2. KENT MARKALAŞMASI İÇİN YARATICI EKONOMİ EKSENİNDE BİR
2.3 Yaratıcı Ekonominin Mekanı Yaratıcı Kent Ve Tasarım Kenti Sıfatı
2.3.1 Yaratıcı kent
Hayek tem sido apresentado, nos quadrantes desta pesquisa, praticamente como um representante do liberalismo; um liberal, por assim dizer.
No entanto, é preciso ressaltar que não desconhecemos a existência de interpretações que imputam a esse liberalismo hayekiano fortes elementos conservadores (MULLER, 1997; VINCENT, 1995). Nesse sentido, e acompanhando Andrew Vincent (1995, p. 42), Hayek poderia ser classificado tanto como conservador quanto como liberal.
Embora não se pretenda aprofundar na polêmica, tecemos alguns comentários a respeito dessa dubiedade apenas para pontuar os aspectos que nossa interpretação considerou para aprender o autor como liberal – e não como conservador. A questão é espinhosa e Jerry Z. Muller a comenta:
The question of whether Hayek should be considered a liberal or a conservative is by no means easily answered: much depends not only on how these terms are definid, but on the stage of Hayek's thought and the elements of his thought that are highlighted. Hayek's political thought was stamped by the brand of liberalism developed by the educated civil service class of the Austro-Hungarian empire from which he sprang. They were secularist in outlook, and committed to economic liberalism and the rule of law. Their cosmopolitanism took the form of attachment to a monarchy which served to integrate a polyglot empire. This most economically and culturally modern sector of Habsburg society paradoxically looked to the imperial house to protect its position and its liberal project from a variety of foes: the anti-capitalism of the aristocracy. (MULLER, 1997, p. 315, grifo nosso).
Não obstante as peculiaridades do contexto político-cultural austríaco que marcaram o pensamento hayekiano, é possível enxergar elementos conservadores em Hayek valendo-se de várias perspectivas.
Somente para ilustrar, poder-se-ia verificar a influência de tendências histórico- conservadoras em Hayek como seu respeito aos costumes e às tradições como a da liberdade e da propriedade privada; ou no seu apego à “ordem espontânea da sociedade”; e mesmo no seu “antidemocratismo” e no seu “anticomunismo”, inclusive traçando surpreendentes afinidades com o conservadorismo de Carl Schmitt, autor que, inclusive, Hayek admirava (HERRERA, 2012, p. 72).
Em verdade, o próprio Hayek procurou responder à essa questão escrevendo um posfácio de seu livro Fundamentos da liberdade, denominado Por que não sou
um conservador. Hayek inicia sua “defesa” comentando peculiaridades contextuais e usos indevidos dos termos:
O verdadeiro conservadorismo é uma atitude legítima, provavelmente necessária, e com certeza bastante difundida, de oposição a mudanças drásticas. Desde a Revolução Francesa, representa um papel importante na política européia. Até o surgimento do socialismo, o oposto do conservadorismo era o liberalismo. Este conflito não encontra equivalente na história dos Estados Unidos da América, porquanto o que na Europa se chamava “liberalismo” aqui representava a tradição comum, sobre a qual fora constituído o Estado americano: assim, o defensor da tradição americana era um liberal no sentido europeu. A confusão piorou com a recente tentativa de transplantar para a América o tipo europeu de conservadorismo, que, por ser alheio à tradição americana, assumiu caráter de certo modo singular. E, além disso, os radicais e socialistas americanos já haviam começado a se denominar “liberais”. (HAYEK, 1983, p. 467). Após situar “geograficamente” os termos, Hayek já demonstra-nos sua inclinação sobre a questão:
Por sua própria natureza, o conservadorismo não pode oferecer uma alternativa ao caminho que estamos seguindo. Por resistir às tendências atuais poderá frear desdobramentos indesejáveis, mas, como não indica outro caminho, não pode impedir sua evolução. Por esta razão, o destino do conservadorismo tem sido invariavelmente deixar-se arrastar por um caminho que não escolheu. A luta pela supremacia entre conservadores e progressistas só afeta o ritmo, não o rumo dos acontecimentos contemporâneos, mas, embora seja necessário “frear o curso do progresso”, pessoalmente não posso limitar-me a ajudar a puxar o freio. (HAYEK, 1993, p. 467, grifo nosso).
