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YENİ MERKEZ BANKASI KANUNU VE BAĞIMSIZLIK

PARA POLİTİKASI VE PİYASALAR

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A obra Dos Deveres (De Officiis) foi escrita em 44 a.C. em uma época de crise política, logo após o assassinato de Júlio César e constitui a última obra filosófica de Cícero.

Cícero dedica a obra ao seu segundo filho e único homem, Marco, que se encontrava na Grécia estudando oratória e filosofia. Em um dos capítulos da obra Cícero esclarece o leitor que o tratado apresentado era um substituto para uma visita ao filho que não pôde ser realizada por motivos políticos. Sua intenção era através desse tratado passar ao filho orientações e conselhos. No entanto, é um trabalho feito não apenas para Marco, mas também para outros jovens romanos da classe

governante que tivessem interesse em aprender com a advertência e o exemplo de um homem mais velho.

O tratado é constituído por três livros onde para os dois primeiros Cícero teria se inspirado no famoso tratado Sobre o Dever de autoria de Panécio, aristocrata ródio que viveu entre 180 e 109 a.C. e foi chefe da escola estoica de Atenas por volta de 129 a.C., em razão disso percebemos a forte influência do estoicismo nesta obra. Segundo Milton Valente:79

Seriamos tentados a pensar que o trabalho de Cícero não passaria de simples releitura do modelo estoico. Efetivamente, os estoicos escreviam de bom grado sobre “os deveres” ou “o dever”. Abordado pelos três fundadores, Zenão, Cleanto e Crisipo, o tema foi de novo estudado por Antíoaro de Tarso e Diógenes de babilônia. Particularmente famosos foram o tratado de Panécio e o de Hecatão de Rodes. Houve também dois contemporâneos de Cícero que nele se exercitaram: Possidônio de Apaméia e Antíparo de Tiro. O gênero era, pois, familiar aos estoicos, e Cícero podia facilmente encontrar um modelo entre eles.”

Os três livros tratam, cada qual, dos tipos de deliberações que governam a conduta humana, uma vez que existindo uma hierarquia dos deveres é preciso saber escolher um mais que outro. Os três tipos são: a honestidade (e seu contrário), o útil (e seu contrário) e ainda a maneira correta de resolver aparentes choques entre esses dois.80

Desta forma o que Cícero pretende é ensinar como tomar decisões morais, como analisar diferentes caminhos possíveis de ação, enfim a sermos “bons calculadores dos nossos deveres” (I. 59).

Trata-se de uma obra sobre ética prática com ênfase na moralidade social e política. Muito embora Cícero apresente seus preceitos como aplicáveis a vida como um todo seu interesse na verdade se verte para o comportamento dos homens em sociedade. Podemos descrever o De Officiis como um manual destinado aos membros da classe governante que versa sobre os deveres que têm para com seus pares na vida privada e para com seus concidadãos na vida pública.81

79 VALENTE, Milton. A ética estoica em Cícero. Caxias do Sul: Educs, 1984, p. 424. 80 CHAUÍ, Marilena. Op. cit., p. 229.

No Livro I o honesto é dividido em quatro virtudes principais as quais as ações devem estar ligadas, são elas: a sabedoria, a justiça, virtude considerada por Cícero soberana as demais, a coragem ou magnanimidade e temperança. Assim, Marco Túlio:82

(...) Mas tudo que é honesto nasce de uma de quatro partes. Com efeito, consiste ou no discernimento e na apreensão do verdadeiro, ou na manutenção da sociedade dos homens, e, atribuindo-se a cada um o que é seu, na fé dos contratos, ou na grandeza e resistência do ânimo elevado e invencível, ou na ordem e medida de todas as coisas feitas e ditas, nas quais se encontram a modéstia e a temperança.

Embora, essas quatro partes estejam ligadas e implicadas entre si, todavia, de cada uma nascem certos tipos de deveres, como daquela que foi descrita primeiramente, onde colocamos a sabedoria e a prudência, surgem a indagação e a invenção do verdadeiro, função própria dessa virtude.

O segundo livro trata das noções de utilidade e de como ela e a honestidade são indissociáveis. Para o autor, se o útil se tornar nocivo a alguém então deixará de ser honesto.

