D. Zerdüştilik
1- Zerdüşt’ün Hayatı ve Zerdüştiliğin Doğuşu
Além de ser uma extrapolação de tendências históricas e uma ferramenta para buscar o melhor ou evitar e minimizar os problemas futuros, os autores pensam outros objetivos válidos para o planejamento. O primeiro deles é estimular a imaginação e aumentar a perspectiva. A imaginação é usada, logo de início, na organização de todos os fatores que podem ter alguma conexão com as questões abordadas. Isso força, ainda, a elaboração de distinções e o exame de nuances pouco notadas ou menosprezadas, além de estimular a reflexão sobre situações e influências importantes, mas que ficam de lado por parecerem improváveis. Dessa forma, possibilidades que não parecem opções reais em um momento, podem se tornar considerações sérias conforme ocorram novos desenvolvimentos. Essas alternativas absurdas também teriam algum caráter heurístico, servindo como exemplos ilustrativos, além de fornecerem os limites da realidade. Assim, a pesquisa também poderia abrir a mente para novos conceitos e possibilidades. Porém, poderia haver um exagero ao
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 386-387. 631 Ibid., p. 398-399.
empregar a imaginação, arriscando, assim, perder-se em um labirinto de improbabilidades bizarras. O ideal seria um meio termo, que não resultasse na padronização das hipóteses, intercalando, portanto, o planejamento mais curto e assentado no presente e aquele de longa duração e assentado na imaginação632.
Um segundo objetivo é esclarecer, definir, nomear, expor e discutir as questões principais. Os autores partem da idéia de que há acordos difundidos e explícitos sobre: as questões que são importantes, as opiniões sobre elas que são possíveis ou razoáveis e quais são os argumentos principais em cada uma dessas opiniões. Contudo, os autores afirmam que não existe acordo sobre o que essas coisas tratam, exceto, possivelmente, dentro de poucos círculos consolidados ou sobre poucas questões, as quais receberam grande. Assim, várias questões importantes continuam irreconhecíveis, indefinidas ou sem discussão. Além de definir, os autores defendem a necessidade de nomear, pois uma escolha de categorias é uma escolha de assuntos. As mudanças também deveriam, por isso, ser objeto de atenção, já que elas refletiriam nas classificações. A nomeação também colaboraria com as metáforas heurísticas, pois permitiria aproximar questões análogas. Essas classificações também exigiriam um desenvolvimento aprofundado dos argumentos e de seus alicerces, esclarecendo, assim, o posicionamento de cada participante633.
O uso de contextos alternativos também seria útil, pois esses contextos concebem as medidas, além dos valores e das suposições do planejador, de forma integrada. Essa forma de trabalho permite a comparação entre diferentes conjuntos de medidas e, portanto, a consideração de várias possibilidades. Isso ocorre, pois a construção de vários pacotes de políticas em relação a contextos variáveis revela um grande número de interações entre as variáveis634.
Outro objetivo que os autores consideram válido no planejamento é a criação de metodologias, paradigmas, estruturas e exposições propedêuticas e heurísticas. O próprio livro foi escrito com esta intenção, como aparece no subtítulo e na introdução dos autores. Dessa forma, Kahn e Wiener reconhecem que não conseguiram alcançar um paradigma para a especulação do futuro, mas apenas uma estrutura. Assim – e esclarecendo aqueles conceitos da introdução do livro – eles definem paradigma como algo mais elaborado do que uma estrutura e uma metáfora635. Os autores entendem paradigma como um conjunto conceitual
632 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 399-400. 633
Ibid., p. 401-402. 634
Ibid., p. 402-403. 635 Ibid., p. 403-404.
que é um guia pragmático e passível de acréscimos, servindo, assim, como referência de análise para qualquer pessoa. Porém, e principalmente na ciência do futuro, ele seria essencialmente provisório e objeto de revisão, já que o futurismo não é uma ciência cumulativa da sociedade, mas apenas uma tentativa de melhorar a qualidade da discussão e a análise das questões que mudam continuamente. Visando melhorar o caráter explicativo da ciência do futuro, os autores defendem a utilização de instrumentos propedêuticos e heurísticos, os quais facilitariam a transmissão de conhecimento, promovendo, então, a compreensão de tudo que está inserido no processo de decisão, principalmente nas questões que envolvem conhecimentos de diferentes áreas. Além da necessidade discursiva mais abrangente, os futuristas também defendem a necessidade de fontes secundárias e do conselho de experts636.
Outro ponto válido seria o desenvolvimento da cooperação e da comunicação intelectual, particularmente pelo uso de analogias históricas, cenários, metáforas, modelos analíticos, conceitos precisos e linguagem adequada. Ou seja, frente à dificuldade em conceber regras pragmáticas e hipóteses heurísticas para trabalhar com situações novas, como uma conduta adequada das relações internacionais em um mundo termonuclear, por exemplo, um mecanismo possível seria criar e usar “casos históricos” artificiais e “exemplos históricos” para suplementar a escassez de exemplos reais637.
