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İslâm Mezhepleri ve Tasavvufi Akımlar

D. Zerdüştilik

VIII- IX Avesta hakkında genel bilgi verilmektedir Sekizinci cilde bir nevi Avesta’nın özeti denilebilir

1- İslâm Mezhepleri ve Tasavvufi Akımlar

Os futuristas insistem, ao longo do livro, na mudança constante e nos fatores desconhecidos, que poderiam tornar qualquer previsão ou planejamento incerto e até mesmo                                                                                                                           650 HEMPEL, C.G., 1995, p. 429-430. 651 Ibid., p. 433. 652 Ibid., p. 434.

equivocado. Seguindo a análise científica anterior e o argumento dos futuristas, esse erro no planejamento poderia advir de um mau conhecimento sobre o que se planeja e prevê, ou seja, um conhecimento incompleto de todas as condicionantes envolvidas no processo. Porém, mesmo que esse problema fosse vencido, Kahn e Wiener acreditam que a contingência futura poderia se impor. Como forma de vencer isso, os autores defendem os planejamentos flexíveis e que consideram diversas possibilidades, e a maneira que encontram para realizar isso é a metáfora heurística e os cenários.

A idéia heurística era recorrente no discurso de Kahn. Uma vez, querendo ilustrar um ponto, Kahn contava um episódio da II Guerra, quando foi interrompido por um general, que dizia que o episódio não havia ocorrido daquela maneira, já que presenciara o narrado. Kahn então respondeu que, no fim das contas, não importava, para os seus propósitos, o que tinha acontecido de fato, mas que, se a coisa tivesse ocorrido tal como ele expusera, o ponto em questão estava ilustrado653. Os cenários estão repletos desse elemento heurístico, mas, mais que isso, de um elemento ficcional. Se até a elaboração do mundo padrão existiu uma preocupação com critérios que pudessem ser baseados e derivados do conhecimento objetivamente histórico, os cenários praticamente não recorrem a isso.

Assim, os cenários são essencialmente exercícios de imaginação que partem de situações presentes ou passadas. Esse elemento imaginário era reconhecido pelos autores, por exemplo, ao defenderem o método cenário contra críticas que o associavam a alguém paranóico e desconfiado, pois era dedicado a ficar imaginando crises e conflitos. Kahn e Wiener o defendem, argumentando que essas previsões estavam associadas a acontecimentos do mundo real, sendo obrigação do analista conhecer as maneiras pelas quais os processos poderiam se desenvolver. Portanto, se houvesse algum grau de paranóia, era algum plausível654. Outra defesa que os autores fazem do cenário também deriva do elemento imaginativo, já que, segundo alguns argumentos, o cenário poderia se afastar da realidade. Frente a isso, Kahn e Wiener argumentam que o cenário não é preditivo, pois ele aborda o futuro, que é desconhecido. Justamente por isso não dá para falar de uma realidade de forma fixa para afirmar que o cenário foge dela. Além disso, os futuristas entendem os cenários aparentemente não realistas como uma maneira útil para limitar o que poderia vir a ser a realidade655. Assim, o elemento imaginativo está totalmente presente nos cenários, já que, conforme os futuristas, “a imaginação sempre foi um dos principais meios utilizados para                                                                                                                          

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GHAMARI-TABRIZI, S., 2005, p. 76. 654

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 263-264. 655 Ibid., p. 264.

lidar, de várias maneiras, com o futuro; e o cenário é simplesmente um dos muitos dispositivos úteis para estimular e disciplinar a imaginação”656.

Portanto, por mais que, na introdução de Bell e ao longo do livro, exista um afastamento do futurismo em relação à ficcionalização, na defesa dos autores sobre o cenário, há um elemento ficcional que pode aparentar alguma assemelhação entre a ferramenta e o gênero de ficção científica e especulativa657. Há, ao longo do livro, diversas referências à ficção científica e aos seus autores, além de diversos pontos semelhantes, como as especulações sobre as tecnologias futuras658. Além disso, como João Adolfo Hansen mostra, no gênero de ficção científica e especulativa, a principal característica é “a especulação sobre os limites da noção de ‘real’”659. Essa é, para os futuristas, uma questão também da especulação do futuro e, os cenários, então, ajudam a delimitar esse campo do real.

