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Mani’nin Hayatı ve Maniheizm’in Ortaya Çıkışı

II. BÖLÜM: İPEK YOLU ÜZERİNDE DIŞARIDAN GELEN DİNLER DİNLER

1- Mani’nin Hayatı ve Maniheizm’in Ortaya Çıkışı

Uma forma, então, de lidar com esses movimentos de massa era uma maior eficácia do controle social. Os autores percebem que as obras sobre esse assunto, pelo menos as mais conhecidas, são romances escritos por novelistas e ensaístas talentosos, como Aldous Huxley e George Orwell, por exemplo. Apesar de serem consideradas obras fantasiosas, Kahn e Wiener afirmam que as tecnologias empregadas nessas antiutopias literárias não parecem absurdas como possibilidades resultantes da extrapolação do progresso das ciências. O controle social seria dificultado, no entanto, pela própria complexidade da sociedade moderna, pois, qualquer fratura em alguma parte da sua estrutura ocorreria de forma repentina e teria um efeito holístico, dificultando, assim, qualquer planejamento e controle intencionalmente mais longos. Ou seja, por mais que o desenvolvimento da riqueza e da tecnologia desse um amplo conjunto de alternativas, uma vez que a opção fora feita, muito controle e organização seriam necessários601.

Pensando inicialmente o controle biológico, os autores defendem que os Alfas e Betas de Huxley, apesar de serem maravilhas científicas, poderiam ser cogitados como uma possibilidade real para o futuro602. Os autores argumentam, então, que o tratamento coercitivo para doenças mentais, por exemplo, poderia aumentar a probabilidade de pessoas terem vidas construtivas, ou que as adaptações biológicas do homem em uma sociedade extremamente complicada e super-populosa aumentariam a sua liberdade para viver de forma satisfatória e útil. Porém, o desenvolvimento desse processo poderia ser inconsistente com o que pode ser considerado liberdade ou dignidade humana. A evolução da sociedade poderia, portanto, produzir alguma forma de involução do homem, pois, se a adaptabilidade (e superioridade) do homem tem consistido em sua falta de adaptação especializada, em um futuro não muito distante, o homem poderia ser adaptado em um sentido especializado e “manufaturado” pela ciência genética. Dessa forma, a sobrevivência dos mais aptos poderia ser substituída pela adaptação dos sobreviventes603.

Existiria, portanto, vários homens sob administração constante de drogas para que pudessem se adaptar à ecologia para qual foram designados. O governo central possivelmente dedicaria grande parte de seus esforços para manter o sistema funcionando apropriadamente,                                                                                                                          

601 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 346.

602 São dois tipos superiores – sendo o Alfa mais inteligente que o Beta – resultantes das manipulações genéticas, tal como aparece no romance Admirável mundo novo. Cf. HUXLEY, Aldous. Admirável mundo novo. Rio de Janeiro: Bradil, 1969.

podendo preocupar-se apenas, então, com os problemas marginais e mais imediatos e não mais com questões básicas ou com contrariedades ao sistema. A saída para essa situação seria, talvez, a rejeição da tecnologia moderna, e, então, conforme os autores, o século XXI não conseguiria mais retornar ao mundo do século XX, assim como o mundo helênico não pode voltar à era de ouro de Péricles604.

Outra grande questão decorrente da tecnologia médica seria definir o que é o ser humano, uma vez que poderia haver casos de indivíduos mantidos biologicamente vivos, visando evitar, com isso, conseqüências testamentais. Além disso, com o aumento dos recursos de partes humanas para substituição, incluindo estímulo artificial e substituição de certas funções cerebrais, os casos judiciários inevitavelmente cresceriam no sentido de delimitar quando o homem deixa de ser si mesmo. O último recurso a estas técnicas, então, teria que ser submetido ao governo. Se a superpopulação e a longevidade crescessem para algum limite não especificado, o direito a filhos e o recurso às técnicas de longevidade poderiam também ser regulamentados pelo governo. Tudo isso, portanto, afetaria enormemente o padrão civilizado humano605.

No entroncamento da questão social com a biomédica estariam as drogas e outras formas de controle do comportamento humano. Caso se confirmasse esse controle, existiria, consequentemente, uma forte ênfase no ajuste ao coletivo em detrimento do individualismo. Destarte, o recurso às drogas, a religiões mundanas, à delinqüência, ao crime e às doenças mentais poderia crescer significativamente, requerendo sanções médicas, sociais e criminais para prever ou conter as formas de distúrbio que seriam excessivamente disfuncionais para os sistemas sociais e políticos. Além disso, mudanças de personalidade poderiam ser possíveis, por exemplo, por fluxos hormonais, visando, assim superar a objeção racional ou do ego à continuação de determinada atividade. Técnicas alternativas, como ondas de rádios, impulsos ultra-sônicos, alucinações induzidas e várias formas de dispositivos educativos operariam desde a infância. A justificativa para essas práticas se daria sob o argumento de higiene mental, por exemplo. Por mais que isso soasse absurdo, os autores argumentam que a cultura ocidental está afinada com o conceito de doença mental e com sua cura: o conceito moderno é mais de reabilitação do que de punição. Delinqüentes são guiados por trabalhadores sociais, crianças perturbadas são tratadas por conselheiros, pais lêem psicólogos para aprender como cuidar de seus filhos. É, portanto, a retórica do ajuste e do tratamento mental, por isso as                                                                                                                          

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KAHN, H.; WIENER, A.J., p. 351. 605 Ibid., p. 348-349.

diversas formas de automedicação psicológica, como os tranqüilizantes. Assim, os autores afirmavam que mais do que duvidar se os americanos usariam tais técnicas, há razão para se duvidar se eles ofereceriam qualquer resistência efetiva a elas606.

