II. BÖLÜM: İPEK YOLU ÜZERİNDE DIŞARIDAN GELEN DİNLER DİNLER
4- Orta Asya ve İpek Yolunda Maniheizm’in Yayılışı
Além das mudanças imprevistas, os autores elencam dez ciladas que poderiam levar um planejamento a resultados indesejáveis. A primeira delas é utilizar critérios muito estreitos. Isso ocorreria pelo paroquialismo, pelo partidarismo e pelos interesses dos que decidem, desconsiderando, assim, os novos critérios que poderiam ser relevantes. Esses critérios novos decorreriam das novas tecnologias, das riquezas, das condições de vida e das relações internacionais. Porém, conforme os autores, havia pouco compromisso com esse novo na decisão, já que quem decide preocupa-se mais com suas responsabilidades imediatas. Assim, todos acabam preferindo aquilo que já está delineado pelo sistema. Além disso, não há grupo responsável por essas novidades, não sendo raro o caso de uma questão nova ser identificada, todos os envolvidos concordarem que ela é significativa, e ela, apesar disso, continuar negligenciada simplesmente porque ninguém na estrutura burocrática tem como função tratar do novo problema. Isso contrariaria, portanto, um dos principais objetivos da pesquisa política, que é tentar adequar o que é tradicionalmente conhecido às inovações621.
Outra possível armadilha decorre de quem é que decide o que é “bom para a sociedade”. Os autores exemplificam afirmando que um parque ou uma força policial são coisas boas. Isso, no entanto, não significa que as pessoas contribuirão, pois cada indivíduo estará em uma situação melhor, em um cálculo utilitário e individual, se outras pessoas estiveram contribuindo e ele não tiver que fazê-lo. Assim, uma vez que as decisões de todos os indivíduos são independentes, nenhum indivíduo espera que seu comportamento afete algum número significativo de outras pessoas, principalmente se a comunidade for grande. Além disso, existem várias instâncias nas quais as decisões que são racionais para membros de um grupo levam a resultados que são indesejáveis do ponto de vista do grupo inteiro. Por exemplo, se existe tensão entre duas nações, elas duas – em conjunto – poderiam concordar
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 389. 621 Ibid., p. 389-391.
ser melhor evitar uma corrida armamentista ou uma guerra. Porém, frente às incertezas, uma nação poderia racionalmente decidir que o melhor caminho seria entrar numa corrida armamentista, ou até mesmo lutar, e a outra poderia, então, acreditar ser melhor responder à altura. Nesse sentido, Kahn e Wiener apontam como um erro comum a crença de que a concordância dos objetivos significa a concordância dos meios para alcançá-lo. Dois estados a favor do desarmamento não necessariamente concordariam sobre as maneiras de como realizá-lo. Então, se estas assimetrias forem suficientemente grandes, elas podem barrar concordâncias até mesmo quando o final pretendido é o mesmo. Inversamente, nações podem estar aptas a concordar com os meios – por exemplo, derrotar o Nazismo – enquanto discordam sobre o fim – o regime para a Europa e para o mundo após a guerra622.
O pensamento inadequado e as análises mal feitas são outra armadilha. Esse problema, conforme os autores, seria superado com dedicação de tempo suficiente e com a consideração das complexidades e das contingências. Porém, reconhecem que existem problemas para os quais nenhum “desenho de contingências” razoável é possível. Ou ainda, uma grande quantidade de planos que simplesmente não são pensados, porque doutrinas, costumes ou experiências desastrosas não criaram qualquer pressão para tanto. Frente a isso, somente a dedicação de tempo e trabalho em processos que consideram elementos novos e freqüentemente não levam a lugar algum poderia ajudar. A ausência da dedicação e da imaginação, conforme os futuristas, portanto, resultaria em uma tendência a tomar decisões importantes quase arbitrariamente, como se não houvesse meio para julgar se alguma opção seria melhor623.
Outro fator que pode conduzir ao erro é a má sorte. Ou seja, não haveria erro, mas uma falta de entendimento do problema, pois nem todos os aspectos dele puderam ser apreendidos. Isso acontece, pois existem situações nas quais os dados teóricos ou empíricos são insuficientes não apenas para suprir a informação necessária, mas também para perceber que alguma informação importante está faltando. O reconhecimento dessa possibilidade é, então, uma das justificativas principais para a delineação de contingências e para a defesa da flexibilidade do planejamento. Dessa forma, e constituindo outra cilada, a má sorte poderia advir de eventos pouco prováveis. Ou seja, por mais que houvesse um julgamento adequado, baseado nas probabilidades, o improvável poderia ocorrer. Assim, condições se revelam e elas são, de longe, piores do que qualquer um podia antecipar. Ou, ainda, algumas combinações
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 391-393. 623 Ibid., p. 393-394.
bizarras de acidentes têm lugar e “inundam” o sistema. Um exemplo dramático seria uma guerra nuclear acidental ou não informada. Portanto, um bom planejamento é delineado para diminuir não somente a probabilidade de má sorte, mas também as conseqüências para caso ela ocorra, já que o “extremamente improvável” não é o mesmo que o impossível624.
A sexta possibilidade de cilada é a mudança dos atores. Assim, malogros de decisões políticas podem resultar de uma falta de continuidade em atores efetivos ou grupos de pressão. Em uma situação típica, um grupo começa, outro formula, um terceiro constrói o programa, enquanto um quarto realmente o sustenta. É este quarto grupo (ou possivelmente outro grupo) que fornece a pressão contínua e determina o que o programa realmente realiza. Em vários casos, isso acaba sendo bastante diferente do que todos os grupos prévios queriam ou pretendiam625. Assim, esse fator de erro se assemelha muito ao segundo, a saber, de quem cabe a decisão do que é “bom para a sociedade”.
