2.2. Kamu Yönetiminde Paradigma Arayışları ve Yeni Kamu Yönetimi Yaklaşımları
2.2.3. Yeni Kamu İşletmeciliği Yaklaşımı
Antes de abordarmos o quadrado argumentativo idealizado por Carel e Ducrot (2005), vamos recuperar o quadrado de oposições, ou aristotélico, a fim de estabelecermos distinções entre eles.
Na sexta conferência de Polifonía y Argumentación, Ducrot (1990, p.136) utiliza o quadrado aristotélico na tentativa de descrever as relações entre grupos de adjetivos que, de alguma forma, apresentam certo vínculo semântico entre si, tal como acontece entre gastador, avaro, generoso e econômico. Sua tentativa seria, então, recorrer ao quadrado de oposições e testar sua aplicabilidade.
Os adjetivos são assim dispostos:
Figura 4: Aplicação do Quadrado Aristotélico (1)
Fonte: figura elaborada com base em Ducrot (1990, p.137)
Assim descrevemos o quadrado:
Implicação Contrariedade Subcontrariedade Contradição Contradição Gastador Avaro Generoso Econômico Implicação
As setas indicam implicação unilateral, pois ser gastador implica ser
generoso, e ser avaro implica ser econômico;
As diagonais indicam contradição: se alguém for gastador, não será
econômico; se for econômico, não será gastador, sendo a mesma relação
entre generoso e avaro;
A linha superior designa contrariedade: alguém não pode ser gastador e
avaro ao mesmo tempo, mas é possível não ser nem um nem outro (isto
é, alguém pode ser um deles, ou nenhum);
A linha inferior designa subcontrariedade: é possível alguém ser
generoso e econômico ao mesmo tempo, mas não é possível não ser um
ou outro (isto é, alguém pode ser os dois ou pelo menos um deles, necessariamente).
Para Ducrot (1990), a disposição desses adjetivos no quadrado de Aristóteles não deixa de ser interessante, pois tal estrutura parece permitir a descrição de outros grupos de quatro palavras, como todos, nenhum, alguns e alguns + negação, ou como
covarde, medroso, prudente e valente. Assim:
Figura 5: Aplicação do Quadrado Aristotélico (2)
Fonte: figura elaborada com base em Ducrot (1990, p.137)
Porém, Ducrot (1990, p.138) faz uma ressalva: a descrição feita por meio das relações formais do quadrado aristotélico envolve os conceitos das palavras, não o seu uso. Para ele, a formalização por esse meio perde o valor se o interesse estiver na descrição do emprego dessas palavras no discurso. Por exemplo, as relações de
Implicação Contrariedade Subcontrariedade Contradição Contradição Covarde Todos Medroso Nenhum Alguns Prudente Alguns + neg Valente Implicação
implicação apresentadas acima nem sempre poderão ser traduzidas em encadeamentos argumentativos: X é gastador, logo é generoso ou Y é avaro, portanto é econômico, que parecem estranhos no uso da língua. O estranhamento vem da orientação argumentativa de gastador, por exemplo, que pode ter como continuação uma crítica a quem se fala, incompatível com generoso, que conduz para um elogio. Assim, Ducrot encerra sua reflexão: “Se nos interessamos, portanto, pelo discurso, quer dizer, se buscamos uma descrição linguística das palavras que dê conta do discurso, tal descrição não poderia satisfazer-se com as relações lógicas que subentendem o quadrado aristotélico.” (DUCROT, 1990, p.138, tradução nossa). Em contrapartida ao quadrado de oposições, o quadrado argumentativo não considera as condições de verdade para estabelecer os vínculos entre as entidades, mas relações discursivas.