Esse conjunto de possibilidades médicas obviamente levantaria questões éticas que alcançariam, inclusive, as criaturas menores e as máquinas. Esse grupo de alterações do homem poderia abalar a confiança em si mesmo e o seu papel no mundo poderia ser seriamente limado. Em resposta a isso, religiões estranhas surgiriam buscando novas explicações para o universo. Tais religiões poderiam tentar glorificar o homem de várias maneiras que repudiariam as interpretações científicas e racionais que tinham florescido desde a Renascença, ou poderiam ser masoquistas e denigridoras do homem607.

Dessa maneira, como a sociedade estaria mais suscetível a rupturas, abriria espaço para chantagens sociais ou à ação do crime organizado. Então, com a proliferação nuclear sendo uma tônica, seria possível que os criminosos tivessem acesso a armas poderosas. Além disso, as conspirações criminais e políticas poderiam atacar redes computadorizadas necessárias ao governo. Esses esforços poderiam, então, romper as funções do computador, ao menos temporariamente, e produzir crises e distúrbios que afetariam as operações e os sistemas de prognósticos. Os sistemas avançados de armas, que operariam sobre bases computadorizadas, fariam o consenso da população e o apoio dentro da força armada praticamente irrelevantes, pois muitas poderiam ser automáticas ou precisarem de pouca intervenção humana. Um exemplo disso seria a existência de algum sistema de vigia que rastrearia e ou destruiria ou incapacitaria os alvos608.

Frente a isso, talvez a única alternativa fosse formas severas de controle e de vigilância. Meios tecnológicos para isso seriam, por exemplo, a monitoração de conversas pelas vibrações produzidas em vidros de janelas e a fotografia de documentos a grandes distâncias. Monitores de TV internos e externos poderiam se tornar comuns e baratos e sistemas de controle de acesso a contas e informações bancárias checados por voz e face poderiam existir. Todos esses avanços também seriam úteis para a checagem da população, assim como para rastrear frases perturbadoras. Isso poderia ter alguma contraparte econômica e social, uma vez que, apenas aqueles com grandes recursos poderiam – ou apenas por

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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 348-350. 607

Ibid., p. 351. 608 Ibid., p. 347, 352.

suborno e manipulação política – evitar alguma monitoração ou interferir na transmissão de dados609.

Essa sorte de problemas e de rigidez do controle poderia racionar os acessos a locais de diversão, assim como aos recursos médicos. Substitutos de comida seriam desenvolvidos e acessos a novas formas de casas socializadas regulados. As conseqüências das desarticulações e erros nas funções de produção, distribuição e controle dos negócios e do governo poderiam ser tão grandes que os recursos para enfrentá-las deveriam ter primazia sobre as liberdades civis. Haveria, portanto, a utilização da tecnologia para atender essas necessidades de controle610.

A solução para esse conjunto de problemas decorrentes do emprego da tecnologia na vida social poderia, contudo, ser pior caso se recorresse, por exemplo, ou à tecnocracia, ou à aristocracia, ou à oligarquia para controlar o sistema político. Isso poderia acontecer se as bases que legitimassem a democracia deteriorassem, não oferecendo resistência a essas formas de usurpação do controle por poucos. Porém, esse problema seria possível dentro do próprio processo do controle. Se, por exemplo, o sistema se tornasse tão complexo, podendo ser trabalhado apenas a partir do computador central e dos bancos de memória dos sistemas de computadores nacionais ou mundiais, as capacidades políticas e militares estariam, então, concentradas em um único centro de controle. Nesse sentido, o controle poderia passar dos homens à máquina e, sendo assim, embora a população pudesse ser limitada, uma vez que não exerceria uma função útil, ela poderia ser mantida em um estado constante de drogas e/ou subserviência. Isso poderia prevenir rebeliões e distúrbios ou outras interferências não desejáveis611.

Com isso, os autores constroem, então, os possíveis cenários da sociedade pós- industrial. É importante percebermos que todos eles são pensados como alternativas e possibilidades ou desejáveis, ou reprováveis, visando, com isso, a própria constituição da sociedade pós-industrial antieconômica e um tanto utópica. Assim, encerram também a questão do planejamento para, então, retomar alguns aspectos metodológicos, os quais abordaremos a partir de agora.

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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 347-348. 610

Ibid., p. 347-348. 611 Ibid., p. 351-352.

5. A VISÃO DE HISTÓRIA NO MÉTODO FUTURISTA DE KAHN E WIENER

Antes de entrarmos na discussão final sobre a visão de história presente no método futurista de Kahn e Wiener, dedicar-nos-emos a algumas considerações e ressalvas que os autores fazem sobre o planejamento e o método de especular que propõem, as quais ajudarão na compreensão de como os autores entendem a história.