Outro convite ao equívoco seria a utilização de modelos inapropriados, os quais resultariam de algum erro. Por exemplo, as pessoas sentem que a agitação nas sociedades subdesenvolvidas resulta da pobreza. Elas concluem, então, que a ajuda estrangeira visando o desenvolvimento pode diminuir a quantidade de agitação nesses países. Porém, como foi mostrado, historicamente, o processo de desenvolvimento é perturbador e normalmente aumenta a violência e a agitação. Outro exemplo é retirado das relações internacionais: vários americanos sentem que cada passo na direção da integração ou união entre os Estados-nações é uma coisa boa se constituída como um governo democrático mundial ou uma comunidade mundial. Porém, para os autores, este modelo ignora várias questões, como uma clivagem na comunidade mundial decorrente desse mesmo processo. Assim, esse modelo inapropriado ilustra como uma decisão, em um ponto da estrutura, pode resultar em desintegração não intencionada em outro nível. Por fim, ainda dentro dos modelos, há o problema da imagem do espelho. Ou seja, alguém conhece seus motivos e atribui-os a outros. Esse tipo de erro ocorre entre nações, mas também entre segmentos sociais626.
Uma possibilidade de engano poderia advir de valores inapropriados para o futuro. Frente a isso, os autores reconhecem que as noções de alienação e de riqueza, que são parte constituinte da sociedade pós-industrial, basearam-se em valores correntes na classe-média americana dos anos 60 e poderiam parecer totalmente fora de lugar no ano 2000. Destarte, os autores defendem que é melhor entender certos valores não como um fim, mas com um meio
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 394-395. 625
Ibid., p. 395. 626 Ibid., p. 395-396.
e torná-los passíveis de questionamento. Evitar-se-ia, com isso, quando as condições mudassem, a falha de não reconsiderar os velhos meios em relação aos fins buscados. Caso isso não acontecesse, poderiam se manifestar não apenas esforços sem direção, mas também comportamentos destrutivos para outros objetivos mais importantes627.
Subestimar as incertezas do futuro também conduziria a resultados indesejáveis, pois o futuro é uma região de grande incerteza, estando a ação, portanto, restrita ao presente. Assim, os autores apontam dois tipos de erros que podem ser cometidos: 1) os planejamentos que focam pragmaticamente as decisões passo a passo, tendo uma perspectiva muito pequena, e 2) planejamentos que estão mais preocupados com a adesão a princípios gerais, podendo falhar ao tratar os problemas que aparecerem no presente. Os autores defendem, assim, a consciência de que as condições sociais mudam tão rapidamente, exigindo um re-exame contínuo dos meios e dos fins, para que os meios não se tornem os fins neles mesmos628.
Por fim, a última cilada é posta nos seguintes termos: o melhor pode ser inimigo do bom e vice-versa. Assim, o desejável e o viável podem ser separáveis por propostas analíticas, mas quando se faz escolhas, eles estão intimamente relacionados. Se, por um lado, um objetivo é muito desejável, ele pode trazer uma grande quantidade de entusiasmo e sua viabilidade poderá ser maior que a imaginada. Por outro lado, um objetivo que parece dentro do alcance pode ser mais atrativo do que um difícil de atingir. Portanto, como os autores argumentam, os objetivos limitados normalmente não impedem um maior incremento do progresso, mas objetivos excessivos e utópicos com freqüência evitam ganhos limitados. Nesse assunto, os autores rejeitam veementemente a idéia de que para fazer uma situação melhor, dever-se-ia, primeiro, torná-la pior, pois só isso motivaria as pessoas a fazer algo. A rejeição se dá porque, para os futuristas, por mais que funcione às vezes, isso torna as coisas piores do que elas precisavam ser629.
É interessante perceber que todas essas possibilidades de falha no planejamento advêm de um erro em qualquer uma daquelas quatro bases que abordamos no primeiro capítulo. Os autores partem da incerteza do futuro, que é um elemento que permeia, de alguma forma, todas as dez ciladas. Para evitar esse elemento de incerteza, os autores defendem, então, os eventos cumulativos. Assim, algumas falhas podem ocorrer no processo de percepção de como as decisões estão ligadas com as do passado e com as que ainda virão. Ou seja, é um erro na delineação e no tratamento do novo e dos elementos que estão, estavam e poderão
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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 396. 628
Ibid., p. 396-397. 629 Ibid., p. 397-398.
estar presentes nos processos decisivos. Por fim, isso acaba sendo uma má flexibilidade do planejamento, que não soube considerar o futuro em sua amplidão, nem conseguiu abranger todos os elementos participantes da decisão e seus efeitos. Desconsiderou, portanto, a relação das temporalidades, tanto na questão dos rompimentos, quanto das permanências, e não conseguiu desenvolver um bom trabalho interdisciplinar.
Para os autores, não é possível, portanto, fugir da incerteza sobre o futuro, por isso, defendem que o principal talvez fosse se abster da tentativa de legislar sobre o futuro com detalhes. Assim, as políticas sociais deveriam ser elaboradas permitindo alta quantidade de liberdade – de escolha, de protesto, de ação contrária – e evitando o fechamento de caminhos para a revisão e para novas decisões sobre o futuro. Esta delegação de decisões para o futuro poderia funcionar melhor, então, na facilitação do progresso do que na prevenção de desastres, pois algum grau de firmeza e rigidez pode ser requerido em política, assim como alguma disposição para barrar alguns futuros. Caso contrário, a indecisão poderia revelar insegurança e ela mesma causar uma erosão de valores ou uma aceleração de tendências prejudiciais630. Assim, o planejamento, visando evitar resultados indesejados, deveria reconhecer suas limitações e, além disso, ter consciência do que está tentando conquistar631.