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2.3. YARATICILIK

2.4.3. Örgütsel Yaratıcılığı Etkileyen Faktörler

Os filmes analisados nessa categoria são dois curtas que não têm diálogos ou narração em off. Helvécio Marins Jr., que adaptou “Dois homens”, optou por fazer um curta apenas com imagens e sons do ambiente.

Em The end of everything, alunos da turma de Letras da FEIT-UEMG de Ituiutaba, sob a orientação da professora Ione Marta Franco Pereira, ilustraram com imagens da natureza o conto “O fim de tudo”. Nessa tradução também não há diálogos, mas legendas que transpõem as falas das personagens do português para o inglês.

3.2.1. Dois homens

O conto apresenta dois homens sentados à mesa de um bar. Sabemos que possuem traços comuns, mas não há a confirmação de que sejam, efetivamente, pai e filho, apenas há uma suposição. O narrador nos descreve a aparência física de cada um, todos os seus possíveis (ou supostos) gestos, já que ele supõe o que estariam comendo, bebendo e fazendo antes que começasse a observá-los. O narrador também faz comentários a respeito da atitude que os personagens mantêm entre si e em relação à intensa movimentação do bar. Diante disso, ele conclui que provavelmente os dois serão lançados ao lixo pelo garçom, junto com outros objetos descartáveis. Fica claro para o leitor a falta de atividade, de comunicação, de diálogo, de interação entre as personagens principais e delas com os outros. As personagens, por não reagirem, são passíveis de serem jogadas no lixo: no ambiente em que se encontram, o silêncio e a inatividade levam à inutilidade e, consequentemente, serão lançadas ao lixo, como se fossem meros objetos.

86 O conto caracteriza-se, basicamente, pela ausência de ação. Não há transformações cênicas em curso, mas apenas conjecturas do narrador sobre o que os dois homens teriam feito e pensado enquanto se encontravam sentados no bar. Aquilo que é narrado fica no nível da manifestação: o narrador imagina o que teria acontecido, vai supondo (supõe que são pai e filho, supõe as ações que eles acabaram de fazer, o que pensam...), deixando que o leitor também opine sobre os acontecimentos. Nada é definido ou definitivo. Nesse caso, é a imaginação do leitor, complementando a do narrador, que dará sentido às coisas.

O conto é narrado em terceira pessoa e é como se o narrador buscasse criar um efeito de objetividade: o de que se atém à realidade tal como ela se apresenta. Ao descrever as cenas acontecidas no bar e o próprio ambiente, transmite a sensação de que está sentado a uma mesa próxima, já que consegue descrever detalhes das ações dos personagens.

No curta, adaptado por Helvécio Marins Jr., a primeira cena mostra um bar com muitas pessoas. O que chama a atenção de imediato é o fato de a filmagem ser em preto e branco. Segundo o cineasta, a ausência de cor representaria esteticamente a ausência da atividade, da comunicação entre os dois. A câmera mostra grande movimentação em volta dos dois homens: pessoas conversando, garçons trabalhando, barulhos de talheres e copos, enquanto eles permanecem em absoluto silêncio.

FIGURA 9 – O homem mais velho e o homem mais novo num mesmo plano. FIGURA 10 – Cena do bar.

As cenas seguintes têm o foco da câmera fechado: há um close em uma das personagens, um close na mesa e um close na outra personagem. Não existe diálogo entre os homens; podemos até dizer que não existe qualquer forma de interação, a não ser o fato de estarem – circunstancialmente – juntos (isto é, no mesmo espaço físico). A interação é inexistente não só entre os dois, mas entre eles e os demais personagens do bar. A câmera ora mostra as personagens inertes, ora mostra o bar em movimento. E isso se repete várias vezes.

87 Temos uma imagem captada do alto que mostra as pessoas indo embora, dando a sensação de passagem do tempo. O garçom começa a limpar as mesas, e os dois homens são, assim, carregados para fora em suas cadeiras e literalmente colocados na lata do lixo, como se fossem não mais sujeitos, mas meros objetos inertes, incapazes inclusive de ir-e-vir como os demais atores. Nessa perspectiva, o que, no conto, era uma suposição do que aconteceria, no curta, é concretizado.

FIGURA 11 e 12 – Seqüência da cena em que os homens são colocados no lixo.

3.2.2. The end of everything

Seguindo a linha dos silêncios e das imagens, o conto “O fim de tudo” foi escolhido para ser traduzido pelos alunos do Curso de Letras da Fundação Educacional de Ituiutaba. A tradução recebeu o nome de The end of everything, uma vez que foi realizada por alunos de Inglês. O conto, que tem como tema o progresso e o quanto ele é prejudicial à humanidade, é narrado em terceira pessoa e discurso indireto livre mas tem algumas falas em discurso direto.

Na tradução, todo o conto é mostrado apenas em imagens. Primeiro, temos uma sequência de belas imagens, com montanhas, cachoeiras, pássaros, aquilo que ainda pode ser considerado, da forma como é visto, intacto, sem a marca humana. À medida que o tempo passa, temos imagens de paisagens já degradadas, lagos que estão secando e até de uma fábrica, provável causadora da poluição local.

É interessante destacar que o conto está literalmente presente no curta pois o texto verbal é colocado na tela, como legenda em inglês. Aquilo que era, no conto, discurso indireto

88 continua sendo discurso indireto, e o que era direto passa também a ser narrado de forma indireta. Por uma sequência de imagens, a história é contada, com o auxílio do texto verbal.

Segundo Saraiva e Canito, “detalhes revelados pela câmera podem substituir o diálogo. A capacidade do cinema de narrar por imagens, muitas vezes supera a necessidade do diálogo – e isso deve ser indicado já no roteiro.” 112 Nos dois curtas analisados é justamente isso que ocorre. Limitando-se a usar a imagem e descartando a narração em off, Helvécio Marins cumpre o papel de tradutor, substituindo a narração verbal pela narração realizada pela própria câmera. O uso do recurso cinematográfico foi utilizado a favor de se construir uma narrativa que mantém estreitas relações com a obra de Luiz Vilela. Já em The End of Everything, que é uma tradução um pouco diferente, por ser um trabalho acadêmico de um curso de línguas, o mesmo recurso foi utilizado, obtendo-se um resultado positivo, pois as imagens por si só já são passíveis de compreensão, não precisam de um segundo código, o que ficaria repetitivo.