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2.5. Zarara Karşı Önlemler

Inicialmente, Prado Jr. divide a questão agrária de acordo com o interesse de dois grupos distintos: o dos trabalhadores sem terra ou com terra insuficiente para o trabalho e o dos grandes proprietários. Para ele, a questão agrária não é uma “coisa única” e, portanto deve ser analisada de forma fracionada. Em seguida, explica a necessidade do pesquisador que analisa um problema social de

7A idéia de “restos feudais” era defendida por seu principal interlocutor, Alberto Passos Guimarães e a ala do

partido comunista ligada a III Internacional. Este diálogo é explorado nesta introdução.

8 Em 1979 Prado Jr. colocava com certa indignação a atualidade de seus artigos, escritos entre 1961 e 1964.

Ele citou na introdução do livro “A Questão Agrária no Brasil” a expressão “...repetir sob novas formas e estender os velhos padrões...”(pág 9), referindo-se a continuidade do modelo agrário. Lamentável notar que os artigos escritos até 1964 (inclusive) ainda permanecem atuais quando se analisa a realidade do campo no

deixar claro quais suas convicções políticas. Estas convicções, que irão afetar o trabalho deste pesquisador, deverão estar presentes de forma consciente.

Na década de 1960 havia uma discussão em torno de duas propostas para a solução da questão agrária, sendo uma delas baseada na elevação do nível tecnológico da agropecuária e outra baseada na melhoria das condições de vida do trabalhador rural (PRADO JR., 1979, p. 185). Prado Jr., durante toda sua obra, faz questão de deixar claro que sua análise da questão agrária tem como foco a melhoria das condições de vida do trabalhador rural e entende que isso não é possível apenas com a elevação do nível tecnológico, ou seja, ganhos de produtividade e utilização de novas tecnologias não resultam por si só na melhoria da qualidade de vida do trabalhador rural. Ele cita como exemplo um setor da agricultura – a lavoura canavieira no nordeste – que obteve incrementos tecnológicos e de produtividade significativos e, a despeito disso, a qualidade de vida do trabalhador rural nestas lavouras piorou (Op. Cit, 30/31).

A concentração de terras e suas características gerais

A concentração de terras na mão de poucos é, para Prado Jr., a origem dos problemas. Com argumentos sólidos, ele desbanca teses da época de que não existia concentração; que o que existia era muita terra para pouca gente devido a grande extensão territorial do pais e sua pequena população (Op. Cit., p. 33). Desnecessário se aprofundar numa discussão destas nos dias atuais, pois a existência de concentração é um fato inquestionável. A consequência desta realidade é que pode ser vista de formas diferentes. Em poucas palavras, pode-se sintetizar a análise de Prado Jr. sobre a concentração da seguinte maneira, em suas próprias palavras:

“É em suma uma concentração de terras e propriedade que significa também a concentração de domínio sobre recursos econômicos que constituem a única fonte de subsistência daquela população”, (Op. Cit., p. 34)

Ou ainda,

“A concentração da propriedade fundiária tem assim o duplo efeito: primeiro, o de conceder ao empreendimento agromercantil uma base territorial conveniente para a realização de seus objetivos; e em seguida, de assegurar ao mesmo empreendimento a mão-de- obra indispensável de que necessita”. (Op. Cit., p. 43)

A concentração de terras, herança do Brasil colônia que se perpetuou, está presente em todo o território nacional, apesar de diferenças regionais quanto ao seu grau. Neste modelo, a pequena propriedade reside na periferia da grande, sujeita a suas conveniências e sua exploração. Alguns problemas identificados por Prado Jr. na relação latifúndio-minifúndio:

 Destaca a produção eficiente e rentável destinada ao mercado externo e a produção de baixa tecnologia e produtividade destinada ao mercado local;  A pequena propriedade prospera ou regride de forma inversa à grande. Se

a grande prospera, ela regride; se a grande regride, ela prospera. Quanto maior a prosperidade da grande, mais áreas ela deseja ocupar e mais comprimida é a agricultura de subsistência. O exemplo de Minas Gerais é clássico: com o aumento da demanda de carne pelas cidades e pelo resto do mundo, os pequenos arrendatários foram deslocados, pois compensava mais aos grandes proprietários engordar o gado.

 A decadência da grande propriedade pode implicar em sua subdivisão. No entanto, quando o progresso volta à região, a tendência à concentração volta.

A concentração de terras, a sucessão e o mercado de trabalho

A pequena propriedade é vulnerável ao fracionamento devido à sucessão, ao contrário do que se observa na grande. Esta é uma grande fragilidade: na sucessão, não há como expandir a área, visto que as áreas próximas já estão ocupadas pelas grandes propriedades. Com isso, a pequena propriedade vai sendo fracionada, até que não é mais capaz de produzir o necessário à subsistência da família. Prado Jr. fez questão de desfazer uma análise equivocada

de críticos da reforma agrária, que na época utilizavam o minifúndio como um exemplo claro de que a terra não deveria ser dividida para fins de reforma agrária. O minifúndio é sem dúvida um mal, mas não um mal decorrente da divisão da grande propriedade. O minifúndio origina-se a partir do oligopólio da terra por parte do latifúndio, o que obriga a pequena propriedade a se multiplicar e se comprimir até limites economicamente inviáveis.

Da dicotomia existente entre o latifúndio e o minifúndio, conforme Prado Jr.: “Resulta dessa situação para a grande exploração, uma dupla vantagem: de um lado, maior número de braços à procura de ocupação – donde maior a oferta de mão-de-obra, e tendência a redução de custo -, e doutro lado, um número crescente de pequenas propriedades inviáveis e prontas para serem reagrupadas e absorvidas pela grande exploração logo que isso seja da conveniência desta última” (Op. Cit., p. 75)

O latifúndio improdutivo

É recorrente na análise da questão agrária – do passado e atual - o hábito de centralizar o problema no “latifúndio improdutivo”. O latifúndio improdutivo deve ser eliminado, pois representa um grande desperdício de recursos. Mas não é só o latifúndio improdutivo que gera os problemas para o camponês sem terra ou com terra insuficiente para sua subsistência. É todo o latifúndio, produtivo ou não. Se todos os latifúndios fossem produtivos, ainda assim o agricultor seria explorado, por todas as razões expostas acima.

Prado Jr. não citou ou insinuou isso, mas é possível afirmar que o latifúndio improdutivo é um mal para toda a sociedade. Terras improdutivas monopolizadas por poucos à espera de valorização para serem comercializadas ou arrendadas em momento futuro prejudicam a coletividade do país. O latifúndio é prejudicial especialmente para o trabalhador do campo, enquanto o latifúndio improdutivo é prejudicial a todos. Quando se trata de questão agrária, contudo, deve-se focalizar o latifúndio em geral, e não somente o improdutivo. Quando os artigos de que

trata esta parte do trabalho foram publicados não havia ainda o Estatuto da Terra, de 1964.

Esta lei9, apesar de revolucionária em seu conteúdo, prevê a desapropriação para fins de reforma agrária das terras improdutivas, baseando-se em critérios de produtividade muito generosos aos grandes proprietários. Nunca foi colocada em prática, mas se fosse seria justo supor que teria como efeito a elevação do número de propriedades produtivas (ou a redução das improdutivas, o que dá no mesmo) e não a desconcentração da propriedade rural. Isso poderia gerar algum ganho para a coletividade, mas não para os camponeses. É justamente no processo de produção que o camponês é explorado.