Como existe um elo de interdependência semântica entre os segmentos A e B de um aspecto argumentativo, esses segmentos podem formar oito possibilidades de encadeamentos, por meio da alternância dos conectores e a presença da negação. Esses oito aspectos dividem-se em dois blocos de quatro aspectos, em que a relação entre A e B é a mesma dentro dos quatro aspectos de cada bloco semântico. O modo de formalizar a noção de bloco semântico dá-se por meio de um quadrado argumentativo. Por exemplo, os aspectos abaixo formam um bloco semântico BS1:
A DC B A PT neg-B neg-A PT B neg-A DC neg-B
Por outro lado, esses segmentos podem relacionar-se de outra maneira, gerando outro conjunto. Os outros quatro aspectos, que formam o bloco BS2, são:
A DC neg-B A PT B neg-A DC B neg-A PT neg-B
Os aspectos pertencentes a cada bloco estabelecem, entre si, relações discursivas, denominadas conversas, recíprocas e transpostas (CAREL; DUCROT, 2005, p.40). São conversos os aspectos A CON B e A CON’ neg-B, em que ocorre a troca dos conectores e a negação do segundo segmento; são recíprocos A CON B e neg- A CON neg-B, em que são mantidos os conectores e ambos os segmentos são negados; por fim são transpostos A CON B e neg-A CON’ B, em que há alternância dos conectores e negação do primeiro segmento.
As relações entre os aspectos argumentativos podem ser representadas pelo esquema abaixo, que formaliza o bloco BS1:
Figura 6: Bloco Semântico BS1
Fonte: figura elaborada com base em Carel e Ducrot (2005, p.46)
Desse modo, são conversos os aspectos: (1) A PT neg-B e (4) A DC B
(2) neg-A PT B e (3) neg-A DC neg-B
São recíprocos:
(1) A PT neg-B e (2) neg-A PT B (3) neg-A DC neg-B e (4) A DC B
Por último, são transpostos:
(1) A PT neg-B e (3) neg-A DC neg-B (2) neg-A PT B e (4) A DC B Recíprocos Recíprocos Conversos Transpostos Transpostos Conversos (1) A PT neg-B (2) neg-A PT B (3) neg-A DC neg-B (4) A DC B
A mesma interdependência entre A e B dá origem ao bloco BS2, contrário ao anterior, esquematizado por:
Figura 7: Bloco Semântico BS2
Fonte: figura elaborada com base em Carel e Ducrot (2005, p.46)
Os aspectos (5), (6), (7) e (8) mantêm, entre si, as mesmas relações discursivas descritas para BS1. Por meio da relação entre BS1 e BS2, notamos que constituem blocos contrários. A contrariedade é bem marcada se forem comparados, por exemplo, os aspectos (4) e (8), respectivamente dos blocos BS1 e BS2:
(4) A DC B (8) A DC neg-B
Entre ambos há manutenção do primeiro segmento e do conector, mas o segundo segmento é negado em (8), resultando em novo sentido. Um exemplo concreto poderá explicitar melhor. Partindo-se de uma relação de interdependência entre fazer tempo bom e ir à praia, temos os seguintes aspectos do bloco BS1:
(1) Fazer tempo bom PT neg-ir à praia
(2) neg-fazer tempo bom PT ir à praia
(3) neg-fazer tempo bom DC neg-ir à praia
(4) Fazer tempo bom DC ir à praia
Recíprocos Recíprocos Conversos Transpostos Transpostos Conversos (5) A PT B (6) neg-A PT neg- B (7) neg-A DC B (8) A DC neg-B
Os aspectos acima pertencem ao mesmo bloco semântico – o que articula fazer
tempo bom a ir à praia, ou o tempo bom é convidativo a ir à praia. Contudo, pode ser
constituído o bloco BS2, articulando fazer bom tempo a não ir à praia (uma situação que pode parecer estranha, talvez aplicável a alguém que não possa tomar sol, mas é uma relação discursiva possível):
(5) Fazer tempo bom PT ir à praia
(6) neg-fazer tempo bom PT neg-ir à praia (7) neg-fazer tempo bom DC ir à praia (8) Fazer tempo bom DC neg-ir à praia
Percebemos a diferença entre os aspectos de (1) a (4) e de (5) a (8) justamente por constituírem blocos semânticos contrários: em BS1 a ida à praia está relacionada ao bom tempo, ao passo que em BS2 o bom tempo impede a ida à praia.