Nesse livro Cícero encerra conselhos da moral prática que se poderiam ministrar aos jovens romanos do século I antes de Cristo, e o faz muito mais utilizando exemplos históricos do que através de demonstração especulativa.83

Por fim, no terceiro livro Cícero afirma estar versando sobre o aparente conflito entre o útil e cada uma das quatro divisões do honesto. No entanto, no decorrer do livro percebe-se que os conflitos que ocupam a maior parte são os que ocorrem entre a justiça e o interesse próprio, que falsamente se apresenta como sabedoria ou “sensatez”.84 Ao tratar do conflito com a coragem, por exemplo,

82 Dos deveres. Tradução Angélica Chiapeta. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 11. 83 VALENTE, Milton. Op. cit., p. 425.

84 Importante lembrar que essa noção de sensatez é grega e gera a própria palavra direito. Sensatez

vem de phronesis. Conforme assevera Tercio Sampaio Ferraz Jr. Op. cit., p. 33: “A palavra

jurisprudência – (júris)prudentia, uma das expressões usadas pelos romanos, ao lado de disciplina, scientia, ars, notitia, para designar o saber jurídico – liga-se, nesse sentido, ao que a filosofia grega

chamava de fronesis (discernimento). Tal palavra era entendida, entre os gregos, como virtude.

Fronesis, uma espécie de sabedoria e capacidade de julgar, na verdade consistia numa virtude

desenvolvida pelo homem prudente, capaz, então, de sopesar soluções, apreciar situações e tomar decisões. Para que a fronesis se exercesse, era necessário o desenvolvimento de uma arte (ars,

techne) no trato e no confronto de opiniões, proposições e ideias que, contrapondo-se, permitiam

uma explanação das situações. Essa arte ou disciplina corresponde aproximadamente ao que Aristóteles chamava de dialética. Dialéticos, segundo o filósofo, eram discursos somente verbais, mas suficientes para fundar um diálogo coerente – o discurso comum”.

envolve a discussão da justiça de se manter o juramento, e ao falar do conflito com a temperança ataca os epicuristas por tratarem a adoção das virtudes como forma de obter prazer, e segundo o autor a justiça não poderia jamais ser encarada dessa maneira, nas palavras de Cícero:85

Primeiramente, que lugar reservamos à prudência? Procurando gozos por toda a parte? Que infeliz servidão da virtude, escrava do prazer! E qual será a função da prudência? Supondo-se que não há nada mais agradável que isso, podemos imaginar algo mais torpe? Junto de quem afirma que o sofrimento é o sumo mal, que lugar ocupa a coragem, que despreza as dores e penas? Por mais numerosas, com efeito, que sejam as passagens onde Epicuro fale corajosamente, como de fato fala, do sofrimento, não devemos considerar o que ele diz mas o que para ele seria lógico dizer, já que fez do prazer a medida de todos os bens e da dor a medida dos males. É como se eu o ouvisse discorrer sobre o autocontrole e a temperança: sem dúvida fala muitas coisas em muitos lugares, mas “a água não corre” conforme o ditado. Pois como elogiaria a temperança em homem que coloca o sumo bem no prazer? Com efeito, a temperança é a inimiga dos desejos, e os desejos são amantes do prazer.

Ora, nesses três domínios, os tais filósofos tergiversam como podem, e não sem argúcia: apresentam a prudência como a ciência que fornece os prazeres e repele as dores. Mostram a coragem, de certa forma, como a maneira de desdenhar a morte e suportar o sofrimento. Não sem dificuldade, mas da melhor maneira possível, introduzem a temperança: sustentam que a intensidade do prazer tem por alvo a eliminação da dor. Quanto à justiça, ela vacila ou antes cai por terra, bem como todas as virtudes que dizem respeito à comunidade e aos vínculos sociais do gênero humano. De fato, não poderá haver bondade, generosidade, cortesia ou amizade se essas virtudes não foram buscadas por si mesmas, mas relacionadas ao prazer e a utilidade.

Além do exposto, Cícero, em seu terceiro livro, faz algumas reflexões acerca da noção legal de “homem bom”, e ainda, ao atacar a “sensatez” aparente trata dos problemas da fraude e da boa fé.

Juntos, os três tratados, Da República, Das Leis e Dos Deveres, apresentam as orientações de Cícero para a regeneração da classe governante de Roma, fundindo preceitos da filosofia grega aos valores tradicionais dos estadistas romanos.

2 CÍCERO E O ESTOICISMO: INFLUÊNCIAS DO ESTOICISMO EM

SEU PENSAMENTO SOBRE O DIREITO E A JUSTIÇA