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1.4. Pozitivist Paradigma ve Evrenselcilik Anlayışının Klasik Kamu Yönetim

2.1.2. Bilim Anlayışındaki Değişim ve Yorumlayıcı Paradigma

Pela concepção tradicional de sentido, geralmente, distinguem-se nos enunciados três tipos de indicações semânticas: as objetivas, as subjetivas e as intersubjetivas, tal como o fez Karl Bühler (DUCROT, 1990, p.49). O linguista alemão dizia haver três funções principais na língua relativas às indicações de sentidos,

respectivamente: a representação da realidade, a expressão das atitudes do locutor e a ação do locutor sobre o alocutário.

Por essa perspectiva, o enunciado Maria é uma profissional competente teria um aspecto objetivo, já que contém uma descrição de Maria; igualmente, teria um aspecto subjetivo ao revelar a apreciação positiva que o locutor faz dela; e ainda o intersubjetivo, provavelmente induzindo o alocutário, por exemplo, a ter confiança em Maria. Ducrot (1990) rejeita essa concepção tripartida de sentido.

Em primeiro lugar, na visão do linguista, não há um componente objetivo na linguagem, até porque a linguagem não descreve diretamente a realidade. Dizemos

diretamente porque a realidade é descrita de certa forma pela linguagem, mas por meio

dos aspectos subjetivos e intersubjetivos. No exemplo dado, a qualificação é uma

profissional competente somente descreve Maria pela apreciação que o locutor faz dela,

e, simultaneamente, pelo “pedido” que o locutor faz ao alocutário para que se comporte de uma certa maneira em relação a ela. Em outras palavras, se a linguagem diz algo sobre o mundo, o faz pela subjetividade e pela intersubjetividade.

Outra razão pela qual Ducrot (1990) se opõe à concepção tradicional de sentido é que o linguista une os aspectos subjetivo e intersubjetivo no conceito de valor

argumentativo. Afirma: “O valor argumentativo de uma palavra é, por definição, a orientação que essa palavra dá ao discurso.” (DUCROT, 1990, p.51, tradução nossa). Quer dizer que as expressões linguísticas, e aqui incluímos também enunciados e não só palavras, trazem em si possibilidades de continuação do discurso, ao mesmo tempo que impedem outras. O valor argumentativo de uma expressão é, então, o conjunto dessas possibilidades, ou impossibilidades, de continuação discursiva. O exemplo Maria é uma

profissional competente pode orientar para então terá êxito no novo projeto, ou portanto não há com o que se preocupar, etc. Percebemos uma continuação de certa forma

positiva a partir do enunciado. Tanto parece ser assim que, caso o locutor prossiga o discurso com não tem tempo para abraçar novas atividades, terá de marcar essa mudança de orientação com mas, contudo, porém, etc.

Para Ducrot (1990), com a noção de valor argumentativo, não há mais razão para separar o sentido de uma expressão linguística em aspectos subjetivo e intersubjetivo. A própria continuação no discurso revela a subjetividade do locutor e, simultaneamente, indica ao alocutário a construção do sentido numa dada direção semântica.

A definição de argumentação também é normalmente vinculada à ideia de ter apoio nos fatos do mundo, como se uma conclusão C fosse resultado de uma inferência a partir de um fato F – denominada de concepção ingênua, segundo Ducrot (1990, p.75). Assim, um argumento A indicaria o fato F, que, por sua vez, implicaria a conclusão C. O argumento A seria uma representação da realidade que poderia ser considerada verdadeira ou falsa, independentemente da conclusão feita a partir dela. Ainda, nessa perspectiva, F e C estariam conectados por razões lógicas, ou psicológicas, ou por motivos sociológicos, ou pelo conhecimento de mundo, mas em nada vinculado à língua em si. A língua serviria, então, como instrumento para o elo entre F e C, como uma passagem. Sua contribuição para a argumentação, assim, seria bem restrita.

