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Instrumentos Camadas Médias Camadas Populares

Composição 1 0 Regência 1 1 Canto 1 1 Violão 2 0 Trombone (Metais) 1 1 Piano 1 1 Percussão 0 1 Total 7 5

2.2.2 O instrumento de coleta de dados

Para a obtenção dos dados referentes às trajetórias de formação musical dos sujeitos da pesquisa, utilizei-me da técnica da entrevista oral. A partir de entrevistas semi-estruturadas com os estudantes, coletei (utilizando gravador) depoimentos acerca das experiências de formação musical ao longo da vida do entrevistado. Tal procedimento exigiu a formulação de um roteiro contextual, comum a todos os sujeitos de pesquisa, já que a utilização de um roteiro rígido, com perguntas previamente elaboradas, poderia culminar na perda da complexidade das experiências vivenciadas por cada um dos sujeitos em suas trajetórias de formação musical.

Tal instrumento possibilitou-me exercer um certo controle na entrevista. Isso foi necessário, na medida em que o objetivo era trabalhar com certos processos específicos inerentes à história de vida do sujeito e não com a história oral de vida. Essa forma de roteiro também proporcionou um grau de liberdade aos entrevistados na construção de seus depoimentos. Tal flexibilização mostrou-se fundamental para o processo de coleta dos dados pois, por meio dessa atitude, logrei tratar cada entrevista de forma exclusiva, sendo, assim, coerente com as peculiaridades e singularidades de cada experiência formativa que me era apresentada nas entrevistas.

As entrevistas foram integralmente transcritas de acordo com as normas do Centro de Pesquisa e de Documentação de Pesquisa Contemporânea do Brasil (CPDOC) e devolvidas aos sujeitos, para que pudessem corrigir possíveis falhas decorrentes da escuta e/ou nomes técnicos dos quais não domino. Após corrigirem as transcrições, elas me foram devolvidas para que, enfim, eu as colocasse em análise e as devolvessem novamente aos sujeitos.

2.2.3 As entrevistas

Após vários telefonemas, explicações e justificativas acerca do processo de pesquisa, pude formalizar o convite e marcar as entrevistas com os sujeitos selecionados. Esse processo, simples à primeira vista, foi permeado de dificuldades. Os estudantes da Escola de Música, em sua maioria, permanecem pouco tempo em casa, já que têm aulas em horário integral e têm muitas noites ocupadas; entre aulas, ensaios e shows. Oito entrevistas foram realizadas na casa dos sujeitos e quatro na Escola de Música da UFMG. Cada entrevista durou, em média, uma hora. Os encontros realizados nas casas dos sujeitos possibilitaram-me conhecer mais de perto a estrutura familiar deles, as condições econômicas, os bens materiais, os espaços de estudos. Além disso, foram entrevistas em que o diálogo se deu de forma mais espontânea.

Já as entrevistas realizadas na EM/UFMG foram feitas em salas de aula disponíveis ou, ainda, que já estavam sendo ocupadas pelo sujeito em seus estudos, ou em espaços escolhidos por ele.

3 CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DOS ALUNOS DO CURSO DE BACHARELADO EM MÚSICA DA UFMG

A seguir apresentarei o perfil socioeconômico da população de aprovados nos vestibulares para o curso de bacharelado em Música/UFMG durante os anos de 1999 a 200524. Tal população corresponde a um total de 260 observações, 85% do total de aprovados nesse

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A intenção inicial era analisar os dados da população de aprovados entre 1995 a 2005, porém a demanda foi atendida parcialmente pela COPEVE, pois esda comissão só tinha disponível os dados e os respectivos questionários dos anos de 1999 a 2005, condição esta que não desqualifica a discussão proposta nesta dissertação.

período25. Os 15% restantes (46 aprovados) não serão contemplados nessa análise, pois passaram no vestibular para a modalidade licenciatura (FONTE: COPEVE 1999 a 2005).

