretoria do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB- CE. O grupo utilizou a mesma estratégia anterior, ou seja, de persuadir o Poder Público a aceitar a sugestão de redesenho do projeto, de forma a não precisar retirar os coqueiros da praia.

A oposição ao projeto do Governo Estadual e a contraproposta dos arquitetos, que sugeria o calçadão da Avenida Beira Mar área para implantação da tubulação do interceptor, trouxe elementos significativos às reivindicações dos ambientalistas. Os arquitetos e integrantes da SOCEMA mostraram-se contrários à derrubada dos coqueiros, chamaram a atenção da sociedade para a preservação ambiental e paisagística urbana, colocando em evidência a relação simbólica com os velhos coqueiros, abordando a dimensão do tempo como algo de valor para a sociedade.

Campelo Costa, sob esses aspectos, demonstra a falta de consciência do Governo com relação à importância da preservação paisagística e aponta para os interesses econômicos do projeto.

Eu vou contar um exemplo, do início das nossas articulações, que quando fizeram o interceptor oceânico, que quebrava a cidade toda, quando chegava na Beira Mar ele resolveu, por efeito de economia, o projeto dizia que ia passar por baixo da areia da praia, onde tem o coqueiral. Mas na realidade os donos dos restaurantes não queriam que as obras quebrassem as ruas para não prejudicar o acesso de carros aos seus restaurantes. Aí foi uma confusão! Fomos aos jornais, demos declarações, porque se tivessem passado pela praia, eles haviam derrubado os coqueiros e as árvores que ficam na frente do Clube do Náutico.

Eu era o porta-voz do IAB. Então nós criamos uma proposta de desenho pela via, pelo calçadão.

Esse movimento foi duro, porque a CAGECE e o Governo do Estado não queriam mudar o projeto inicial para não acrescentar mais gastos, mas foi vencido.

A declaração de Campelo Costa, Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção Ceará, além de mostrar valores paisagísticos, acrescenta a expressão dos valores relacionados ao patrimônio construído ao longo da história, ressaltando a importância da permanência do coqueiral da Beira Mar, como lugar característico e simbólico da paisagem urbana de Fortaleza.

(...) com o traçado estabelecido no projeto, serão sacrificados 50 coqueiros com cerca de 30 anos, patrimônio que demandaria muito tempo para ser reconstruído.

Os argumentos da contestação ao Projeto da CAGECE defenderam os interesses da coletividade no que se refere à preservação do patrimônio físico e do meio ambiente. Questionou que com o traçado inicial o interceptor se estenderá por uma extensa faixa de praia, aniquilando todo o coqueiral da Volta da Jurema, um dos locais que caracteriza a paisagem urbana de Fortaleza. A noção do envolvimento da coletividade, na defesa de interesses, está em matéria do jornal o Povo, de 08 de outubro de 1976, onde Campelo Costa faz alerta ao Governo anunciando que, caso a CAGECE insista em manter a instalação das tubulações na areia da praia, o IAB vai procurar outras entidades de classe, estudiosos e o povo em geral, a fim de que assinem uma nota de protesto a essa medida.

Nas declarações de Campelo Costa, aparecem aspectos da postura política, da opinião sobre os interesses de aplicação dos recursos públicos, na lógica de especulação predatória e pelo fato de que a instalação das tubulações, na praia vai desfigurar a paisagem de Fortaleza. Ele ressalta, ainda, o aspecto da defesa ambiental e cultural como direito coletivo à preservação do patrimônio histórico e natural quando diz que sua instituição congrega arquitetos de todo o país, na defesa tanto dos interesses profissionais como dos valores culturais de nosso povo, de nosso patrimônio histórico e da preservação do meio ambiente.

Os protestos de 1976 marcaram o surgimento do ambientalismo em Fortaleza e conquistas demonstraram que o grupo de ambientalistas exerceu papel relevante no processo de reorganização política e cultural da sociedade, no final da década de 1970. Dando prosseguimento a ações de denúncias sobre danos ambientais, o grupo ampliou sua atuação, ao envolver a comunidade nas manifestações contra a degradação ambiental. Destacou-se nesse período, o movimento organizado para denúncias e suspensão da poluição causada pelos resíduos de petróleo nas praias. Em ações de combate à poluição, eles mantiveram a estratégia de atacar diretamente as autoridades responsáveis pela geração do problema, mas também organizaram, pela primeira vez, manifestação com os alunos da Universidade Federal e usuários da Praia do Futuro.