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Lao-Tse’nin Hayatı ve Taoizm’in Doğuşu

I. BÖLÜM: İPEK YOLUNDA GEÇMİŞTEN VAR OLAN DİNLER

1- Lao-Tse’nin Hayatı ve Taoizm’in Doğuşu

Uma vez aventada a possibilidade de mudança cultural, os autores pensam essa mudança como uma possível alteração na civilização, a qual acompanha a visão de Toynbee e de Spengler. Esses dois historiadores identificaram um número de civilizações, as quais, então passaram por processos semelhantes. No caso de Toynbee, por exemplo: gênese, crescimento, colapso e desintegração513. Já Spengler, como vimos de forma bem resumida nos ciclos,                                                                                                                          

509 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 41. 510

O final do Social and Cultura Dynamics relativiza essa visão fatalista, pois Sorokin argumenta que se as forças Sensate iniciassem uma nova guerra, poderia ser o fim de toda energia humana, impedindo, com isso, a concretização de uma nova era. Ou seja, o que de fato aconteceria, conforme Sorokin, era algo que dependeria de nós. SOROKIN, P.A., 1970, p. 704.

511 Apesar de listarem, os autores não explicam por que tais eventos contradizem a cultura Sensate, porém, como vimos no caso dos 3 últimos, pode ser por representar um retorno aos modos messiânicos.

512

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 44. 513

Não explicarei cada uma pormenorizadamente, para não me alongar e porque os autores não utilizam o conteúdo dessas idéias de Toynbee, Cf. SOROKIN, P.A., 1950, p. 114-120; Cf. TOYNBEE, A.J. A study of

entende, primeiramente, o par cultura-civilização, sendo a segunda um desenvolvimento da primeira, mais precisamente, a fase final de uma cultura. Esse processo se daria, então, tal como a vida de um organismo vivo: juventude, crescimento, florescência e declínio, ou, ainda, infância, juventude, maturidade e velhice, ou, também, primavera, verão, outono e inverno514.

Kahn e Wiener reconhecendo o Ocidente como uma civilização, comparam, partindo de Spengler, aquilo que ele identifica como cultura com as fases Ideational e Idealistic de Sorokin. Já o que Spengler identifica como civilização, identificam com toda a fase Sensate515. Em outras palavras516, há, inicialmente, uma associação, dentro de Spengler, das fases de juventude e crescimento com a da cultura e, por sua vez, com as fases Ideational e Idealistic em Sorokin. Já as fases de florescência e declínio, com a civilização e, por sua vez, em Sorokin, com a Sensate517.

Não satisfeitos apenas com Spengler, os autores também “convidam” Toynbee para a roda. Conforme os autores, para Toynbee, a civilização deveria ser entendida, mais ou menos historicamente, “como a menor unidade independente de estudo”518. Partindo desses conceitos, os autores defendem que atualmente só há uma civilização, já que, devido à expansão geográfica da área de modernização, a história de cada país está ligada com a história da civilização ocidental. Sem entrar em maiores detalhes sobre outras civilizações, os autores reconhecem o apoio teórico sobre os exemplos das civilizações clássica e ocidental, já que são as mais importantes para nós, além de serem aquelas com as quais possuem maior familiaridade519.

Pensando, então, a formação das civilizações, os autores afirmam que vários filósofos da História acreditam que novas civilizações surgem da mistura de duas culturas ou quando um grupo bárbaro invade e conquista uma cultura estabelecida. Com isso: 1) “pode prevalecer uma liberdade de escolha e uma flexibilidade de perspectiva que conduza a novos estilos de

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

history (Abridgement vol. I-VI, by D.C. Somervell). New York/ London: Oxford University Press, 1958. v.1.

514 SPENGLER, O., 1964, p. 44 e a obra; Cf. SOROKIN, P.A., 1950, p. 72-112. 515

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 44.

516 E seguindo majoritariamente a exposição de Sorokin, para evitar entrar em pormenores teóricos de cada autor, o que alongaria a dissertação desnecessária e demasiadamente.

517

SOROKIN, P.A., 1950, p. 292-293.