Sendo assim, o critério de verossimilhança do cenário está em como ele se relaciona com o presente e com o passado, para, então, parecer plausível. Porém, conforme Kahn e Wiener, não se deveria buscar somente a plausibilidade, já que existe o elemento surpreendente do futuro660. Para vencer esse elemento surpreendente, então, os autores recorrem à metáfora heurística – agora para pensar os eventos particularmente.

Com isso, os futuristas retomam a articulação das temporalidades, não mais somente como continuidade, mas também como metáfora heurística. O futuro é um tempo de problemas que nascem do presente, o qual, por sua vez, deriva do passado. Dessa forma, o passado, tal como no prognóstico racional dos séculos anteriores, serve como exemplaridade que, contudo, não precisa ser fidedigna à história661. Assim, alinha-se o passado com o futuro,                                                                                                                          

656 Tradução parcialmente nossa, parcialmente da edição nacional. KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 264; KAHN, H.; WIENER, A.J., 1968, p. 326.

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Essa questão do realismo do cenário foi analisada por Ghamari-Tabrizi na obra inicial de Kahn. Cf. GHAMARI-TABRIZI, S., 2005, p. 165-174, 297-298 e ao longo do livro. E, segundo Causo, a ficção científica é uma das partes da ficção especulativa, cf. CAUSO, Roberto de S. Ficção científica, fantasia e

horror no Brasil (1875-1950). Belo Horizonte: UFMG, 2003.

658

Além do mais, a comparação não é de toda infundada, pois Kahn teve contato com a ficção científica desde a infância, Cf. GHAMARI-TABRIZI, S., 2005, p. 61, 76.

659 CAUSO, R. de S., 2003, p. 15. 660

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 264.

661 No caso do passado, temos a já comentada historia magistra vitae, a qual se prolongou pela Europa, fazendo a história servir como um elemento de exemplo e de dissuasão. Isso aparece no episódio de Kahn e o militar, ou mesmo em um episódio, citado por Koselleck, no governo prussiano do século XIX. Um dos funcionários do Ministério das Finanças defendia a impressão de papel-moeda para pagar as dívidas. Então, o historiador da dinastia Hohenstaufen interveio, relembrando a lição de Tucídides sobre o malogro de atitude semelhante em Atenas. Frente ao argumento, o funcionário reviu seu posicionamento. Todavia, nunca existira papel- moeda em Atenas. KOSELLECK, R., 2006, p. 41. É importante ressaltar que essa questão da metáfora heurística pode ser discutida de forma ainda mais ampla, a partir da construção da história a partir de suportes da memória, cf. MARTINS, E.C. de R. Enigma do passado: construção social da memória histórica. Textos

ambos servindo como uma forma de justificar ações presentes. Portanto, além do peso da história como exemplaridade, temos, ainda, o uso da metáfora heurística, a saber, a criação de um cenário – passado ou futuro – não necessariamente “real”, que serve como ilustração e exemplo.

Há, portanto, na utilização de um cenário – histórico ou futuro – um aspecto questionador e, às vezes, dissuasivo. Ao argumentar que, por exemplo, as nações menos desenvolvidas podem desenvolver alguma espécie de auto-sustentabilidade, questões surgem, como: é interessante deixar que isso aconteça? Qual seria a influência, então, das potências sobre esses países? Como isso abalaria o equilíbrio de poder entre URSS e EUA? E, em maior grau, é interessante, portanto, deixar de tentar intervir nesses países e, com isso, arriscar criar um mundo mais introspectivo, abalando a coexistência tal como os autores concebem? Frente a essas questões, montam-se cenários que ilustram os possíveis desenvolvimentos e que recorrem aos exemplos heurísticos do passado, tudo visando um campo alargado de possibilidades para a manipulação do presente. Assim, é possível cogitar que as intenções políticas presentes se travestem de exemplaridade histórica e, então, de planejamento e especulação sobre o futuro.