Em complemento a anterior, outra utilidade do planejamento político seria aumentar a habilidade em identificar novos padrões e crises e entender suas características e importâncias. Assim, a utilização de “aparatos” artificiais para o planejamento político se devia à rapidez das mudanças. Essas mudanças, então, acabavam gerando novas dificuldades e conceitos. Essa era, para Kahn e Wiener, a essência do problema. Assim, apontam que se dedicar à especulação do futuro poderia permitir identificar e estudar padrões, possibilitando o reconhecimento desses no mundo real. Com isso, os autores acreditavam ser possível minimizar as decisões erradas, as surpresas desagradáveis e as oportunidades perdidas, permitindo, então, algum controle, ainda que mínimo, sobre o futuro638.
Outra validade atribuída ao planejamento por Kahn e Wiener é o fornecimento de conhecimento específico, que geraria conclusões, recomendações e sugestões. Todavia, os autores fazem mea culpa ao reconhecer que o livro contém poucas conclusões específicas, recomendações ou sugestões, já que se trata de uma estrutura para especulação. De qualquer
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 404-406. 637
Ibid., p. 406. 638 Ibid., p. 406-407.
forma, os estudos que visam conclusões, não são, conforme os autores, definitivos, limitando- se, portanto, a aspectos particulares de um campo e sendo conclusivos somente dentro de limites bastante estreitos. Assim, só em ocasiões raras um estudo sobre o futuro poderia fazer recomendações finais com grande autoridade639.
Um penúltimo objetivo do planejamento é esclarecer as escolhas políticas, enfatizando aquelas que possuem eficiência e flexibilidade sobre um amplo conjunto de contingências. Uma vez que todas as escolhas são baseadas em realidades, objetivos e suposições atuais, elas podem, portanto, mudar rapidamente. Frente a isso, os autores defendem a importância de entender explicitamente a relação das escolhas com tais realidades, objetivos e suposições. Contudo, eles reconhecem a dificuldade em realizar isso, pois a maioria das pessoas – inclusive a maioria dos analistas profissionais – tende a esquecer as razões originais para suas escolhas e não estão, então, dispostos a mudar suas posições. Uma forma de evitar tal problema seria uma constante reavaliação das escolhas, o que possibilitaria entender o lado negativo delas, assim como seus inconvenientes e os custos associados. Dessa forma, clarificar a opção envolve alguma consciência do fato que existiu uma e que outra teve que ser sacrificada ou comprometida. Conforme esse entendimento, é preferível, às vezes, modificar um sistema para, assim, estar apto a enfrentar situações não delineadas e com contingências relativamente menos favoráveis – ou improváveis – que aquelas esperadas quando a opção foi feita. Destarte, quem decide deveria conseguir obter vantagens de situações inesperadas, mas favoráveis, se elas surgissem, sem se perder, contudo, nas inúmeras colaborações e discussões próprias da política, que poderia resultar em perda de oportunidades640.
A última validade seria desenvolver a habilidade administrativa daqueles que decidem e de suas equipes, fazendo-os reagir apropriadamente ao novo. Dessa maneira, qualquer desenvolvimento nos debates políticos, na comunicação e no esclarecimento de questões básicas poderia resultar em um maior entendimento nos níveis superiores do governo, dentro das elites intelectuais e entre as pessoas no geral. Esse maior entendimento, por sua vez, tornaria os participantes moralmente mais sensíveis, informados e intelectualmente mais sérios. Dessa forma, conforme os autores, estimular o estudo de problemas cruciais e atrair a
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 407-408. 640 Ibid., p. 408-409.
atenção para decisões e atos potencialmente necessários são requerimentos mínimos para enfrentar com sucesso os problemas do futuro641.
Essas outras utilidades do planejamento não fogem, primeiramente, da questão de pensar as diversas possibilidades quando se planeja o futuro. Assim, desde a defesa do estímulo à imaginação até a de esclarecer os critérios das escolhas das políticas públicas para o futuro, a questão essencial são as possibilidades. Além dessa questão das possibilidades, está presente, também, a preocupação em apresentar o método e, então, como os seus utilizadores devem deixar todas suas conclusões bem claras e didáticas. Isso não serviria somente como critério de venda dos planejamentos, mas também para facilitar o entendimento de que tipo de ação o planejamento recomendaria. E, como vimos nas bases para o método, essa ação é sempre presente. Dessa forma, o método de planejamento, em suas diversas outras utilidades que não a de prever, especular e planejar o futuro, ajuda na compreensão do presente, que é o tempo da ação. Portanto, se o método se debruça sobre o futuro, o faz visando a ação no presente. Os próprios autores apontam que alguns dos pesadelos e das possibilidades mais alarmantes que aparecem no livro foram desenhados para explorar possibilidades inerentes a algumas tendências presentes na sociedade contemporânea. E preocupam-se com elas, pois pensam que algumas das inovações tecnológicas e dos desenvolvimentos econômicos que fazem esses pesadelos possíveis são praticamente irreversíveis642.
Agora que vimos os problemas específicos do planejamento a longo prazo e as outras utilidades das especulações do futuro, podemos, então, pensar alguns aspectos do método e da prática de especulação que Kahn e Wiener realizam.