O esclarecimento do perfil social dessa população é de extrema importância para o desenvolvimento do presente trabalho, primeiramente por desvendar o que ainda está oculto, tanto para a comunidade acadêmica quanto para sociedade em geral, já que não existem pesquisas que revelaram a fotografia social de nenhum dos cursos de graduação da área das artes da UFMG. E, em segundo lugar, porque esclarecer o perfil socioeconômico dessa população significa proporcionar maior embasamento empírico às discussões que serão posteriormente desenvolvidas nesta dissertação.

Como mencionado anteriormente, utilizarei, para o alcance deste objetivo, a escala de fator socioeconômico – FSE, desenvolvido por Braga, Peixoto e Bogutchi (2001). Primeiramente apresentarei os dados referentes às variáveis que deram origem ao índice FSE, são elas: renda familiar, escolaridade e ocupação dos pais, situação de trabalho no momento da inscrição para o vestibular, sistema de ensino no qual cursou o ensino médio, tipo e turno em que cursou o ensino médio. Vejamos:

Tabela 1: RENDA DO GRUPO FAMILIAR (em salários mínimos)

Freqüência % Menos de 1 S.M 4 1,5 De 1 a 2 S.M 4 3,1 De 2 a 5 S.M 63 24,2 De 5 a 10 S.M 46 17,7 De 10 a 15 S.M 47 18,1 De 15 a 20 S.M 30 11,5 De 20 a 40 S.M 41 15,8 De 40 a 60 S.M 15 5,8 Mais de 60 S.M 5 1,9

Caso não analisado 1 0,4

25 Os dados a seguir apresentados foram fornecidos pela Comissão Permanente do Vestibular (COPEVE) e devidamente tabulados de acordo com os objetivos do presente trabalho.

Total 260 100

FONTE: COPEVE (1999 a 2005).

No que se refere à renda familiar mensal, pode-se concluir, com base nos dados de 1999 a 2005, que a população dos candidatos aprovados na EM/UFMG é favorecida em termos econômicos, visto que 53,1% do total de inscritos nesse período possuem renda familiar igual ou maior que dez salários mínimos, 41,9% de dois a dez S.M e somente 4,6% possuem renda familiar menor que dois salários mínimos.

Gráfico 1: PARTICIPAÇÃO DO ESTUDANTE NA RENDA FAMILIAR

47%

28% 11%

6% 3%3% 2%

Não trabalho e sou sustentaoo por minha família ou outras pessoas Trabalho e sou sustentaoo parcialmente

Trabalho e sou responsável pelo meu próprio sustento Trabalho me sustento e contribuo na renoa familiar Trabalho e sou o principal responsável pela renoa familiar Outra situação

Casos não analisaoos

FONTE: COPEVE (1999 a 2005).

Já no que se refere à participação na renda familiar, os números indicam que 75% dos sujeitos aprovados nos vestibulares de 1999 a 2005 são sustentados completa ou parcialmente pela família, o que também sinaliza a situação confortável do alunado da EM/UFMG.

Gráfico 2: OCUPAÇÃO DOS PAIS26

26 Agrupamentos de ocupações: Grupo 1: Banqueiro, deputado, diplomata, capitalista, alto posto militar,alto cargo da chefia ou gerência de grandes organizações, alto posto administrativo no serviço público, grande industrial, grande proprietário rural com área de mais de 2.001 hectares e outras ocupações com características semelhantes. Grupo 2: Profissional liberal com nível universitário; cargo técnico cientifico; cargo de chefia ou gerência em empresa comercial ou industrial de porte médio; posto militar de tenente, capitão, major, coronel; grande comerciante, dono de propriedade rural de 201 a 2.000 hec. E outras ocupações com características semelhantes. Grupo 3: Bancário, oficial de justiça, professor primário e secundário, despachante, representante comercial, auxiliar administrativo, auxiliar de escritório ou outra ocupação que exija segundo grau completo. Inclui funcionário público com esse nível de instrução e exercendo atividade semelhante, posto militar de sargento, subtenente e equivalentes, pequeno industrial, comerciante médio proprietário rural de 21 a 200 hectares, outras ocupações com características semelhantes.