A oposição que Ducrot (1990) faz relativamente a essa perspectiva “ingênua” reside na possibilidade dada pela língua de designar, por meio de expressões linguísticas distintas, o mesmo fato F no mundo. Além disso, essas expressões distintas permitem construir argumentações também diferentes, mesmo referindo-se a F. Vejamos um exemplo. Digamos que uma criança tenha dormido uma certa quantidade de horas à tarde. Podemos dizer que a criança dormiu pouco ou um pouco, dependendo do que quisermos concluir sobre a quantidade de tempo de sono. Podemos falar: dormiu

pouco, portanto deve sentir sono à noite ou dormiu um pouco, logo não deve sentir sono à noite. O que temos, de fato, são apreciações distintas a respeito da mesma

situação, nesse caso, o número de horas de sono da criança. Vemos, então, que um mesmo fato pode levar a “conclusões” opostas, ou, em termos de orientação argumentativa, a continuações distintas. A partir dessa constatação, podemos dizer que as argumentações são determinadas pela língua, e não simplesmente pelos fatos. São as escolhas linguísticas do locutor que irão orientar o seu discurso em uma direção ou em outra, portanto, a argumentação reside no sistema linguístico, que permite algumas continuações e impede outras a partir de uma dada entidade.

Podemos citar outro exemplo, com as expressões quase e não...ainda. Imaginemos uma situação na qual faltam alguns minutos para as 21h, hora do início de uma peça teatral. Desse momento podemos enunciar são quase 21h ou não são ainda

21h, dependendo de como quisermos continuar nossa fala. Se escolhermos são quase 21h teremos como continuação expressões que indiquem a necessidade de apressar-se,

visto a iminência de começar o espetáculo, como não vamos perder tempo; ou vamos

discurso apontará para a não necessidade de ter pressa, e teremos possíveis continuações como temos tempo ou podemos caminhar até o teatro. O tempo que separa o momento da enunciação até as 21h é o mesmo, tanto em um quanto no outro exemplo. A diferença está no modo de o locutor avaliar esse espaço de tempo, e o fará pela linguagem, com vistas a argumentar. Logo, a representação do mundo se dá por uma descrição argumentativa da realidade, feita pelo locutor. O locutor não tem como apreender a realidade senão pela linguagem, e nessa apreensão ele expressa sua subjetividade, sua interpretação da circunstância, a consideração que faz do alocutário. Assim, ele argumenta.

São constatações desse tipo que levaram Ducrot a sustentar que a argumentação está na língua, é prevista por ela. Em Ducrot (1989, p.18) há que “[...] a significação de certas frases contém instruções que determinam a intenção argumentativa a ser atribuída a seus enunciados: a frase indica como se pode, e como não se pode argumentar a partir de seus enunciados.” (DUCROT, 1989, p.18). Assim, o conceito de orientação argumentativa presente nas palavras permitiu Ducrot afirmar que a argumentação está no sistema da língua.

Ao fecharmos esta seção, cabe retomarmos o percurso que escolhemos para apresentar a fundamentação teórica desta tese. Chegamos à definição de argumentação pela ANL, no final na seção 1.1, passando por outros modos pelos quais a argumentação pode ser vista. Em seguida, apresentamos como Ducrot concebe a argumentação: a expressão de um sentido, por um locutor, decorrente da interdependência semântica entre dois segmentos articulados por um conector do tipo portanto ou do tipo no

entanto. Na finalização desta seção, respondemos à nossa segunda pergunta: por que argumentação na língua. Vimos que, basicamente, a argumentação estava vinculada a

representações da realidade e que a língua em si tomava um papel restrito, de intermediária entre os fatos e as conclusões feitas a partir deles. De maneira contrária, Ducrot localiza a argumentação no próprio sistema linguístico, ao afirmar que as expressões da língua carregam em si uma orientação argumentativa para a continuação do discurso, independentemente da representação que possam fazer da realidade, e que o sentido de uma entidade linguística é dado pela relação entre uma expressão e outras expressões que a seguem. Logo, a argumentação não está nos fatos do mundo, mas está na natureza da língua.

Os conceitos da ANL apresentados até aqui são fundamentais para a fase mais recente deste corpo teórico: a Teoria dos Blocos Semânticos.

3 A TEORIA DOS BLOCOS SEMÂNTICOS