518 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 44; KAHN, H.; WIENER, A.J., 1968, p. 76. Os autores não deixam claro de que texto de Toynbee tiraram essa definição. Todavia, ela difere um pouco de como o historiador inglês apresenta o conceito no Study of History. Na obra, civilização é posta somente como um campo inteligível de estudo histórico TOYNBEE, A.J., 1958, p. 35, 41; SOROKIN, P.A., 1950, p. 114. 519 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 44.

vida, de trabalho, ou de guerra”520; 2) o novo grupo pode aceitar as instituições e/ou técnicas anteriores, sem, todavia, aceitar a maior parte das tradições e dos interesses; 3) as novas pessoas podem ter alguma espécie de vigor bárbaro; e 4) as condições podem conduzir ao aparecimento de líderes eficientes e carismáticos. A civilização clássica, conforme exemplo dos autores, surgiu da mistura da forma primitiva micênica com os conquistadores posteriores. Já a civilização Ocidental tem suas raízes no impacto dos invasores germânicos e do norte na civilização romana521.

Assim, Kahn e Wiener argumentam – e já misturando cultura com civilização – que, em todo início de uma nova cultura, é perceptível uma área central quase nítida. No caso da civilização clássica, esse núcleo poderia ser a Jônia (basicamente Atenas), ou até mesmo toda a área grega, incluindo as colônias gregas na Itália, no Mar Negro e no Mediterrâneo Oriental. A área central da civilização ocidental seria a Itália Setentrional, a França, a Alemanha Ocidental, a Holanda e a Inglaterra. Alguns filósofos da história, segundo os futuristas, observaram que a área periférica muitas vezes torna-se mais dinâmica e agressiva que a central, e, então, conquista-a. No caso da civilização clássica, esse processo é exemplificado pela sequência Atenas, Macedônia e Roma. Na civilização ocidental, tal processo nunca foi realizado, apesar de a Inglaterra semi-periférica ter tentado conquistar o continente, assim como já tinha tentado a semi-periférica Alemanha e, de uma maneira um pouco diferente, os EUA totalmente periféricos522.

Então, citando diretamente Quigley, os autores recorrem ao conceito de instrumento

de expansão. Conforme o historiador americano, o instrumento de expansão marca a ascensão

das civilizações. Assim, o instrumento se constitui quando uma sociedade reúne três características: 1) incentivo para inventar, 2) acúmulo de excedentes – ou seja, algumas pessoas possuem mais riqueza do que consomem – e 3) a utilização do excedente para financiar ou utilizar novas invenções. Quando, então, uma sociedade reúne essas três características e, logo, um instrumento de expansão, ela é posta, por Quigley, como civilização523.

                                                                                                                          520 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1968, p. 77. 521

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 44-45. Apesar de citarem vários filósofos, aqui os autores se baseiam em Quigley, como ficará mais claro à frente, quando vermos o caminho das civilizações conforme o autor, o qual se inicia também pela mistura. É inegável, ainda, a influência de Toynbee.

522

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 45. Novamente, constroem essa análise assentados em Toynbee e, principalmente, em Quigley.

Na civilização clássica, por exemplo, a escravidão foi tal instrumento524. Já na civilização ocidental houve três fases e cada uma delas pode ser pensada como um renascimento da civilização. São elas: o sistema feudal (970-1270)525, o capitalismo comercial e o mercantilismo (1440-1700)526 e o industrialismo (1730-1929)527. Kahn e Wiener sugerem um acréscimo, para o futuro, de uma quarta e contemporânea fase de expansão, que se iniciara após a I ou II Guerra, nos EUA. Nesta, o instrumento de expansão poderia ser chamado de

técnicas modernas de administração e produção528. Argumentam, ainda, que também poderia ser chamada “cibernetização e tecnologia”, o que, para os futuristas, todavia, não parecia abrangente o suficiente para cobrir os fatores relevantes, especialmente a administração econômica pelo governo529.

