Dois aspectos, citando Abramowicz (1989, p. 38), nos ajudaram no processo de coleta dos dados e na categorização do material: “[...] o conhecimento teórico da área, que fomos armazenando, e o conhecimento experiencial, objetivo e subjetivo, que possuíamos graças ao fato de estarmos trabalhando na e para a rede estadual de ensino”.
Certamente, o trabalho reflexivo e de imersão nos dados essenciais pesquisados nos permitiu uma melhor orientação para o foco da pesquisa. Segundo Abramowicz (1989, p. 38), “dessa forma, o envolvimento do pesquisador na situação bem como sua orientação teórica e experiencial anterior, foram fatores importantes no desenvolvimento do trabalho”. As falas dos entrevistados ilustrarão essas reflexões.
Depois de reiteradas leituras nas transcrições das entrevistas, elaboramos o Quadro 6, que seguiu as seguintes fases: (1) seleção e listagem dos elementos predominantes, que deram origem aos indicadores; (2) análise desses indicadores, que deram origem às categorias. Tal processo foi realizado com todas as entrevistas feitas com os sujeitos da pesquisa: os professores, os professores coordenadores, os vice-diretores e os diretores.
Neste primeiro momento, não separamos nossos sujeitos, pois, em nossa leitura, percebemos que suas vozes se repetiam quando elencavam os pontos dificultadores e os facilitadores, embora apresentando ênfases diferentes. Os resultados encontram-se nos indicadores e nas categorias obtidas, explicitados no Quadro 6, a seguir:
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Quadro 6 - Indicadores e categorias. (continua)
Indicadores Categorias Consultar professores Consultar alunos Expectativa Referencial Caminho longo Conversa anterior Diálogo
Consulta aos professores
Fragmentação Organização Continuidade Acompanhamento Descontinuidade Organização sequencial Bem claro Sem estética Sem cor Sem atividades Apresentação do material Organização bimestral Todos têm o material
Capacidade de acelerar o trabalho em sala de aula Organização do material Diferenças de saberes
Diferença de idades Diferenças regionais Diferenças culturais Diferenças sociais
Diversidade dos alunos Moradia
Condições de trabalho Condições sociais
Constituição familiar Abandono
Atividade fora da escola Aspectos emocionais
Afinamento
Trabalho agradável - Tempo na escola Trabalho em equipe
Falta
Descontinuidade Mobilidade dos professores
Desinformação Diálogo
Relações pessoais Trabalho da Coordenação
Imposição Massificação Adequação Critério imposto Ritmo imposto Conteúdo imposto Modelo fechado Realidade ilusória Atividade de mudança Ouvir o professor Autonomia e regulação Não acompanhamento Relutância Impossibilidade Mudança Resistência à mudança
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(conclusão) Teoria diferente da realidade
Diferença entre alunos Refletir Aprender Acelerar Conteúdo amplo Material extenso Planejamento Culpa Impossibilidade de trabalhar Condições de trabalho Testos difíceis
Textos longe da realidade Relação material e provas Gramática distante Leituras diferenciadas Algo novo
Cansativo
Interpretação - Acompanhamento Exercícios fora do contexto Excesso de material Linguagem inviável Utopia Interpretação Pré-requisito Conteúdos SARESP IDESP Bônus Salário Avaliação externa Formação inadequada
Dificuldade no trabalho docente Falta de acompanhamento Continuidade
Professores diferentes Promoção automática Promoção sem saber
Progressão continuada
Alunos com desigualdade curricular Currículo na federação
Continuidade Currículo único
Descontinuidade nos governos Pouco tempo
Carisma pessoal Respeito
Aspectos políticos Mudança, mas não inovação
Inovação no material Mudança de forma Mudança de conteúdos Resistência O novo Inovação e mudança
Fonte: Elaborado pela autora.
Para a discussão dos resultados, utilizamos como eixos os princípios centrais explicitados na Proposta Curricular em implantação no estado: uma escola que também
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aprende, o currículo como espaço de cultura, as competências como referência, prioridade para a competência da leitura e da escrita, e articulação das competências para aprender, relacionando-os com as categorias obtidas na análise das entrevistas.
O sexto princípio, a articulação com o mundo do trabalho, não será analisado, tendo em vista ser um princípio mais voltado, na Proposta Curricular, para o Ensino Médio, fugindo, dessa maneira, de nosso recorte de pesquisa, que estuda a implantação da nova Proposta Curricular no Ensino Fundamental ciclo 2.
Para melhor compreensão, elaboramos o Quadro 7, abaixo, que relaciona os princípios centrais da Proposta Curricular e as categorias obtidas na análise das entrevistas.
Quadro 7 - Os princípios centrais da Proposta Curricular e as categorias obtidas na análise das entrevistas.
Princípio central da Proposta Curricular Categorias obtidas na análise das entrevistas
1 - Uma escola que também aprende
Consulta aos professores Autonomia e regulação Trabalho da Coordenação Trabalho em equipe Condições de trabalho
2 - O currículo como espaço de cultura
Aspectos políticos Aspectos emocionais Diversidade dos alunos Condições sociais 3 - As competências como referência Inovação e mudança
Resistência à mudança 4 - Prioridade para a competência da leitura e
da escrita Progressão continuada Currículo único
5 - Articulação das competências para aprender
Avaliação externa Conteúdos
Organização sequencial
Organização e apresentação do material
Fonte: Elaborado pela autora.
Para a discussão de cada princípio, elaboramos uma matriz de análise com dois grandes eixos, elementos dificultadores (eixo 1) e elementos facilitadores (eixo 2), considerando o nosso objetivo de pesquisa. Esses eixos foram subdivididos em dois núcleos cada um, o dos docentes e o dos gestores, de acordo com os nossos sujeitos de pesquisa. Portanto, a análise foi feita da seguinte forma: no eixo 1 (elementos dificultadores), analisamos os professores (núcleo 1) e os gestores (núcleo 2), em cada escola pesquisada. A
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mesma forma de análise foi repetida no eixo 2 (elementos facilitadores). Para uma melhor visualização, elaboramos o Quadro 8, abaixo.
Quadro 8 - Matriz de análise.
MATRIZ DE ANÁLISE
Eixo 1
Fatores dificultadores
1 - Núcleo Docente Núcleo dos professores
2 - Núcleo Gestor
Núcleo dos professores coordenadores Núcleo dos vice-diretores
Núcleo dos diretores
Eixo 2
Fatores facilitadores
1 - Núcleo Docente Núcleo dos professores
2 - Núcleo Gestor
Núcleo dos professores coordenadores Núcleo dos vice-diretores
Núcleo dos diretores
Fonte: Elaborado pela autora.
Devemos lembrar que, por diversas vezes, esses eixos aparecerão entrelaçados em nossas análises, tendo em vista posições semelhantes entre os núcleos e ainda a constatação de que algumas categorias se repetem tanto no eixo 1, apresentadas pelos entrevistados como aspectos dificultadores, quanto no eixo 2, como aspectos facilitadores.