Justificando que sua perspectiva não é conservadora, Hayek assevera: “fundamentalmente, o liberalismo quer tomar outro caminho, e não permanecer parado”, pois “nunca foi uma doutrina retrógrada” e “o liberalismo não é contrário à evolução e à mudança” (HAYEK, 1983, p. 468). Hayek ainda expõe as razões pelas quais defende certas instituições:
Na verdade, o liberal acredita que o mais urgente e necessário em quase todo o mundo seja a eliminação completa dos obstáculos à evolução espontânea. O fato de nos Estados Unidos ainda ser possível defender a liberdade individual defendendo as instituições mais antigas não nos deve impedir de perceber a diferença entre liberalismo e conservadorismo. Para o liberal estas instituições são preciosas não porque existem há muito tempo, ou porque são americanas, mas porque correspondem aos ideais que tanto preza.(HAYEK, 1983, p. 469, grifo nosso).
Com isso, chegamos ao primeiro ponto no qual as atitudes liberais e conservadoras diferem radicalmente. Como muitas vezes os escritores conservadores reconheceram, uma das principais características da atitude conservadora é o medo da mudança, uma desconfiança tímida em relação ao novo enquanto tal, ao passo que a posição liberal se baseia na coragem e na confiança, na disposição de permitir que as transformações sigam seu curso, mesmo quando não podemos prever aonde nos levarão. [...] Como não confia nem em teorias abstratas nem em princípios gerais, não compreende as forças espontâneas nas quais se baseia uma política de liberdade nem dispõe de bases para formular princípios de política de governo. (HAYEK, 1983, pp. 469-470, grifo nosso). Para posicionar essas teses políticas, Hayek (1983, p. 468) propõe um triângulo como diagrama que separa conservadores, liberais e socialistas, com os conservadores ocupando um ângulo, os socialistas puxando para o segundo e os liberais para o terceiro. Nesse sentido, não se deve confundir liberalismo com conservadorismo. Na realidade, liberais e conservadores só têm em comum a sua oposição ao socialismo (STEWART JR., 1995, p. 15).
Parece-nos que o resgate dessas ideias é suficiente para demonstrar as razões pelas quais o próprio Hayek discorda das interpretações que lhe imputam uma visão conservadora.
Argumentamos que Hayek representa a doutrina liberal (e não conservadora) por efetivamente defender a “espontaneidade” que carrega consigo a liberdade individual (e o governo limitado), além do comércio livre e livre empreendimento. Afinal, seu princípio orientador – o de que uma política de liberdade para o indivíduo é a única política que de fato conduz ao progresso (HAYEK, 2010, p. 222) – é o que mais ressalta de seu pensamento e, pensamos, basta para caracterizá-lo como um liberal (e não um conservador).
Ainda quanto à caracterização de Hayek como um liberal, resgatemos a opinião de Norberto Bobbio (2000a, p. 88-89), que afirma que as obras de Hayek “podem muito bem ser consideradas a summa da doutrina liberal contemporânea”, representando uma confirmação daquilo que foi o núcleo originário do liberalismo clássico: uma teoria dos limites do poder do Estado, derivados da pressuposição de direitos ou interesses do indivíduo, precedentes à formação do poder político, entre os quais a propriedade privada. Também nesse mesmo sentido, considere-se a caracterização de Hayek como um dos principais teóricos do neoliberalismo78
(KASAHARA, 2006, p. 429).
78 Do ponto de vista da sua fundamentação doutrinária, o neoliberalismo não difere muito do