Porém, como Quigley mostra, os instrumentos de expansão invariavelmente passam pelo processo de institucionalização. Conforme Kahn e Wiener, esse processo consiste na, depois de algum tempo, subversão e corrupção do instrumento de expansão por aqueles que o operam, sendo transformado, então, em instituição cujo maior propósito é servir aos interesses dos operadores. Esse processo causa a sucumbência de um dos três componentes do instrumento, sendo, normalmente, o terceiro. Quigley defende que se essa instituição não for sobrepujada por um novo instrumento de expansão, a civilização começa a declinar530.

É esse processo de ascensão e decadência de uma civilização que permite Quigley pensar o desenvolvimento das civilizações conforme o seguinte processo: Mistura → Gestação → Expansão → Era de Conflito → Império Universal → Decadência → Invasão531. A primeira fase consiste na mistura de culturas, a qual pode gerar civilizações. Se essa sociedade oriunda da mistura inventar, acumular excedentes e utilizá-los para novas invenções, então, ela desenvolverá o instrumento de expansão e tornar-se-á civilização. Após isso, inicia-se a fase de expansão. Entre a mistura e a expansão, ou seja, quando ainda está gestando o instrumento, tem-se a fase de gestação, que parece um período estável e sem grandes mudanças. A fase de expansão possui quatro formas, as quais ocorrem em conjunto: 1) maior produção de mercadorias, 2) aumento da população, 3) expansão geográfica e 4)                                                                                                                          

524

Essa parte, assim como todo o parágrafo, KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 45; QUIGLEY, C., 1963, p. 92, 194-196.

525 QUIGLEY, C., 1963, p. 260-261. 526

Ibid., p. 266-272. 527 Ibid., p. 284-294.

528 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 45; KAHN, H.; WIENER, A.J., 1968, p. 78. 529

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 45 530

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 45-46; QUIGLEY, C., 1963, p. 93. 531 KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 46; QUIGLEY, C., 1963, p. 98.

aumento do conhecimento532. Quando, então, o instrumento se torna instituição, a expansão decai e a civilização entra na era de conflito. Essa decadência apresenta quatro aspectos: 1) diminuição da expansão, 2) crescente tensão e conflitos de classe, 3) guerras imperialistas e 4) aumento do pessimismo, da irracionalidade e do misticismo. Com a estagnação do instrumento, o que resta são as guerras imperialistas, ou seja, a conquista dos vizinhos, visando retomar a expansão. Isso, devido à sensação de insegurança e de incerteza, acentua a irracionalidade e o hedonismo. O império pode ser bem sucedido, dando uma aparência de Idade de Ouro, todavia, o instrumento de expansão não está mais presente e, em breve, faz-se a Decadência. Essa fase se caracteriza pela depressão econômica, pelos padrões de vida que decaem e pelas guerras civis, causando o enfraquecimento da sociedade. Em paralelo, movimentos religiosos ganham destaque. Tal processo, por fim, torna a civilização indefesa, concretizando, então, a Invasão, podendo, assim, dar vazão a uma nova mistura533.

Outro cenário que os autores pensam para o desenvolvimento da civilização é o de Sorokin: caos Sensate tardio → aumento da polarização → crise → ordálio → catarse → carisma → uma nova religiosidade534. Esse processo apresentado por Sorokin (e que parece ordenado, tal como está, por Kahn e Wiener) é aquele da fase “final” dos ciclos. Assim, a crise, a qual já comporta a idéia do caos Sensate e do aumento da polarização, seria o momento da relativização dos valores, da ênfase nos aspectos materiais, da redução das liberdades, da decadência da criatividade, do enfraquecimento da segurança da vida, da divisão da população em dois grupos: os hedonistas e os ascetas ou estóicos indiferentes ou contrários aos valores Sensate. Após esse período, viria, então, o ordálio e a catarse. Portanto, após toda a crise, haveria um abandono dos valores Sensate e uma tendência aos valores Ideational ou Idealistic, o que ocorreria por sofrimento e purificação e por um retorno à razão, ao eterno e a valores absolutos. A catarse, então, encerraria a crise. Isso faria surgir um novo carisma, novas forças criativas e, portanto, uma nova cultura535.

Pensando essas diferentes hipóteses, os autores percebem dois processos. Por um lado, existem os sintomas da Sensate, em sua forma tardia, expressando algum sentimento de possível declínio e revelando novas pressões que conduzem à desumanização, à anonímia e ao reforço do direito do indivíduo realizar seus próprios valores e propósitos, se necessário, até

                                                                                                                         

532 Essas 4 fases se assemelham há alguns elementos da tendência múltipla, como as tendências 3, 5, 7, 8 e 10 (vide p. 47).

533

QUIGLEY, C., 1963, p. 98-109. 534

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 47. 535 SOROKIN, P.A., 1970, p. 698-702.

mesmo contra a vontade da comunidade. Por outro lado, há também a clara evidência de uma enorme expansão econômica usando a administração moderna e as técnicas de produção536.

Frente ao primeiro processo, os autores cogitam a possibilidade do ressurgimento religioso, que é realmente comum a Sorokin, Quigley, Spengler537 e Toynbee538. Os futuristas afirmam que Sorokin – assim como muitos filósofos da história dos séculos XIX e XX – acredita na possibilidade de um novo tipo de estágio religioso que apareceria após o fim da cultura Sensate. Segundo os autores, tal estágio poderia ser mais espiritual e intelectual, resultante da tecnologia, ou propriamente religioso. Poderia, também, desenvolver-se do Cristianismo, conforme Toynbee nas primeiras obras, ou ser uma síntese entre Leste e Oeste, conforme o mesmo autor, mas em obras tardias539. Por fim, poderia ser alguma coisa completamente diferente540.

Contudo, seja uma mudança de cultura, ou uma mudança da civilização, para os autores, alguns eventos não agradáveis ocorreriam entre o caos do Sensate tardio e a nova religiosidade. Então, afirmam que a maioria dos macro-historiadores é unânime em afirmar que a civilização não continuaria seguindo qualquer tendência (até a múltipla), mas que ela acabaria ou teria um novo e difícil nascimento, após um período de caos, anarquia, niilismo e irracionalismo. Durante esse período, provavelmente alguns indivíduos se polarizariam ao redor de valores éticos e altruísticos, enquanto outros, em torno do materialismo, sensualismo, amor-próprio e egoísmo. Frente a isso, Kahn e Wiener defendem que eventualmente uma idéia nova e carismática surgiria e seria usada para criar uma sociedade ou Ideational ou Idealistic – uma nova cultura ou uma ressurreição da antiga541. É, portanto, uma nova referência aquele período de transição dos ciclos de uma fase niilista para uma nova religiosidade.

Então, os autores afirmam que seria possível construir uma imagem do futuro usando evidências plausíveis e contemporâneas, as quais adaptariam o novo “instrumento de expansão” ou o caos Sensate tardio. Porém, reconhecem a dificuldade em fazer qualquer predição muito persuasiva ou rigorosa sobre a maioria das questões básicas, embora acreditem                                                                                                                          

536

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 46.

537 A segunda religiosidade, como já vimos nos ciclos, e Cf. SOROKIN, P.A., 1950, p. 105.

538 A Igreja Universal, que nasce do fim dos Estados Universais, e originam uma nova civilização. Cf, final do TOYNBEE, A.J., 1958, e início de TOYNBEE, A.J. A study of history (Abridgement vol. VII-X, by D.C. Somervell). New York/ Oxford: Oxford University Press, 1987. v.2; Cf. SOROKIN, P.A., 1950, p. 117-118. 539 Não falam quais, mas provavelmente as após a Civilization on Trial, na qual Toynbee revê alguns conceitos,

Cf. SOROKIN, P.A., 1950, p. 118-120. 540

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 48. 541 Ibid., p. 48.

que a predição possa iluminar alguns aspectos dessas questões, além de estimular o pensamento542. Ou seja, é como usar o próprio planejamento para aprimorar a tarefa de planejar e, com isso, conseguir o controle sobre o conjunto de manifestações características do que chamam de caos Sensate e aprimorar aquilo que identificaram como um instrumento de expansão. Todavia, essa possibilidade de mudança poderia trazer o problema da religiosidade decorrente do próprio desenvolvimento do Ocidente, podendo se concretizar como resultado da sociedade pós-industrial. Não seria somente, portanto, uma decorrência da modernização das sociedades tradicionais.